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Quem lucra com as execuções do Hamas?

Israel estava perdendo o apoio do mundo inteiro por causa das inúmeras mortes de inocentes causadas por suas operações militares na Faixa de Gaza. Então, muito convenientemente,  apareceram os vídeos do Hamas executando publicamente diversos palestinos por suposta colaboração com Israel. 

Hamas executa 18 palestinos por colaborar com Israel

Só eu acho estranho demais que, quando o mundo inteiro estava retirando o apoio a seu inimigo, o Hamas resolva dar uma demonstração teatral de intolerância e barbárie que óbvia e previsivelmente supera em muito o nível de rejeição de todas as mortes de civis de que ele mesmo acusa Israel, atraindo novamente para si o ódio de todo o planeta? 

Se eu fosse Benjamin Netanyahu, a estas horas estaria pulando de alegria, batendo palmas e dando vivas ao Hamas, pelo incrível favor prestado. De um momento para o outro, todo o mundo deixou de comentar as mortes de crianças e outros inocentes devido aos bombardeios de Israel e passou a condenar furiosamente as execuções promovidas pelo Hamas. 

A conveniência do momento político, dos métodos brutais e da justificativa das execuções é tão grande, mas tão grande, mas tão grande, que eu começo a pensar se os extremistas do Hamas não são um bando de palermas raivosos financiados por extremistas israelenses muito mais espertos e maquiavélicos. 

Que sorte que eu não tenho como investigar a hipótese. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 26/08/2014. 

METATOLERÂNCIA

Não seja tolerante, seja metatolerante. Ser indiscriminadamente tolerante é contraproducente, pois aumenta a intolerância. Ser indiscriminadamente tolerante não é sabedoria, é comodismo e fuga de responsabilidade. 

METATOLERÂNCIA

Se você deseja ser coerente em sua ação no mundo, tem que agir de modo lógico. Guiar-se por wishful thinking e fórmulas prontas que não exigem discernimento e entendimento das conseqüências imediatas e mediatas de seus atos é um método perfeito para produzir o oposto do que você quer. 

Se você deseja que o mundo se torne mais tolerante, é necessário ser intolerante com a intolerância. Isso tem que ser compreendido em profundidade. Para buscar esta compreensão, vamos fazer um exercício intelectual. 

Vamos imaginar quatro cenários hipotéticos, correspondentes às quatro linhas da tabela-verdade da metatolerância, em cada um dos quais a Skynet envia alguns milhares de Exterminadores do Futuro programados para derrubar o governo e instalar a oposição no governo. 

Cenário 1

Os Teletubbies são o governo mundial. Os Predadores são oposição. 

O governo promove cidadania, planta flores e cria coelhinhos. 

A Skynet é tolerante. Olha em volta, está tudo bem, não se mete. 

Cenário 2

Os Predadores são o governo mundial. Os Teletubbies são oposição. 

O governo usa os humanos como alimento para criar Aliens. 

A Skynet é tolerante. Olha em volta, está tudo mal, dialoga… 

Cenário 3

Os Teletubbies são o governo mundial. Os Predadores são oposição. 

O governo promove cidadania, planta flores e cria coelhinhos. 

A Skynet é intolerante. Extermina os Teletubbies, empossa os Predadores. 

Cenário 4

Os Predadores são o governo mundial. Os Teletubbies são oposição. 

O governo usa os humanos como alimento para criar Aliens. 

A Skynet é intolerante. Extermina os Predadores, empossa os Teletubbies. 

Análise

No cenário 1, os humanos estão bem e continuam bem. 

No cenário 2, os humanos estão mal e continuam mal. 

No cenário 3, os humanos estão bem e ficam mal. 

No cenário 4, os humanos estão mal e ficam bem. 

Isso acontece porque, em relação à tolerância e à intolerância, ser tolerante mantém a tendência, enquanto ser intolerante inverte a tendência. 

Adotar uma postura indiscriminadamente tolerante, portanto, não leva a um aumento da tolerância, mas a simples manutenção do status quo

Adotar uma postura indiscriminadamente intolerante, por outro lado, leva à desestruturação do sistema, porque nega constantemente o status quo e produz intensa permanente instabilidade. 

Conclusão

A única postura que permite perseguir um objetivo em relação ao nível de tolerância de um sistema é a metatolerância, ou seja, a definição do objetivo de aumentar a tolerância do sistema e a conseqüente adoção da postura adequada segundo a tabela-verdade da metatolerância: ser tolerante com os tolerantes e intolerante com os intolerantes

Todavia, metatolerância requer discernimento para identificar se as posições são tolerantes ou intolerantes e reagir de modo coerente e conseqüente, coragem para combater implacavelmente a intolerância e resistir tanto às acusações ingênuas quanto às mal intencionadas quanto a seus reais propósitos e honestidade intelectual para não justificar a omissão e o imobilismo de conveniência como se fossem tolerância nem agir de modo abusivo alegando falsamente que o interlocutor ou o adversário é que são intolerantes. 

É simples, mas eu nunca disse que era fácil. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/08/2014 

A vitória dos intolerantes

Perdi quatro compartilhamentos automáticos dos artigos do Pensar Não Dói porque meus amigos que faziam o compartilhamento foram intimidados por seus amigos intolerantes e preferiram deixar de me ajudar a divulgar o blog a ter que dar explicações ou serem pressionados ou incomodados. 

cicero_intolerancia

Um foi porque uma amiga de minha amiga disse que o que eu escrevo “não tem nada a ver com ela”, outros dois porque os amigos esquerdistas de duas amigas foram lhes buzinar os ouvidos por causa de minhas críticas à esquerda, outro porque uma amiga de um amigo veio questionar minhas críticas à homeopatia. E já estou prevendo perder mais um compartilhamento em função de críticas ao cristianismo que pretendo publicar em breve. 

Então fica combinado assim: se eu postar fotinho e filmezinho de gatinho e de cachorrinho, perfeito, ninguém reclama e o blog cresce; se eu postar opiniões firmes sobre assuntos polêmicos, especialmente se eu criticar alguém ou alguma coisa em que alguém acredite ou goste, os intolerantes reclamam, os amigos preferem não se incomodar, fazem a vontade dos intolerantes e o blog estagna, ou pelo menos fica dependendo apenas de minhas forças para a divulgação. 

Não basta aos intolerantes simplesmente não ler o que não gostam. Nada disso, eles precisam impor sua vontade e sua visão de mundo de alguma maneira. E, se algum amigo meu compartilha coisas do meu blog e eles não gostam, ‘bora atazanar quem compartilha meus artigos para fazê-los desistir de divulgar meu blog. Assim agem os intolerantes.

O que me deixa abismado é que funciona.

Quando pressionados, meus amigos poderiam dizer: “peraí, cara, o Arthur é meu amigo, eu posso não concordar com tudo que ele diz, de fato eu discordo de várias coisas, porque não existem duas pessoas que pensem igual em tudo, mas não me custa nada disponibilizar os artigos dele para quem quiser ler e debater, assim como não te custa nada não ler os artigos dele se não gostares”.

Ao invés disso, meus amigos acabam cedendo à pressão dos intolerantes e fazendo a vontade deles.

Por quê?

Bem, eu continuei amigo dos quatro que deixaram de compartilhar meus artigos e não comecei a torrar o saco deles cobrando uma atitude, afinal eu não sou intolerante.

Mas os intolerantes ou se afastam de quem não cede a seus caprichos, ou atazanam estas pessoas incansavelmente criticando e cobrando e pressionando.

Então, o melhor balanço é deixar de compartilhar os artigos e continuar sem se incomodar com nenhum dos dois. Cômodo e prático, né? 

Obviamente, a mesma lógica permanece válida para situações análogas,  o que invariavelmente beneficia os intolerantes e reforça sua maneira de agir.  

Em conseqüência, devido à mais simples e óbvia seleção natural, a menor incomodação no curto prazo promove diretamente uma incomodação muito maior no longo prazo, tornando todo o ambiente cada vez mais intolerante. E mais, e mais

Parabéns, intolerantes! Vocês vão dominar o mundo! O que vocês sempre esquecem é que sempre aparece um cara mais intolerante que vocês e mais disposto a ações mais extremas que vocês. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/08/2014 

Revolução Iluminista – aviso importante

A pedidos, recoloquei o link para o Manifesto da Revolução Iluminista no alto da coluna da direita do blog.

Projeto

O objetivo é dar manter aberto o espaço para o debate de estratégias iluministas na política e dar oportunidade para que surjam novos interessados e assim viabilizar o projeto. 

Este projeto não tem sentido se não visar a mais absoluta excelência. Analisem o gráfico acima e deduzam as devidas implicações. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/08/2014

Tentativa de cachorricídio

Se você tem um destes cachorros histéricos que não param de latir e enchem o saco dos vizinhos o tempo todo, deveria ler esta história… 

Cachorro chato latindo

Eu morei em diversos prédios de apartamentos além do malfadado apartamento térreo sobre o qual comentei em outro artigo. Em um destes outros prédios, a vizinha do apartamento térreo tinha um destes malditos sacos de pulgas e latidos que vivem tremendo e azucrinando a vizinhança dia e noite com aqueles latidinhos agudos irritantes que nos fazem lamentar a ausência de carabinas no supermercado. 

Latido vai, latido vem, um belo dia um vaso com folhagens aterrissou bem ao lado do tal cachorro. Uma semana depois, outro.

O cérebro humano é pródigo na detecção de padrões, então até mesmo a tapada da vizinha do térreo não teve muita dificuldade para perceber que algum vizinho de um andar mais acima estava decidido a matar aquela insuportável fonte de stress e insônia. E recolheu o cachorro e a respectiva casinha para dentro do apartamento.

Santo remédio.

Abrigado e com companhia, o totó reduziu seus latidos para menos de um décimo da freqüência habitual, com a vantagem extra de que agora ele não latia entre dois prédios, mas dentro de um deles, o que reduzia consideravelmente o volume percebido e o alcance dos latidos.

Algumas semanas mais tarde, o vizinho da andar de cima me confesso que tomou o maior cuidado para não acertar o pobre do bichinho, que afinal de contas não tinha culpa alguma pela estupidez humana de selecionar uma raça desgraçadamente irritante como aquela, nem de ter a dona sem-noção que tinha.

E eu que já estava quase decorando meu apartamento com folhagens… 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/08/2014 

Parábola do Bom Travesti

Este é o ensinamento original. Busque o entendimento. 

jesus-ensinando

Parábola do Bom Travesti

Jesus Cristo / Rubem Alves

E perguntaram a Jesus: “Quem é o meu próximo?” E ele lhes contou a seguinte parábola:

Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: “Vá passando a carteira”. O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.

Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: “Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você.” Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: “Ego te absolvo…” Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.

Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: “Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!” O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, “aleluia!” e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.

Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: “Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir.” Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.

O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.

Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou: “Quem foi o próximo do homem ferido?”

 

O Macaco Masoquista

Sabem aquele papo de que “quem não aprende pelo amor aprende pela dor”? Esqueçam. É mentira. 

Stupid

Acho que é isso que acontece com a cabeça do Macaco Masoquista quando ele tenta pensar… Só pode.

Isso não deveria ser nenhuma novidade, mas eu não me canso de ficar surpreso com o quanto o macaco que se acha sapiens é incapaz de aprender mesmo perante as mais óbvias evidências. Vamos a alguns exemplos.

Cadeia

Quando eu era moderador de uma grande comunidade de Direitos Humanos no Orkut, uma das frases que eu mais lia era “cadeia tem que ser ruim, para quem passar por lá nunca mais querer voltar”. Quem dizia isso, obviamente, não acreditava nisso de verdade, só estava destilando ódio. Caso contrário, teria que concordar com o raciocínio que eu apresentava em seguida. 

Eu perguntava “Tu não achas que todas as pessoas devem ser tratadas com dignidade?”. 

E normalmente a resposta era algo como “Vagabundo não tem dignidade.” 

Então eu dizia “Pois é, eu vou te ensinar o contrário. Vou te prender em uma cela escura e úmida de 2m x 2m e te encher de porrada o dia inteiro até nunca mais quereres repetir que vagabundo não tem dignidade. Quanto tempo achas que vais demorar para aprender isso?”. 

A resposta em geral era algo como “Nunca!” 

Mas eles continuavam a dizer que “cadeia tem que ser ruim, para quem passar por lá nunca mais querer voltar”. 

O Macaco Masoquista não aprende nem com privação de liberdade, nem tomando pau. 

Enchente

Eu já contei em algum lugar do blog que assisti um repórter entrevistar uma pessoa cuja casa tinha sido atingida por umas quatro ou cinco enchentes e que em todas as vezes tinha perdido tudo que tinha dentro de casa. 

Essa pessoa estava indignada, perguntando “E agora, quem é que vai pagar por tudo que eu perdi?”. E eu estou grato por não ser aquele repórter, ou eu teria dado com o microfone nos cornos daquela quadrúpede falante.

Gente… A criatura perde tudo que tem quatro vezes, não aprende que isso pode acontecer de novo, não faz nada para se proteger e ainda acha que “alguém” tem que pagar pelo que ela deixou a água destruir?

Primeiro que eu não moraria em um lugar inundável. Segundo que, se tivesse que morar em um lugar assim, eu construiria uma estrutura para onde pudesse içar meus bens mais valiosos e necessários em caso de enchente.

O Macaco Masoquista não aprende nem perdendo tudo o que tem. 

Hospital

Volta e meia nós vemos reportagens na grande mídia com denúncias embasbacantes e revoltantes sobre gente que morre ou fica aleijado na fila da emergência, de gente que é atendida em macas espalhadas pelos corredores, ou de gente que tem que dormir no chão dentro do hospital, às vezes sem ter nem sequer um colchão, sobre trapos. E todo mundo reclama e diz que é um absurdo.

Porém, o que as pessoas que passam por isso fazem quando escapam do SUS com vida?

Elas passam a assistir o noticiário e ler os jornais para compreender melhor o funcionamento e a situação do país, ou elas trocam de canal quando começa o noticiário e vão assistir as fofocas dos famosos?

Elas passam a lutar por uma saúde pública melhor, organizando-se em ONGs, filiando-se a partidos políticos para exercer pressão, promovendo campanhas de conscientização, ou só ficam reclamando?

O Macaco Masoquista não aprende nem sob muita dor, risco de seqüela grave ou morte. 

Conclusão

O Macaco Masoquista também não vai aprender nada com este artigo… 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/08/2014 

Racionalizando esforços

Os leitores habituais do Pensar Não Dói perceberão a ausência da imagem com o link para o Manifesto da Revolução Iluminista na coluna da direita. Esta pequena mudança no blog reflete uma grande mudança em minha postura política. 

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Naquele artigo eu expressei algumas de minhas mais profundas convicções políticas e chamei todos os leitores e visitantes do blog para discutir um projeto de ação política. De 20/06/2013 a 13/08/2014, exatas 119.119 pessoas visualizaram aquele chamado. Entre estas e algumas outras que foram chamadas pessoalmente, 84 ingressaram no Grupo Revolução Iluminista

0,07% 

Menos de uma em cada mil deu um clique para entrar no grupo. Somente uma a cada cinco dias em todo este período, em média. Como a maioria entrou logo no início, a média verdadeira nos últimos doze meses é muito menor que isso, provavelmente menos que uma a cada dez dias. E a última postagem de outra pessoa fora eu foi há 90 dias. 

Obviamente a iniciativa não atraiu interesse. 

Já uma certa página de humor criada este ano já ultrapassou as 320.000 curtidas no Facebook e recebe por dia mais comentários do que o Grupo Revolução Iluminista recebeu em toda sua existência. 

E uma outra página de humor criada anos depois do Pensar Não Dói já tem quase 7.000.000 de curtidas no Facebook, enquanto que a página deste blog tem menos de 400 curtidas. 

Mas isso não é tudo. 

Eu sondei diversas pessoas que me conhecem pessoalmente há muitos anos sobre o papel que poderiam ter em um movimento iluminista ou em um partido iluminista. Gente rica e gente pobre, gente com nível superior e com ensino fundamental incompleto, gente que vive bem e gente que vive mal. 

Ninguém recebeu a idéia com entusiasmo. Ninguém. Alguns se dispuseram a colaborar “na medida do possível”, ou seja, desde que isso não lhes perturbe muito a rotina e não exija grandes esforços. Não dá para encher duas mãos com o número de pessoas que assumiria um compromisso sério e se dedicaria intensamente a este projeto. 

Isso me fez pensar muito.

Por quem eu estou lutando? Pelos 99,93% que nem sequer tiveram o interesse de dar um clique para participar dos debates do grupo? Pelas pessoas que acham desinteressante, chato ou inoportuno assumir qualquer responsabilidade ou fazer qualquer esforço para gerir o país em que vivem, preferindo deixar tudo nas mãos dos outros? E que ainda por cima torcem o nariz para mim e me chamam de sonhador e de chato e se afastam de mim porque eu quero lutar para construir um país melhor para todos nós? 

Sinto muito, pessoal, mas assim eu não brinco mais. 

Eu não mudei meus ideais, mas eu os estou continuamente questionando, revisando, aperfeiçoando. E cheguei a uma conclusão dolorosa, mas que pretendo colocar em prática daqui por diante: 

Ninguém deve se preocupar com outra pessoa ou se esforçar por outra pessoa mais do que ela se preocupa consigo mesmo e se esforça por si mesmo. 

Não se trata da velha discussão sobre dar o peixe ou ensinar a pescar. Trata-se de não fazer nenhum dos dois para quem não se esforçar por aprender a pescar. Trata-se de poupar esforços para aplicá-los somente com quem faz por merecer. 

Eu ainda gostaria muito de criar um partido iluminista, claro, e de mudar a maneira de fazer política neste país, mas preciso ser realista e me rendo ao desinteresse geral. Espero que num futuro não muito distante haja maior interesse e este projeto se torne viável. 

Por enquanto, volto à prancheta para repensar as conseqüências desta mudança de postura política… Ao blog, que vai ajudar nesta tarefa e não deve sofrer alterações, como prometido aos amigos… E aos projetos com parceiros interessados, comprometidos, proativos, esforçados. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 14/08/2014 

Legitimidade

No artigo anterior eu escrevi esta frase para comparar as ações do Estado de Israel e as ações da organização terrorista Hamas: “Não se trata de proporcionalidade, mas de legitimidade.” Houve quem me criticasse por “defender” Israel. Estão equivocados: eu defendi a legitimidade. 

É legítimo que Israel, dispondo de alternativas tecnológicas e de recursos humanos e materiais abundantes, atire mísseis em escolas e hospitais, ou que destrua a única usina elétrica da região, numa verdadeira ação de terrorismo de Estado, colocando a vida e o bem estar de toda a população palestina em risco? Não, não é legítimo. 

Para quem não lembra ou não sabe, eu já escrevi sobre o que eu acho que Israel deve fazer para pacificar a região definitivamente. Clique no link abaixo e leia: 

Como Israel pode resolver o conflito com a Palestina

Utopia? Óbvio.

Qualquer solução razoável é utópica no Planeta dos Macacos. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/08/2014 

Quando a diplomacia é um agente do mal

Poucas coisas me soam mais estúpidas ou mal intencionadas do que a exigência de que o Estado de Israel use diplomacia para lidar com a organização terrorista Hamas (“Movimento de Resistência Islâmica”). 

Míssil palestino é destruído no ar por sistema de defesa israelense.

Míssil palestino é destruído no ar por sistema de defesa israelense.

O que quer o Estado de Israel? Deixar de sofrer atentados aleatórios contra a população civil. 

O que quer o Hamas? A aniquilação do Estado de Israel, a morte de todos os malditos judeus e a implantação da Sharia não somente em Gaza mas em toda a Palestina Histórica, em nome de Allah, o misericordioso. 

A assimetria destas intenções torna pornográfica a exigência de que o Estado de Israel use diplomacia para lidar com o Hamas. 

O simples fato de sugerir tal aberração já constitui uma ofensa a Israel, porque confere legitimidade aos terroristas que diariamente cometem dezenas de tentativas de homicídio aleatórias contra o povo israelense. 

“Ah, mas o conflito é “desproporcional”, porque Israel está matando “um número excessivo” de mulheres e crianças palestinas”, dizem. 

Como é que é? Sério que estão usando um argumento numérico de contagem de vítimas para classificar as ações de Israel? 

Então os partidários deste argumento indecente respondam aí: quantas mulheres e crianças palestinas vocês autorizam Israel a matar por dia para que o conflito se torne “proporcional”? 

Ou talvez vocês prefiram que Israel intercepte menos foguetes do Hamas, para aumentar o número de civis israelenses mortos e assim justificar um número maior de mortes entre os civis palestinos? 

Não se trata de proporcionalidade, mas de legitimidade. 

De um lado, há um grupo terrorista que armazena armamento e posiciona dispositivos lança-mísseis dentro de creches, escolas, hospitais, mesquitas e bairros residenciais e ameaça de morte os civis que desejam fugir das proximidades destes locais – porque o Hamas quer que eles sejam vitimados para poder promover a guerra de propaganda contra o infiel a ser aniquilado, não importa o preço. 

Do outro lado, há um Estado Nacional que tem que se defender diariamente de dezenas de mísseis lançados com o objetivo de assassinar e mutilar aleatoriamente seus cidadãos e provocar medo, pânico, terror. 

Clamar por diplomacia nestas condições é uma perversão. É conferir legitimidade aos terroristas e a seus métodos, ao mesmo tempo que condena a vítima do terrorismo a ceder às exigências de seus algozes fundamentalistas – que nunca ficarão satisfeitos, porque seu objetivo insano é aniquilar o Estado de Israel inteiro. 

“Ah, mas o Estado de Israel também não tem legitimidade, porque foi construído sobre o lar dos palestinos e blá-blá-blá”, dizem.  

Certo, certo… Então os que pensam assim tenham coragem e questionem na ONU a própria existência do Estado de Israel. 

Ou vão querer que o Estado de Israel exista mas esteja sempre errado pelo simples fato de existir? Muito conveniente, não? 

Certos discursos tornam evidente que para alguns há muito tempo a questão israelense-palestina não se trata de um conflito que deve ser resolvido para evitar a morte de inocentes, mas de um conflito que deve ser mantido e agravado para que se possa explorar politicamente a morte de inocentes. 

Fazem mais condenações ao Estado de Israel, que é vítima de dezenas de atentados terroristas diários, do que ao Hamas, que pratica tentativas de homicídio aleatórias todos os dias. Fazem muito mais exigências de que Israel use diplomacia do que exigências de que o Hamas pare de cometer crimes. 

São discursos convenientes e hipócritas

Ao mesmo tempo que tentam amarrar as mãos do Estado de Israel, exigindo dele o uso de blá-blá-blá notoriamente inútil, nada fazem para que o agressor terrorista cesse seus ataques. Isso é querer a manutenção do conflito. Isso é não se importar com mulheres e crianças mortas. Isso é usar estas mortes politicamente para os mais abjetos propósitos. 

A estes que querem resolver o conflito através da diplomacia eu convido a ir a Israel exigir das autoridades israelenses o uso de diplomacia e depois ir aos redutos do Hamas e exigir dos terroristas o uso de diplomacia. Mostrem que acreditam no que falam. Vão até lá e façam isso! E LOGO, porque tem gente inocente morrendo. O que estão esperando? 

Ah, não querem ir porque “esse é um conflito que deve ser resolvido entre as partes”? Bem, então calem a boca e não se metam a dizer para somente uma das partes – sempre a mesma – o que ela deve ou não deve fazer para não ser vítima de atentados e homicídios aleatórios diariamente. 

Vamos deixar isso bem claro: as opções que Israel tem não são usar a diplomacia ou usar a força. As opções que Israel tem são ou permitir que o Hamas continue assassinando civis israelenses aleatoriamente ou levar a culpa pela morte dos civis palestinos que o Hamas usa como escudos humanos para seu armamento e seus lança-mísseis. 

Entre uma e outra destas alternativas, qualquer Estado soberano ou grupo de combatentes no planeta faria exatamente o mesmo que o Estado de Israel faz: proteger os seus, mesmo que isso implique multiplicar as baixas do outro lado, seja de combatentes, seja de inocentes. 

Portanto, leitor do Pensar Não Dói, muita atenção perante estes discursos “pró-diplomacia”. Muitos deles – a maioria – são apenas discursos anti-Israel, anti-EUA, anti-”imperialismo”, anti-sociedade-ocidental, anti-”tudo-isso-que-está-aí”, etc.

Uma boa dica para detectar a orientação ideológica e ética desses discursos: verifique se quem exige que Israel use diplomacia também exige que o Hamas use diplomacia; verifique se as críticas aos abusos de Israel também se estendem ao uso de inocentes como escudos humanos por parte do Hamas; e principalmente verifique se a preocupação humanitária para com as vítimas dos bombardeios de Israel também se estende às vitimas dos bombardeios do Hamas. 

Se qualquer uma das respostas for “não”, você já sabe com certeza que não está diante de um defensor sincero da diplomacia. Isso para dizer o mínimo. 

 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 26/07/2014

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AAA: Não há uma única palavra de apoio à morte de civis no texto acima. Se você acha que eu defendi que Israel mate palestinos inocentes porque o Hamas mata israelenses inocentes, então você entendeu tudo errado. Neste caso, leia o artigo de novo.