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Educação e honestidade intelectual

Você lembra do artigo “Metatolerância“? Pois bem, caiu a ficha aqui que aquela tabela-verdade pode ser muito útil aqui no blog. Eu deveria seguir meus próprios conselhos, certo? 

Olhe o que esse cara postou no artigo Os custos da cultura do Brasil (já deletei o comentário lá):

Educação é bom e preserva o comentário

Veja bem: um sujeito anônimo já chega chamando o autor do blog de ignorante (o que é falta de educação) e lança a afirmação maldosa “quanta dificuldade para entender que instituição financeira não é bagunça” (o que é falta de honestidade intelectual). 

Você mesmo pode verificar: em que momento eu falei qualquer coisa que possa ser confundida com “bagunça”? Leia aquele artigo e volte aqui. 

[Pausa para a leitura do artigo Os custos da cultura do Brasil.] 

Leu? Não tem nada lá que sugira que eu queira “bagunça”, certo? Muito antes pelo contrário, eu reclamei da cultura de bagunça, de falta de planejamento, de ineficiência e de gambiarra do Brasil. E no entanto o troll anônimo maldosamente tentou fazer parecer como se eu fosse um simples baderneiro incapaz de aceitar regras supostamenterazoáveis. Além de grosseiro, ele foi nitidamente mal intencionado. 

O problema é que tem muita gente desavisada por aí que morde esse tipo de isca – ou finge morder. Aí o interlocutor honesto fica na defensiva, o mal intencionado se diverte distorcendo tudo e lançando acusações sem o menor compromisso com a verdade, a claque do mal intencionado dá suporte ao estratagema e os desavisados acabam dando razão a quem não tem. Hoje em dia isso é um padrão recorrente e muito freqüente. 

Se o interlocutor honesto se preocupa em explicar tudo direitinho, para ter certeza de que não será mal compreendido, está ralado. Simplesmente não é possível: o arsenal de perversões de um interlocutor mal intencionado é inesgotável, todo safado na internet tem sua claque e o desavisado dificilmente percebe a tramóia ou aceita o alerta. Portanto, não adianta nem tentar. 

Então… O que fazer? 

Bem, no início deste artigo eu disse que eu deveria seguir meus próprios conselhos e é isso que eu pretendo fazer. Para o azar dos trolls, uma vez eu escrevi um artigo intitulado “Civilidade nem que seja na porrada“. Vou ter que mostrar que acredito no que escrevo e deletar os comentários em que detectar falta de educação ou falta de honestidade intelectual, como o que ilustra este artigo. 

Será esta a solução ideal? Não, eu acredito que não. Eu preferiria mil vezes jamais ter que deletar um comentário, até mesmo para não correr o risco de interpretar errado o que alguém disse e deletar um comentário legítimo, o que certamente vai acontecer uma vez ou outra. Mas este é o problema de viver em um ambiente de fracasso: nada funciona como deveria – e há um preço a pagar por isso, até mesmo (ou principalmente) ao se defender a boa educação e a honestidade intelectual. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/09/2014 

A satanização do setor privado

Você é empreendedor? Empresário? Trabalhador assalariado? Dependente de trabalhadores assalariados? Pois então deveria ler com atenção este editorial da RBS, publicado em Zero Hora e no Diário Catarinense em 15/09/2014. Os meus comentários seguem mais abaixo. 

devil

A satanização do setor privado

Os ataques à livre-iniciativa, como se os interesses de quem produz não convergissem com os da sociedade, apenas confundem o debate de ideias na campanha eleitoral.

Na tentativa de atacar ideias e propostas dos adversários, parte da propaganda eleitoral vem apresentando, de forma depreciativa, o que seria a representação de executivos, empresários e banqueiros contrários aos interesses do país. São ataques articulados pela campanha do PT, que provocam natural desconforto entre quem empreende. O setor empresarial não é, no Brasil e em lugar algum em que prevaleça a livre competição, inimigo da população. É uma visão não só equivocada, mas eticamente condenável, sob qualquer aspecto, por tentar induzir ao erro de que a iniciativa privada estaria em desacordo com demandas e expectativas da sociedade.

Esperava-se que tal visão estivesse há muito superada. O setor produtivo se submete, nas democracias, às regras da competição e, se cometer desvios de conduta, é penalizado por leis e normas reguladoras presentes em todas as atividades. Atribuir aos empresários uma antipatia por programas sociais, como insinua a propaganda petista, é um desserviço ao esclarecimento das propostas dos candidatos e uma contribuição aos que apostam na confusão como tática de campanha.

É no mínimo estranho que, em uma das propagandas, crítica à proposta do PSB para um Banco Central independente, apareçam pessoas que seriam banqueiros sorrindo, ao mesmo tempo em que um locutor afirma que a ideia representa uma ameaça aos trabalhadores. Em outro comercial, sobre a controvérsia em torno do pré-sal, executivos apertam-se as mãos, porque isso representaria corte de R$ 1,3 trilhão da área da saúde.

Acusações sem base na racionalidade repetem-se a cada eleição, mas não podem ser vistas com naturalidade. Não é razoável que um partido insinue, sem contestação, que pessoas ligadas ao setor produtivo e mesmo à área financeira tenham interesses desconectados do contexto nacional. É óbvio que cada atividade tem suas peculiaridades e que empreender significa almejar resultados econômicos. Se não fosse assim, não haveria produção, emprego, renda, impostos e compartilhamento de ganhos sociais.

A tentativa de satanizar o lucro é tão anacrônica quanto a que, em décadas passadas, defendia o fim da concorrência pela estatização da produção e dos serviços. A evolução da democracia brasileira poderia dispensar esse tipo de argumento, especialmente num momento em que o governo se esforça para acalmar os empresários, diante da queda do nível de confiança dos setores industrial e do comércio e da frustração de expectativas. 

Fonte: Zero Hora, Diário Catarinense(Os grifos são meus.)

AGL

O editorial da RBS é “polticamente correto” em demasia e acaba não deixando claro aquilo que deveria: o PT, finalmente ameaçado por um adversário com chances eleitorais após uma década enfrentando apenas picolés de chuchu, está finalmente voltando a mostrar verdadeira cara, botando suas garras socialistas/comunistas para fora e declarando seu ódio ideológico à livre iniciativa e ao empreendedorismo, como era no princípio, agora e sempre. 

Um país cujo governo demoniza o setor privado é um país destinado à miséria. Miséria cultural, porque o povo se torna inimigo dos geradores de riquezas; miséria econômica, porque sob tal cultura somente os piores tubarões se mantém no mercado; miséria moral, porque “em casa onde não há pão, todos brigam e ninguém tem razão”; e miséria política, que reforça o ciclo de degradação geral, porque, para controlar uma população em franca decadência cultural, econômica e moral, é necessário cada vez mais mentiras e abusos. 

O processo pelo qual o Brasil está passando é muito semelhante ao que aconteceu na Venezuela. Tanto Hugo Chávez quanto Lula se elegeram com um discurso populista, demonizaram o setor privado e implementaram políticas econômicas coitadistas e cleptocráticas. E tanto Nicolas Maduro quanto Dilma se elegeram à sombra do “grande líder” e viram o resultado real das políticas desastrosas implementadas por seus partidos produzirem seus legítimos frutos – verdadeiros desastres.

Venezuela e Brasil enfrentam recessão econômica, redução da produção, aumento do desemprego e aumento da inflação. Lá e aqui os governos debocharam das manifestações populares de descontentamento e seus asseclas fizeram todo o possível para deslegitimar os manifestantes. A única diferença é que o Brasil é muito maior que a Venezuela e portanto tem uma inércia econômica muito maior antes que a corrosão das bases da economia e a corrupção endêmica produzam aqui os mesmos efeitos que produziram lá, onde faltam até mesmo papel higiênico e margarina nos supermercados. 

O governo da Venezuela, depois de demonizar, sobretaxar, obstaculizar, super-regulamentar e ofender de todos os modos possíveis e imagináveis o setor privado da economia, agora reclama que há desabastecimento e impõe controle de consumo, proibindo que o mesmo cidadão compre as quantidades que deseja dos produtos que estão desaparecendo das prateleiras. Mas quem haveria de querer empreender em um ambiente político tão francamente hostil ao empreendedor? 

O governo do Brasil, amigo do governo da Venezuela, amigo de todas as ditaduras do planeta, coligado com partidos socialistas e comunistas e abrigo de toda pseudo-intelectualidade marxista que acha lindo dizer que odeia a classe média, está agora mostrando, na campanha eleitoral, que possui a mesma matiz ideológica de seus amigos e que odeia igualmente a iniciativa privada, geradora de riquezas e de empregos. Quem age do mesmo modo pretende obter resultados diferentes? 

É óbvio que o setor privado precisa ser regulamentado e que a instituição legítima para promover esta regulamentação é o Estado, que representa o conjunto de todos os cidadãos de uma jurisdição territorial. Porém, quando um governo demoniza abertamente o setor privado, como faz o governo do PT, podemos ter certeza de que toda regulamentação que esse governo venha a produzir não terá por objetivo promover o desenvolvimento e o progresso, mas a submissão a seus delírios ideológicos e desmandos cleptocráticos. 

Manter o PT no governo é uma garantia de fracasso para o Brasil. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/09/2014 

Pausa para o exorcismo

O autor deste blog comunica aos amigos e leitores que estará fora do ar (o autor, não o blog) durante este final de semana para o exorcismo dos Demônios da Imbecilidade. 

Dogbert

Esta medida drástica se fez necessária devido à incauta exposição seqüencial do autor ao Banco do Brasil e ao DETRAN em um período inferior a 48h. 

A toxicidade da imbecilidade foi tão grande que o fígado do autor quase saiu pela boca para escrever um artigo no blog. Como medida de segurança, para manter o blog com classificação “livre para todas as idades”, o autor decidiu vestir uma camisa-de-força e uma mordaça e está ditando este artigo em Código Morse para uma secretária: rosnado longo, rosnado curto, rosnado curto, rosnado longo… 

Assim que o autor parar de babar bile, voltaremos com nossa programação anormal. Enquanto isso, tomara que chova enxofre. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 12/09/2014 

Os custos da cultura do Brasil

Um país civilizado deveria funcionar bem e oferecer segurança, conforto e praticidade para seus cidadãos, certo?. Por exemplo, não é uma exigência excessiva querer que um cidadão possa pagar uma simples conta no banco sem contratempos. 

Banco-do-Brasil

Saí de casa ontem por volta das 18h para pagar duas contas no Banco do Brasil. Junto comigo estava meu pai, que tinha que passar no mercado. As ruas estavam lotadas, o trânsito não fluía. Em uma esquina que deveria ter uma sinaleira (sinaleira é semáforo em portoalegrês), os motoristas têm que negociar um a um a passagem em três sentidos diferentes. Na seguinte também. E na seguinte. Para que ordenar o trânsito com semáforos (opa, desta vez saiu em português) se dá para deixar o motorista disputar a tapa a vez de passar, né? 

Entrei por uma viela toda esburacada e cheia de quebra-molas, como toda Ilha de Florianópolis tem, demonstrando que tem um povo tão selvagem que precisa ser contido com barreiras físicas para não se matar a mais de 40 km/h até mesmo nas grandes avenidas, e evitei umas três outras esquinas de negociação de quem passa até o mercado. Lá chegando, estacionei na rua em frente e fiquei dentro do carro esperando meu pai fazer as compras, para não ter que entrar no estacionamento, que é muito movimentado, apertado para manobrar e só tem um portão para entrada e saída. 

Feitas as compras, observei um motorista saindo do estacionamento do mercado e tentando dar a volta por trás de um ônibus que estava parado em frente ao portão de saída do estacionamento. Sim, há uma parada de ônibus na frente do portão de saída do mercado. 

Dali fomos ao Banco do Brasil. Estacionei em uma vaga milagrosamente disponível no prédio ao lado, pois o estacionamento em frente ao BB é pago. Desta vez foi meu pai quem ficou no carro enquanto eu ia pagar as minhas contas no BB. 

Primeira maravilha: meu cartão estava bloqueado. Por quê? Porque o BB decidiu me obrigar a substituir o meu cartão com fita magnética por um cartão com chip, que ele já enviou… Para meu antigo endereço em outra cidade a 550 km de distância. E, claro, eu tenho que resolver isso na minha agência, que também fica na cidade em que eu morava antes. 

Bem, havia uma opção para desbloquear o cartão – o que indica claramente que o bloqueio tinha mesmo o objetivo de me encher o saco para me forçar a trocar de cartão, não qualquer motivo de segurança – então desbloqueei o cartão e tentei pagar minhas contas. 

Segunda maravilha: só pude pagar uma das contas. Quando tentei pagar a minha segunda conta, com meu cartão, com meu dinheiro, o BB me informou que eu não poderia fazer isso naquele dia, pois eu havia excedido o valor autorizado para pagamentos naquele dia. 

Minhas contas. Meu cartão. Meu dinheiro. E o Banco do Brasil me impediu de pagar uma das minhas contas, usando meu cartão, com meu dinheiro. 

Hoje vou ter que enfrentar novamente a negociação nas esquinas sem sinaleiras, mais a dificuldade de estacionar, ou o custo do estacionamento pago, mais o maldito sistema do BB, só que dentro do horário bancário, porque a segunda conta, sozinha, é mais alta que o limite diário que o Banco do Brasil me permite dispor do meu próprio dinheiro. 

Como eu já sei em que lixo de país eu vivo, a conta não vencia ontem. Eu estava pagando com antecedência, prevendo alguma palhaçada. Qual palhaçada viria eu não sabia, mas eu sabia que alguma palhaçada viria. E veio. 

O Brasil é um país em que temos que partir do princípio de que alguma coisa sempre dará errado, porque alguma coisa sempre terá sido mal feita. Além disso, a solução provavelmente não estará disponível a tempo, ou custará caro, ou causará mais um problema, freqüentemente exigindo alguma gambiarra ou “jeitinho”. 

E seria tão fácil fazer as coisas bem feitas! 

Vejamos: 

O BB quer que eu troque de cartão por um cartão mais seguro. Certo, então por que, ao invés de bloquear meu cartão para me forçar a ir buscar outro, o BB não me possibilita, em qualquer lugar do país, usar meu cartão antigo com fita magnética e minha senha ou mesmo um dado biométrico para validar um cartão novo com chip imediatamente

O BB quer que eu tenha segurança nas operações fora do horário bancário. Certo, então por que, ao invés de inventar limites que constituem um estorvo, o BB não me fornece uma segunda senha, que funcione igualzinho à primeira, mas que ative um alarme silencioso e chame a segurança ou a polícia ou ambos imediatamente

Aliás, por que nem o Banco do Brasil, nem nenhum banco no Brasil faz isso? 

Não será pelo mesmo motivo que nos faz ter cruzamento sem sinaleiras, paradas de ônibus na frente das portas de estacionamentos movimentados e quebra-molas em ruelas esburacadas onde é impossível desenvolver 40 km/h?

Quantos outros custos, em segurança, conforto e praticidade, nos impõe essa cultura de gambiarra e jeitinho e desprezo por fazer as coisas bem feitas? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/09/2014 

Pergunta ao Leitor: como você entendeu o artigo “Extremistas”?

Por favor, explique-me como você entendeu o artigo “Extremistas“. Só isso. Não tem pegadinha nenhuma, eu realmente só quero saber como os leitores entenderam aquele artigo, uma vez que ele não recebeu nenhum comentário. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/09/2014 

Extremistas

Recebi a notícia pelo Facebook: “Justiça de SP culpa vítima de bala de borracha pela perda do próprio olho”. Já sei como a maioria das pessoas se posiciona nesses casos. 

Extremistas

De um lado ficam os extremistas que dizem que, se um seqüestrador com uma pistola apontada para a cabeça de uma vítima inocente for alvejado por um sniper da polícia, o Estado cometeu um crime. 

Do outro lado ficam os extremistas que dizem que, se um jornalista foi alvo de uma bala de borracha e perdeu a visão devido à imprudência da polícia em usar esse tipo de projétil contra multidões, a culpa de ser atingido é da vítima. 

Estou cansado de extremistas, seus simplismos e sua intolerância. 

Extremista tem que ser crucificado de cabeça para baixo em cima de um formigueiro, amarrado com arame farpado cheio de urtiga e ser chicoteado até se engasgar com o próprio sangue. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 06/09/2014 

O que o brasileiro quer?

Meu amigo Mauro Camargo acha que o povo brasileiro quer cidadania e respeito. Eu digo que o povo brasileiro quer alguém que o coloque na coleira, que o deixe preso no canil para que não se meta em encrenca mas que o leve para passear de vez em quando e que lhe dê casa, comida e um cafuné atrás da orelha. Tendo isso, ele dá a patinha e abana o rabinho, bem feliz. 

Canil Brasil

O Mauro disse isso aqui no artigo dele: 

“Veio a revolução do silêncio, manifestada em silêncio, nos 30% de inválidos do TSE (postado em 01/11/2010). O silêncio foi quebrado em junho de 2013 e a revolução ganhou as ruas e noticiários, obviamente. Alimentou a mídia e chamou a atenção para o fato de que uma parcela significativa da população estava descontente.” 

(…)

Mas, o que estes 30% de inválidos do TSE querem? O que esta população que foi às ruas nos movimentos de junho/13 quer? Querem mais decência e, consequentemente, menos mentiras por parte dos governos, em todas as suas esferas. Querem cidadania e tudo o que esta palavra significa. Querem respeito.” (Mauro) 

Fonte: A revolução do silêncio, Marina e a nova política… era disso que eu estava falando!!! 

Eu não vejo assim, Mauro. Para mim, tudo que os integrantes dessa turba toda querem é um salvador. Alguém que lhes tire a responsabilidade sobre os rumos do país e das vidas deles e a assuma sobre seus próprios ombros. E que lhes traga as benesses de uma vida de sucesso sem que eles tenham que fazer nada para merecer isso a não ser “serem quem são”. Igual a uma criança que ganha mesada dos pais pelo simples fato de ser filha deles.

Na política isso se chama “paternalismo” exatamente por este motivo. E é exatamente por isso que o Brasil vive cheio de vale-gás, vale-leite, vale-ônibus, vale-futebol, vale-isso, vale-aquilo, vale-tudo. E também é por este exato motivo que a principal disputa nas últimas eleições foi pela “paternidade” do bolsa-família. 

Se o brasileiro quisesse cidadania, trataria de exercer a cidadania, porque cidadania não se concede, se exerce. Por exemplo, negando-se a legitimar político ladrão ou político com ideologia porca. Mas para isso o brasileiro teria que conhecer um pouquinho de política, teria assumir um pouquinho de responsabilidade sobre sua própria vida e seu próprio destino. E isso o brasileiro não quer fazer. O máximo que o brasileiro sabe fazer é ameaçar “dê-nos uma vida boa ou a gente quebra tudo”, como em junho de 2013.

Se o brasileiro gostasse de respeito, o brasileiro em primeiro lugar trataria o outro com respeito. Bastaria que o brasileiro se tornasse a mudança que quer para o mundo que a mudança do mundo aconteceria. Mas se procurarmos bem, encontraremos um único brasileiro que assuma que não respeita os outros como deveria e que assuma o compromisso de fazer uma autocrítica e mudar de comportamento para respeitar mais os outros? Não. Isso non ecziste

As manifestações de junho de 2013 foram de fato emblemáticas.

O povo brasileiro não estava de saco cheio de roubalheira, claro que não! Chega a ser piada dizer que o povo brasileiro não gosta de ladrão. O povo brasileiro sempre elegeu quem “rouba mas faz”, e, se alguém lembrou do nome “Maluf” ao ouvir esta frase, não tem como discordar do que estou dizendo.

O povo brasileiro estava de saco cheio era de ficar amarrado num canil sujo sem que ninguém viesse lhe trocar a água, encher o potinho de comida e dar uma mangueirada no chão. Estava latindo, roendo a corda e as paredes do canil porque tem sido extremamente mal cuidado, porque está endividado por muitos anos devido à concessão irresponsável e eleitoreira de crédito podre, com a inflação subindo e o emprego caindo, o dinheiro sumindo e a violência crescendo. Mas basta jogar um osso para dentro do canil e dar uma mangueirada no chão para todo mundo voltar a dar a patinha e abanar o rabinho. 

Marina Silva é apenas a salvadora da vez. Ontem foi a Dilma. Anteontem foi o Lula. Um pouco antes o FHC. Antes dele, o Collor. Antes ainda, era pra ter sido o Tancredo. O povo brasileiro está sempre em busca de um salvador. E, quanto mais o suposto salvador assumir toda a responsabilidade por tudo que possa ser imaginado, tanto mais é reconhecido. Não é por acaso, por exemplo, que a mitologia daquele que “tira os pecados do mundo” prospera muito mais do que a mitologia daquele que diz “treine sua mente”, e que a teologia da graça conquista muito mais adeptos do que a teologia das obras. Isso tudo revela claramente o que o povo brasileiro quer. 

O que o povo brasileiro quer mesmo é alguém que lhe dê água, comida e uma casinha e que o leve para passear firmemente preso pela coleira. Alguém que o livre de assumir responsabilidades e de fazer esforços para cuidar de sua vida e que o entretenha para que ele esqueça que vive uma vida de cão. Alguém que tire de seus ombros até mesmo o peso de ter que pensar no que quer da vida e no que deve fazer para atingir seus objetivos, pois pensar não dói, mas exige responsabilidade e esforço. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 05/09/2014 

Quem lucra com as execuções do Hamas?

Israel estava perdendo o apoio do mundo inteiro por causa das inúmeras mortes de inocentes causadas por suas operações militares na Faixa de Gaza. Então, muito convenientemente,  apareceram os vídeos do Hamas executando publicamente diversos palestinos por suposta colaboração com Israel. 

Hamas executa 18 palestinos por colaborar com Israel

Só eu acho estranho demais que, quando o mundo inteiro estava retirando o apoio a seu inimigo, o Hamas resolva dar uma demonstração teatral de intolerância e barbárie que óbvia e previsivelmente supera em muito o nível de rejeição de todas as mortes de civis de que ele mesmo acusa Israel, atraindo novamente para si o ódio de todo o planeta? 

Se eu fosse Benjamin Netanyahu, a estas horas estaria pulando de alegria, batendo palmas e dando vivas ao Hamas, pelo incrível favor prestado. De um momento para o outro, todo o mundo deixou de comentar as mortes de crianças e outros inocentes devido aos bombardeios de Israel e passou a condenar furiosamente as execuções promovidas pelo Hamas. 

A conveniência do momento político, dos métodos brutais e da justificativa das execuções é tão grande, mas tão grande, mas tão grande, que eu começo a pensar se os extremistas do Hamas não são um bando de palermas raivosos financiados por extremistas israelenses muito mais espertos e maquiavélicos. 

Que sorte que eu não tenho como investigar a hipótese. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 26/08/2014. 

METATOLERÂNCIA

Não seja tolerante, seja metatolerante. Ser indiscriminadamente tolerante é contraproducente, pois aumenta a intolerância. Ser indiscriminadamente tolerante não é sabedoria, é comodismo e fuga de responsabilidade. 

METATOLERÂNCIA

Se você deseja ser coerente em sua ação no mundo, tem que agir de modo lógico. Guiar-se por wishful thinking e fórmulas prontas que não exigem discernimento e entendimento das conseqüências imediatas e mediatas de seus atos é um método perfeito para produzir o oposto do que você quer. 

Se você deseja que o mundo se torne mais tolerante, é necessário ser intolerante com a intolerância. Isso tem que ser compreendido em profundidade. Para buscar esta compreensão, vamos fazer um exercício intelectual. 

Vamos imaginar quatro cenários hipotéticos, correspondentes às quatro linhas da tabela-verdade da metatolerância, em cada um dos quais a Skynet envia alguns milhares de Exterminadores do Futuro programados para derrubar o governo e instalar a oposição no governo. 

Cenário 1

Os Teletubbies são o governo mundial. Os Predadores são oposição. 

O governo promove cidadania, planta flores e cria coelhinhos. 

A Skynet é tolerante. Olha em volta, está tudo bem, não se mete. 

Cenário 2

Os Predadores são o governo mundial. Os Teletubbies são oposição. 

O governo usa os humanos como alimento para criar Aliens. 

A Skynet é tolerante. Olha em volta, está tudo mal, dialoga… 

Cenário 3

Os Teletubbies são o governo mundial. Os Predadores são oposição. 

O governo promove cidadania, planta flores e cria coelhinhos. 

A Skynet é intolerante. Extermina os Teletubbies, empossa os Predadores. 

Cenário 4

Os Predadores são o governo mundial. Os Teletubbies são oposição. 

O governo usa os humanos como alimento para criar Aliens. 

A Skynet é intolerante. Extermina os Predadores, empossa os Teletubbies. 

Análise

No cenário 1, os humanos estão bem e continuam bem. 

No cenário 2, os humanos estão mal e continuam mal. 

No cenário 3, os humanos estão bem e ficam mal. 

No cenário 4, os humanos estão mal e ficam bem. 

Isso acontece porque, em relação à tolerância e à intolerância, ser tolerante mantém a tendência, enquanto ser intolerante inverte a tendência. 

Adotar uma postura indiscriminadamente tolerante, portanto, não leva a um aumento da tolerância, mas a simples manutenção do status quo

Adotar uma postura indiscriminadamente intolerante, por outro lado, leva à desestruturação do sistema, porque nega constantemente o status quo e produz intensa permanente instabilidade. 

Conclusão

A única postura que permite perseguir um objetivo em relação ao nível de tolerância de um sistema é a metatolerância, ou seja, a definição do objetivo de aumentar a tolerância do sistema e a conseqüente adoção da postura adequada segundo a tabela-verdade da metatolerância: ser tolerante com os tolerantes e intolerante com os intolerantes

Todavia, metatolerância requer discernimento para identificar se as posições são tolerantes ou intolerantes e reagir de modo coerente e conseqüente, coragem para combater implacavelmente a intolerância e resistir tanto às acusações ingênuas quanto às mal intencionadas quanto a seus reais propósitos e honestidade intelectual para não justificar a omissão e o imobilismo de conveniência como se fossem tolerância nem agir de modo abusivo alegando falsamente que o interlocutor ou o adversário é que são intolerantes. 

É simples, mas eu nunca disse que era fácil. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/08/2014 

A vitória dos intolerantes

Perdi quatro compartilhamentos automáticos dos artigos do Pensar Não Dói porque meus amigos que faziam o compartilhamento foram intimidados por seus amigos intolerantes e preferiram deixar de me ajudar a divulgar o blog a ter que dar explicações ou serem pressionados ou incomodados. 

cicero_intolerancia

Um foi porque uma amiga de minha amiga disse que o que eu escrevo “não tem nada a ver com ela”, outros dois porque os amigos esquerdistas de duas amigas foram lhes buzinar os ouvidos por causa de minhas críticas à esquerda, outro porque uma amiga de um amigo veio questionar minhas críticas à homeopatia. E já estou prevendo perder mais um compartilhamento em função de críticas ao cristianismo que pretendo publicar em breve. 

Então fica combinado assim: se eu postar fotinho e filmezinho de gatinho e de cachorrinho, perfeito, ninguém reclama e o blog cresce; se eu postar opiniões firmes sobre assuntos polêmicos, especialmente se eu criticar alguém ou alguma coisa em que alguém acredite ou goste, os intolerantes reclamam, os amigos preferem não se incomodar, fazem a vontade dos intolerantes e o blog estagna, ou pelo menos fica dependendo apenas de minhas forças para a divulgação. 

Não basta aos intolerantes simplesmente não ler o que não gostam. Nada disso, eles precisam impor sua vontade e sua visão de mundo de alguma maneira. E, se algum amigo meu compartilha coisas do meu blog e eles não gostam, ‘bora atazanar quem compartilha meus artigos para fazê-los desistir de divulgar meu blog. Assim agem os intolerantes.

O que me deixa abismado é que funciona.

Quando pressionados, meus amigos poderiam dizer: “peraí, cara, o Arthur é meu amigo, eu posso não concordar com tudo que ele diz, de fato eu discordo de várias coisas, porque não existem duas pessoas que pensem igual em tudo, mas não me custa nada disponibilizar os artigos dele para quem quiser ler e debater, assim como não te custa nada não ler os artigos dele se não gostares”.

Ao invés disso, meus amigos acabam cedendo à pressão dos intolerantes e fazendo a vontade deles.

Por quê?

Bem, eu continuei amigo dos quatro que deixaram de compartilhar meus artigos e não comecei a torrar o saco deles cobrando uma atitude, afinal eu não sou intolerante.

Mas os intolerantes ou se afastam de quem não cede a seus caprichos, ou atazanam estas pessoas incansavelmente criticando e cobrando e pressionando.

Então, o melhor balanço é deixar de compartilhar os artigos e continuar sem se incomodar com nenhum dos dois. Cômodo e prático, né? 

Obviamente, a mesma lógica permanece válida para situações análogas,  o que invariavelmente beneficia os intolerantes e reforça sua maneira de agir.  

Em conseqüência, devido à mais simples e óbvia seleção natural, a menor incomodação no curto prazo promove diretamente uma incomodação muito maior no longo prazo, tornando todo o ambiente cada vez mais intolerante. E mais, e mais

Parabéns, intolerantes! Vocês vão dominar o mundo! O que vocês sempre esquecem é que sempre aparece um cara mais intolerante que vocês e mais disposto a ações mais extremas que vocês. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/08/2014