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Voto universal desqualificado não é bom para o país

O artigo 60, §4, II da CF não é bom para o país. Não é razoável o voto universal sem qualquer exigência de qualificação do eleitor para o exercício deste direito. Quem não sabe o que está fazendo não tem mesmo que participar do processo.

Cansei de ouvir “vô votá pra ele puquê ele é um hômi bão pra nóis” e o “hômi bão pra nóis” era um coronel que dominava um curral eleitoral com muita bravata, distribuição de alguns favores e intimidação por capangas.

Cansei de perguntar qual é a diferença entre um vereador e um governador, ou entre um senador e um desembargador, somente para descobrir que o eleitor não tinha a menor idéia do que se tratava. Um indivíduo com esse nível de desconhecimento não deveria ter o direito de interferir na vida alheia.

Quem é ignorante a este ponto não expressa sua vontade nas urnas, porque para ter uma vontade primeiro é necessário saber do que se está falando. Permitir o voto deste indivíduo não lhe confere cidadania, pelo contrário, confere-lhe a condição de massa de manobra travestida pela ilusão de cidadania.

Só quem lucra com o voto do analfabeto político é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais, não a democracia, não a sociedade. A prova maior é que no Brasil todos os políticos corruptos que renunciam para evitar a cassação de seus mandatos – e mesmo os que são cassados – acabam voltando consagrados pelas urnas. Uma vergonha.

O título de eleitor tem que ser substituído por uma CNHE: Carteira Nacional de Habilitação Eleitoral. Se quem vai dirigir um automóvel tem que se preparar antes, para não prejudicar alguns com sua inabilidade, muito mais quem vai dirigir o país através do voto tem que se preparar antes, para não prejudicar cento e oitenta milhões com sua inabilidade.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/08/2009

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2 comments to Voto universal desqualificado não é bom para o país

  • Arthur,

    Parabéns pelo teu blog e pelos teus argumentos em relação ao uso de uma fonte de energia anacrônica e da preservação de um status quo genocida a partir do pré-sal. No entanto, discordo completamente do teu ponto de vista, que é altamente sectário e nada democrático em relação a quem pode ou não votar.

    Sugiro que leias um pouco sobre a linha de pesquisa com a qual trabalho, cujo objeto é o ciberativismo atravessado nas e pelas mídias sociais: http://www.trezentos.blog.br/?p=2193

    []’s,
    Hélio Sassen Paz
    Mestre em Ciências da Comunicação
    Porto Alegre/RS

    • Hélio, bem-vindo ao Pensar Não Dói, obrigado pela visita e pelo comentário!

      Discordar no Pensar Não Dói é livre. ;)

      Que eu não sou um democrata, não é novidade. Dizer que eu não sou democrático não me ofende. É como dizer que eu sou biólogo: é verdade, mas não expressa toda minha essência.

      A democracia representativa é um sistema político muito falho, muito dado a distorções, a manipulações e à corrupção. A humanidade merece algo melhor que isso, como eu digo aqui: http://arthur.bio.br/2009/09/17/politica/democracia/a-democracia-ja-deu-o-que-tinha-que-dar

      Só não entendi por que “sectário”. Não defendo a limitação do acesso ao poder a um grupo determinado, minha posição é que todo cidadão deve ter o direito de ter uma opinião, de expressar sua opinião, de negociar com os demais cidadãos sobre as medidas que considera mais adequadas para gerenciar o espaço comum e de exigir certas garantias aos indivíduos e às minorias contra a vontade da maioria.

      Nestes pontos eu até acho que a democracia representativa tem razoáveis chances de ter sua operacionalização aperfeiçoada ainda dentro do conjunto de princípios que a caracteriza.

      A questão é que só faz sentido permitir alguma escolha para quem sabe fazer uma escolha, ou seja, para quem está suficientemente bem informado sobre as alternativas e é capaz defender uma delas em relação às demais com base em critérios verbalizáveis, inteligíveis e realistas no que diz respeito à avaliação das conseqüências desta escolha.

      Votar não é exercer cidadania. Exercer cidadania é requisito para votar. Quem vota sem exercer cidadania só está prejudicando o processo, a si mesmo e aos demais.

      Se achas que não, me diz uma coisa: perante uma urna eletrônica, qual é a diferença entre um indivíduo que vota em alguém que ele não conhece, que pertence a um partido cujo programa ele não conhece, para exercer um cargo que ele não sabe para que serve, em um sistema político que ele não entende, e um chimpanzé treinado para apertar botões cujos símbolos correspondam aos impressos num papelzinho que alguém lhe dê?

      Observa que esta discussão precede a discussão sobre a mídia que permitirá apertar botõezinhos coloridos feito macaco expressar decisões racionais bem informadas tomadas de modo consciente como requer a cidadania.

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