Siga-me no Twitter: @arthur_bio_br

Links diversos

Cristianismo, judaísmo, islamismo e homossexualidade

As religiões abraâmicas – cristianismo, judaísmo e islamismo – são responsáveis pelo sofrimento e pelos conflitos que desgraçam a vida de milhões de pessoas em função da doutrinação de crianças emocionalmente vulneráveis segundo preceitos que as levarão à auto-rejeição, ao desamparo emocional e à discriminação social quando atingirem a adolescência e descobrirem que a orientação sexual com que nasceram é aquela a que foram ensinadas a repudiar como suja, degenerada e abominável.

Era uma vez uma criança nascida em uma família cristã/judaica/muçulmana devota e praticante da religião, fortemente inserida em uma comunidade cujo principal ou único fator de união é a religião. Esta criança já nasce exposta aos símbolos, ritos e práticas desta religião, é educada segundo os conceitos, valores e hábitos desta religião, desenvolve desde tenra idade fé religiosa segundo os ditames desta religião… e, quando entra na adolescência e começa a perceber em si mesmo o desenvolvimento do desejo sexual, além de experimentar todos os conflitos normais da adolescência, descobre que há algo “errado” consigo mesma, pois sente naturalmente um desejo que é considerado inaceitável, pecaminoso e sujo.

Será possível sequer imaginar o conflito que se estabelece na mente destes jovens? Eles já estão profundamente imbuídos de conceitos que dizem que é errado, inaceitável e sujo sentir aquilo que inocente e espontaneamente sentem. Ficam assustados, sentindo-se culpados e aterrorizados com a possibilidade de que alguém descubra o que está acontecendo com eles. Sabem, pela simples observação do que é dito a sua volta, que não terão nenhum apoio caso revelem o que estão sentindo, e que ninguém lhes estenderá uma mão amiga, pelo contrário, serão acusados de imoralidade, corrupção e degeneração, quando tudo o que sentem é simples atração por alguém por quem não deveriam sentir atração. Sentem um misto terrível de culpa e sentimento de injustiça, pois não conseguem sentir seu desejo de amor, carinho e aceitação como pervertido, embora tenham sido ensinados que o que sentem é perversão.

Por outro lado, receberam anos de ensinamentos que os levaram a interiorizar a fé cristã/judaica/muçulmana. Não possuem outra alternativa, aquela fé faz parte de todo o seu ser. Se esta fe for removida, um imenso e doloroso vazio surge.

O que faz um ser humano ao deparar-se com um conflito desta magnitude? Simples: ele tenta superar o conflito compatibilizando o que acredita e o que sente. Ninguém em sã consciência deseja perder nem a aceitação de sua comunidade nem a possibilidade de ser feliz segundo sua própria natureza.

A partir daí começam as procuras, as tentativas de encontrar brechas na Bíblia, no Talmude e no Corão que permitam uma interpretação diferente daquelas que são tradicionais – e estas tentativas sempre resultam produtivas, pois todos estes livros sagrados são escritos em liguagem que permite diversas interpretações. Aí começam os debates, as repreensões pelo afastamento da ortodoxia e a sensação de que existe algo errado na comunidade, pois o texto sagrado diz que deve haver amor, compaixão e tolerância, mas a comunidade age com ódio, insensibilidade e intolerância contra quem nada fez de mal.

O modo como este conflito se desenvolve é variável, mas somente três soluções se apresentam: ou o indivíduo se afasta da religião, ou ele passa a interpretá-la segundo uma visão completamente distinta da tradicional, ou ele tenta viver em conflito com a própria sexualidade. Nos dois primeiros casos ele acaba se afastando da comunidade, pois nem a ruptura nem a heresia são aceitáveis nestas comunidades religiosas. No terceiro caso ele se torna desgraçadamente infeliz e amargo, pois ninguém pode mudar sua sexualidade. A maioria percebe a tempo que isso não faz sentido e opta por lutar por uma abertura de mente de suas comunidades ou pelo afastamento definitivo. Na maioria dos casos, primeiro uma coisa, depois a outra, pois estas comunidades baseiam suas crenças em textos escritos – e textos escritos não aprendem, não evoluem e não são sensíveis ao sofrimento humano.

Para cada pessoa este caminho precisa ser trilhado passo a passo, gerando um longo e doloroso aprendizado sempre igual através dos séculos: que este Deus intolerante não é aquele Deus bondoso e justo que ela aprendeu a amar na infância.

Artigos Relacionados:

  1. Cristianismo, judaísmo, islamismo e homossexualidade
  2. Por que as igrejas cristãs são obcecadas pela bunda dos gays?
  3. Sexo com extraterrestres verdinhos

4 comments to Cristianismo, judaísmo, islamismo e homossexualidade

  • kelly

    sou bisexual tenho 17 anos e mtas duvidas… vou para o inferno por ficar cm meninas??? vou para o inferno por fazer sexo cm elas e gostar? sou evangelica e estou confusa…

    • Kelly, ninguém vai pro inferno por amar, ninguém vai pro inferno por relacionar-se com quem ama. As religiões abraâmicas – estas citadas no título e suas variantes – são baseadas em textos e tradições de povos que viveram há mais de dois milênios, completamente ignorantes dos avanços da ciência moderna. Se naquela época era compreensível que as pessoas fossem iludidas por tais superstições e preconceitos, que eram reforçados pela doutrinação religiosa como estratégia de manipulação da sociedade, hoje em dia somente quem tem um péssimo nível de educação científica se deixa levar por doutrinações absurdas como repudiar a própria sexualidade em nome de Deus.

      Seja qual for tua sexualidade, existe uma maneira de vivê-la com prazer e com dignidade. Líderes religiosos não são profissionais gabaritados para falar de sexualidade. Não te deixa abater pela ignorância nem pela intolerância alheia. Qualquer um que disser que o amor que tu sentes não é digno, ou que o prazer que sentes junto a quem amas é pecaminoso, está preocupado com qualquer outra coisa, menos com a tua felicidade. Busca informação de qualidade junto a quem pode te orientar com conhecimento científico sólido, não com os preconceitos de povos atrasados que viviam no meio do deserto há mais de dois mil anos.

      Boa sorte, volta sempre.

  • thais

    SOU BISEXUAL,PORÉM,NÃO POSSO ASSUMIR MINHA VERDADEIRA OPÇÃO SEXUAL PARA A SOCIEDADE,FAMÍLIA…
    ATUALMENTE HÁ MUITOS PRECONCEITOS DENTRE A POPULAÇÃO,O HOMEM INFELIZMENTE,AINDA SE SOBRESSAI EM DETERMINADAS SITUAÇÕES.
    HÁ DE HAVER UMA NOVA REVOLUÇÃO,ASSIM COMO TANTAS QUE JÁ OCORRERAM NO DECORRER DOS ANOS.

    • Thaís, tu ainda estás em uma situação privilegiada: mulheres bissexuais são muito melhor aceitas pelos homens do que homens bissexuais pelas mulheres. Bissexualidade com certeza não é um campo em que os homens levem vantagem. As mulheres possuem muito maior liberdade nessa questão.

Leave a Reply

 

 

 

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>