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Esperanto: a melhor solução para o problema da comunicação internacional

O mundo precisa de uma língua para intercâmbio cultural, científico, político e econômico. Mas que língua? Certamente não uma língua nacional imposta pela força das armas, pelo poder econômico ou pelo imperialismo cultural. O mundo precisa de uma língua internacional que a todos os povos beneficie igualmente, sem privilegiar alguns em detrimento de outros. Esta língua existe: é o ESPERANTO, criado em 1887 por Zamenhof e pertencente a toda a humanidade.

O Esperanto nasceu para ser a segunda língua de todos os povos, permitindo comunicação eficiente, clara e em pé de igualdade, sem que um povo precise abrir mão de sua cultura ou soberania em favor do outro para poder se comunicar.

O Esperanto, por ter sido construído especialmente para esta finalidade, é muito mais rápido de aprender do que qualquer outra língua existente na face do planeta, graças a suas peculiaridades gramaticais (simples, flexível e sem exceções). Como tempo é dinheiro, as implicações econômicas deste fato são imensas.

A adoção internacional do Esperanto como língua de comércio, turismo, intercâmbio cultural e científico traria bilhões de Euros de economia anualmente, principalmente para os países em desenvolvimento. E protegeria as culturas minoritárias, que estão sendo engolidas pela propagação das línguas e culturas dos poucos países mais fortes no cenário econômico mundial.

Você pode fazer algo concreto pelo direito de cada povo ver sua língua e sua cultura respeitada no cenário internacional: aprenda a falar Esperanto e descubra o mais fascinante canal de intercâmbio cultural do mundo. Nenhum outro idioma pode lhe oferecer acesso a tantas culturas diversas de modo tão rápido, tão barato e tão fácil.

(Existem inúmeros cursos de Esperanto online, na maioria gratuitos.)

Atualização em 05/09/2009: Fatos sobre o Esperanto

A Mônica postou um comentário instigante:

“Mas acho que uma língua dessas não ganha mais adeptos exatamente pelo motivo que poderia torná-la popular: ela não pertence a ninguém, a nenhum povo, a nenhuma cultura. E as línguas estão fortemente ligadas a essas questões, né? Ela é limpinha, sequinha, esterilizada e tudo mais, mas não tem história, não tem dinâmica. Ou, como diria uma tia, não tem ‘borogodó’.” (Mônica)

Esta visão sobre o Esperanto é bastante difundida, então resolvi responder detalhadamente. Só que eu me empolguei e escrevi algo que gostei tanto que decidi incluir a resposta para a Mônica no corpo do artigo, na esperança que mais pessoas se beneficiem do esclarecimento. Por isso fiz esta atualização.

O Esperanto possui uma cultura riquíssima, uma história muito interessante e quase a mesma dinâmica lingüística de qualquer outra língua. O mito de ser uma “língua estéril” é propagado pelos detratores do Esperanto, aqueles que lucram com o imperialismo cultural, com serviços de tradução, com acordos ortográficos inúteis e caríssimos, etc. (Não é “teoria da conspiração”, é puro puro interesse mercadológico.)

Embora a língua seja instrumento de transmissão cultural, não são as riquezas culturais de um povo que tornam sua língua difundida e sim seu poderio bélico e econômico. O latim não se expandiu por toda a Europa em função do potencial expressivo de suas declinações, nem em função da beleza da arquitetura romana. O francês não foi a língua culta do mundo em função da beleza de sua pronúncia, nem em função da alta qualidade (cof, cof) do cinema da França. O inglês não é a língua do comércio e da ciência na atualidade em função de sua gramática simples, nem da elevadíssima (cof, cof) cultura estadunidense. Em todos estes casos, bem como em todos os demais em que houve a expansão e o domínio de uma língua sobre outras, os fatores que levaram à “escolha” da língua que seria utilizada para a comunicação internacional foram a imposição pela força das armas e os interesses do poder econômico.

Como toda língua nacional ou étnica é propriedade de um povo, a solução para o problema da comunicação internacional só pode vir de uma língua que não seja nacional ou étnica. E o único tipo de língua que pode atender esse requisito é uma língua planejada.

Dentre os milhares de projetos de língua internacional propostos por filósofos, lingüistas e outros idealistas, o Esperanto é a única língua não-nacional e não-étnica que sobreviveu à morte de seu autor e gerou uma comunidade de falantes que se mantém por suas próprias forças.

O Esperanto é um fenômeno único na história da humanidade, com um potencial tão libertário que os esperantistas foram perseguidos e assassinados por quase todas as ditaduras do século XX, incluindo Stálin, Hitler, Mussolini, Franco, Mao e outros. Os pequenos ditadores se tornam grandes ditadores exatamente por sua habilidade de identificar e neutralizar as lideranças e fenômenos capazes de promover a emergência de quaisquer ideais libertários e fenômenos democratizantes. Pelo mesmo motivo o macarthismo também perseguiu os esperantistas.

A Liga das Nações, precursora da Organização das Nações Unidas, aprovou uma moção de apoio ao ensino do Esperanto nas escolas públicas de todos os Estados-membros e quase adotou o Esperanto como língua de trabalho. Isso só não aconteceu em função da forte oposição da França, que alegava que o francês já era a língua internacional de fato e via no Esperanto uma ameaça a seus interesses econômicos.

A ONU, por sua vez, tem a Associação Universal de Esperanto como entidade consultiva, mas as propostas de adoção do Esperanto como língua de trabalho são hoje rejeitadas por pressão dos EUA, sob a mesma alegação da França no século passado.

O Esperanto é uma solução tão combatida porque permite o contato direto entre os indivíduos dos mais diversos países, etnias, culturas e idiomas. Ele elimina a um baixíssimo custo e muito rápida e eficientemente a barreira que impede que os povos mostrem uns aos outros o que pensam, o que desejam, o que sentem.

Como seria possível atiçar o ódio e demonizar outros povos se uns pudessem ler os blogs dos outros e verificar que no outro povo as crianças também brincam pelas praças, os pré-adolescentes também escrevem poesias apaixonadas, os jovens gostam de se divertir com os amigos, os adultos passam pelas mesmas dificuldades para sustentar suas famílias, os empresários reclamam dos impostos, os trabalhadores reclamam dos salários e todo mundo reclama dos políticos?

Como seria possível promover uma guerra se um grande contingente de cidadãos em cada país pudesse ligar um computador e conversar diretamente com o povo “inimigo”?

É portanto um grande equívoco acreditar que a adoção do Esperanto seja dificultada pelo fato de nenhum povo ser o dono da língua ou pela sua regularidade e simplicidade gramatical. Estes são os pontos fortes do Esperanto.

O Esperanto é ativamente combatido pelos governos, empresas e profissionais que lucram explorando o problema da comunicação internacional, justamente porque o Esperanto é uma solução muito mais rápida, barata, simples e eficiente que qualquer uma das outras soluções disponíveis no planeta. E principalmente porque pode trazer grandes mudanças sociais.

Eu cronometrei meus estudos iniciais: dominei toda a gramática do Esperanto em apenas 28 horas de estudo autodidata. Dois meses depois apresentei uma palestra em Esperanto para um grupo de esperantistas. Pense em uma língua que você nunca estudou e responda sinceramente: você se arriscaria a palestrar nesta língua após estudá-la sozinho por apenas dois meses? Eu palestrei, respondi as perguntas da platéia e fui aplaudido ao final. Aí está uma coisa que eu não tentaria fazer em outra língua.

Pense:

Se uma língua muito mais rápida, barata e fácil de aprender que qualquer outra no mundo fosse ensinada nas escolas em todo o planeta, quem seria beneficiado?

Seriam beneficiadas as potências hegemônicas ou seriam beneficiados os povos dos países mais pobres? Quem é que hoje é obrigado a dispender imensas fortunas no ensino de línguas estrangeiras, obtendo apenas um resultado pífio, sem que seus povos se capacitem realmente para qualquer tipo contato internacional, por mais básico e elementar que seja?

Seriam beneficiadas as grandes empresas de comunicação ou seria beneficiado o contato direto entre os povos? Quem é que hoje escolhe a informação que você recebe sobre o que acontece no resto do mundo, sem que você possa checar o que pensa a população de outros países acessando a blogosfera deles?

Ah, sim, não vai faltar quem diga que “hoje em dia o inglês cumpre esta função”. O único problema desse clichê é que ele é totalmente mentiroso. Só quem realmente consegue usar o inglês para estes propósitos é uma pequena elite altamente privilegiada. Para o povão qualquer coisa em língua estrangeira continua sendo fator de exclusão social.

A verificação desta realidade é fácil: o inglês tem sido língua de estudo obrigatório nas escolas do Brasil inteiro há décadas. Quantas salas de cinema no país passam filmes em inglês sem legendas nem dublagem? Quantos noticiários em inglês são exibidos na TV aberta por semana, ainda que no horário da madrugada? Quantos jornais impressos possuem um suplemento semanal com pelo menos uma página em inglês?

O mercado desmente todas as alegações sobre a acessibilidade e a utilidade do inglês para o povo. Se contabilizarmos os milhares de horas-aula gastas sem que a maioria das pessoas adquira sequer a capacidade de assistir um filme ou um noticiário em língua estrangeira, mais os abandonos de curso e as repetências provocadas pelo fracasso em língua estrangeira, mais as carreiras interrompidas ou estagnadas devido à falta de fluência, veremos que estamos investindo uma imensa quantidade de recursos para obter um resultado péssimo. O balanço econômico deste investimento é provavelmente negativo.

Imagine agora que tenhamos a coragem de investir em uma solução realmente inovadora e libertadora: a inclusão do Esperanto no Ensino Fundamental.

Esta notícia rapidamente correrá o mundo. A comunidade esperantista internacional, como é sua tradição, virá imediata e gratuitamente dar apoio ao projeto através da internet. Países menos desenvolvidos que o Brasil verão no ensino do Esperanto a oportunidade de ocupar rapidamente um nicho de comércio direto com o Brasil, agora acessível a um número maior de seus cidadãos devido ao baixo custo e alta eficácia do ensino de Esperanto. As relações comerciais internacionais do Brasil se intensificarão.

Com a emergência deste novo mercado, novas parcerias comerciais surgirão entre nossos parceiros comerciais, promovendo a multilateralidade e tornando todo o mercado menos vulnerável aos abalos econômicos ocorridos em qualquer país específico. Benefício incontestável para todos.

Como sói acontecer no mercado internacional, as empresas dos países mais desenvolvidos aos poucos perceberão o novo filão aberto e utilizarão o Esperanto para ingressar neste mercado, enquanto seus governos perderão o bonde trem-bala da história esbravejando discursos patrióticos para captar os votos dos conservadores assustados com a nova tendência. Em pouco tempo veremos a formação de um grande mercado internacional em Esperanto, descentralizado e muito mais acessível a todos graças à eliminação das barreiras lingüísticas.

A beleza desta solução é que, devido às características peculiares do Esperanto, seria promovida tanto a intensificação das relações internacionais quanto a valorização das culturas nacionais. É óbvio: o Esperanto, justamente por não pertencer a qualquer povo em particular, é neutro em relação à nacionalidade e etnia, portanto não impõe a cultura de um povo a outro. O intercâmbio cultural continua existindo, mas pela primeira vez se estabelece em bases igualitárias no terreno lingüístico.

Quem vê um esperantista entusiasmado falar sobre o Esperanto tem a impressão que ele acha que o Esperanto pode resolver todos os problemas das relações internacionais, como se a política, a diplomacia e a cooperação econômica fossem secundárias, mas esse não é o caso. Nós estamos plenamente conscientes que a humanidade ainda tem pela frente uma longa jornada para a construção de uma ordem econômica mais justa e solidária, e reconhecemos que muito trabalho ainda terá que ser feito para que isso se realize.

O entusiasmo dos esperantistas em divulgar o Esperanto vem de sabermos que temos em mãos um instrumento valiosíssimo para promover o desenvolvimento econômico, a democratização das relações entre os povos e a promoção de uma cultura planetária de paz. E queremos compartilhar tudo isso com você.

Aprenda Esperanto!

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35 comments to Esperanto: a melhor solução para o problema da comunicação internacional

  • Obrigado pela dica, Arthur! Fazendo o Download (que também não doi) a espera de um bom momento para aprender.

  • Arthur,
    o esperanto parece mesmo ser muito prático, e eu tenho um tio que ainda era esperantista fluente até pouco tempo, quando o mal de Alzheimer apoderou-se de sua memória de maneira implacável.

    Mas acho que uma língua dessas não ganha mais adeptos exatamente pelo motivo que poderia torná-la popular: ela não pertence a ninguém, a nenhum povo, a nenhuma cultura. E as línguas estão fortemente ligadas a essas questões, né? Ela é limpinha, sequinha, esterilizada e tudo mais, mas não tem história, não tem dinâmica. Ou, como diria uma tia, não tem ‘borogodó’.

    Esperanto, no final das contas, ficou isso mesmo: uma boa ideia e só…

    abraço!

  • Mônica:

    Agora me lembraste de um certo personagem histórico que uma vez disse algo mais ou menos assim: “Pai, perdoai-os! Eles não sabem o que dizem!” Quem foi, mesmo? Hamlet? :-)

    Esta suposta explicação sobre por que o Esperanto não se torna mais popular é bastante difundida, mas não é verdadeira. Por dois motivos:

    Primeiro, porque o Esperanto possui uma cultura riquíssima, uma história muito interessante e quase a mesma dinâmica lingüística de qualquer outra língua.

    Segundo, porque, embora língua seja instrumento de transmissão cultural, não são as riquezas culturais de um povo que tornam sua língua difundida e sim seu poderio bélico e econômico.

    Mas, Mônica, teu questionamento foi tão instigante que eu decidi incluir a resposta no corpo do artigo principal. :-) Confere o título “Fatos sobre o Esperanto”.

  • Eu sou totalmente a favor do Esperanto.
    Pode botar mais uma na lista das que apoiam o esperanto como língua mundial. =)

    • Tu e a Ana estão em um país privilegiado para aprender Esperanto. Tem muito material bom publicado no mercado local dos istêites e muitas associações onde é possível praticar conversação.

  • Arthur,
    concordo e ‘disconcordo’ com você. Continuo achando o Esperanto uma ótima ideia como língua franca, mas é mais ou menos como suco de caixinha e sanduíche do McDonald’s: super prático, mas meio sem graça… ;-)
    abraço e ótimo domingo!

  • ORIGEM

    O Esperanto surgiu da união dos grunhidos animais do Chewbacca e Carlitos Tevez, com os apitos estridentes de R2D2 e os gemidos de Humberto. Para conseguir uma maior abrangência nas diversas culturas mundiais, decidiu-se que a escrita seria o mais próximo possível à que um emo conseguisse produzir. Porém, devido a um revisionismo histórico, inventaram uma história mais bonitinha atribuída a um polonês que queria fazer do mundo um lugar melhor onde todos se entendessem.

    O esperanto é uma língua alternativa, que não pertence a nenhum país, não é a língua nativa de nenhuma pessoa e nem de nenhum animal. Também não é pré-requisito para obter um emprego ou uma promoção, mas serve pra tirar uma onda com o boy do xerox (jamais, em hipótese alguma, faça isso com a moça do cafezinho).

    O nome Esperanto vem literalmente da esperança daí a cor verde-melequinha-nasal na bandeira. E exatamente por ser a última que morre, esta língua está fadada ao sucesso, predestinada a ser a língua do apocalipse.

    O Esperanto foi desenvolvido para ser a segunda língua de cada país (e o Vasco já está adotando!), mas esse sentimento de inferioridade foi superado após a participação em um grupo de auto ajuda ministrado por Rubens Barrichello e televisionado pelo SBT.

    APRENDENDO ESPERANTO

    Devido a sua facilidade de aprendizado e entendimento, o Esperanto pode ser aprendido em pouco tempo, algo como ficar coçando o saco até criar casquinha ou a meia-vida do carbono 14. Segue abaixo um curso relâmpago de como aprender a falar e escrever além de frases prontas para usar em caso de emergência.

    * Primeira lição – Formação básica de palavras

    Junte a primeira sílaba da palavra em português com a segunda em inglês e a primeira em japonês (o que é fácil, pois no Japão só há 9 sílabas: Kyo, Ka, To, Su, Shi, Sa, Ba, Ra, Ku. Duvida? Kyoto, Tokyo, Sushi, Sashimi, Kashi, Toshiba, Basuka, Saba, Karaba, Shibaraku… etc…)

    Exemplo: Vamos formar a palavra macaco.

    Macaco – Português. Monkey – Inglês. Saru – Japão.

    EM ESPERANTO: “Makeysa!”

    * Segunda lição – Formação avançada de palavras

    Caso o domínio dos idiomas citados acima não for pleno, pode-se utilizar qualquer palavra conhecida em qualquer idioma com o acréscimo da letra O no final (caso a palavra termine em vogal substitua a última vogal pelo O). Para exemplificar vamos utilizar a palavra árvore em diversas línguas:

    Em português: árvore + O = Árvoro, que em esperanto significa árvore
    Em russo: вал, + O = Bano, que em esperanto significa bolo de fubá
    Em grego: δέντρο + O = Sevipoo, que em esperanto significa abajur
    Em inglês: tree + O = Treo, que em esperanto significa terrorista
    Em holandês: Boom + O = Boomo, que em esperanto significa quadrado
    Em espanhol: árbol + O = árbolo, que em esperanto significa dentadura
    Em francês: arbre + O = arbro, que em esperanto significa chicletes

    * Terceira lição – Escrita

    Uma das facilidades do Esperanto é a escrita, pois a grafia é exatamente igual a fala, lembrando sempre de acentuar as palavras nas vogais e também nas consoantes. Exemplos: Ĵaĉaré, Ŝaĉŭleĵo, Baĥia, Ĝengis Khän, etc.

    ONDE APRENDER ESPERANTO

    Existem inúmeros locais onde se pode aprender esperanto, você pode achar aulas de esperanto grátis muito facilmente, é só ir para pqp, casa do caralho ou também pode tentar ir a merda. Além disso, pode-se achar o Kurso de Esperanto, um software, onde se aprende esperanto com 12 lições bem simples, tão simples que 24 pessoas no mundo inteiro já conseguiram terminá-lo em apenas 79 semanas.

  • O cara teve o trabalho de copiar e colar o texto da Desciclopédia. :P

    O legal é que isso me dá um gancho para apresentar as informações corretas! :)

    1) A origem do Esperanto:

    O Esperanto foi criado por Lázaro Luís Zamenhof. O primeiro livro de O Esperanto pode ser aprendido pela internet ou em inúmeras associações espalhadas pelo mundo inteiro. divulgação foi publicado em 1887 com o título “Internacia Lingvo” (pronuncia-se “internatsía língvo”) e Zamenhof assinou-o com o pseudônimo “Dr. Esperanto”, que significa “aquele que tem esperança”.

    De fato o Esperanto não pertence a nenhum país, esta é aliás a sua grande virtude. Mas está incorreto dizer que não é língua nativa de nenhuma pessoa. Há vários denaskaj esperantistoj, ou seja, falantes nativos. Falta de pesquisa do autor daquele verbete.

    É, o Esperanto tem uma bandeira e ela é verde.

    E sim, o Esperanto foi criado para ser a segunda língua de todos os povos. Gostei da sugestão do Rubinho Barrichelo para santo padroeiro. Assim que ele for canonizado vou apresentar a idéia no Congresso Universal.

    2) Aprendendo Esperanto:

    O Esperanto é a língua de mais fácil e rápido aprendizado no mundo. Apesar das bobagens que o autor da Desciclopédia escreveu, existe mesmo um flexível e poderoso sistema de formação de palavras que permite expandir rapidamente o vocabulário. E embora todos os exemplos que ele citou estejam errados, todo substantivo em Esperanto de fato termina com a letra “o”.

    3) Onde aprender Esperanto:

    O Esperanto pode ser aprendido pela internet ou em inúmeras associações ao redor do mundo. Infelizmente o autor do comentário acima se equivocou e deixou o endereço da escola dele. :)

  • Prezado Arthur,acabei de publicar uma postagem no meu blog http://www.esperantoforadatoca.blogspot.com , fazendo alusão ao seu excelente trabalho e recomendando a leitura do se artigo sobre o esperanto. Antes, pensei: Será que o Arthur não vai gostar da divulgação? Como não doeu, resolvi mandar brasa.

  • Arthur,
    Se você ainda não leu o que a revista Época (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI93275-15223,00.html) publicou recentemente sobre o esperanto, sugiro que o faça e que acrescente o seu valioso comentário ;

  • Leandro Freitas

    Parabéns pelo artigo… tocou em pontos realmente interessantes e necessários. Quanto ao que a Mônica disse, em relação à ausência de cultura na língua internacional, infelizmente isso é muito difundido, apesar de ser um equívoco. Quem traz a cultura são as pessoas, não a língua, e no atual sistema linguístico vigente no mundo, não temos acesso a muitas culturas, ou, quando temos, é tudo deturpado. Eu tenho um correspondente na Ucrânia, que me apresentou e apresenta sua cultura, as músicas do seu país, a política, tudo utilizando o esperanto. E eu estou com vontade já de aprender a língua dele, porque o esperanto é isso, não exclui nada, não nos acomodamos, mas temos sempre a vontade de saber mais, conhecer mais. As pessoas criticam o esperanto porque não o conhecem, e isso é uma pena. Um abraço, Leandro Freitas, São José do Rio Preto, SP.

  • Dogbert, você é um sonhador. Você quer é ***** o planeta, ***** a economia, ***** as culturas, ***** a vida das pessoas. Esperanto? Nem pensar. A língua internacional é o inglês, porque o inglês é a língua do povo mais desenvolvido economicamente, com a cultura mais eficiente, com as pessoas mais capacitadas. Você nunca vai destruir isso.

  • [...] um relato muito bem escrito, lúcido, simples e longe de ser simplório – Arthur Golgo Lucas, sobre o esperanto. este outro é mais complexo, mas aborda muito bem a questão da imposição do [...]

  • André Philipp

    Olá, Arthur! Eu gostaria de saber onde e/ou que materiais você utilizou para aprender o Esperanto a ponto de palestrar usando-o. Aguardo resposta! A propósito! Gostei muito do site, muito legal mesmo, sou um dos defensores e apoiadores do Esperanto em escolas
    Abraço.

    • André, eu utilizei apenas um livro: ESPERANTO SEM MESTRE, de Francisco Valdomiro Lorenz. O livro é denso e organizado de modo pesado, segundo aspectos gramaticais, mas oferece uma visão sólida da estrutura e dos recursos expressivos do Esperanto.

      Atenção: recomendo fortemente este material para autodidatas determinados e que desejam começar com uma sólida base, jamais para cursos em escolas ou grupos heterogêneos.

      Para quem conseguir devorar o ESPERANTO SEM MESTRE sem indigestão, eu recomendo uma saborosa sobremesa: PASXOJ AL PLENA POSEDO, de William Auld. É um livro de contos escrito com os propósitos didáticos de ampliar o vocabulário e de fixar os modos de dizer em Esperanto. Leitura leve e divertida, com exercícios ao final de cada conto.

  • Leandro

    Aprendeu Esperanto em 28 horas? Eu já estou estudando a mais tempo que isso e não saio do básico. Minha capacidade de aprender línguas não é muito boa. Para mim Cálculo diferencial e integral é bem mais fácil, já fui monitor na faculdade de cálculo II e III.

    • Leandro, é claro que depois destas 28 horas eu tive que ampliar muito meu vocabulário, mas a pronúncia, a gramática completa, inclusive com perfeito domínio do acusativo, a tabela dos correlativos e todas as partículas invariantes (preposições e conjunções), isso tudo eu aprendi em 28 horas.

      Minha primeira palestra em Esperanto aconteceu dois meses depois destas 28 horas, ou seja, eu tive um bom tempo para treinar o vocabulário necessário, não fiz milagres.

      Conta também a meu favor o fato de ser hiperativo e estar altamente motivado para aprender a língua, o que me conferia a capacidade de hiperfoco, talvez a única vantagem de ser hiperativo.

      No “caso geral” eu duvido que alguém precise de mais de 100 horas de estudo autodidata para aprender bem aprendido todo o conteúdo do livro ESPERANTO SEM MESTRE.

  • Alyson Vilela

    Oi. Eu conheço o esperanto, falo um pouco e gosto bastante, mas falarei como um linguista fonólogo. Vale lembrar que é falacioso o discurso de que o Esperanto não beneficia a ninguém. O Esperanto é uma língua com clara estrutura indo-europeia. Mais de perto, podemos dizer que beneficia mais ainda os neolatinos. Uma pessoa desavisada leria um texto em esperanto e diria que é uma língua neolatina. A ideia de que é uma língua fácil de aprender é também relativa. Para nós, brasileiros, é facílima. A estrutura é incrivelmente semelhante à do português e ainda com muito menos flexões verbais e nominais. Mas, para um japonês, é uma língua com uma estrutura completamente diferente, em termos de sintaxe, morfologia e até mesmo fonologia. As perífrases verbais e construções adverbiais do esperanto são completamente estranhas a um japonês, mas completamente comuns a um falante do português.

    Lembre-se também que toda língua é formadora de ideias, culturas e ideologias. O ser humano é totalmente levado por este fato e é praticamente impossível fugir dele. Assim, quando uma cultura se sobrepõe à outra, sua língua vai junto. Até mesmo quando uma dança surge em um país, muitas vezes não traduzimos os nomes dos passos. Ver o caso do ballet, com seus plié e demi-plié. Isso resulta no fato de que, se uma língua é culturalmente insignificante para um povo – entenda o que eu quero dizer! O Esperanto tem toda uma cultura por trás, mas, para a maioria (infelizmete… ou não), não tem significado nenhum, visto que não exerce influência na vida dessas pessoas – é praticamente impossível que ela chegue ao patamar que busca.

    E uma terceira e última coisa é: se o Esperanto atingisse o patamar que busca, não demoraria muito para que surgissem irregularidades, variações linguísticas, mudanças, enfim, evoluiria e se dinamizaria como qualquer língua no mundo.

    Estou discordando aqui, mas adoro seus textos e tem coisas que você me ajudou a refletir de modo diferente. Parabéns.

    • Alyson, ninguém nega que o Esperanto tenha uma “clara estrutura indo-européia”. Afinal, o vocabulário do Esperanto foi formado a partir dos radicais mais freqüentes entre as onze línguas de cultura moderna européias do final do século XIX, que eram as línguas que Zamenhof dominava – ele que foi um tremendo poliglota e fantástico lingüista amador.

      A questão do Esperanto “não beneficiar a ninguém” não é pelo fato de “ser ou não ser um pouco mais fácil de aprender para alguns povos” e sim pelo fato de “pertencer ou não pertencer a um povo específico”.

      Porém, mesmo pelo ângulo da facilidade de aprendizado o Esperanto é inegavelmente o melhor e mais universal projeto de língua auxiliar de todos os tempos da história da humanidade. Jamais outra língua planejada chegou aos pés do Esperanto em simplicidade, praticidade, flexibilidade e clareza. E as línguas naturais – desnecessário explicar para quem conhece a história do Esperanto – são TODAS muito, muito, muito piores nesse quesito.

      Não se trata, portanto, de disputar um “top de linha ideal”, mas de reconhecer que o Esperanto é sem sombra de dúvida o “top de linha real” entre as línguas para o propósito a que ele se destina. ;)

      Quanto à estrutura das frases em Esperanto, há um comentário importante a fazer: um dos aspectos mais negligenciados do Esperanto é que por definição e por vocação o Esperanto admite uma tremenda flexibilidade de expressões distintas para dizer a mesma coisa, sem no entanto que isso se torne empecilho à comunicação, justamente devido a suas características de regularidade gramatical. Assim sendo, ó indivíduo de um povo pode FALAR Esperanto de um modo e o indivíduo do outro povo pode FALAR Esperanto de outro modo e ambos compreenderão perfeitamente o Esperanto um do outro, sem que nenhum deles seja “dono” do “modo de falar correto”, até porque, ao contrário do que ocorre nas línguas étnicas e nacionais, todos os modos de falar são corretos em Esperanto.

      Exemplificando:

      Em português dizemos: “vou de bicicleta à cidade”, ou “vou à cidade de bicicleta”. Ninguém fala “à cidade, de bicicleta eu vou” – a não ser talvez o Yoda, se falasse português, e todo mundo diria “que jeito estranho de falar tem esse sujeito”. Em Esperanto a situação é bem distinta.

      Em Esperanto dizemos:

      “Mi iros per biciklo al la urbo” (eu vou de bicicleta à cidade).

      “Mi iros al la urbo per biciklo” (eu vou à cidade de bicicleta).

      “Mi al la urbo per biciklo iros” (eu à cidade de bicicleta vou).

      “Mi al la urbo iros per bicliklo” (eu à cidade vou de bicicleta).

      “Mi per biciklo iros al la urbo” (eu de bicicleta vou à cidade).

      “Mi per bicliklo al la urbo iros” (eu de bicicleta à cidade vou”).

      “Iros mi per biciklo al la urbo” (vou eu de bicicleta à cidade).

      “Iros mi al la urbo per biciklo” (vou eu à cidade de bicicleta).

      “Al la urbo mi per biciklo iros” (à cidade eu de bicicleta vou).

      “Al la urbo mi iros per bicliklo” (à cidade eu vou de bicicleta).

      “Per biciklo mi iros al la urbo” (de bicicleta eu vou à cidade).

      “Per bicliklo mi al la urbo iros” (de bicicleta eu à cidade vou”).

      “Iros per biciklo mi al la urbo” (vou de bicicleta eu à cidade).

      “Iros al la urbo mi per biciklo” (vou à cidade eu de bicicleta).

      “Al la urbo per biciklo mi iros” (à cidade de bicicleta eu vou).

      “Al la urbo iros mi per bicliklo” (à cidade vou eu de bicicleta).

      “Per biciklo iros mi al la urbo” (de bicicleta vou eu à cidade).

      “Per bicliklo al la urbo mi iros” (eu de bicicleta à cidade vou”).

      E temos também as formas sintéticas:

      “Mi biciklos urben” (eu bicicletarei à-cidade).

      “Mi urben biciklos” (eu à-cidade bicicletarei).

      “Biciklos mi urben” (bicicletarei eu à-cidade).

      “Biciklos urben mi” (bicicletarei à-cidade eu).

      “Urben mi biciklos” (à-cidade eu bicicletarei).

      “Urben biciklos mi” (à-cidade bicicletarei eu).

      Sendo que não listei todas as possibilidades, nem de longe. E TODAS ESTÃO CORRETÍSSIMAS, pois em Esperanto, embora haja modos mais usuais de dizer algumas coisas, TODA EXPRESSÃO GRAMATICALMENTE CORRETA É ACEITÁVEL, ao contrário do que ocorre com as demais línguas. Por exemplo, ninguém em português usa o verbo “bicicletar” – e se usar vai perder pontos na redação do vestibular.

      Agüentaste ler até aqui? Tem mais. :)

      As línguas não se (como se diz “disvastigxas” em português?) popularizam em função de sua cultura intrínseca, portanto não faz diferença se o Esperanto é “culturalmente insignificante para um povo” para que ele se popularize. Basta que algum maluco ponha um anúncio no jornal oferecendo empregos bem pagos exclusivamente para quem falar Esperanto e voilà, um enxame de novos esperantistas aparecerá na região.

      E, para terminar, um comentário sobre a questão da dialetização do Esperanto: isso non ecziste. :) O Esperanto é uma língua de gramática regular, não é possível inserir palavras novas no idioma sem esperantizá-las adequadamente. Assim é que software virou softvaro e harware virou . A partir dos radicais devidamente esperantizados, toda flexibilidade e potencial de expressão do Esperanto se tornam imediatamente disponíveis para o falante. Então, como poderia o Esperanto formar dialetos? Não tem como.

      No máximo o Esperanto pode ser falado com um sotaque diferente aqui e ali, ou pode haver a preferência a um determinado neologismo em uma região e a outro em outra, mas o permanente contato internacional aplaina bem as arestas que eventualmente surgem (em geral a disputa por um determinado neologismo).

  • Taí, concordo com o Alyson, endosso a visão alysoniana por ser também um cientista da linguagem (apesar de meu posicionamento ser diferente do dele, achando que é um jogo duplo em que a cultura e a língua modificam-se mutuamente).

  • “E, para terminar, um comentário sobre a questão da dialetização do Esperanto: isso non ecziste. :) O Esperanto é uma língua de gramática regular, não é possível inserir palavras novas no idioma sem esperantizá-las adequadamente.”

    Discordo dessa parte. Toda língua, quando usada, tende a mudar. Não existem línguas fixas. Línguas de gramática regular, a partir do momento em que os falantes começarem a sentir a necessidade de usar termos muito grandes sem precisar de tanto esforço, as próprias leis naturais de economia linguística tenderão a amoldá-la para determinada comunidade de falantes. Mesmo as línguas internacionais, quando faladas por comunidades específicas, tendem a mudar suas regras e sua pronúncia. Artificial ou não, o esperanto é uma língua e, como tal, está sujeita às mesmas leis linguísticas das línguas naturais.

  • E esqueci de dizer: uma gramática regular tende à irregularidade, uma vez que a irregularidade apenas reflete os termos mais usados de um povo e os que tem mais valor intrínseco em determinada comunidade. Um exemplo são os verbos: os verbos mais irregulares são justamente os mais usados, o mesmo se diz das sintaxes, da morfologia, das derivações etc. Logo, com o tempo, a tendência natural do esperanto é que seus falantes privilegiem construções que sejam mais adequadas para seu viver diário, irregularizando as desinências, absorvidas morfo-foneticamente pelo termo médio, que pode ser um sufixo (mais comum), um radical ou um prefixo (menos comum).

    Por isso, repito: o fato de ser artificial e regular não torna o Esperanto imune às mudanças linguísticas que ocorrem nas línguas naturais. Tudo o que não muda, morre.

    • Por algum motivo que me custa compreender, TODO MUNDO que não fala Esperanto “sabe” como é o Esperanto até os mais profundos detalhes da sua gramática e da sua dinâmica evolutiva. :)

      Os lingüistas “sabem” que o Esperanto “tem que” se comportar como outra língua qualquer – afinal, se o Esperanto se comportar de modo diferente, então todas as teorias em lingüística estão erradas e precisam ser modificadas.

      Pois o Esperanto é mesmo diferente.

      Eis por que o Esperanto é ODIADO pela absoluta maioria dos lingüistas e dos professores de praticamente todas as faculdades de letras.

      As regras do Esperanto são imutáveis.

      TODOS os substantivos terminam com a letra “o”, era assim no tempo de Zamenhof e continuará assim daqui a vinte séculos, se ainda existir vida humana no planeta até lá.

      TODOS os adjetivos terminam com a letra “a”, era assim no tempo de Zamenhof e continuará assim daqui a vinte séculos, se ainda existir vida humana no planeta até lá.

      TODOS os verbos do Esperanto são regulares e flexionados rigorosamente da mesma maneira, era assim no tempo de Zamenhof e continuará assim daqui a vinte séculos, se ainda existir vida humana no planeta até lá.

      TODOS os advérbios derivados (há uma pequena lista de advérbios fundamentais, fixos, e infinitos advérbios derivados, que podem ser construídos a partir de qualquer raiz) terminam pela letra “e”, era assim no tempo de Zamenhof e continuará assim daqui a vinte séculos, se ainda existir vida humana no planeta até lá.

      Os prefixos e sufixos não são alteráveis. O quadro de correlativos – uma sacada genial de Zamenhof que só o Esperanto possui – não é alterável. Quase nada no Esperanto é alterável, sob pena de não ser reconhecido como Esperanto por nenhum esperantista. Isso faz do Esperanto uma língua com uma estabilidade única.

      Dá para entender por que os lingüistas não gostam do Esperanto: ele viola muitas convicções antigas de seu campo de estudos – e mesmo assim é uma língua completa, plenamente expressiva e VIVA como os lingüistas não conseguem admitir que seja. É como se Zamenhof fosse o Dr. Frankestein: pegou radicais, pegou conceitos gramaticais, deu uma misturada de gênio e voilà, eis uma língua VIVA que aos olhos dos lingüistas parece um monstro – e, para desespero ou ódio de muitos, ela continua VIVA mais de um século depois de seu surgimento.

      Mas eu falei estável, não falei fixa.

      Há pontos em que o Esperanto muda. Uma das 28 letras originais, o H^, se tornou arcaica, hoje ela é substituída em quase todas as antigas ocorrências pela letra K. Alguns modos de dizer se tornaram populares, enquanto outros entraram em desuso (embora permaneçam válidos e reconhecíveis). E inúmeros vocábulos foram incorporados à língua, como softvaro e hardvaro.

      O Esperanto muda, sim, mas de modo diferente de todas as outras línguas: ele muda rigorosamente dentro dos limites gramaticais impostos pelo “Fundamento de Esperanto”, que é a gramática normativa editada por Zamenhof para garantir a evolução dirigida do Esperanto, coisa que nenhuma outra língua possui.

      O Esperanto é o ornitorrinco das línguas. :)

    • Marcus Aurelius

      Você já viu um verbo no infinitivo em português que não seja oxítono? Não é estranho haver tanta regularidade? Não deveria haver então uma irresistível tendência à irregularidade? E por que não há?

      Pior: por que todos os verbos inventados (como o bicicletar, acima) são da primeira conjugação? Uma curiosa tendência à regularidade no meio da irregularidade?

      Por que os plurais em português são feitos com S e não seguem o estilo do alemão, com plurais irregulares, seguindo variados padrões? Seria esse o destino do português, já que “uma gramática regular tende à irregularidade”?

      Acredito que não, e pelo mesmo motivo não vejo como poderia surgir em esperanto um adjetivo que não termine em A, ou um verbo irregular, defectivo ou algo do tipo.

      Se o português tem essa tendência à regularidade, por que não poderia o esperanto tê-las também, com a diferença de terem sido estipuladas e documentadas na criação da língua?

      Além do mais, não somos mais tribos isoladas que perdem o contato e criam suas próprias línguas. Quem aprende esperanto ou qualquer língua estrangeira quer se comunicar, então não vai inventar suas próprias regras, vai sempre preferir as formas do fundamento ou da academia.

      Não esqueçamos que o objetivo do esperanto é ser aplicado na comunicação internacional, não substituir línguas nacionais, muito menos criar comunidades em ilhas afastadas educando crianças monolíngües em esperanto.

      E se, daqui a 200 anos, o neologismo “mojosa” (“legal”, no sentido de “bom”) não for mais usado (ou então, se ele passar a ser usado tão amplamente que passe a ser parte integral da língua), isso não caracterizará uma irregularidade na língua, apenas o mecanismo natural de neologismos e arcaísmos em ação (que já foi previsto por Zamenhof).

    • Sim, neologismos e arcaísmos são esperados no Esperanto, mas jamais um adjetivo terminado em outra coisa que não “a”. A gramática é e será sempre regular, não a conotação deste ou daquele radical.

  • Alyson Vilela

    Não odeio esperanto. Eu tenho um certificado de esperanto, eu conheço até bem a gramática. Mas volto a dizer, o esperanto não muda como as outras línguas porque ainda não tem o caráter de uma língua natural. Mas isso viria, se o mundo inteiro começasse a fala. É inevitável.

    • Pelas barbas de Odin… como é que o Esperanto “ainda não tem o caráter de uma língua natural” se ele funciona há mais de um século, é usado nos mais diversos contextos, é a língua de muitas famílias e muitas crianças aprendem o Esperanto como primeira língua?

      O Esperanto não vai deixar de evoluir, mas sua evolução será diferente das línguas naturais porque sua codificação é regular e não admite excessões. Ninguém vai criar um verbo terminado em “a”, um adjetivo terminado em “o” ou um substantivo terminado em “e”. Não rola. Isso pura e simplesmente não seria Esperanto.

      A comunidade esperantista sofreu tantos cismas (e isso deste a época de Zamenhof, quando Beaufront criou o Ido) que está “vacinada” contra tentativas de reforma que alterem o Fundamento de Esperanto. Até mesmo a criação de novos prefixos e sufixos tem sido impossível em função de haver a interpretação de que isso colidiria com o Fundamento. (Caso do sufixo -icx, criado para substituir à raiz vir- e nunca apropriado pela comunidade de falantes justamente porque se choca com o Fundamento, apesar de sua perfeita lógica e praticidade.)

      Podem anotar: o Esperanto é o ornitorrinco das línguas. Vou até postar um artigo sobre isso. :)

  • Gerson B

    Pelo que entendi do assunto, se o Esperanto crescer e se espalhar alguma instância internacional deverá manter as regras. Quem faz Esperanto o faz por causa delas, da regularidade e facilidade de aprendizado. Não se mudaria assim (espero).

    • A tal instância internacional já existe: é a Academia de Esperanto. Ela funciona parecido com as Academias de Letras dos países, só que trabalha bem melhor no mundo virtual.

      O elemento garantidor da coesão do Esperanto, entretanto, é o Fundamento de Esperanto, um livro que Zamenhof editou e que contém as 16 regras gramaticais do Esperanto, os exercícios e explicações do Zamenhof e uma coletânea de textos originais e traduzidos que servem de modelo.

      O estilo do Fundamento de Esperanto já está evidentemente ultrapassado, mas continua perfeitamente compreensível e serve como modelo teórico para as questões gramaticais, o que mostra que o Esperanto tem mesmo um fantástico potencial para atravessar incólume não somente grandes distâncias, como também grandes períodos.

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