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“Mas afinal, você fuma maconha ou não fuma?”

Nos debates sobre a legalização da Cannabis sativa é muito comum o proibicionista perguntar ao defensor da legalização: “Mas afinal, você fuma maconha ou não fuma?” Isso é um pega-ratão, um ardil planejado para atacar a credibilidade do interlocutor qualquer que seja a resposta. Aprenda aqui como isso funciona e como escapar dessa cilada.

Se alguém perguntar se você fuma maconha em um debate sobre a legalização da Cannabis, só existe uma resposta adequada para manter o foco e a racionalidade:

“Não interessa. Nós estamos debatendo uma tese sobre ___________ (um direito do cidadão, uma questão de saúde, uma questão de segurança pública, um tema de pesquisa científica, uma política social). Informações sobre a minha vida privada são irrelevantes para avaliar o que é tecnicamente correto ou o que vai trazer maior benefício social.”

Jamais responda nem “sim”, nem “não”, sob pena de ver um interlocutor malicioso usar qualquer uma destas respostas para destruir a sua credibilidade perante a assistência.

O truque dos mal-intencionados é simples:

Se você responder “sim”, o sujeito dirá: “então você não tem nenhuma credibilidade para falar sobre este assunto, porque você quer apenas legislar em causa própria, sem se importar se vai prejudicar todo o resto da população para defender o seu vício”.

Se você responder “não”, o sujeito dirá: “então você não tem nenhuma credibilidade para falar sobre este assunto, porque você não conhece os terríveis males que este vício provoca, nem se importa se vai prejudicar todo o resto da população para defender sua teoria furada”.

Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come.

Moral da história: nunca personalize o debate.

Mantenha o foco do debate nos benefícios que a proposta que você está defendendo trará, nos malefícios que a proposta adversária traz e nas inconsistências dos argumentos do interlocutor.

Se o interlocutor disser que você não tem credibilidade porque não quer responder a pergunta, alegando que você tem algo a esconder, muita calma. Espere tranqüilamente o sujeito terminar de falar e devolva a pergunta.

Se ele não quiser responder, ironize e contra-ataque: “Ué, mas você não estava me criticando justamente por isso? O que você tem a esconder?”

Se ele responder “sim” ou “não”, você já sabe: diga que ele é que não tem credibilidade e faça-o provar do próprio veneno.

O argumento devidamente invertido fica assim:

Se ele responder “sim”, você dirá: “então você não tem nenhuma credibilidade para falar sobre este assunto, porque sabe que a proibição não impede o acesso e porque quer impor à sociedade algo em que você mesmo não acredita e não pratica, sem se importar com a liberdade de escolha e com os direitos dos outros”.

Se ele responder “não”, você dirá: “então você não tem nenhuma credibilidade para falar sobre este assunto, porque não sabe do que está falando e porque está fundamentando seus argumentos em meros preconceitos, sem se importar com a liberdade de escolha e com os direitos dos outros”.

Mas atenção: isso só funciona como contra-ataque, depois que o seu interlocutor já tiver tentado personalizar o debate. Se você tentar usar esta estratégia para atacar seu interlocutor, a vítima do contra-ataque será você. E será bem-feito, porque ataques ad hominem são totalmente desnecessários para quem tem a verdade a seu lado e preparou-se adequadamente para argumentar de modo racional e digno.

Você quer debater com segurança? Estude, estude, estude, estude, estude.

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4 comments to “Mas afinal, você fuma maconha ou não fuma?”

  • Lilith

    Tudo o que um idiota qualquer disser sobre o que penso,não me importa.
    Eu sei o que sou e o porque de pensar o que penso.
    Quero TODAS as drogas livres.
    Que cada um aprenda a pensar e a cuidar de si mesmo.
    Os efeitos do tráfico são muitoooooo piores do que qualquer vicio.
    Mas isso é coisa que não importa para os que querem manter ” a moral e os bons costumes” a qualquer preço.

  • Manga-Larga

    Infelizmente é difícil encontrar proibicionistas dispostos a um debate do tipo. Quando engajam-se em discussões assim, destilam todo seu preconceito e sua hipocrisia e são incapazes de ouvir argumentos alheios.

    Os oponentes estão fracos!

  • Manga-Larga

    Esses dias até o Cacau Menezes falou sobre a legalização na Califórnia em tom de “demorou mas a ficha caiu”.

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