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Gerador de Lero-Lero 3.0

Você está passando por uma crise de criatividade? Precisa escrever uma redação de volta às aulas sobre um tema de livre escolha mas não tem uma idéia que preste? Tem medo de perder seus únicos três leitores porque há duas semanas não consegue escolher um assunto para encher lingüiça comentar no seu blog? Seus problemas terminaram! Aprenda aqui como construir textos absurdos com aparência séria sobre qualquer assunto em poucos minutos!

1) Procure no Google três ou quatro palavras-chave pertinentes ao tema desejado.

2) Abra um dos resultados da busca e copie uma parte do texto que pareça interessante.

3) Repita esta operação, mudando uma palavra da busca de cada vez, até construir uma colcha de retalhos do tamanho desejado.

4) Apare uma arestas aqui e outra ali, remanejando, cortando, mudando ou acrescentando algumas partes para conferir fluência e coerência aparente ao conjunto.

5) Deixe o primeiro parágrafo com cara de introdução e o último com cara de conclusão.

6) Crie um título polêmico razoavelmente coerente com a abertura e o fechamento do texto.

7) Pronto. Você é o mais novo especialista na área. Agora publique suas opiniões originalíssimas.

Quer ver um exemplo?

Cultos afro-brasileiros dão exemplo de tolerância cristã aos cristãos

Os cristãos, em especial os evangélicos, geralmente reivindicam para si a exclusividade da comunhão com Deus, desconsiderando os ensinamentos das outras religiões e filosofias.

Os cristãos acreditam que já sabem de tudo a respeito de Deus. Eles já o dissecaram a ponto de conhecer todos os desígnios e todos os pensamentos de Deus. Eles já sabem como Deus “funciona”, quais seus desejos mais íntimos, o que ele gosta, como ele é, quais suas características, atributos, etc.

A religião africana esteve durante séculos, no Brasil, em contato com a religião católica (predominante), assim como com as religiões indígenas e mais tarde com o kardecismo; ela impregnou-se, portanto, de traços sincréticos, resultado de um longo processo de seleção, negociação e reinterpretação de elementos de origens diversas.

Houve, com o decorrer dos séculos, um sincretismo religioso, ou seja, uma mistura curiosa de mitologia africana, indígena brasileira, espiritismo e cristianismo, que criou ou favoreceu o desenvolvimento de cultos como a umbanda, a quimbanda e o candomblé.

A macumba, o candomblé e a umbanda são diferentes formas de sincretismo de ritos e crenças pagãs africanas com elementos externos do cristianismo (imagens, invocações), do espiritismo reencarnacionista e de cultos indígenas brasileiros. Essas formas de religião baseiam-se em princípios dualistas: elas admitem a existência de entidades boas e entidades más igualmente poderosas; acreditam que estas últimas, embora inimigas do homem, devem, entretanto, ser cultuadas, para evitar que se vinguem, fazendo o mal.

A necessidade de sobreviver ao convívio com o mal no plano espiritual levou estes cultos a desenvolver esta habilidade também quando em contato com quem os combate.

A negociação e o conflito ao retratar a convivência, nem sempre pacífica, de pentecostais, católicos, adeptos de religiões afro-brasileiras e daqueles que se empenham hoje no resgate de algumas tradições religiosas e culturais como forma de pertencimento, dá a essa questão um enfoque político e ideológico.

Dessa mescla de tradições, cada qual com sua história e personalidade, criou-se no campo das religiões afro-brasileiras uma postura que celebra o convívio pacífico com as diferenças, onde todos têm algo positivo para oferecer.

O mesmo exemplo de tolerância não ocorre no campo das religiões cristãs. Os cristãos acreditam que já conseguiram engarrafar, encapsular e domesticar Deus. O que eles não entendem é que, ao fazerem isso estão, na verdade, eliminando o mistério e o imponderável de nossa realidade.

Duas verdades podem ser destacadas aqui. Primeiro que a tolerância pode ser desenvolvida por meio do fruto do Espírito Santo conhecido como longanimidade. Aquele que é longânime desenvolve também a tolerância. Em função disso bom seria que todos os cristãos fossem mais tolerantes. Segundo que Jesus é alguém que nos serve como exemplo desta atitude.

Jesus se aproxima de leprosos, de prostitutas, de mulheres, de publicanos e pecadores, de sírios e samaritanos, de cegos e doentes. Na realidade, a vida de Jesus é uma vida de constantes encontros com aqueles que nunca são tolerados e amados.

A tolerância de Jesus se dava não precisamente pelo seu caráter divino, mas sobretudo porque assumiu efetivamente ser gente, integralmente humano. “E o verbo se fez carne e habitou entre nós.” (João 1.14). É preciso ser absolutamente gente para entender o outro e perceber que o outro tem a acrescentar, que é o outro o “prato da balança” que possibilita a redução dos nossos equívocos.

Que o Seu exemplo seja também para nós estímulo para fazermos solidários com nossos irmãos e irmãs e para promovermos, em toda a parte do mundo e com todos os meios, a convivência pacífica entre as diferentes etnias, culturas e religiões.

–//–

Cada parágrafo do texto acima foi retirado de um site diferente. Somente dois trechos foram retirados do mesmo site e separados em parágrafos distintos. Somente duas frases do texto inteiro são minhas. E não devo ter feito mais que uma dúzia de pequenas alterações.

Até que o resultado ficou legal, né? Se eu tivesse dedicado mais meia hora para maquiar o texto ao invés de aparar a facão as arestas, provavelmente a picaretagem passaria despercebida. Quer tirar a prova dos nove? Procure no Google alguns trechos do texto e localize os originais na internet.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 24/09/2009

Atualização a 11/04/2010:

Para quem procurava o gerador de lero-lero original, eis três links úteis:

Gerador de lero-lero v. 2.0 (original)

Gerador de lero-lero filosófico

Gerador de lero-lero frase única

Bom proveito!

40 comments to Gerador de Lero-Lero 3.0

  • Rose

    PessoALL!!! Amei este embate de idéias, especialmente à parte religiosa, muito interessante e inútil à proposta da discussão inicial. Estávamos falando de linguística. Na boa, já que é para discriminar religiosamente ou empurrar um conhecimento distorcido goela abaixo dos outros, me provem os dois que a bíblia não foi escrita utilizando o gerador de lero-lero. Pelo amor de Deus, creio que nem Ele saiba o que escreveu depois de tanto tempo e tantos acontecimentos históricos.
    Outra coisa, duvido que este povinho metido a erudito religioso tenha o mínimo de conhecimento sobre hebraico antigo, grego ou aramaico, duvido que saibam quaisquer outro idioma, e que tenham sequer acesso à documentos históricos e material sério de pesquisa, o que torna o conhecimento deles limitado à famosa prática de sair repetindo por ai o que outro desinteligente falou antes, como o famoso papagaio de pirata. Fala sério, interpretar em cima de milhares de traduções e retraduções não me parece coisa muito inteligente. E lembrem-se: interpretar é um exercício constante, mutável, subjetivo, filosófico e muito amplo, pois depende do estado de espírito, de muita pesquisa, de mente aberta e profunda motivação por parte de quem o faz e se isso te levar a chegar a uma conclusão, pode crer que ela está errada na sua essência ou limitada à experiências pessoais e idéias distorcidos.

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