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O Jogo dos Sete Erros: campanha “Crack Nem Pensar” da RBS vai aumentar a violência no RS e em SC

Eu não duvido das boas intenções do Grupo RBS em promover uma campanha contra o crack, mas discordo frontalmente das diretrizes desta campanha específica. Sua fundamentação teórica é inadequada e suas propostas serão contraproducentes, isto é, vão aumentar a violência, a corrupção e outros problemas relacionados ao tráfico de drogas ao invés de ajudar a reduzi-los.

Primeiro erro: sugerir não pensar

A campanha começa errando pelo próprio nome: “Crack Nem Pensar” remete ao oposto do que se deve fazer, que é pensar muito bem sobre a questão do crack. E a primeira pergunta que eu sempre faço quando debato sobre a questão das drogas é:

- Se as drogas são assim tão ruins como se diz, então é fácil a sociedade oferecer algo melhor e mais atraente para os jovens que as utilizam ou comercializam, certo?

Se a resposta for “claro, é óbvio que é fácil oferecer uma boa alternativa em relação a algo tão ruim”, então ofereçam, ora bolas! Os resultados virão sozinhos: como todo mundo escolhe o que acha que é melhor para si, ninguém vai querer usar ou vender drogas se tiver alternativas melhores disponíveis.

Se a resposta for “não é bem assim”, então fica evidente que tem alguma coisa muito errada com o discurso demonizador das drogas. Ou as drogas não são tão ruins assim, ou as alternativas disponíveis para os jovens, do ponto de vista deles, são piores que usar ou vender drogas.

Você acha que não é assim? Então pense:

- Será mesmo que os jovens abusam de drogas porque são tão burros que gostam de fazer mal a si mesmos, ou porque são tão mal informados que não sabem que as drogas fazem mal?

- Será mesmo que os jovens vendem drogas e se arriscam a ser presos ou a morrer em confrontos entre quadrilhas ou contra a polícia porque são naturalmente maus e criminosos?

- Ou será mais provável que os jovens que abusam de drogas ou comercializam drogas não sejam nem burros e mal informados, nem maus e criminosos, mas tenham uma visão de mundo completamente diferente da visão de mundo de quem pretende forçá-los a não consumir nem comercializar drogas?

Sem entender e respeitar a visão de mundo, as necessidades e a dignidade de quem ingressa no mundo das drogas não existe a menor possibilidade de encontrar uma solução digna e razoável para os problemas agravados pelas drogas. (Repetindo: agravados e não gerados. O abuso e o comércio de drogas são conseqüências de problemas anteriores, não causas de problemas. Estes fenômenos apenas agravam problemas preexistentes.)

Crack: Vamos Pensar – chega de repetir clichês sem questionar.

Segundo erro: apelar para a consciência

Esse é um absurdo de lascar. Quer dizer então que o jovem entra no mundo das drogas – em especial do crackporque não tem consciência que crack faz mal, que vicia, que é perigoso?

Não existe usuário de crack que não saiba que o crack faz mal, que é muito viciante e que para a maioria dos usuários é um caminho sem volta. Podem ter certeza, quase todos eles sabiam disso antes de experimentar o crack pela primeira vez e mesmo assim embarcaram nessa canoa furada.

O que ninguém pára para pensar é que não adianta “conscientizar” sem oferecer alternativas pelo menos tão atraentes quanto. Se as drogas são mais atraentes que esportes saudáveis ou que os estudos e empregos disponíveis, isso é sinal claro que tem algo muito errado com os esportes, com os estudos, com os empregos e com todos os agentes sociais que dizem que estas coisas “deveriam” ser mais atraentes que as drogas.

Campanhas de conscientização são inócuas. Salvo uma parcela ínfima dos filhos das classes mais abastadas, cujo contato com drogas pesadas poderia advir de desconhecimento ou ingenuidade, somente pode ser conscientizado com eficácia o jovem que não teria de qualquer modo interesse nem motivação para se tornar um usuário abusivo de drogas. O jovem de classe baixa em situação de risco real não é atingido por campanhas de conscientização. Se por acaso a campanha de conscientização chega até ele, é totalmente ineficaz.

Terceiro erro: minimizar a importância da desigualdade social

Ninguém trafica crack porque não quer trabalhar. Quem disser uma besteira dessas ou não conhece a realidade ou não se importa com a verdade, porque o tráfico é uma ocupação pesada e arriscada, que dá muito trabalho e pouco lucro para a maioria dos traficantes. Mas é muito fácil dizer que “é melhor ser pobre, honesto e trabalhador do que se tornar criminoso por não querer trabalhar” quando se está lendo um blog, debatendo no Orkut ou em seminários temáticos, dando entrevista na TV ou despachando atrás de uma mesa numa sala com ar condicionado.

Cada um decide o que é “melhor” para si com base em sua visão de mundo e nas oportunidades que tem no mundo. Se alguém decide usar drogas ou comercializar drogas mesmo sabendo de todos os riscos, isso é sinal que aquilo é o melhor que essa pessoa pôde encontrar para si em nossa sociedade. Cada usuário abusador ou traficante de drogas é, portanto, motivo de vergonha para a sociedade inteira, que nada melhor pôde oferecer para estas pessoas.

A grande verdade é que existe uma parcela cada vez maior da população que está descobrindo no tráfico de drogas uma ocupação que pode lhes trazer a oportunidade financeira e o status social que jamais lhes serão oferecidos em qualquer outro tipo de emprego ou atividade econômica.

Tudo em nossa sociedade remete ao desejo de consumo e de uma vida confortável. Todos os meios de comunicação de massa estão repletos de anúncios de produtos bonitos, vistosos, desejáveis. Em todos os lugares as pessoas são julgadas pela aparência, por aquilo que possuem, por aquilo que podem fazer, por aquilo que podem proporcionar. Ricos, pobres e todos no intervalo são bombardeados com essas informações diariamente, são estimulados a desejar, a querer ter e a se valorizar por aquilo que possuem.

Os sonhos de consumo básicos de nossa sociedade são casa própria e carro próprio. O mais barato automóvel nacional custa R$ 22.560,00 em sua versão mais básica. Supondo que um trabalhador que ganha salário mínimo pudesse dedicar 10% de sua precaríssima renda para comprar um automóvel, ele precisaria economizar durante quarenta anos para ter acesso a este bem.

O que você vai dizer para essas pessoas? Que elas precisam se resignar porque o mundo é assim mesmo? Que alguns nasceram para ter e outros para sofrer? Certo, diga. Mas não se espante se alguns deles não aceitarem as regras desse jogo. Quem não tem nada a perder e não estiver disposto a passar setenta ou oitenta anos morto em vida, olhando os outros terem o que desejam enquanto ele passa necessidade, tem boas chances de resolver vender drogas e de encarar a repressão à única chance de ter os bens que deseja como uma declaração de guerra. Afinal, o que estas pessoas têm a perder? (A vida? Que vida? Você tem uma vida, elas mal sobrevivem.)

Não me venha com o blá-blá-blá ridículo sobre se esforçar, sobre se qualificar e sobre conquistar espaço, meu caro leitor. Em um mundo competitivo não há espaço ao sol para todos, então sempre haverá os marginalizados que se revoltarão e buscarão violentamente aquilo que nossa sociedade os estimula a desejar mas os impede de adquirir pacificamente. Somente a implantação de um verdadeiro Estado de Bem-Estar Social pode reduzir o conflito social aos níveis ínfimos registrados em países como Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia.

Se nossa sociedade submete um imenso contingente de pessoas à miséria e à frustração constante e sem perspectiva justificável de melhoria, se não lhes estende a mão de modo solidário, se não lhes garante a mínima dignidade, se não lhes garante acesso ao conforto, à segurança e aos itens de desejo que anuncia como ideais de satisfação, então vamos arcar com o resultado desta terrível falta de solidariedade: a revolta e a violência de muitos seres humanos que não aceitam ser tratados como lixo.

Quarto erro: considerar o traficante um inimigo

Eu não tenho a menor dúvida que 95% ou mais dos traficantes não são inimigos da sociedade, são vítimas da sociedade. Antes que você comece a se contorcer achando que isso é um clichê, lembre-se que, salvo um ou outro caso patológico, ninguém nasce mau, ninguém gosta de fazer os outros sofrerem, ninguém gosta de se expor a risco real. A maior parte das pessoas que se tornam más são vítimas de negligência e abusos por parte da família, da escola, do Estado e da sociedade em geral.

Mau caráter é aquele sujeito que teve amor, atenção, respeito, educação de boa qualidade, bons exemplos e todas as oportunidades na vida para ter uma atividade econômica lícita que lhe proporcionasse uma vida confortável e preferiu investir no mundo do crime por ambição desmedida, excessiva e injustificada.

O aviãozinho, vapor ou falcão, recrutado na infância em uma favela, oriundo de uma família desamparada pelo Estado e também ele desamparado pela família e pelo Estado, é uma vítima desviada do bom caminho por um sistema econômico excludente, negligente, cruel e assassino. Se ele se torna um jovem mau ou um adulto mau, não é porque nasceu mau, mas porque tudo a sua volta o conduziu para o mau caminho.

Tragicamente, a maior parte das vítimas da violência odeia um falso inimigo, e os maiores envolvidos com a violência são os mais iludidos. Os policiais odeiam os traficantes porque o tráfico comete crueldades e violência. Os traficantes odeiam os policiais porque a polícia comete crueldades e violência. E nenhum dos lados percebe que todos estão servindo como bucha de canhão numa guerra contra outros miseráveis que são vitimados pelo mesmo sistema econômico – uma máquina de moer carne humana que não tem o menor interesse em seus dramas pessoais.

Quinto erro: reprimir o tráfico com a polícia

De todas as coisas estúpidas que poderiam ser feitas, usar a polícia para reprimir o tráfico de drogas é a mais grotesca. Isso pode ser tentado por burrice ou por má intenção, mas o fato é que jamais a polícia vai conseguir sufocar esta atividade, só vai conseguir provocar uma reação contrária ainda maior. Não adianta decuplicar o efetivo policial e centuplicar o orçamento das polícias, usar a polícia contra o tráfico é a melhor garantia de promover a escalada da violência.

A sociedade nos estados do sul está embarcando na canoa furada da ideologia proibicionista e repressora, da mentalidade da guerra, sem perceber que isso foi o que foi feito no Rio de Janeiro e deu os resultados que podemos conferir nas notícias que vemos constantemente sobre aquele estado. Vejam o que está acontecendo no Rio de Janeiro:

Fonte: Folha Online.

Isso é o que está sendo plantado no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina pela campanha Crack Nem Pensar. Vamos transformar a Brigada Militar RS e a Polícia Militar SC em franquias do BOPE e as ruas de Porto Alegre, Florianópolis e os morros de todas as grandes cidades do sul do Brasil em um campo de guerra. Isso foi o que se obteve ao usar a polícia para combater o tráfico no Rio de Janeiro, isso é o que se obterá ao usar a polícia para combater o tráfico em qualquer lugar do planeta.

A polícia carioca não pode circular nas favelas em viaturas não blindadas porque é metralhada. No Rio Grande do Sul as viaturas policiais circulam lentamente pelas favelas, com os vidros abertos, sem que nenhum ataque contra a polícia ocorra. Por enquanto. Quando a intensificação da repressão provocar o acirramento de ânimos entre a Brigada Militar e os traficantes, a escalada da violência será deflagrada e não será mais possível refrear a violência nem fazê-la retornar aos níveis anteriores aos de hoje.

Há poucos dias um helicóptero da polícia do Rio de Janeiro foi abatido a tiros pelo tráfico. A cúpula da segurança pública do Rio de Janeiro disse que “a resposta será na mesma medida“, ou seja, eles ainda não aprenderam nada. A polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata no mundo. A violência do tráfico no Rio de Janeiro quase se compara à violência do Khmer Vermelho. Mesmo assim, apesar de todas as evidências de fracasso da estratégia de usar a polícia para combater o tráfico, a cúpula da segurança pública do Rio de Janeiro continua dizendo que violência se combate com mais violência e vai colocar mais carne humana viva na máquina de moer. A pergunta que fica é: os gestores e a polícia do Rio de Janeiro são burros ou são mal intencionados?

E nós? Seguiremos o mesmo caminho do Rio de Janeiro?

Sexto erro: aderir à ideologia fascista

A pretensão do Estado em ditar o que é melhor para o indivíduo mesmo contra a vontade deste é uma das idéiais fundamentais do fascismo. (A concepção fascista é definida como “anti-individualista”, colocando o Estado antes do indivíduo: fora do Estado não há valores humanos ou espirituais.) A imposição de uma moralidade padrão faz parte da estratégia de lavagem cerebral coletiva necessária para a dominação, jogando a população “ordeira” contra os que se rebelam contra as injustiças. São idéias fascistas que fundamentam a proibição do consumo e do comércio de drogas.

No Direito Penal, para que exista um crime, são necessários entre outros estes três requisitos: um agente, uma vítima e um dano infligido pelo agente à vítima. Porém, o agente não pode se confundir com a vítima: a automutilação não é crime, nem pode ser tipificada como tal.

No caso do abuso de drogas, o que ocorre é uma forma de automutilação, portanto não pode ser crime. É absolutamente aberrante tratar o abuso de drogas como ação criminosa.

No caso da venda de drogas, fornecer a mercadoria solicitada por um cliente não é causar dano, portanto não pode ser crime. É absolutamente aberrante tratar a venda de drogas como ação criminosa.

As tergiversações do tipo “a sociedade é a vítima” só se sustentam perante uma visão fascista de mundo, em que o Estado é o parâmetro de todas as coisas e as coisas são assim porque as autoridades do Estado determinaram que seja assim. Se o abuso de drogas e o tráfico de drogas são ações a que faltam elementos necessários da definição de crime, então não há que tergiversar: a criminalização de qualquer destes ações é uma atitude fascista.

Se Fulano quer vender e Sicrano quer comprar e usar uma mercadoria, ao Estado não cabe interferir exceto para garantir que a transação se dê de modo voluntário, pacífico e com uma série de garantias para ambos os interessados, tais como as contidas no Código do Consumidor, além do recolhimento dos tributos necessários para a manutenção dos serviços do Estado aos cidadãos. Não cabe ao Estado, entretanto, opinar sobre a moralidade ou a conveniência do ato em si, salvo no caso em que o ato em si interfere nos direitos de terceiros, o que não acontece nos casos de abuso de drogas e venda de drogas.

Sétimo erro: combater as conseqüências sem mexer nas causas

O abuso de drogas é uma questão de saúde pública decorrente da falha do Estado em “assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos” (CF, preâmbulo).

Não adianta reprimir o consumo e o comércio de drogas se as condições sócio-econômicas estimulam tanto o abuso quanto o tráfico. Se continuarmos ouvindo os moralistas alienados e os ideólogos mal intencionados que dizem que “pobreza não leva ao crime, ou todo pobre seria criminoso”, então salve-se quem puder porque a guerra civil já foi deflagrada e vai piorar muito.

É preciso investir na solução dos problemas que levam ao abuso de drogas e ao tráfico de drogas, não adianta tentar combater os sintomas de males sociais subjacentes sem corrigir os problemas mais profundos da sociedade.

As principais causas do problema das drogas

1) O desamparo do indivíduo pela família e pelo Estado, que deixam de fornecer o ambiente adequado e os estímulos necessários para que as crianças e adolescentes se desenvolvam de modo saudável, com amor, atenção, respeito, educação de boa qualidade, bons exemplos e um bom encaminhamento na vida;

2) A desumanidade do sistema econômico, que transforma pessoas em “recursos humanos” e as descarta quando não são úteis economicamente, deixando as pessoas na mais completa falta de perspectivas para uma vida digna, confortável e segura;

3) A truculência fascista do Estado, que tenta tutelar a consciência do cidadão ao invés de investir em seu desenvolvimento, bem como impor um padrão moral através da violência ao invés de garantir os direitos fundamentais do cidadão e cumprir seus demais deveres legais.

4) A ausência de valores humanos e solidariedade na sociedade, que assume um viés cada vez mais individualista e repressor, em coevolução com o sistema econômico e com a estruturação de um Estado cada vez mais controlador e violento e cada vez mais comprometido com um modelo econômico desumanizado, alienante e excludente.

As soluções para o problema das drogas

1) Promover educação universal de boa qualidade, que forme cidadãos com senso crítico e capacidade de tomar decisões próprias conscientes e fundamentadas no melhor conhecimento disponível, sem imposições por parte do Estado ou de grupos ideológicos;

2) Garantir acesso universal à renda digna, compatível com o padrão de consumo adequado ao desenvolvimento tecnológico médio e estimulado pela cultura de consumo da época, com garantia de acesso a uma boa qualidade de vida, equilibrando sensatamente a meritocracia e a justiça social;

3) Legalizar e regulamentar de modo inteligente todas as drogas, eliminando os problemas causados pela ilegalidade (violência, corrupção, agravos secundários à saúde devido falta de controle de qualidade, insegurança nas relações comerciais, etc.), assumindo o controle do mercado (proibição de propaganda, controle de qualidade, fiscalização adequada e recolhimento de tributos com destino integral para educação, saúde e programas de geração de renda e apoio às microempresas) e restituindo a paz à população;

4) Tratar o abuso de drogas como uma questão de saúde pública, investindo pesadamente em três eixos de ação: prevenção (itens 1 e 2 acima), redução de danos e programas de reinserção sócio-econômica para os usuários.

Serão viáveis estas soluções?

Os itens 1 e 2 são sempre ditos difíceis ou impossíveis, sendo estas mentiras alegadas para manter as coisas como estão. Se o acesso universal a uma vida digna e confortável fosse interessante para as elites políticas e econômicas, isso seria facilmente atingido em menos de uma década. Como o interesse maior é manter o povo ignorante e lutando pela sobrevivência para melhor manipulá-lo, faz-se um programa paliativo aqui, distribui-se uns caraminguás ali, vai-se levando tudo como sempre, com passos de formiga e sem vontade. A prova maior de que é possível é que isso já foi feito: basta verificar as políticas públicas adotadas em países que apresentem simultaneamente IDH > 0,95 e Coeficiente de Gini < 0,35.

Os itens 3 e 4 podem ser implementados por qualquer governo, a qualquer tempo, com pouquíssimo investimento e grande retorno em curto prazo. Mesmo sem a implementação dos itens 1 e 2, a implementação dos itens 3 e 4 reduzirá imensamente a violência que atinge a todas as classes sociais, reduzirá a corrupção nos escalões mais baixos do Estado (com os quais convive diretamente a população, que perceberá uma mudança nítida para melhor no funcionamento do Estado) e terá reflexos muito positivos na economia com a elevação de diversos indicadores sociais.

Noutras palavras, um governo interessado no bem estar do povo e os setores mais progressistas da sociedade têm interesse em implementar a agenda completa, enquanto um governo interessado somente na própria perpetuação e os setores mais retrógrados da sociedade têm interesse em evitar os itens 1 e 2, mas não podem declarar isso abertamente nem agir abertamente na direção contrária, e lucram imensamente com os itens 3 e 4.

Considerando que, independentemente da celeridade da implementação dos itens 1 e 2, todo mundo lucra com os itens 3 e 4, sim, estas soluções são viáveis, na verdade são imensamente desejáveis, bastando divulgar amplamente suas vantagens e vencer a inércia cultural devida a anos de desinformação sistemática para que a população entenda a lógica da legalização, perceba suas vantagens e então os políticos façam o que já deveriam ter feito sem medo de perder votos.

Recado para a RBS

Em um mundo onde diariamente se estimula o consumo e no qual se valoriza o ser humano por aquilo que ele possui, reprimir o desgraçado que busca a fuga da dor pelo entorpecimento é uma crueldade e reprimir o miserável que busca a última possibilidade de acesso à sociedade de consumo é uma declaração de guerra.

A RBS podem ter boas intenções, mas está sugerindo o caminho errado para a sociedade. Mudem o rumo antes que a situação piore ainda mais.

- Alertem a sociedade quanto ao conteúdo fascista da criminalização do uso e do comércio de drogas. É fundamental que as pessoas percebam que é importante investir na capacitação para o exercício pleno da cidadania ao invés de deixar o Estado decidir o que é melhor para cada cidadão.

- Expliquem os motivos pelos quais o Estado deve legalizar e regulamentar a produção, a distribuição e o uso de todas as drogas, da mais leve à mais pesada. É fundamental que as pessoas percebam que é através do Estado que nós gerenciamos o país, não através da omissão que delega poderes ao crime.

- Divulguem os resultados das políticas da Holanda, comparados com os resultados das políticas dos EUA, o que deixará claro que a Holanda, o país com as políticas sobre drogas mais liberais do mundo, está fechando presídios por falta de presos, enquanto os EUA, o país que mais incentiva o endurecimento da repressão, é o país com maior número de encarcerados do mundo, tanto em números brutos como em percentual da população. Mostrem a comparação entre os indicadores de drogas e violência nos EUA e na Holanda e digam com todas as letras qual país tem políticas melhores e mais desejáveis, com base nos números.

- Cobrem do Estado as quatro soluções acima indicadas, não o aumento da repressão, porque usar a polícia para reprimir o tráfico de drogas é uma política suicida que vai nos levar à mesma situação de violência do Rio de Janeiro. A polícia pode e deve impedir que o tráfico atue em áreas específicas – como as escolas – mas não deve tentar sufocar o tráfico porque isso é impossível de ser feito com os meios que a polícia dispõe e só vai transformar inutilmente nossas cidades em um campo de guerra.

Recado para todo mundo

Eu agradeço toda e qualquer indicação de leitura sobre legalização de drogas, estatíticas relacionadas a políticas de drogas e temas correlatos em português, esperanto, inglês, espanhol, mirandês, catalão, francês ou italiano.

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63 comments to O Jogo dos Sete Erros: campanha “Crack Nem Pensar” da RBS vai aumentar a violência no RS e em SC

  • Uma leitora me perguntou em off se eu estava acusando a RBS de ser fascista. A resposta é clara: não. Leiam novamente o primeiro parágrafo deste artigo:

    “Eu não duvido das boas intenções do Grupo RBS em promover uma campanha contra o crack, mas discordo frontalmente das diretrizes desta campanha específica. Sua fundamentação teórica é inadequada e suas propostas serão contraproducentes, isto é, vão aumentar a violência, a corrupção e outros problemas relacionados ao tráfico de drogas ao invés de ajudar a reduzi-los.”

    No próprio título do artigo eu digo que a campanha contém erros, não faço qualquer acusação de má intenção.

    O que me deixa com a pulga atrás da orelha é saber que a RBS já sabe da existência desta crítica e a ignora completamente.

    Se ninguém nos avisa que estamos fazendo algo errado sem perceber, nada pode ser dito a nosso respeito, exceto que estejamos cometendo um erro. Porém, se alguém nos avisa e ignoramos solenemente o aviso, continuando a fazer exatamente o mesmo sem dar importância às conseqüências…

  • Iole Godinho

    Arthur, muito bom o seu texto! Inclusive despertou curiosidade de ler mais… salvei seu blog, mas no entanto não lerei o resto agora pois já começo a ficar com sono, o que é prejudicial no entendimento do texto!
    Bom saber que as pessoas pensam parecido, mesmo que nesse caso uma delas tenha argumentos muito mais sólidos (que por acaso não sou eu rs!)
    O ser humano nasce livre e a sociedade o prende.
    O homem deveria ter direito antes de tudo à sua única, inviolável, e maior propriedade: seu próprio corpo. E não é o Estado que decide o que é melhor para o indivíduo. O papel dele deveria ser o de mediador, o de provedor, o de auxiliador, e não o de repressor.
    Lerei em outros dias outros artigos seus!
    Parabéns!
    Iole Godinho (@iholheiole)

    • Oi, Iole. Bem-vinda ao blog Pensar Não Dói. :)

      Grato pelos elogios. Mas não é de certo modo inquietante que aquilo que deveria ser uma obviedade – que cada ser humano tem o direito de escolher seu caminho, devendo os demais não interferir a não ser por solidariedade ou atuto-defesa – tenha que ser dito e mesmo que chegue a chamar a atenção por sua raridade?

      O pior, entretanto, é quando grandes empresas de comunicação reforçam justamente as piores vertentes da política, semeando entre nós o autoritarismo, a repressão e o pensamento único. A RBS vai nos causar um grande mal com esta campanha mal orientada.

      Ainda bem que pessoas como tu e outros interlocutores aqui do blog conseguem enxergar mais adiante e perceber que boa coisa não se há de produzir investindo nos princípios errados para o desenvolvimento de nossa sociedade.

      Volta sempre!

  • Mexico

    “Eu não tenho a menor dúvida que 95% ou mais dos traficantes não são inimigos da sociedade, são vítimas da sociedade.”
    ——————————————
    Vc realmente acredita nisso? Vc já teve contado com certos tipos de traficantes?Vc sabe o que beira-mar já fez com algumas vitimas dele?
    ——————————————
    Vc já visitou uma clinica pra recuperação de drogados?Vc é favor da liberação do Crack? Já não temos drogas demais liberadas? Alcool é liberado e olha todo o mau causado por ele!!!

    Acho preocupante esse tipo de discurso, vc deve ser contra as UPPS tb né, a unica ponta de esperança do RJ.

    • “Mexico”, vamos às respostas:

      1) É claro que eu acredito nisso, ou não teria escrito e divulgado o link. Nos países com IDH>0,95 e Gini<0,35 os índices de criminalidade são muito menores que no Brasil. Toda diferença entre os índices deles e os nossos é culpa de nossa sociedade, que não faz o que poderia e o que outros já fizeram para melhor encaminhar seus cidadãos na vida.

      2) Já tive contato com mais de um tipo de traficante. E já tive contato com gente muito pior e mais cruel que recebia salário do Estado. Psicopatia, sadismo e maldade ocorrem em todas as classes sociais, profissões e níveis culturais. É quando o Estado monta uma política que privilegia economicamente as habilidades destes indivíduos, como no caso das políticas de repressão às drogas, que o problema se agrava imensamente.

      3) Não sei de detalhes específicos sobre o Fernandinho Beiramar, mas sei de muitas atrocidades cometidas por aí. É justamente por isso que eu insisto em abandonar a estratégia falida de repressão ao tráfico de drogas e deixar de favorecer economicamente as habilidades deste tipo de indivíduo, a organização de quadrilhas cada vez melhor estruturadas e a corrupção de agentes do Estado que decorre da diversificação e aprimoramento das estratégias do crime organizado.

      4) Conheço clínicas, fazendas, grupos de auto-ajuda, grupos de doze passos, ONGs que trabalham com viciados, profissionais especializados, cientistas, etc. Não estou lançando informações levianas para debate.

      5) Sou a favor da legalização de todas as drogas, inclusive o crac, pelos mesmos motivos: a proibição não impede ninguém de usar e ainda gera uma tragédia social de violência, financiamento da organização do crime e corrupção do Estado. Droga tem que ser tratada exclusivamente como problema de saúde pública, nunca como problema de polícia.

      6) Não existe isso de “drogas demais liberadas”, toda droga proibida gera tráfico, que precisa se armar para funcionar, que gera tráfico de armas, que aumenta a violência, que torna mais interessante corromper os agentes do Estado, que tornam toda a sociedade insegura. Já viste notícias como “quadrilha de traficantes de cachaça domina morro e mata comerciantes que não pagam ‘proteção’”? Não, né? Mas no tempo da Lei Seca dos EUA isso acontecia com o álcool, e no nosso tempo isso acontece nas regiões de tráfico com os traficantes ou com as milícias.

      A única ponta de esperança do RJ é combater o tráfico através de uma estratégia econômica. Polícia nenhuma jamais conseguirá “pacificar” uma região conflagrada pela desigualdade social – a não ser que “a falsa paz dos cemitérios” seja considerada “paz”.

  • Leandro

    6) Não existe isso de “drogas demais liberadas”, toda droga proibida gera tráfico, que precisa se armar para funcionar, que gera tráfico de armas, que aumenta a violência, que torna mais interessante corromper os agentes do Estado, que tornam toda a sociedade insegura. Já viste notícias como “quadrilha de traficantes de cachaça domina morro e mata comerciantes que não pagam ‘proteção’”? Não, né? Mas no tempo da Lei Seca dos EUA isso acontecia com o álcool, e no nosso tempo isso acontece nas regiões de tráfico com os traficantes ou com as milícias.
    ……………
    Vc realmente acha que o trafico vai acabar com a total liberação? Claro que não, o estado vai virar um concorrente a mais apenas, consumidores sempre irão comprar do mais barato, ninguem se importa se financiam guerra ou não, se assim o fosse já teriam parado de consumir.

    A única ponta de esperança do RJ é combater o tráfico através de uma estratégia econômica. Polícia nenhuma jamais conseguirá “pacificar” uma região conflagrada pela desigualdade social – a não ser que “a falsa paz dos cemitérios” seja considerada “paz”.]
    ……………
    A criminalidade nas comunidades com UPPS caiu absurdamente, ausencia de estado gera criminalidade em qualquer lugar, uma cidade rica sem policia sempre tera bandidos que a dominarão, as UPPS é o primeiro passo pra que o governo possa trabalhar nas comunidades, a imagem da policia no rio tb é melhorada dessa forma, sendo que toda periferia nasce tendo o governo como vilão em vez de protetor, se isso continuar logo logo poderão literalmente atacar a cidade como ocorreu em São Paulo.

    Sobre o Crack, milhares de novas vidas poderiam querer comprar esse veneno, e o mau seria algo absurdo, seu discurso se torna paradoxal quanto se fala em liberação de drogas como Crack e cocaina relacionado a direitos humanos. Crack matou um conhecido meu em menos de um mes.

    • Leandro, o que acontece com as bebidas alcoólicas e com o cigarro? Existem morros dominados por quadrilhas de traficante de cachaça? Existe toque de recolher e fechamento de escolas e comércio imposto por quadrilhas de traficantes de cigarros? Não, né?

      Essas coisas só acontecem porque as drogas ilícitas são ilícitas, não porque são drogas. Podemos até discutir se o tráfico será reduzido em 100%, em 99%, em 95% ou em 90%, mas não existe a menor possibilidade de continuarem a existir as imensas organizações criminosas e toda a violência e a corrupção associadas à guerra às drogas em um ambiente onde tais substâncias sejam legalizadas para produção e comércio com regras razoáveis que incluam controle de qualidade e cuidados para evitar danos a terceiros causados pelo usuário enquanto está sob efeito da substância, sem no entanto cobrar impostos abusivos.

      Quanto às UPPS, embora eu não more no RJ, já li elogios e críticas bastante consistentes. Não acho que seja solução de modo algum, porque exigiria um imenso aparato policial repressivo com atuação permanente em cada local de moradia de população de baixa renda, um verdadeiro estado policial com todos os riscos de abuso de autoridade e mesmo de ruptura institucional que ocorrem sempre que um grupo domina uma região pela força.

      Além disso, o tráfico de drogas é essencialmente iniciativa privada, o que significa que é muito mais ágil e eficaz que o Estado para se adaptar a mudanças. Sufoquem o tráfico de drogas aqui, ele irá para ali. Sufoquem ali, ele irá para lá. Sufoquem lá, ele voltará para cá. Sufoquem em todos os lugares, ele encontrará uma maneira de romper violentamente o cerco ou de corromper as instituições responsáveis pela repressão.

      Enquanto o tráfico de drogas permanecer lucrativo, ele continuará a existir. Como é impossível torná-lo deficitário correndo atrás da produção, confiscando cargas e prendendo varejistas chinelos em bocas-de-fumo, qualquer estratégia baseada no uso da força necessariamente fracassará.

      Finalmente, paradoxal é dizer que proibir um indivíduo de utilizar o que ele bem entende no próprio organismo é que estaria defendendo os Direitos Humanos. Existe um absurdo maior que colocar alguém à força em um ambiente com privação de liberdade e conforto, em contato com todo tipo de criminoso e com o eterno estigma de ter passado um tempo na prisão apenas porque o sujeito estava causando um dano à própria saúde? Isso é mais ou menos como jogar o próprio filho numa fogueira porque ele estava brincando com fósforos e podia se queimar.

      Quanto ao crack ter matado o teu amigo, é lamentável, mas nem por isso se pode fazer políticas públicas baseadas em evidências anedóticas. Caso contrário, teríamos que proibir tudo o que já matou alguém. Não consigo nem imaginar que absurdo seria viver em um mundo com tamanha repressão.

      E, se fosse pela periculosidade… tem coisa que mata muito mais do que o crack e ninguém fala em proibir. Sugiro a leitura deste artigo: http://arthur.bio.br/2009/09/01/drogas/maconha/saude-e-argumento-falso-para-proibicao-da-maconha-cannabis-sativa

  • Leandro

    Finalmente, paradoxal é dizer que proibir um indivíduo de utilizar o que ele bem entende no próprio organismo é que estaria defendendo os Direitos Humanos. Existe um absurdo maior que colocar alguém à força em um ambiente com privação de liberdade e conforto, em contato com todo tipo de criminoso e com o eterno estigma de ter passado um tempo na prisão apenas porque o sujeito estava causando um dano à própria saúde? Isso é mais ou menos como jogar o próprio filho numa fogueira porque ele estava brincando com fósforos e podia se queimar.
    …………
    O estado tem o dever de proteger a saúde publica!, vc fala como se a melhor coisa a fazer é desistir de lutar, e permitir qualquer coisa, eu não quero drogados nas estradas, não quero que meus filhos usem drogas ou andem com pessoas que usam, pq me importo com a saúde deles, e as pessoas que pensam assim? Chega a ser impressionante a sua capacidade de inverter as coisas rsrs, liberação só vai fazer a vontade de um monte de viciados que só olham pra si mesmo e não se importam com as milhares de familias destruidas pelas drogas, cadeia não é a solução para viciados mas faz parte de um real combate as drogas que não ocorre aqui no Brasil, e a liberação de maconha pode até ser discutivel em paises desenvolvidos onde as pessoas sabem o que fazem, mas no Brasil um pais completamente carente se vc liberar substancias toxicas como o Crack chega a ser um absurdo, vc realmente sabe oque o crack causa? Vc quer a venda de Crack para as pessoas nas farmacias e finaciado pelo governo???? Se um dia isso acontecer eu mudo desse pais com minha familia o mais rapido possivel!.

    Quanto ao crack ter matado o teu amigo, é lamentável, mas nem por isso se pode fazer políticas públicas baseadas em evidências anedóticas. Caso contrário, teríamos que proibir tudo o que já matou alguém. Não consigo nem imaginar que absurdo seria viver em um mundo com tamanha repressão.
    E, se fosse pela periculosidade… tem coisa que mata muito mais do que o crack e ninguém fala em proibir. Sugiro a leitura deste artigo: http://arthur.bio.br/2009/09/01/drogas/maconha/saude-e-argumento-falso-para-proibicao-da-maconha-cannabis-sativa
    ………..
    Mas é claro que existem outras coisas que matam mais que Crack,carros, pedras e por ai vai, mas o contexto é completamente diferente!, não existe uma repressão decente nesse pais, olhas as fronteiras desse pais, nenhuma decente fiscalização, se o governo realmente quisesse se não fosse corrupto e se tivesse interesse em acabar com as drogas ele teria acabado, agora acabar totalmente é impossivel, assim como é impossivel acabar com o crime o maximo que pode ser feito é manter o controle para a sociedade que sabe viver respeitando os direitos de terceiros.

    • Leandro, o Estado não tem “o dever de proteger a saúde publica”, o Estado tem o dever de promover políticas de informação e de atendimento universal à saúde. São coisas diferentes.

      Se conferirmos ao Estado “o dever de proteger a saúde publica”, o Estado terá também o direito de interferir na vida privada de seus cidadãos e impor regras de conduta definidas pelo grupo que detém o poder do governo. Tens idéia do que isso significa?

      Num primeiro momento parece que significa “apenas” reprimir o uso e o comércio de algumas substâncias que supostamente fazem muito mal à saúde. (Nem sequer isso é verdade, como já mostrei no artigo Saúde é argumento falso para proibição da maconha.) Entretanto, uma vez concedida legitimidade ao Estado para interferir na vida privada deste modo, os honestíssimos, ilibadíssimos e honradíssimos políticos com as mais nobres e altruístas intenções que dominam o cenário político passam a impor outros absurdos. E mais um. E mais outro.

      A sociedade só costuma se dar conta disso quando é tarde demais. Tivemos exemplos claríssimos de como isso acontece na Alemanha Nazista e na Itália Fascista: tanto Hitler quanto Mussolini foram democraticamente eleitos e depois fizeram o que fizeram justamente porque suas ações iniciais vinham ao encontro do que as pessoas queriam, ainda que os métodos violassem os princípios da ética, da razoabilidade e dos Direitos Humanos. Incrível como as pessoas não aprendem com a história.

      “Lutar contra as drogas” é o que a maioria quer, mas isso tem que ser feito dentro dos princípios da ética, da razoabilidade e dos Direitos Humanos. Se não for assim, então a luta contra as drogas se baseia nos mesmos princípios do nazismo e do fascismo, abrindo caminho para os mesmos fenômenos políticos se repetirem no século XXI, mudando somente a roupagem.

      Se não quisermos drogados nas estradas, devemos fazer uma lei como a que regia o uso de álcool ao volante (não como a atual, que é abusiva) e implementar uma boa fiscalização.

      Se não queres que teus filhos usem drogas, deves ensiná-los a pensar criticamente, oferecer as informações técnicas corretas e deixar que eles decidam por conta própria.

      Assim como tu dizes que “liberação só vai fazer a vontade de um monte de viciados que só olham pra si mesmo e não se importam com as milhares de familias destruidas pelas drogas”, eu digo que proibição só vai fazer a vontade de um monte de intolerantes que só olham pra si mesmo e não se importam com as milhares de familias destruidas pela guerra contra as drogas. Ou achas mesmo que as drogas matam mais gente que a violência e a corrupção geradas pela proibição? Aí entramos no campo da desinformação.

      O que falta às pessoas que acham errado legalizar as drogas é a compreensão de que a proibição é que gerou o quadro de descalabro que temos hoje. A proibição não impede as pessoas de usarem drogas, apenas gera mais violência e mais corrupção a cada dia. Basta olhar em volta para perceber isso, afinal, as drogas são proibidas hoje. Está melhorando a segurança pública a cada ano que passa?

      Se tu entendes que “acabar totalmente é impossivel, assim como é impossivel acabar com o crime o maximo que pode ser feito é manter o controle”, então estás no caminho certo para compreender a legalização, porque isso é exatamente o que a legalização permitira fazer: assumir o controle do mercado das drogas, estabelecer regras para o varejo, exigir controle de qualidade para evitar agravos secundários à saúde, implementar estratégias de redução de danos com o mesmo objetivo, recolher impostos para financiar o sistema de saúde e principalmente retirar o mercado da mão de quadrilhas criminosas e colocá-lo na mão de empresas sérias, que atuam dentro da lei.

      E os usuários? Esse é um problema de saúde pública, não de polícia. Posso sugerir muitas coisas para lidar com os usuários, mas com certeza trancafiá-los não é uma dessas coisas. Eu sugiro começar por olhar para o usuário com respeito e talvez com compaixão, mas nunca como alguém que faz aquilo para causar o mal a terceiros, no mínimo porque isso é um estereótipo que não corresponde à realidade.

  • “A pretensão do Estado em ditar o que é melhor para o indivíduo mesmo contra a vontade deste é uma das idéiais fundamentais do fascismo.”

    É VERDADE MAS A MAIORIA PENSA Q SÓ HOUVE FASCISMO NUMA OCASIÃO ESPECÍFICA DA HISTÓRIA, NÃO PERCEBEM Q A MESMA IDELOGIA ESTÁ POR TRÁS DO Q ELAS QUEREM FAZER HOJE

    PIOR É A JUVENTUDE Q NÃO PERCEBE A BESTEIRA Q ESTÁ FAZENDO QDO APOIA Q O ESTADO TENHA KDA VEZ MAIS PODER PRA SE METER NA VIDA DAS PESSOAS CONTRA A VONTADE DELAS PQ NÃO CONHECEM A HISTÓRIA

    • Interessante… eu usei o mesmo exemplo na resposta acima ao Leandro. Parece que tem mais gente percebendo que a fundamentação teórica de uma “guerra às drogas” nos leva a um caminho já trilhado pela história da humanidade e que não nos deixou nada de positivo.

  • Eduardo Tristao

    Também não concordo com a liberação das drogas. Se o governo liberar o crack, por exemplo, ele poderia ser vendido para menores de idade? Certamente não. Vc acha que os menores de idade iriam deixar de usar o crack por essa restrição? Claro que não. Sempre haverá o mercado negro. O dinheiro fala mais alto.

    Concordo que o que esse país precisa é de cuidado, educação, justiça social mas precisamos também de repressão, de ordem, de entidades que sejam respeitadas e temidas (no melhor sentido da palavra).

    Acho que, simplificando, há três tipos de pessoas: As que nunca cometeriam um crime; as que cometeriam em quaisquer circunstâncias; e as que cometeriam se achassem que isso não lhe traria consequencias. Esse terceiro atinge um numero enorme da população. Talvez a maioria.

    A impunidade, a falta de ordem, a permissividade dão liberdade a esse grupo, deixando-as cometerem delitos, crimes e atitudes que desrespeitam a vida em sociedade. É o caos instalado. Isso é o que está acontecendo no Brasil. No Rio de Janeiro especialmente. As pessoas não tem respeito, não tem medo. Elas fazem o que querem com a certeza de que não sofrerão qualquer punição.

    Isso aliado a falta de dinheiro, de esperança num futuro melhor, na cobrança da sociedade pelo status pelo consumismo, etc resulta numa mistura explosiva. Criminalidade alta, corrupção sem fronteiras, instituições podres.

    Precisamos de mais humanidade. Honra, respeito, ética, são palavras sem sentido no mundo de hoje.

    • O crack é proibido para os menores de idade hoje. Tu achas que eles deixam de usar crack por causa desta restrição? Claro que não. Então, qual é a vantagem de persistir em um sistema falido, ilusório, que gera violência e corrupção?

      Com a legalização de todas as drogas, das quais o crack é apenas a que está em maior evidência na mídia, a maior parte do mercado se transferirá para a esfera controlada pela sociedade através da lei. O mercado marginal que restar não terá nem sequer um décimo do tamanho do atual mercado ilícito de drogas. Isso implicará uma sensível redução de violência e de corrupção e uma grande liberação de recursos para investimento na infra-estrutura que gera condições para que as pessoas não se interessem pelo tráfico: educação, saúde, moradia, transporte, renda digna.

      Como é que se promove honra, respeito e ética dizendo para as pessoas que elas não podem decidir sobre seu próprio corpo, que o Estado é mais inteligente e capaz que elas mesmas para tomar decisões em seu nome e que elas serão alvo de violência e aprisionamento se ousarem pensar de modo distinto da política do pensamento único oficial em assuntos que dizem respeito a sua privacidade?

  • Leandro

    A sociedade só costuma se dar conta disso quando é tarde demais. Tivemos exemplos claríssimos de como isso acontece na Alemanha Nazista e na Itália Fascista: tanto Hitler quanto Mussolini foram democraticamente eleitos e depois fizeram o que fizeram justamente porque suas ações iniciais vinham ao encontro do que as pessoas queriam, ainda que os métodos violassem os princípios da ética, da razoabilidade e dos Direitos Humanos. Incrível como as pessoas não aprendem com a história.
    …………
    O estado tem sim o direito de intervir na vida das pessoas, o estado é eleito pelas mesmas, é necessario vc entender coisas basicas de direito, leia sobre as leis antidrogas, a lei visa a saúde publica, considerar o estado semelhante ao nazismo por combater drogas é tão absurdo que não tem como comentar, por mais que esse tipo de pensamento liberal tenha uma força politica forte no Brasil infelizmente gerando toda sorte de violencia, nada supera o bom senso, e nunca que o Crack vai ser liberado graças a Deus rsrs.

    E os usuários? Esse é um problema de saúde pública, não de polícia. Posso sugerir muitas coisas para lidar com os usuários, mas com certeza trancafiá-los não é uma dessas coisas. Eu sugiro começar por olhar para o usuário com respeito e talvez com compaixão, mas nunca como alguém que faz aquilo para causar o mal a terceiros, no mínimo porque isso é um estereótipo que não corresponde à realidade.
    …………
    Depende, grande parte dos usuários de locais mais pobres possuem a criminalidade como algo inspirador na região e utilizam das mesmas sem medo de punição algum, sendo que os de regisão mais ricas os usuarios literalmente não se importam com a saúde da coletividade isso é claro pois não se importam nem com a própria saúde quanto mais a de terceiros, o unico motivo da não prisão de usuarios de drogas nesse pais é a falta de estrutura das penitenciarias brasileiras que fariam mais mau do que bem pros mesmos, como o governo não investe nem em educação nesse “pais” decentemente, não é viavel prender usuarios em um sistema penitenciario tão podre, sobre vc considerar o sistema falido isso é sua opinião, sem o sistema a propabilidade de vc e sua familia estarem mortos aumentaria e muito, uma coisa é certa, se sua forma de pensar utópica que não condiz com a realidade desse pais ganhar credito, passaporte vai ser o melhor investimento pra qualquer brasileiro inteligente. Eu já to preparando o meu rsrs.

    • “O estado tem sim o direito de intervir na vida das pessoas, o estado é eleito pelas mesmas, é necessario vc entender coisas basicas de direito” (Leandro)

      Camarada, pelo visto não sou eu quem precisa entender um pouco mais de direito… tu estás confundindo Estado (percebeste que eu sempre uso “E” maiúsculo?) com governo. O Estado não é eleito. O governo é eleito. O Estado não se confunde com o governo.

      A função do Estado é regular o convívio social. Daria para eplicar um pouco mais, mas isso é a função básica. Toda vez que o Estado mete o bedelho em atividades privadas, exceto para garantir que elas sejam voluntárias e livres, o Estado está interferindo indevidamente na vida do cidadão.

      “nada supera o bom senso” (Leandro)

      É… bom senso é a coisa que Deus distribuiu melhor no mundo, né? Todo mundo reclama que gostaria de ter mais saúde, mais tempo de vida, mais conforto, mais dinheiro, mais felicidade… mas ninguém pede um pinguinho a mais que seja de bom senso. Vai ver é por isso que o mundo está a maravilha que está. Muito bem, segue nessa linha de pensamento, ainda não é crime fazer apologia ao “bom” senso. Só é uma pena que milhares de pessoas estejam sendo massacradas diariamente por causa do “bom” senso dos proibicionistas.

      “sobre vc considerar o sistema falido isso é sua opinião” (Leandro)

      Olha, Leandro, eu desconfiaria seriamente da saúde mental de qualquer indivíduo que considere que o sistema penitenciário brasileiro não está falido e caindo de podre. Nenhuma penitenciária no Brasil cumpre adequadamente a Lei de Execução Penal, tens idéia do que é isso? Por exemplo, está escrito claramente na LEP que todo detento deve ficar alojado em cela individual. Isso só acontece no RDD, que por sinal é uma aberração jurídica. Cadê as ofertas de estudo e trabalho para todos os detentos?

      Quanto ao sistema repressivo em si, pior ainda. Aí está o péssimo exemplo do país mais rico do mundo, que tem a maior população encarcerada do mundo (tanto em termos absolutos quanto em percentual da população) e continua indo de mal a pior na questão das drogas. Vais querer dizer que é por falta de financiamento do sistema?

      Entende uma coisa: nem nos países onde o tráfico de drogas é punido com pena de morte deixou de haver tráfico de drogas. Não existe isso de “penas mais duras inibirem o tráfico”, a experiência do mundo inteiro mostra que não. Já a política oposta, do tipo que eu defendo, é responsável pelos maiores avanços que existem hoje. Lê isso: http://arthur.bio.br/2009/07/05/politica/holanda-fecha-presidios-por-falta-de-presos

  • Leandro

    Como é que se promove honra, respeito e ética dizendo para as pessoas que elas não podem decidir sobre seu próprio corpo,
    ……………..
    E vc duvida disso? As leis são um conjunto de normas criadas e votadas pelas pessoas para o bem do convivio social, quando se vive em sociedade vc tem que abrir mão de parte da sua liberdade, isso é basico no direito, aparece com som alto depois das 10 horas lá em casa pra ver oque acontece com vc, vc vai preso! ou deveria ser.

    • “As leis são um conjunto de normas criadas e votadas pelas pessoas para o bem do convivio social” (Leandro)

      E tu acreditas nisso? Fala sério, já passei do jardim de infância. Não conheces o ditado sobre as leis e as salsichas? Não dá pra ser tão ingênuo assim.

  • Leandro

    A impunidade, a falta de ordem, a permissividade dão liberdade a esse grupo, deixando-as cometerem delitos, crimes e atitudes que desrespeitam a vida em sociedade. É o caos instalado. Isso é o que está acontecendo no Brasil. No Rio de Janeiro especialmente. As pessoas não tem respeito, não tem medo. Elas fazem o que querem com a certeza de que não sofrerão qualquer punição.
    Isso aliado a falta de dinheiro, de esperança num futuro melhor, na cobrança da sociedade pelo status pelo consumismo, etc resulta numa mistura explosiva. Criminalidade alta, corrupção sem fronteiras, instituições podres.
    Precisamos de mais humanidade. Honra, respeito, ética, são palavras sem sentido no mundo de hoje.(2)
    ……….
    Concordo plenamente.
    Realmente no Brasil a situação é alarmante demais, nos grandes centros nãó só na “cidade maravilhosa”, a vida perdeu o respeito, os jovens se tornaram suicidas em massa, não existe respeito a nada, e de maneira paradoxal dos direitos humanos totalmente alienado a realidade pretendem dar mais liberdade para essa gente, isso aqui vai virar o caos, e eu pretendo mudar mesmo desse pais mesmo.

    • Enquanto houver gente dizendo a imensa besteira de que seria o excesso e não a falta de Direitos Humanos que está destruindo o tecido social, não dá mesmo para esperar que esse país supere a contínua proposição de legislação fascista. É lamentável.

  • Mexico

    E tu acreditas nisso? Fala sério, já passei do jardim de infância. Não conheces o ditado sobre as leis e as salsichas? Não dá pra ser tão ingênuo assim.
    ………..
    Vc não acredita nas leis? Agora da pra compreender seu ponto de vista sobre os criminosos, caso vc não saiba a quem realmente guarda os direitos humanos são as leis, que visam proteger eles, eu vejo corpo de gente em pedaços quase toda semana em meu trabalho e graças as leis essa gente que vc tanto ama fica um pouco fora do convivio social.

    Enquanto houver gente dizendo a imensa besteira de que seria o excesso e não a falta de Direitos Humanos que está destruindo o tecido social, não dá mesmo para esperar que esse país supere a contínua proposição de legislação fascista. É lamentável.
    …………
    Pelo amor de Deus, Brasil é um pais extremamente fraco em relação as leis, existem politicos brasileiros sendo procurados pela interpol e aqui estão em campanha politica!!!!!, Brasil um pais de todos literalmente.

    • É, pelo visto tu não conheces o ditado sobre as leis e as salsichas. E também não sabes o que são Direitos Humanos. Aí fica difícil conversar contigo sobre estas questões, Leandro.

      Lê o seguinte:

      1) O artigo Sobre leis e salsichas, de Roberto Romano, professor de ética e de filosofia política da Unicamp.

      2) A página da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, coluna da esquerda. Olha os itens ali constantes para ter uma idéia geral dos principais tópicos sobre os quais se ocupa a instituição que coordena toda a Política Nacional de Direitos Humanos do Brasil.

      3) O preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, para entender o que fundamenta a necessidade de garantir os direitos e liberdades fundamentais de todos os seres humanos, sem exceção.

      Uma vez compreendidos estes pressupostos teóricos, fica bem mais fácil encontrar um vocabulário comum para o debate.

      O que não faz sentido é eu falar em Direitos Humanos e tu vires reclamar que “as leis são fracas”. É mais ou menos como eu falar da chuva e tu vires reclamar que existem sapatos furados.

  • Leandro

    Eu já tinha lido a declaração, mas tudo bem.

    Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
    ………..
    No brasil esse direito vira bosta por causa dos bandidos todos os dias, esse pais supera o numero de mortes diarias por criminosos em muitas guerras atuais, e os direitos humanos são contra leis mais severas que resolveriam em parte isso, tema pra outro debate, paises desenvolvidos do mundo mostram isso. Vc é favor da redução da maioridade penal? A grande maioria das pessoas que estão relacionadas ao DH nesse “pais” não são, ou seja indiretamente ou diretamente defendem bandidos.

    Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
    ……………
    Fala isso pros bandidos.

    • “Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. No brasil esse direito vira bosta por causa dos bandidos todos os dias” (Leandro)

      Por que é que no Brasil existem mais bandidos do que na Suécia, na Noruega, na Finlândia, na Dinamarca e na Holanda? É porque existe um “gene criminoso” na população brasileira? Ou é porque existem condições sociais e econômicas que empurram para a marginalidade um número muito maior de pessoas aqui do que lá?

      Se não existe um “gene criminoso”, então a culpa pela existência de criminosos é das condições sociais e econômicas. Logo, a culpa da existência de cada ponto percentual de criminalidade a mais no Brasil do que os mesmos indicadores nos países que citei é culpa das políticas públicas e da atividade dos grandes agentes econômicos que geram a imensa desigualdade social que temos aqui e que são bem diferentes naqueles países.

      É muito fácil dizer que “pobreza não gera criminalidade” quando se ganha um salário – qualquer um, mesmo o lixo do salário mínimo – e quando se tem condições de discutir isso na internet.

      E é muito fácil colocar a culpa da violência nos miseráveis que estão lutando (muitas vezes literalmente) para satisfazer os desejos de consumo que a TV incita diariamente e não nas estruturas e agentes sociais e econômicos que geram a desigualdade que faz uma gigantesca massa de seres humanos se sentirem menos gente do que cachorro de madame.

      ==

      “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
      ……………
      Fala isso pros bandidos.” (Leandro)

      Já expliquei um milhão de vezes: quem tem que garantir os Direitos Humanos é o Estado, através dos agentes do Estado.

      Se entre os indivíduos com a responsabilidade legal de garantir os direitos e liberdades fundamentais tem gente que é contra sua própria definição de cargo e de função, exigindo imensa vigilância por parte da sociedade e mesmo assim com resultados infrutíferos, imagina exigir dos desgraçados e marginalizados que promovam os direitos que o Estado lhes nega.

      É dose pra mamute.

  • Leandro

    Por que é que no Brasil existem mais bandidos do que na Suécia, na Noruega, na Finlândia, na Dinamarca e na Holanda? É porque existe um “gene criminoso” na população brasileira? Ou é porque existem condições sociais e econômicas que empurram para a marginalidade um número muito maior de pessoas aqui do que lá?

    Se não existe um “gene criminoso”, então a culpa pela existência de criminosos é das condições sociais e econômicas. Logo, a culpa da existência de cada ponto percentual de criminalidade a mais no Brasil do que os mesmos indicadores nos países que citei é culpa das políticas públicas e da atividade dos grandes agentes econômicos que geram a imensa desigualdade social que temos aqui e que são bem diferentes naqueles países.
    …………..
    A pobreza aumenta a criminalidade mas não é unico fator, a maioria desse pais é pobre e não é criminosa, olha os politicos desse pais, a culpa esta sim na pessoa, se vc retirar isso o julgamento visa toda a vida do individuo, mas eu cansei de debater sobre isso, larguei mão literalmente e tb to pretendendo largar meu trabalho, é uma guerra sem fim e que nunca vai acabar, quem protege a policia? Nossas leis não garantem proteção a quem agride um agente do estado como lá fora, mas hoje entendo o caminho que o Brasil ta tentando seguir e realmente não concordo e vc talvez futuramente perceba pq isso aqui não vai melhorar nunca com essa vertente de reinserção social, eu sei que vc acredita nisso, mas pra que isso realmente funcione é necessario dar um apoio a pessoa muito maior que o estado hoje pode oferecer. T++

    E é muito fácil colocar a culpa da violência nos miseráveis que estão lutando (muitas vezes literalmente) para satisfazer os desejos de consumo que a TV incita diariamente e não nas estruturas e agentes sociais e econômicos que geram a desigualdade que faz uma gigantesca massa de seres humanos se sentirem menos gente do que cachorro de madame.
    ………….
    Aqui eu concordo com vc, a midia prega o capitalismo 24 horas e as pessoas são manipuladas a ter do que ser, e isso é culpa da sociedade tb, tão colhendo o que planta.

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