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	<title>Comentários sobre: A lição que o Movimento Ecológico teima em ignorar</title>
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	<description>Em busca de vida inteligente na Terra.</description>
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		<title>Por: Arthur</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-73290</link>
		<dc:creator>Arthur</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 15:14:44 +0000</pubDate>
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		<description>Fabiano, a ciência pode ajudar muito, mas o caminho passa pela política e pela economia. Sem um plano de desenvolvimento, o tecido social se torna canceroso. Sem uma força produtiva limpa, acaba contaminado. (Incrível como estas metáforas são realistas.) 

Antes deste artigo aqui eu já havia publicado outros sobre a inutilidade das malfadadas &quot;campanhas de conscientização&quot;. Lê o artigo &lt;a href=&quot;http://arthur.bio.br/2009/08/31/solucoes-radicais/ecologia-politica-de-resultados-nao-se-faz-com-ambientalismo-amador&quot; target=&quot;blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Ecologia Política de Resultados não se faz com ambientalismo amador&lt;/a&gt;, lá deixo bem claro, com exemplos da vida real de um ativista ecológico, a magnitude das limitações da estratégia fracassada que o Movimento Ecológico insiste em manter.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Fabiano, a ciência pode ajudar muito, mas o caminho passa pela política e pela economia. Sem um plano de desenvolvimento, o tecido social se torna canceroso. Sem uma força produtiva limpa, acaba contaminado. (Incrível como estas metáforas são realistas.) </p>
<p>Antes deste artigo aqui eu já havia publicado outros sobre a inutilidade das malfadadas &#8220;campanhas de conscientização&#8221;. Lê o artigo <a href="http://arthur.bio.br/2009/08/31/solucoes-radicais/ecologia-politica-de-resultados-nao-se-faz-com-ambientalismo-amador" target="blank" rel="nofollow">Ecologia Política de Resultados não se faz com ambientalismo amador</a>, lá deixo bem claro, com exemplos da vida real de um ativista ecológico, a magnitude das limitações da estratégia fracassada que o Movimento Ecológico insiste em manter.</p>
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		<title>Por: Fabiano Golgo</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-73157</link>
		<dc:creator>Fabiano Golgo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 07:18:24 +0000</pubDate>
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		<description>Concordo. Sempre teremos uma maioria desengajada e a reciclagem feita pelas classes conscientizadas mundo afora nunca sequer chegaria a 99%, portanto a única via realística para amenizar ou adaptar nossas vidas aos efeitos da mudança climática, dos lixos tóxicos e outras mazelas é a ciência. A cultura pode e deve ser trabalhada paralelamente, pelo menos para diminuir o impacto futuro de nossos atos, mas não é suficiente...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo. Sempre teremos uma maioria desengajada e a reciclagem feita pelas classes conscientizadas mundo afora nunca sequer chegaria a 99%, portanto a única via realística para amenizar ou adaptar nossas vidas aos efeitos da mudança climática, dos lixos tóxicos e outras mazelas é a ciência. A cultura pode e deve ser trabalhada paralelamente, pelo menos para diminuir o impacto futuro de nossos atos, mas não é suficiente&#8230;</p>
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		<title>Por: Arthur</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-73150</link>
		<dc:creator>Arthur</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 06:51:17 +0000</pubDate>
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		<description>&lt;b&gt;GreenDica: a década de 1970 já acabou faz tempo!&lt;/b&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><b>GreenDica: a década de 1970 já acabou faz tempo!</b></p>
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		<title>Por: Arthur</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-73139</link>
		<dc:creator>Arthur</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 06:04:00 +0000</pubDate>
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		<description>Não me liga antes do meio dia nos dias de semana e antes das 13h nos sábados e domingos que eu não falo línguas terráqueas nesse horário. Meu tradutor instantâneo intergaláctico estragou e a bateria solar demora  para recarregar. :P</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não me liga antes do meio dia nos dias de semana e antes das 13h nos sábados e domingos que eu não falo línguas terráqueas nesse horário. Meu tradutor instantâneo intergaláctico estragou e a bateria solar demora  para recarregar. <img src='http://arthur.bio.br/pensar-nao-doi/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Por: Marcus Vinícius Simioni</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-73085</link>
		<dc:creator>Marcus Vinícius Simioni</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 02:52:21 +0000</pubDate>
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		<description>Arthur, 
A reunião foi excelente. Apareceu a Ana Zimmermann, o Giba Giba, o Vandan (de Tapes)
Eu vou te ligar ainda neste domingo pra te contar como foi. Desculpe não ter te respondido a mensagem, minha namorada levou meu celular, por engano, pro plantão dela e fiquei sem.
Sobre o resposta acima, está em processamento e elaboração. Mas se quiser já pensar na tréplica, o canal da minha resposta passa por Fast Breed Reactors heehhe :D
Forte Abraço!!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Arthur,<br />
A reunião foi excelente. Apareceu a Ana Zimmermann, o Giba Giba, o Vandan (de Tapes)<br />
Eu vou te ligar ainda neste domingo pra te contar como foi. Desculpe não ter te respondido a mensagem, minha namorada levou meu celular, por engano, pro plantão dela e fiquei sem.<br />
Sobre o resposta acima, está em processamento e elaboração. Mas se quiser já pensar na tréplica, o canal da minha resposta passa por Fast Breed Reactors heehhe <img src='http://arthur.bio.br/pensar-nao-doi/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /><br />
Forte Abraço!!</p>
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		<title>Por: Arthur</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-72971</link>
		<dc:creator>Arthur</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 21:39:49 +0000</pubDate>
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		<description>1) Nos primeiros 40 anos a usina nuclear produz energia. Nos 40.000 anos seguintes é necessário gastar energia para armazenar os rejeitos dela. Mesmo que jamais aconteça um acidente significativo, um mundo que investe em energia nuclear precisa sempre de mais, e mais, e mais energia nuclear para lidar com os rejeitos da própria energia nuclear, em uma progressão geométrica infinita. &lt;i&gt;Helloooooo&lt;/i&gt; termodinâmica? 

2) Nos próximos 40 anos, quais serão as tendências políticas? Teremos um mundo plenamente pacífico ou haverá guerras? Quais serão os atores dos conflitos, estados nacionais, fundamentalistas religiosos ou corporações belicosas alçadas a níveis de poder supra-estatais? podemos ter certeza que ninguém estará disposto a cometer terrorismo nuclear? 

3) E nos próximos 40.000 anos? Podemos fazer alguma previsão racional para um período desta magnitude? Se não podemos, então o que devemos fazer? Agir com cautela ou distribuir ao redor do planeta milhares de reatores que produzem rejeitos fatais biologicamente indetectáveis até que seus efeitos sejam sentidos?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>1) Nos primeiros 40 anos a usina nuclear produz energia. Nos 40.000 anos seguintes é necessário gastar energia para armazenar os rejeitos dela. Mesmo que jamais aconteça um acidente significativo, um mundo que investe em energia nuclear precisa sempre de mais, e mais, e mais energia nuclear para lidar com os rejeitos da própria energia nuclear, em uma progressão geométrica infinita. <i>Helloooooo</i> termodinâmica? </p>
<p>2) Nos próximos 40 anos, quais serão as tendências políticas? Teremos um mundo plenamente pacífico ou haverá guerras? Quais serão os atores dos conflitos, estados nacionais, fundamentalistas religiosos ou corporações belicosas alçadas a níveis de poder supra-estatais? podemos ter certeza que ninguém estará disposto a cometer terrorismo nuclear? </p>
<p>3) E nos próximos 40.000 anos? Podemos fazer alguma previsão racional para um período desta magnitude? Se não podemos, então o que devemos fazer? Agir com cautela ou distribuir ao redor do planeta milhares de reatores que produzem rejeitos fatais biologicamente indetectáveis até que seus efeitos sejam sentidos?</p>
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	<item>
		<title>Por: Marcus Vinícius Simioni</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-72961</link>
		<dc:creator>Marcus Vinícius Simioni</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 21:22:08 +0000</pubDate>
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		<description>Tá, só falta você explicar o porquê de &quot;Investir pesado em energia nuclear só iria piorar gravemente a situação a partir do século XXII.&quot;, estou aqui vigilante e a espera de argumentos!! :D</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Tá, só falta você explicar o porquê de &#8220;Investir pesado em energia nuclear só iria piorar gravemente a situação a partir do século XXII.&#8221;, estou aqui vigilante e a espera de argumentos!! <img src='http://arthur.bio.br/pensar-nao-doi/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Por: Arthur</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-72956</link>
		<dc:creator>Arthur</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 21:10:57 +0000</pubDate>
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		<description>Eu concordo com o James Lovelok em &lt;i&gt;quase&lt;/i&gt; todo o diagnóstico que ele faz, mas discordo completamente da &quot;solução&quot; que ele sugere. Investir pesado em energia nuclear só iria piorar gravemente a situação a partir do século XXII. 

James Lovelock parece não ter lido &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia_dos_comuns&quot; target=&quot;blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;A Tragédia dos Baldios&lt;/a&gt; de Garret Hardin. Os problemas que a Terra enfrenta hoje não são solucionáveis através da tecnologia. Pelo contrário, as soluções tecnológicas tendem sempre a tornar os problemas mais graves, embora os empurrem um pouquinho mais para a frente. 

O exemplo máximo de solução tecnológica que deu errado é o uso de combustíveis fósseis: o que pareceu ser uma solução maravilhosa ao longo de todo o século XX, que permitiu o aparente &quot;desenvolvimento&quot; da economia em níveis nunca antes sonhados na história do planeta, na verdade nos colocou em um beco sem saída, em alta velocidade, na direção de um paredão de pedra. E tem muita gente que ainda não se mancou que é necessário pisar no freio e dar meia volta se quisermos sobreviver. 

O que James Lovelock está propondo é pular de um veículo em movimento para outro igualmente desembestado na direção do mesmo paredão de pedras, substituindo apenas o combustível. Está errado. É a direção do movimento que tem que ser mudada, não o tipo de motor que nos acelera rumo à destruição.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Eu concordo com o James Lovelok em <i>quase</i> todo o diagnóstico que ele faz, mas discordo completamente da &#8220;solução&#8221; que ele sugere. Investir pesado em energia nuclear só iria piorar gravemente a situação a partir do século XXII. </p>
<p>James Lovelock parece não ter lido <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia_dos_comuns" target="blank" rel="nofollow">A Tragédia dos Baldios</a> de Garret Hardin. Os problemas que a Terra enfrenta hoje não são solucionáveis através da tecnologia. Pelo contrário, as soluções tecnológicas tendem sempre a tornar os problemas mais graves, embora os empurrem um pouquinho mais para a frente. </p>
<p>O exemplo máximo de solução tecnológica que deu errado é o uso de combustíveis fósseis: o que pareceu ser uma solução maravilhosa ao longo de todo o século XX, que permitiu o aparente &#8220;desenvolvimento&#8221; da economia em níveis nunca antes sonhados na história do planeta, na verdade nos colocou em um beco sem saída, em alta velocidade, na direção de um paredão de pedra. E tem muita gente que ainda não se mancou que é necessário pisar no freio e dar meia volta se quisermos sobreviver. </p>
<p>O que James Lovelock está propondo é pular de um veículo em movimento para outro igualmente desembestado na direção do mesmo paredão de pedras, substituindo apenas o combustível. Está errado. É a direção do movimento que tem que ser mudada, não o tipo de motor que nos acelera rumo à destruição.</p>
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		<title>Por: Arthur</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-72943</link>
		<dc:creator>Arthur</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 20:43:11 +0000</pubDate>
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		<description>A alternativa de mercado em que eu vou trabalhar será na área de produção de alimentos orgânicos: nada de fertilizantes, nada de agrotóxicos, nada de hormônios, nada de vacinas, alta qualidade nutricional e alta produtividade. O empreendimento já está em curso e quando estiver em pleno funcionamento (daqui a mais ou menos um ano) eu postarei umas fotos aqui. 

A alternativa política bem que eu queria poder revelar agora, mas é cedo demais. Quando estiver pronta (o que também deve acontecer daqui a mais ou menos um ano) ela será lançada aqui no &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;. 

Ninguém poderá dizer &quot;o senhor é um fanfarrão, seu Arthur&quot;. Eu mato a cobra e faço uma sopa. :P (Pra que desperdiçar recursos, né?) :)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A alternativa de mercado em que eu vou trabalhar será na área de produção de alimentos orgânicos: nada de fertilizantes, nada de agrotóxicos, nada de hormônios, nada de vacinas, alta qualidade nutricional e alta produtividade. O empreendimento já está em curso e quando estiver em pleno funcionamento (daqui a mais ou menos um ano) eu postarei umas fotos aqui. </p>
<p>A alternativa política bem que eu queria poder revelar agora, mas é cedo demais. Quando estiver pronta (o que também deve acontecer daqui a mais ou menos um ano) ela será lançada aqui no <i>blog</i>. </p>
<p>Ninguém poderá dizer &#8220;o senhor é um fanfarrão, seu Arthur&#8221;. Eu mato a cobra e faço uma sopa. <img src='http://arthur.bio.br/pensar-nao-doi/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' />  (Pra que desperdiçar recursos, né?) <img src='http://arthur.bio.br/pensar-nao-doi/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Por: Marcus Vinícius Simioni</title>
		<link>http://arthur.bio.br/2010/01/12/meio-ambiente/a-licao-que-o-movimento-ecologico-teima-em-ignorar/comment-page-1#comment-72508</link>
		<dc:creator>Marcus Vinícius Simioni</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 22:47:48 +0000</pubDate>
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		<description>&quot;GAIA: ALERTA FINAL&quot; - JAMES LOVELOCK
Postado por Eduardo Sejanes Cezimbra em 15 janeiro 2010 às 10:00
Exibir blog de Eduardo Sejanes Cezimbra
http://transnet.ning.com/profiles/blog/show?id=2018942:BlogPost:40959&amp;xgs=1&amp;xg_source=msg_share_post


A hipótese da Terra (Gaia) como um gigantesco Organismo Vivo foi para mim - na década de 80 - uma magnífica, indescritível e inimaginável experiência de quebra paradigmática. Naqueles anos eu mergulhei em leituras impensadas, que vagavam da física quântica às fundamentações antropológicas e ecossistêmicas de nossas mais radicais realidades humanas e planetárias...de fato foram tempos de muita introspecção e de duros ajustes em minhas sinapses e na compreensão consciente das coisas deste Universo!!

James Lovelock
Mais uma vez o mesmo mestre de outrora e pai da teoria de Gaia, James Lovelock - hoje com os seus 90 anos - publica um novo livro, na verdade mais um de uma série de alertas, que foi lançado no Brasil no próximo dia 12/01/2010, e nos convida, na verdade nos convoca, nos recruta, para travar duras reflexões sobre o agora da Humanidade e do Planeta Terra : &quot;GAIA: ALERTA FINAL&quot;!!!

Com fortes críticas aos movimentos verdes da atualidade e às decisões políticas das nações frente os desafios inadiáveis das mudanças climáticas inevitáveis, o autor vai fundo na questão da sobrevivência e do prosseguimento da humanidade num mundo instável e caótico, onde o modelo de conforto urbano está com os dias contados e será levado a cabo nos próximos anos e décadas...veja abaixo alguns pequenos trechos do Primeiro Capítulo:

&quot; [...] No Reino Unido, sobrou pouca terra para cultivo e para nos alimentar, mas nós e os refugiados poderemos, de qualquer forma, não ser capazes de o fazer, porque a maioria absoluta de nós é urbana, e praticamente ignora a vida além da cidade, não entendendo que todas as nossas vidas dependem dele. As visões tão íntegras e bem-intencionadas da União Europeia para &quot;salvar o planeta&quot; e promover o desenvolvimento sustentável com o uso apenas de energia &quot;natural&quot; poderiam ter funcionado em 1800, quando havia apenas um bilhão de seres humanos no mundo, mas agora não podemos nos dar a esse luxo. De fato, à sua própria maneira, a ideologia verde que agora parece inspirar o norte da Europa e os Estados Unidos poderá, afinal, ser tão prejudicial ao meio ambiente real quanto o foram as ideologias humanistas anteriores. Se o governo do Reino Unido persistir em forçar os esquemas dispendiosos e nada práticos da energia renovável, em breve descobriremos que quase tudo o que resta da nossa região rural será usado para a produção de biocombustível, geradores de biogás e parques eólicos de escala industrial - tudo isto no exato momento em que precisaremos de todo o campo existente para o cultivo de alimentos. Não se sinta culpado por optar por essa bobagem: um exame mais profundo revela que ela é um elaborado embuste criado pelo interesse de algumas nações cujas economias se enriquecem a curto prazo pela venda de turbinas eólicas, usinas de biocombustível e outros equipamentos energéticos supostamente verdes. Não acredite por um momento sequer na conversa de vendedor de que isso salvará o planeta. A conversa mole dos vendedores tem a ver com o mundo que eles conhecem, o mundo urbano. A Terra real não precisa ser salva. Pôde, ainda pode e sempre será capaz de se salvar, e agora está começando a fazê-lo, mudando para um estado bem menos favorável a nós e outros animais. O que as pessoas querem dizer com o apelo é &quot;salvar o planeta como o conhecemos&quot;, e isso agora é impossível.

.
Os Estados Unidos entendem a ameaça do aquecimento global? Poucos duvidariam de que, no presente momento, os Estados Unidos sejam a nação mais destacada em termos de ciência e invenção - e não há maior prova disso que o computador que está sobre todas as nossas mesas e que, no mínimo, realiza o trabalho outrora feito por um datilógrafo. Os Estados Unidos tiveram um papel importante em sua evolução. Como se não bastasse, temos os pousos na Lua, a exploração de Marte e as frotas de satélites assombrosamente complexos, desde o telescópio Hubble até aqueles que lhe informam exatamente onde você se encontra em qualquer lugar do mundo. Tudo isso e muito mais é um tributo ao know-how americano e sua atitude dinâmica. Mesmo a teoria de Gaia foi descoberta no fértil ambiente do Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia, e o único biólogo que a entendeu e continuou a desenvolvê-la foi a destacada cientista americana Lynn Margulis. Obviamente, avanços em ciência e tecnologia emergiram na Europa na Idade Média e seu centro de excelência se moveu entre as nações. Em tecnologia e teoria computacionais, Babbage, Ada Lovelace e o mais trágico entre os homens, Alan Turing, fizeram, todos, o trabalho de base aqui, no Reino Unido. Turing foi aquele que, com seu grupo, construiu o primeiro aparelho computacional sério e o utilizou para decifrar o código inquebrável dos nossos inimigos de tempo de guerra. Mas isso foi naquela época. Agora, os Estados Unidos são o centro da ciência.

.
Faço este elogio solene aos Estados Unidos da América por estar perplexo: apesar de sua excelência científica, eles, entre todas as nações, foram os mais lentos em perceber a ameaça do aquecimento global. Duvido que essa ignorância inesperada tenha alguma ligação com o fato de o uso per capita americano de combustível fóssil, uma fonte de dano climático, ser maior que em qualquer outro lugar. Considero-a mais uma consequência de a maioria dos cientistas americanos, à sua maneira francamente bem-sucedida e reducionista, considerar a Terra algo que eles poderiam melhorar ou controlar; parece que eles a veem como nada mais que uma bola de rocha umedecida pelos oceanos e situada dentro de uma tênue esfera de ar. Até parece que consideram Marte um planeta a ser desenvolvido quando a Terra não for mais habitável. Não veem a Terra como um planeta vivo que regula a si próprio.
.

Políticos do mundo desenvolvido reconhecem a mudança climática, mas suas políticas ainda estão no século XX, fundamentadas nos conselhos de lobistas dos ambientalistas e daqueles da comunidade empresarial, que enxergam um enorme lucro no curto prazo vindo de planos energéticos subsidiados. Eles raramente parecem agir sob as recomendações de seus consultores científicos. Em Bali, líderes políticos acordaram em cortar as emissões de carbono em 60% até 2050. De onde é que eles tiraram a ideia de que poderiam fazer uma política para um mundo com mais de quarenta anos de antecedência? É improvável que políticas baseadas em extrapolação injustificável e dogmas ambientais evitem a mudança climática, e não deveríamos sequer tentar implementá-las. Em vez disso, nossos líderes deveriam se concentrar imediatamente na sustentação de suas próprias nações como um habitat viável; poderiam ser inspirados a fazê-lo não apenas por causa de um interesse nacional egoísta, mas como capitães dos botes salva-vidas que suas nações poderiam vir a ser. No início de 2008, o governo do Reino Unido finalmente anunciou um programa para a construção de novas centrais energéticas nucleares. Certamente espero que essa não seja outra das falsas promessas que caracterizaram tantas das eloquentes declarações do governo Blair. Energia nuclear é, de longe, o meio mais efetivo de reduzir a emissão de dióxido de carbono, mas não é esse o motivo mais importante para que rivalizemos com a França e passemos a produzir eletricidade a partir de urânio. O importante é que as cidades exigem um fornecimento constante e econômico de eletricidade que até recentemente veio do carvão e do gás, mas esses recursos estão agora em declínio e não deixam nenhuma alternativa além da energia nuclear. As megacidades que estão começando a emergir demandarão enormes fluxos de eletricidade e somente uma vigorosa e rápida expansão da energia nuclear poderá satisfazê-los num futuro próximo. Essa necessidade se intensifica por termos pouca terra para cultivar alimentos - e a agricultura intensiva exige energia abundante. Com o esgotamento do petróleo, precisaremos sintetizar combustível para a maquinaria móvel de construção, transporte e agricultura. Não é algo difícil de fazer a partir do carvão ou da energia nuclear, mas precisamos começar a nos preparar para isso agora. Poderemos até ter de considerar a síntese direta de alimento a partir de dióxido de carbono, nitrogênio, água e cultura de células.
.
Talvez, por sermos tão adaptáveis, não estejamos cientes da velocidade com que o mundo está mudando. Se a temperatura média no Reino Unido em janeiro for 7°C, temos a sensação de frio a maior parte do tempo e nos agasalhamos nas manhãs geladas quando sopra um deprimente vento noroeste. Resmungamos: onde está o aquecimento global agora? No verão, a média é de 20°C em julho e desfrutamos uma semana com temperaturas máximas de 30°C, mas grunhimos se cair a 15°C por um mesmo período. Ainda assim, há apenas vinte anos, essas temperaturas de inverno e de verão teriam sido registradas como anormalmente quentes para essas épocas do ano. A precipitação pluvial nos condados orientais do Reino Unido sempre foi baixa, na faixa de 500 milímetros por ano, mas a zona rural sempre foi exuberante e verde, porque permanecia fresca durante o verão. Em comparação, o Arizona, que tem uma precipitação pluviométrica semelhante, é quase inteiramente cerrado e deserto simplesmente por ser bem mais quente e pelo fato de a chuva que cai secar inteiramente ou escorrer para dentro dos canais antes que as plantas possam aproveitá-la. Nosso condado mais ao sudeste, Kent, já está com escassez crescente de água, e o sul da Europa é agora quase um deserto. A adaptação, como animais individuais, não é tão difícil: quando uma tribo muda das regiões temperadas para as tropicais, leva apenas algumas gerações para que os indivíduos se tornem mais escuros à medida que a seleção elimina os de pele clara. Também é assim com todos nós: nosso mundo mudou para sempre, e teremos de nos adaptar a muito mais que a mudança climática. Mesmo durante meu tempo de vida, o mundo encolheu em relação àquele que era bastante vasto para fazer da exploração uma aventura e incluía muitos lugares distantes onde ninguém tinha jamais caminhado. Agora, tornou-se quase uma cidade interminável, encravada numa agricultura intensiva, mas domesticada e previsível. Em breve, poderá reverter novamente a uma selva. Para sobreviver nesse novo mundo, precisamos de uma filosofia Gaiana e precisamos nos preparar para combater um chefe militar bárbaro disposto a nos capturar e a se apoderar de nosso território.

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Em um pequeno grau, a difícil situação dos britânicos em 1940 lembra o estado do mundo civilizado agora. Naquela época, tínhamos quase uma década da crença bem-intencionada, mas inteiramente equivocada, de que a paz era tudo o que importava. Os seguidores dos lobistas da paz dos anos 1930 eram parecidos com os movimentos verdes agora; as intenções eram mais que boas, mas inteiramente impróprias para a guerra que estava prestes a começar. A falha fundamental dos lobistas verdes de agora se revela no próprio nome Greenpeace; por aglutinarem o humanismo dos movimentos pela paz com o ambientalismo, eles inconscientemente antropomorfizam Gaia. Está na hora de despertar e perceber que Gaia não é nenhuma mãe acolhedora que acalenta os seres humanos e que pode ser aplacada por gestos como comércio de carbono ou desenvolvimento sustentável. Gaia, mesmo que façamos parte dela, sempre dita os termos da paz. Em maio de 1940, despertamos para descobrir, encarando-nos do outro lado do canal da Mancha, uma força continental inteiramente hostil prestes a nos invadir. Estávamos sozinhos, sem nenhum aliado efetivo, mas tivemos a sorte de ter um novo líder, Winston Churchill, cujas palavras comoventes sacudiram a nação inteira de sua letargia: &quot;Nada tenho a oferecer, senão sangue, trabalho duro, lágrimas e suor.&quot; Precisamos de um outro Churchill agora, que nos tire do pensamento insistente, acomodado e consensual de fins do século XX e una a nação num esforço resoluto de travar uma guerra difícil. Precisamos de um líder que instigue todos nós, mas especialmente atice aqueles jovens ativistas verdes que tão bravamente protestaram contra todas as formas de profanação dos campos. Onde estão os batalhões de &quot;Terra acima de tudo&quot; e para onde foram Swampy* e seus amigos?

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Desfrutamos 12 mil anos de paz climática desde a última mudança da era glacial para a interglacial. Não demorará muito e poderemos nos defrontar com uma devastação de alcance planetário pior até que uma guerra nuclear ilimitada entre superpotências. A guerra climática poderia matar quase todos nós e deixar os poucos sobreviventes com um padrão de vida comparável ao da Idade da Pedra. Mas em vários lugares do mundo, inclusive no Reino Unido, temos uma chance de sobreviver e, até mesmo, de viver bem. Para que isso seja possível teremos, neste momento, de deixar nossos botes salva-vidas em condições de enfrentar o mar. Mesmo que algum evento natural, como uma série de grandes erupções vulcânicas ou um decréscimo da radiação solar, nos dê uma trégua, ainda assim terá sido melhor gastar nosso dinheiro e nossos esforços tornando nossos países autossuficientes em alimentos e energia e, se quisermos nos tornar inteiramente urbanos, então, na criação de cidades nas quais tenhamos orgulho em viver.

* &quot;Pantaneiro&quot;, apelido de Daniel Hooper, um dos mais conhecidos &quot;ecoguerreiros&quot;
do Reino Unido. (N. do T.) &quot;

&quot;Gaia: Alerta Final&quot;
Lançamento: Previsto para 12/01/2010
Autor: James Lovelock
Editora: Intrínseca
Páginas: 264
Quanto: R$ 29,90
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;GAIA: ALERTA FINAL&#8221; &#8211; JAMES LOVELOCK<br />
Postado por Eduardo Sejanes Cezimbra em 15 janeiro 2010 às 10:00<br />
Exibir blog de Eduardo Sejanes Cezimbra<br />
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<p>A hipótese da Terra (Gaia) como um gigantesco Organismo Vivo foi para mim &#8211; na década de 80 &#8211; uma magnífica, indescritível e inimaginável experiência de quebra paradigmática. Naqueles anos eu mergulhei em leituras impensadas, que vagavam da física quântica às fundamentações antropológicas e ecossistêmicas de nossas mais radicais realidades humanas e planetárias&#8230;de fato foram tempos de muita introspecção e de duros ajustes em minhas sinapses e na compreensão consciente das coisas deste Universo!!</p>
<p>James Lovelock<br />
Mais uma vez o mesmo mestre de outrora e pai da teoria de Gaia, James Lovelock &#8211; hoje com os seus 90 anos &#8211; publica um novo livro, na verdade mais um de uma série de alertas, que foi lançado no Brasil no próximo dia 12/01/2010, e nos convida, na verdade nos convoca, nos recruta, para travar duras reflexões sobre o agora da Humanidade e do Planeta Terra : &#8220;GAIA: ALERTA FINAL&#8221;!!!</p>
<p>Com fortes críticas aos movimentos verdes da atualidade e às decisões políticas das nações frente os desafios inadiáveis das mudanças climáticas inevitáveis, o autor vai fundo na questão da sobrevivência e do prosseguimento da humanidade num mundo instável e caótico, onde o modelo de conforto urbano está com os dias contados e será levado a cabo nos próximos anos e décadas&#8230;veja abaixo alguns pequenos trechos do Primeiro Capítulo:</p>
<p>&#8221; [...] No Reino Unido, sobrou pouca terra para cultivo e para nos alimentar, mas nós e os refugiados poderemos, de qualquer forma, não ser capazes de o fazer, porque a maioria absoluta de nós é urbana, e praticamente ignora a vida além da cidade, não entendendo que todas as nossas vidas dependem dele. As visões tão íntegras e bem-intencionadas da União Europeia para &#8220;salvar o planeta&#8221; e promover o desenvolvimento sustentável com o uso apenas de energia &#8220;natural&#8221; poderiam ter funcionado em 1800, quando havia apenas um bilhão de seres humanos no mundo, mas agora não podemos nos dar a esse luxo. De fato, à sua própria maneira, a ideologia verde que agora parece inspirar o norte da Europa e os Estados Unidos poderá, afinal, ser tão prejudicial ao meio ambiente real quanto o foram as ideologias humanistas anteriores. Se o governo do Reino Unido persistir em forçar os esquemas dispendiosos e nada práticos da energia renovável, em breve descobriremos que quase tudo o que resta da nossa região rural será usado para a produção de biocombustível, geradores de biogás e parques eólicos de escala industrial &#8211; tudo isto no exato momento em que precisaremos de todo o campo existente para o cultivo de alimentos. Não se sinta culpado por optar por essa bobagem: um exame mais profundo revela que ela é um elaborado embuste criado pelo interesse de algumas nações cujas economias se enriquecem a curto prazo pela venda de turbinas eólicas, usinas de biocombustível e outros equipamentos energéticos supostamente verdes. Não acredite por um momento sequer na conversa de vendedor de que isso salvará o planeta. A conversa mole dos vendedores tem a ver com o mundo que eles conhecem, o mundo urbano. A Terra real não precisa ser salva. Pôde, ainda pode e sempre será capaz de se salvar, e agora está começando a fazê-lo, mudando para um estado bem menos favorável a nós e outros animais. O que as pessoas querem dizer com o apelo é &#8220;salvar o planeta como o conhecemos&#8221;, e isso agora é impossível.</p>
<p>.<br />
Os Estados Unidos entendem a ameaça do aquecimento global? Poucos duvidariam de que, no presente momento, os Estados Unidos sejam a nação mais destacada em termos de ciência e invenção &#8211; e não há maior prova disso que o computador que está sobre todas as nossas mesas e que, no mínimo, realiza o trabalho outrora feito por um datilógrafo. Os Estados Unidos tiveram um papel importante em sua evolução. Como se não bastasse, temos os pousos na Lua, a exploração de Marte e as frotas de satélites assombrosamente complexos, desde o telescópio Hubble até aqueles que lhe informam exatamente onde você se encontra em qualquer lugar do mundo. Tudo isso e muito mais é um tributo ao know-how americano e sua atitude dinâmica. Mesmo a teoria de Gaia foi descoberta no fértil ambiente do Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia, e o único biólogo que a entendeu e continuou a desenvolvê-la foi a destacada cientista americana Lynn Margulis. Obviamente, avanços em ciência e tecnologia emergiram na Europa na Idade Média e seu centro de excelência se moveu entre as nações. Em tecnologia e teoria computacionais, Babbage, Ada Lovelace e o mais trágico entre os homens, Alan Turing, fizeram, todos, o trabalho de base aqui, no Reino Unido. Turing foi aquele que, com seu grupo, construiu o primeiro aparelho computacional sério e o utilizou para decifrar o código inquebrável dos nossos inimigos de tempo de guerra. Mas isso foi naquela época. Agora, os Estados Unidos são o centro da ciência.</p>
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Faço este elogio solene aos Estados Unidos da América por estar perplexo: apesar de sua excelência científica, eles, entre todas as nações, foram os mais lentos em perceber a ameaça do aquecimento global. Duvido que essa ignorância inesperada tenha alguma ligação com o fato de o uso per capita americano de combustível fóssil, uma fonte de dano climático, ser maior que em qualquer outro lugar. Considero-a mais uma consequência de a maioria dos cientistas americanos, à sua maneira francamente bem-sucedida e reducionista, considerar a Terra algo que eles poderiam melhorar ou controlar; parece que eles a veem como nada mais que uma bola de rocha umedecida pelos oceanos e situada dentro de uma tênue esfera de ar. Até parece que consideram Marte um planeta a ser desenvolvido quando a Terra não for mais habitável. Não veem a Terra como um planeta vivo que regula a si próprio.<br />
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<p>Políticos do mundo desenvolvido reconhecem a mudança climática, mas suas políticas ainda estão no século XX, fundamentadas nos conselhos de lobistas dos ambientalistas e daqueles da comunidade empresarial, que enxergam um enorme lucro no curto prazo vindo de planos energéticos subsidiados. Eles raramente parecem agir sob as recomendações de seus consultores científicos. Em Bali, líderes políticos acordaram em cortar as emissões de carbono em 60% até 2050. De onde é que eles tiraram a ideia de que poderiam fazer uma política para um mundo com mais de quarenta anos de antecedência? É improvável que políticas baseadas em extrapolação injustificável e dogmas ambientais evitem a mudança climática, e não deveríamos sequer tentar implementá-las. Em vez disso, nossos líderes deveriam se concentrar imediatamente na sustentação de suas próprias nações como um habitat viável; poderiam ser inspirados a fazê-lo não apenas por causa de um interesse nacional egoísta, mas como capitães dos botes salva-vidas que suas nações poderiam vir a ser. No início de 2008, o governo do Reino Unido finalmente anunciou um programa para a construção de novas centrais energéticas nucleares. Certamente espero que essa não seja outra das falsas promessas que caracterizaram tantas das eloquentes declarações do governo Blair. Energia nuclear é, de longe, o meio mais efetivo de reduzir a emissão de dióxido de carbono, mas não é esse o motivo mais importante para que rivalizemos com a França e passemos a produzir eletricidade a partir de urânio. O importante é que as cidades exigem um fornecimento constante e econômico de eletricidade que até recentemente veio do carvão e do gás, mas esses recursos estão agora em declínio e não deixam nenhuma alternativa além da energia nuclear. As megacidades que estão começando a emergir demandarão enormes fluxos de eletricidade e somente uma vigorosa e rápida expansão da energia nuclear poderá satisfazê-los num futuro próximo. Essa necessidade se intensifica por termos pouca terra para cultivar alimentos &#8211; e a agricultura intensiva exige energia abundante. Com o esgotamento do petróleo, precisaremos sintetizar combustível para a maquinaria móvel de construção, transporte e agricultura. Não é algo difícil de fazer a partir do carvão ou da energia nuclear, mas precisamos começar a nos preparar para isso agora. Poderemos até ter de considerar a síntese direta de alimento a partir de dióxido de carbono, nitrogênio, água e cultura de células.<br />
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Talvez, por sermos tão adaptáveis, não estejamos cientes da velocidade com que o mundo está mudando. Se a temperatura média no Reino Unido em janeiro for 7°C, temos a sensação de frio a maior parte do tempo e nos agasalhamos nas manhãs geladas quando sopra um deprimente vento noroeste. Resmungamos: onde está o aquecimento global agora? No verão, a média é de 20°C em julho e desfrutamos uma semana com temperaturas máximas de 30°C, mas grunhimos se cair a 15°C por um mesmo período. Ainda assim, há apenas vinte anos, essas temperaturas de inverno e de verão teriam sido registradas como anormalmente quentes para essas épocas do ano. A precipitação pluvial nos condados orientais do Reino Unido sempre foi baixa, na faixa de 500 milímetros por ano, mas a zona rural sempre foi exuberante e verde, porque permanecia fresca durante o verão. Em comparação, o Arizona, que tem uma precipitação pluviométrica semelhante, é quase inteiramente cerrado e deserto simplesmente por ser bem mais quente e pelo fato de a chuva que cai secar inteiramente ou escorrer para dentro dos canais antes que as plantas possam aproveitá-la. Nosso condado mais ao sudeste, Kent, já está com escassez crescente de água, e o sul da Europa é agora quase um deserto. A adaptação, como animais individuais, não é tão difícil: quando uma tribo muda das regiões temperadas para as tropicais, leva apenas algumas gerações para que os indivíduos se tornem mais escuros à medida que a seleção elimina os de pele clara. Também é assim com todos nós: nosso mundo mudou para sempre, e teremos de nos adaptar a muito mais que a mudança climática. Mesmo durante meu tempo de vida, o mundo encolheu em relação àquele que era bastante vasto para fazer da exploração uma aventura e incluía muitos lugares distantes onde ninguém tinha jamais caminhado. Agora, tornou-se quase uma cidade interminável, encravada numa agricultura intensiva, mas domesticada e previsível. Em breve, poderá reverter novamente a uma selva. Para sobreviver nesse novo mundo, precisamos de uma filosofia Gaiana e precisamos nos preparar para combater um chefe militar bárbaro disposto a nos capturar e a se apoderar de nosso território.</p>
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Em um pequeno grau, a difícil situação dos britânicos em 1940 lembra o estado do mundo civilizado agora. Naquela época, tínhamos quase uma década da crença bem-intencionada, mas inteiramente equivocada, de que a paz era tudo o que importava. Os seguidores dos lobistas da paz dos anos 1930 eram parecidos com os movimentos verdes agora; as intenções eram mais que boas, mas inteiramente impróprias para a guerra que estava prestes a começar. A falha fundamental dos lobistas verdes de agora se revela no próprio nome Greenpeace; por aglutinarem o humanismo dos movimentos pela paz com o ambientalismo, eles inconscientemente antropomorfizam Gaia. Está na hora de despertar e perceber que Gaia não é nenhuma mãe acolhedora que acalenta os seres humanos e que pode ser aplacada por gestos como comércio de carbono ou desenvolvimento sustentável. Gaia, mesmo que façamos parte dela, sempre dita os termos da paz. Em maio de 1940, despertamos para descobrir, encarando-nos do outro lado do canal da Mancha, uma força continental inteiramente hostil prestes a nos invadir. Estávamos sozinhos, sem nenhum aliado efetivo, mas tivemos a sorte de ter um novo líder, Winston Churchill, cujas palavras comoventes sacudiram a nação inteira de sua letargia: &#8220;Nada tenho a oferecer, senão sangue, trabalho duro, lágrimas e suor.&#8221; Precisamos de um outro Churchill agora, que nos tire do pensamento insistente, acomodado e consensual de fins do século XX e una a nação num esforço resoluto de travar uma guerra difícil. Precisamos de um líder que instigue todos nós, mas especialmente atice aqueles jovens ativistas verdes que tão bravamente protestaram contra todas as formas de profanação dos campos. Onde estão os batalhões de &#8220;Terra acima de tudo&#8221; e para onde foram Swampy* e seus amigos?</p>
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Desfrutamos 12 mil anos de paz climática desde a última mudança da era glacial para a interglacial. Não demorará muito e poderemos nos defrontar com uma devastação de alcance planetário pior até que uma guerra nuclear ilimitada entre superpotências. A guerra climática poderia matar quase todos nós e deixar os poucos sobreviventes com um padrão de vida comparável ao da Idade da Pedra. Mas em vários lugares do mundo, inclusive no Reino Unido, temos uma chance de sobreviver e, até mesmo, de viver bem. Para que isso seja possível teremos, neste momento, de deixar nossos botes salva-vidas em condições de enfrentar o mar. Mesmo que algum evento natural, como uma série de grandes erupções vulcânicas ou um decréscimo da radiação solar, nos dê uma trégua, ainda assim terá sido melhor gastar nosso dinheiro e nossos esforços tornando nossos países autossuficientes em alimentos e energia e, se quisermos nos tornar inteiramente urbanos, então, na criação de cidades nas quais tenhamos orgulho em viver.</p>
<p>* &#8220;Pantaneiro&#8221;, apelido de Daniel Hooper, um dos mais conhecidos &#8220;ecoguerreiros&#8221;<br />
do Reino Unido. (N. do T.) &#8221;</p>
<p>&#8220;Gaia: Alerta Final&#8221;<br />
Lançamento: Previsto para 12/01/2010<br />
Autor: James Lovelock<br />
Editora: Intrínseca<br />
Páginas: 264<br />
Quanto: R$ 29,90<br />
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha</p>
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