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O direito de ser otário, piranha ou usar burca

Se tem uma coisa que me incomoda na turma “politicamente correta” é a mania de impor sua visão de mundo achando que com isso estão promovendo a dignidade alheia. Não estão. Ao invés de exigir que o Estado dê condições para que todos tomem decisões livres, conscientes e bem informadas, o pessoal “politicamente correto” exige que sua visão de mundo seja imposta por lei e acatada por todos, mesmo os que deles discordam de modo livre, consciente e bem informado. A polêmica  sobre o uso da burca na França é um bom exemplo deste tipo de falso libertarianismo.

Primeiro exemplo:

No artigo intitulado “sobre o uso da burca na França“, Túlio Vianna afirma:

“Não existe direito à liberdade de ser oprimido. Da mesma forma que a mulher não tem a “liberdade religiosa” de ter seu clitóris mutilado, ela não tem o “direito de optar” por usar a burca, pois neste caso está claro que não é uma opção, mas uma opressão.”

Êpa! Como assim “não tem o direito de optar”, Túlio? Quem sou eu, quem és tu, quem é qualquer um de nós para impor a uma pessoa adulta, livre, consciente e bem informada o que ela tem direito ou não de fazer consigo mesma?

É uma aberração muito pior que o uso de burca fazer consigo mesmo isso aqui:

Ficaria melhor de burca (1)

Ficaria melhor de burca (1)

Ou isso:

Ficaria melhor de burca (2)

Ficaria melhor de burca (2)

Não é interessante que, apesar do horror que deve ser viver com a face deformada de tal modo, de todos os riscos para a saúde que essa escolha traz e da questionável sanidade mental de quem se submete a tal tratamento, ninguém esteja propondo a proibição total de tatuagens e piercings na França ou em qualquer país ocidental?

Não é interessante que ninguém esteja propondo multar quem ousar sair nas ruas com tatuagens ou piercings deformantes, que atentam contra a dignidade humana?

Ah, claro… nesses casos trata-se de “exercício de liberdade de expressão”, ou “direito ao próprio corpo”.

P: E por que no caso da burca não seria?

R: Porque a burca afronta as teses “politicamente corretas”, especialmente as teses feministas.

Dado que o feminismo é a forma de sexismo “politicamente correta” da atualidade e dado que o uso da burca é reservado ao sexo feminino, torna-se intolerável para o pessoal “politicamente correto” que alguém opte de modo livre, consciente e bem informado pelo uso de um adereço que esse pessoal considera “uma violação gritante ao direito fundamental à igualdade entre os gêneros que está consagrado nos estados democráticos contemporâneos”.

O objetivo da turma “politicamente correta”, portanto, não é “garantir a liberdade de escolha, para o bem e para o mal”, mas “garantir a liberdade de escolha desde que todo mundo opte pelo que consideramos correto”.

Segundo exemplo:

No rodapé de seu artigo acima linkado, Túlio Vianna remete a um artigo de Cynthia Semíramis intitulado “roupas também são uma forma de opressão“. Ora, bolas, isso qualquer naturista sabe que é verdade. Assim que li o título, fiquei entusiasmado. Porém, logo na primeira frase percebi que o raciocínio da autora seria totalmente parcial:

“Existe uma coisa que eu sempre comento com amigas/os e alunas/os: mulheres são tão seres de segunda categoria em nossa sociedade que são tratadas como propriedade de um homem o tempo todo.”

Eu me pergunto em que século ou em que planeta esse pessoal vive. Porém, para não desviar do assunto do artigo, vamos direto à parte que interessa:

“É por isso que dou toda razão a Nicolas Sarkozy quando ele afirma que a burca “reduz a mulher à servidão e ameaça a sua dignidade“. Em jogos de poder, roupas não são apenas um pano cobrindo e protegendo o corpo, mas um sinal claro de status social.

Ah, irão falar em liberdade de escolha. Que liberdade de escolha tem uma pessoa que, desde a infância, aprende que deve se portar e vestir de determinadas formas para reforçar sua feminilidade/condição social? E todos no espaço público reforçam essa mensagem afirmando que é assim que tem de ser, por respeito a uma questão cultural ou religiosa? Como essa pessoa será livre pra escolher se a pressão que ela sofre é para se submeter a essas regras, ou, como alternativa, ser acusada de desonrar a família e até morrer por isso?”

Vou responder todas estas questões.

Em primeiro lugar, quem é Nicolas Sarkozy para decretar que a burca ameaça a dignidade de uma mulher adulta, em plena posse de suas faculdades mentais, que deseja usar uma burca porque considera essa peça de vestuário uma proteção para sua dignidade?

Será que, se Nicolas Sarkozy disesse que “posar nua em poses obscenas ou de sexo explícito para revistas pornográficas reduz a mulher à servidão e ameaça sua dignidade” – algo com o que todos os “politicamente corretos” e em especial os/as feministas concordariam de imediato – haveria uma iniciativa legislativa para banir as revistas eróticas ou pornográficas da França ou de qualquer país ocidental, instituindo multas para quem posasse para tais fotos?

Não, né?

É sinal de que este discurso não está bem contado.

P: Por que a burca é mais combatida que as fotos de mulheres adultas fazendo sexo de todos os modos pervertidos e degradantes possíveis?

R: Porque a burca vem da cultura dos outros, sendo portanto um alvo fácil.

Eu queria ver a turma do “politicamente correto” combater a lavagem cerebral que o cristianismo impõe às crianças ocidentais, propondo a proibição total de expô-las a “ensinamentos” religiosos como “homossexualismo é aberração” antes dos 18 anos de idade, para evitar traumas e auto-rejeição nas crianças e adolescentes que futuramente se descobrirão homossexuais.

Eu queria ver a turma feminista combater o sexismo propondo a interdição e suspensão de alvará de funcionamento das igrejas cristãs em que somente homens podem ser ordenados sacerdotes, até que elas passem a ordenar sacerdotisas, alegando que “é papel do Estado proteger as mulheres da opressão e da misoginia” em uma época em que as mulheres “não têm poder de convencimento suficiente ainda, visto que estão em processo de autonomia e libertação”.

Mas vamos às demais questões.

P: “Que liberdade de escolha tem uma pessoa que, desde a infância, aprende que deve se portar e vestir de determinadas formas para reforçar sua feminilidade/condição social?”

R: Muito mais liberdade de escolha que eu, sendo naturista, tenho para não usar roupas em um dia de calor em que faça 39°C à sombra.

Será que agora a Cynthia Semíramis vai passar a defender prioritariamente a minha liberdade de não me submeter ao jugo da “paranóia repressora advinda da moralidade judaico-cristã da sociedade ocidental” ao perceber que eu tenho menos liberdade de escolha do que as muçulmanas adultas que optam de modo livre, consciente e bem informado por usar a burca em um Estado laico?

P: “E todos no espaço público reforçam essa mensagem afirmando que é assim que tem de ser, por respeito a uma questão cultural ou religiosa?”

Ué, e o que acontece no Brasil em relação ao uso obrigatório de roupas? Por acaso não é verdade que “todos no espaço público” me impõe que “é assim que tem que ser” devido a uma “questão cultural”?

Se o uso de burca deve ser totalmente proibido por ser uma “imposição cultural contra quem não tem opção de escolha”, então pelos mesmos critérios Cynthia Semíramis deveria imediatamente levantar a bandeira da obrigatoriedade do naturismo. Questão de coerência.

P: “Como essa pessoa será livre pra escolher se a pressão que ela sofre é para se submeter a essas regras, ou, como alternativa, ser acusada de desonrar a família e até morrer por isso?”

R: Certamente ela não será livre para escolher se for proibida de escolher.

Vejam o que diz Cynthia Semíramis no final de seu artigo:

“Um Estado laico realmente digno desse nome não pode permitir que, sob o pretexto de liberdade religiosa, seja mantido todo um sistema de opressão a mulheres, transformando-as em sub-cidadãs que precisam, a cada passo, se lembrar e propagandear que são propriedade masculina e que não têm autonomia sequer para se vestir da forma que desejarem.”

Entretanto, a autora quer negar às mulheres muçulmanas adultas a “autonomia para se vestir da forma que desejarem” mesmo quando elas mesmas manifestarem o desejo de usar a burca.

É o tal do negócio: “quero que as mulheres tenham total liberdade para escolher, desde que a escolha delas seja a que eu considero correta”.

Minha posição:

Defender “a dignidade inerente a todos os membros da familia humana e seus direitos iguais e inalienáveis” como um princípio exige a compreensão de que em cada caso concreto pode ser que o que pareça mais digno para uma pessoa não seja exatamente aquilo que parece mais digno para outra.

Atenção: isso não é relativizar o princípio, isso é aplicar o princípio corretamente desde que satisfeitos os pressupostos de escolha livre, consciente e bem informada, inclusive quanto às alternativas. Aberrações como a tortura não se encaixam no escopo aqui discutido e eu espero sinceramente não precisar explicar a diferença entre alhos e bugalhos.

A chave para trazer este tema de volta à racionalidade é questionar quais são as condições que devem ser criadas para que o direito de escolha seja legítimo.

Eu repeti as condições necessárias mais de uma vez neste artigo: que as escolhas sejam livres, conscientes e bem informadas. Vejamos então o que significa isso.

Escolha livre

Uma escolha livre não é necessariamente uma escolha feita sem qualquer tipo de pressão, pois não se pode eliminar por via legislativa as pressões culturais.

Uma escolha livre é uma escolha feita com a garantia de que as conseqüências da escolha não sejam desproporcionais à escolha.

Por exemplo, o sujeito que tatua o próprio rosto e coloca piercings deformantes para ficar parecido com um buldogue ou um dragão tem que arcar com a conseqüência de ser observado como um ET ao andar pelas ruas e não há legislação que possa proibir tal reação, por mais que o sujeito reclame que isso “atenta contra a dignidade” dele.

Do mesmo modo, quem anda pelas escadas de uma universidade sem calcinhas com uma minissaia que mais parece um cinto ou com um vestidinho que expõe o corpo muito além do razoável para aquele ambiente tem que arcar com a conseqüência de ser chamada de vadia.

Imagina ir pra universidade assim

Imagine ir pra universidade assim

Se uma pessoa hipotética (*) realizar essa ação hipotética (*), então a turba hipotética (*) não pode agredi-la fisicamente, mas pode expressar sua inconformidade verbalmente no mesmo nível em que foi provocada – no caso, baixo nível de todos os lados.

(*) Qualquer semelhança com algum caso porventura ocorrido no Brasil é mera coincidência…

Eu não agiria de modo tão deselegante, mas defendo o direito de quem o fez: se “expressar-se piranhescamente” não é ilegal para um lado, também não pode ser ilegal para o outro, tanto faz se através da vestimenta ou de palavras. Reclame somente quem nunca se sentiu ofendido por um gesto obsceno.

P: Pode o uso de burca ser uma escolha livre?

R: Claro que sim, bastando que haja garantias de que as conseqüências do uso ou do não uso da burca sejam as mesmas para o caso de quem andar de jeans e camiseta, ou com um chapéu viking, ou fantasiado de gorila. Nem mais, nem menos.

Tô usando isso porque proibiram a burca

Tô usando isso porque proibiram a burca

Escolha consciente e bem informada

Uma escolha consciente não é necessariamente uma escolha feita com a simples manifestação de vontade.

Uma escolha consciente é uma escolha feita com a garantia de que a pessoa que escolhe compreende as conseqüências de sua escolha e conhece outras alternativas relevantes e suas respectivas conseqüências. Afinal, sem alternativas não há “escolha”.

Por exemplo, o sujeito que põe um piercing na língua deveria ter que assinar um termo de responsabilidade em que reconhece estar ciente de que 98% dos cânceres de língua ocorrem em quem coloca piercing na língua.

Quantas pessoas que colocam piercings na língua estão cientes desta estatística? Quantas delas manteriam sua decisão de colocar um piercing na língua após tomar conhecimento desta realidade?

Outro exemplo são as meninas africanas submetidas à mutilação sexual.

Mesmo que elas fossem consultadas em idade suficiente madura sobre a desejabilidade do procedimento e mesmo que estivessem plenamente informadas das conseqüencias e aceitassem a perda do prazer sexual, será que elas aceitariam passar por isso se soubessem que no ocidente nenhuma mulher se submete a este procedimento doloroso e sexualmente incapacitante, mas mesmo assim são aceitas por toda a “tribo”?

Conhecer as alternativas faz toda a diferença.

Viva o câncer de língua, a bunda de fora e a burca!

Eu defendo o direito de ser otário, piranha ou usar burca.

Quer colocar piercing na língua, sabendo que 98% dos cânceres de língua são causados pelos piercings e que a maioria das pessoas acha isso nojento? Vai lá, meu querido, dou o maior apoio.

Quer usar microssaia mostrando metade da bunda na rua, sabendo que a galera vai te chamar de vadia pra baixo? Vai lá, minha querida, dou o maior apoio.

Quer usar burca, sabendo que é desconfortável, quente e que todo mundo em volta vai achar uma baita babaquice? Vai lá, minha querida, dou o maior apoio e ainda sugiro um modelito:

Burca sexy para muçulmanas moderninhas que conhecem seus direitos

Burca sexy para muçulmanas moderninhas que conhecem seus direitos

Não vejo nenhum motivo razoável para defender os otários, as piranhas e as (malucas) muçulmanas que quiserem usar burca das conseqüências de suas próprias decisões, desde que tomemos os devidos cuidados para que estas pessoas possam tomar decisões livres, conscientes e bem informadas.

Quem NÃO PRECISA de ajuda:

Fulaninho quer fazer isso ou aquilo e você acha um absurdo completo?

Verifique se ele sabe quais são as conseqüências dos atos pretendidos.

Verifique se ele conhece as alternativas.

Verifique se ele está fazendo aquilo porque realmente quer.

Perante três respostas positivas, cale a boca e saia da frente! Deixe o cara se arrebentar do jeito que bem entender, é decisão soberana dele e ninguém tem o direito de interferir, para o bem ou para o mal.

Por exemplo: tem gente que não gosta de usar cinto de segurança. Esse pessoal sabe as conseqüências de sofrer um acidente sem o cinto, conhece a alternativa de usar o cinto e não usa o cinto por questão de preferência pessoal. Isso tem que ser direito deles.

O Estado deveria criar um seguro especial obrigatório para esse pessoal não dar despesas extras para a previdência em caso de acidente e cobrar multa somente de quem for flagrado sem o cinto e não estiver em dia com esse seguro.

Assumir as conseqüências das próprias decisões  se chama responsabilidade e é requisito básico para o usufruto da liberdade de escolha, que por sua vez é requisito básico da cidadania.

O papel do Estado não é decidir no lugar das pessoas, é dar condições para que as pessoas tomem decisões livres, conscientes e bem informadas.

Estou me repetindo demais? É pra ver se martelando bem isso entra na cabeça de quem quer tomar decisões no lugar dos outros, infantilizando e imbecilizando as pessoas cuja dignidade e cidadania dizem proteger.

Quem PRECISA de ajuda:

Fulaninho quer fazer isso ou aquilo, ou alguém quer fazer isso ou aquilo com Fulaninho, mas existe pelo menos uma possibilidade de aquilo causar algum dano ao Fulaninho?

Verifique se ele sabe quais são as conseqüências dos atos pretendidos.

Verifique se ele conhece as alternativas.

Verifique se ele está fazendo aquilo porque realmente quer.

Se houver chance de que pelo menos uma destas questões não tenha resposta positiva, então intervenha decidida e decisivamente.

Por exemplo: crianças judias de oito dias de idade estão se submetendo à mutilação sexual do pênis por motivos religiosos porque realmente querem?

Mas onde raios estão os “politicamente corretos” e as feministas que se preocupam com a roupa das mulheres na França e ignoram as milhares de crianças indefesas vítimas de mutilação sexual por motivos religiosos no Brasil?

Ninguém se importa se estes meninos não têm escolha, se muitos deles ficam traumatizados e se volta e meia alguns deles perdem o pênis ou a sensibilidade no pênis devido a mutilação sexual por motivos religiosos?

Ahn… são meninos… quem se importa, né?

E ainda por cima estão aqui perto e integram uma comunidade tradicional, influente e com muitos membros riquíssimos.

Deixa pra lá.

É muito mais fácil e dá mais IBOPE esbravejar por causa das meninas africanas.

Discurso machista do patriarcado burguês opressor falocêntrico?

É uma lástima que seja necessário apresentar preventivamente um argumento de autoridade para demonstrar a correção das minhas teses, mas para evitar desde o princípio que eu seja acusado de ser “uma voz discordante” no mainstream dos Direitos Humanos (o que em outras questões, como a do intervencionismo humanitário, é verdade), trato de apresentar a posição da Anistia Internacional sobre a questão da proibição das vestimentas e símbolos islâmicos na França:

Anistia Internacional condena proibição do véu integral na França

A maioria de direita no parlamento francês aprovou a proibição do uso do véu integral. A Anistia Internacional diz que é “uma violação dos direitos de liberdade de expressão e de religião”.

“No geral, os direitos de liberdade de religião e de expressão garantem a todos a liberdade de escolher o que usar ou não. E esses direitos não podem ser limitados, simplesmente porque alguns – ou uma maioria – consideram esta forma de vestir objectável ou ofensiva”, acrescentou John Dalhuisen, um dos responsáveis da AI na Europa.

Quero ver chamarem a AI de “machistas representantes do patriarcado burguês opressor falocêntrico” e quejandos. E olha que eu estou ciente que o pessoal da AI provavelmente iria tergiversar e tirar o corpo fora se eu questionasse se “a liberdade de escolher o que usar ou não” inclui o direito – para mim evidente – de escolher usar nada e portanto andar nu pela rua.

A grande verdade é que ninguém acredita de verdade nos princípios que prega. Basta surgir uma conseqüência imprevista e desagradável qualquer para que surjam imediatamente as tergiversações e as exceções ad hoc para justificar o injustificável.

O pior é que eu nem posso reclamar, porque defendo o direito de ser otário. Mas, enquanto não tentarem me tirar o direito de chamar um otário de otário e uma piranha de piranha, tudo bem.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/07/2010

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22 comments to O direito de ser otário, piranha ou usar burca

  • Seu artigo foi bem quando expôs a fragilidade do discurso do Túlio Vianna e da Semiramis em defesa da decisão esdrúxula francesa, que me parece mais uma atitude xenofóbica, com o escopo de criar uma espécie de barreira religiosa em território francês, inviabilizando o convívio ou causando embaraços aos que professam a fé islâmica. Quero ver é o Sarkozy proibir o quipá, né?

    Mas, outra vez, me sinto obrigado a rebater seus argumentos do tipo “mundo livre S/A” (o Estado não deve tutelar nada, as pessoas são grandinhas e devem assumir as consequências dos seus atos, etc…). As coisas, definitivamente, não funcionam assim. A capacidade de discernimento e julgamento dos indivíduos varia de acordo com uma miríade de fatores, e é inviável a “aplicação sociológica do laissez-faire”. Não é um questionário aplicado, um termo de responsabilidade assinado ou coisa do tipo que vai fazer com que um ato individual não interfira na vida de outrem, ou tenha sua consequência social nefasta aplacada ou eliminada. NUNCA o direito individual poderá se sobrepor ao direito coletivo, sob pena de instalação da barbárie.

    Insisto, como já fiz aqui outras vezes: a sociedade não é composta de seres homogêneos. O bom-senso individual não é, obrigatoriamente, o senso mais adequado para uma convivência pacífica e minimamente ordenada entre humanos.

  • Vinícius, tu estás 100% correto ao afirmar que “as coisas, definitivamente, não funcionam assim”. Esse é justamente o problema!!!

    As pessoas estão se tornando cada vez mais acomodadas e irresponsáveis exatamente porque não são obrigadas a arcar com as conseqüências de suas decisões.

    O caso do cinto de segurança é emblemático: ao invés de garantir tanto a liberdade de escolha quanto exigir responsabilidade financeira do motorista, o Estado decidiu meter o bedelho e decidir no lugar do motorista o que é melhor para ele, “porque é perigoso”.

    Veja também a questão da auto-medicação: até mesmo quem faz uso de medicamento de uso contínuo precisa a cada vez de uma receita médica para comprar a mesma droga de sempre. Por quê? “Porque é perigoso.”

    Na questão das armas, também se nivelou por baixo: ninguém exceto os bandidos pode ter armas e munição, “porque é perigoso”.

    Eu poderia citar inúmeros outros exemplos.

    Que lição fica? Que somos TODOS uns debilóides incapazes de decidir o que é melhor para nós mesmos. Exceto, é claro, na hora de votar. Aí qualquer analfabeto alienado é “soberano”.

    Mas será que ninguém percebe que estamos todos sendo domesticados e infantilizados, paulatinamente treinados para nos tornarmos cada vez mais dependentes e menos resolutivos?

    Não se trata de “direito individual x direito coletivo”, até porque pessoas são concretas e coletividades são abstrações e portanto não existe “direito coletivo! Trata-se de “direitos individuais x direitos individuais”, em equilíbrio. Eu explico.

    Por que eu não posso ouvir música alto em um prédio residencial após às 22h? Não é porque o meu “direito individual” não pode se sobrepor ao “direito coletivo” de dormir tranqüilo, mas porque o meu direito individual de ouvir música não pode se sobrepor ao direito de cada outro indivíduo que mora no prédio de dormir tranqüilo.

    Temos que colocar sempre as coisas em termos de pessoas, não podemos cair na armadilha de argumentar com “direitos da coletividade” sob pena de abrir espaço para justificar todo tipo de arbitrariedade com a pretensa desculpa do “bem comum”. Não existe “bem comum”, existe o bem de cada um dos indivíduos.

    A palhaçada trágica do comunismo recai justamente no fato de que cada indivíduo é submetido a sacrifícios em nome do “bem comum” e ninguém (exceto uma cúpula privilegiada) consegue usufruir do tal “bem comum”.

    E a palhaçada trágica do capitalismo recai justamente no fato de que um indivíduo submete outros a sacrifícios em nome do seu bem individual sem considerar o bem individual dos outros.

    As palavras-chave para colocar a sociedade de volta nos trilhos são liberdade, responsabilidade e equilíbrio.

  • Direto do dono do opressor falocêntrico( e esse é opressor mesmo, qualquer dia eu mostro):

    Adoro burca, tem umas muito sexys, olha essa aqui

  • Salve Arthur!
    Muito bom o artigo. Interessante a maneira com que você identifica a censura moral em que o coletivo faz em determinadas situações e que a “turma do politicamente correto” quer demover para impor opiniões e valores de alguns.

    • Não consigo esquecer o episódio em que os críticos da “demonização” da Geisy Arruda fizeram muito pior demonizando a UNIBAN e baixando o nível muito mais que a “turba ensandecida” que eles criticavam.

  • Lya

    Arthur,como já sabes….sou feminista desde criancinha,rs.
    Penso que sou politicamente correta….e não concordo com milhares de coisas que vejo as pessoas fazendo.

    Defendo com unhas e dentes o livre arbítrio…….essa é a bandeira que carrego.

    Pesada como elefante…..
    Sempre estou aprendendo coisas.

    Aprendi muito contigo e com o Roberto.

    O que me incomoda é culpar este ou aquele movimento pelas atitudes erradas das pessoas que formam esses movimentos.

    São pessoas que erram.

    São pessoas que submetem outras.

    Eu sou cristã!
    Não assumo nenhuma religião como minha,aceito aquilo que deixa meu coração em paz.
    E assim mesmo enfio os pés pelas mãos,sem dó nem piedade.

    Nós,os humanos,não somos perfeitos.

    Se olharmos bem para nossas próprias ações e pensamentos vamos nos surpreender….com tanto lixo…..pronto pra ser jogado fora.

    Se pensarmos que somos melhores que os outros…vamos ver que em alguma coisa somos até piores que eles.

    Por que tanta preocupação com o MF?

    Se todas as feministas são umas alucinadas…..é melhor esquece-las.

    Para a sociedade…tanto faz o que elas fazem ou pensam.

    Eu não me importo com os homens que odeiam mulher.
    Não convivo com eles.Não dependo deles pra nada.
    E se encontro um, mudo o assunto,troco de calçada.

    Eu só tomo conhecimento de certos grupos quando eles querem,por força de lei, impor suas idéias.

    Se alguém quer doar tudo que ganha para o padre,cachorro,academia…..que o faça….o dinheiro é dele.

    Não fazemos nós,doação forçada para o fisco?

    Se alguém quer usar burka…véu….ou raspar a cabeça….maravilha!

    Os monges usam manto,os padres batina……quem se importa?

    Quero uma sociedade onde as pessoas não sejam tuteladas…a não ser por elas mesmas.

    Tenho um orgulho imenso das mulheres que vieram antes de mim.

    E por falar nisso…. a Argentina legalizou a união dos homossexuais, é o décimo país a fazer isso.
    O primeiro na América Latina.
    O primeiro foi a Holanda.

    Que cada um seja feliz como bem entender.

    Se as feministas são felizes assim…que sejam respeitadas.

    Se os machistas são felizes desse jeito…ótimo.

  • Roberto Tramarim

    Arthur, ai entra a questão: Eu devo decidir como você vai viver ou você deve decidir como você irá morrer?
    Creio que se deve usar um critério razoável e suntentável neste caso, que é saber se você, no momento em que vai decidir, está em seu pleno juízo e minimamente(isto é muito importante) informado sobre tudo o que norteia e está ao redor de sua decisão. Fora disso não passa de tentativa de usurpar tutela alheia, não importa a intenção( no inferno ta cheio).
    Nenhuma vida é tolerável se você, dentro de suas faculdades mentais plenas e devidamente informado a ponto de estar apto a tomar qualquer decisão, não puder seguir seu próprio caminho, ser efetivamente o capitão de sua alma. Isso, desde que não interfira na vida de outros, vale pra muita coisa, inclusive o direito de ser otário, usar burca, ser puta, viver, morrer, fumar, dar o fiofó, etc, etc, etc…e põe etc nisso.

    • “Creio que se deve usar um critério razoável e suntentável neste caso, que é saber se você, no momento em que vai decidir, está em seu pleno juízo e minimamente(isto é muito importante) informado sobre tudo o que norteia e está ao redor de sua decisão. Fora disso não passa de tentativa de usurpar tutela alheia, não importa a intenção( no inferno ta cheio).”

      Isso é o que eu venho dizendo há séculos e que a turma do “politicamente correto” combate com todas as suas forças…

  • Lya

    Isso é o que eu venho dizendo há séculos e que a turma do “politicamente correto” combate com todas as suas forças…(ARTHUR).

    Continuas enchendo o balaio de gatos,rs.

    EU combato o que algumas pessoas teimam em generalizar.

    Se quisermos, de verdade, uma sociedade mais justa….temos que mudar isso.

    Creio que somos bastante inteligentes para evitar certas armadilhas.

    Sempre tem que ter um movimento na berlinda….

    Antes de satanizarmos grupos vamos identificar os demõnios.

    Proponho esquermos os homens e as mulheres que erram,os que são radicais.
    E priorizarmos os que acertam.

    Não é melhor assim?

    Mas se queremos que as guerras se eternizem…….é outra história…..e dessa estou fora!

    • Lya, as diversas forças do “politicamente correto” são sempre radicais e autoritárias. Um exemplo disso: http://www.crosswalk.com/1380552/page0/ Essa feminista diz que “lugar de adulto instruído é no escritório, não em casa cuidando de filho”. Ela simplesmente nega a legitimidade de as mulheres decidirem ser mães em tempo integral porque isso enfraquece a visão de sociedade que ela deseja construir!

  • Daniel Pires

    “Eu queria ver a turma feminista combater o sexismo propondo a interdição e suspensão de alvará de funcionamento das igrejas cristãs em que somente homens podem ser ordenados sacerdotes, até que elas passem a ordenar sacerdotisas”

    Ninguém é obrigado a ir à igreja. Se trata de uma instituição privada e como tal tem toda a liberdade de escolher quais tipos de pessoas podem ou não podem se tornar padres. Ninguém deve ser obrigado a abdicar de sua liberdade religiosa, de praticar sua religião particularmente, dentro da igreja da maneira que a sociedade ditar. Quem quiser que aceite “as it is”. Quem dita as regras é o grupo privado, desde que não as force a ninguém. Fica quem quiser. Dentro de um ambiente privado cabem discriminações sim, desde que tenham critério para tanto. Discordar disso pra mim já é alienação do politicamente correto, visto que lá no Canadá se você for chinês e quiser fazer parte da Associação dos Ítalo-descendentes eles são OBRIGADOS a te aceitar. Isso não é liberdade. Liberdade é cada um no seu quadrado.

    • Ah, claro… aí alguém cria uma igreja satânica em que os membros são doutrinados desde criancinhas que “cometer suicídio ritual é aprazível aos olhos de Satã” (tanto quanto as crianças cristãs são doutrinadas desde cedo ouvindo que “homossexualismo é abominação aos olhos de Deus”).

      Quero ver se vais dizer que “ninguém é obrigado a ir à igreja” e que “quem dita as regras é o grupo privado, desde que não as force a ninguém” quando começarem a acontecer suicídios em rituais satânicos.

      .
      .
      .

      Quando é que vamos superar a ilusão de que as mitologias anacrônicas escritas por pirados metidos a profeta e por espertalhões com interesses políticos há mais de dois mil anos em um território estranho com uma cultura totalmente distinta da nossa, cujos textos descrevem exclusivamente as características sociais, políticas e econômicas daquele povo específico, sejam “a Palavra de Deus” escrita para todos os povos em todos os tempos?

  • Lya

    Muitas vezes os políticos não sabem,ou não querem, redigir as leis de forma correta e a culpa é de quem
    lutou pelos seus direitos.

    Basicamente TUDO tem que ser conseguido através da lei.

    Nossos políticos,legisladores e quem mais detiver o poder para fazer mudanças em benefícios de quem precisa,não fazem nada.

    Os negros se unem é são culpados por isso.

    Os homossexuais se unem e também são culpados.

    As mulheres se unem e quase todos as culpam por isso.

    A verdade é que todo mundo se une quando quer mudar alguma coisa.

    Conhecemos outra maneira de lutar?

    O certo seria que os pobres,analfabetos,doentes ,abandonados,deficiêntes,injustiçados…..tivessem
    quem lutasse por eles……mas não têm.

    Enquanto existir pessoas se sentindo abandonadas por outras….os grupos vão continuar acontecendo.

    Acredito que as pessoas possuam o direito de lutar por conquistas que achem justas.

    Se eu me sentir injustiçada posso, eu também, lutar pelos direitos que me cabem.

    Estamos malhando em ferro frio…..ninguém pode ser impedido de lutar pelo que quer.

    O caso da França….é que a lei deveria garantir o direito dela ser usada ou não.

    E quem deveria decidir isso são as mulheres que as usam.

    Os gaúchos estavam brigando para saber se as mulheres poderiam ou não usar bombacha,rs.

    Fala sério! Com tantas coisas importantes para serem feitas.

    Ficar discutindo se o fiel tem o direito de doar seu salário integral para esta ou aquela religião…..o dinheiro é dele,que faça o que bem entender.

    As pessoas se submetem a todo tipo de loucura…e depois reclamam.

    Assim como me recuso a chamar uma pessoa negra de moreninho,escurinho,chocolatinho……ou outra besteira qualquer.Uma pessoa negra é negra e pronto. O que não posso fazer é xingar alguém por causa da cor.
    Todos merecem respeito,negros,brancos e amarelos.

    Não vou chamar um cego de deficiênte visual.É cego e pronto.

    Assim como acho uma tremenda idiotice chamar favela de comunidade.
    Uma favela pode deixar de ser favela,mas uma comunidade….vai ser sempre uma favela.
    Porque as palavras mascaram muitas coisas.

    Se achamos o politicamente correto errado,o ignoramos.

    Eu queria saber como certas coisas ganham fama e poder,rs.
    O tal do “boleto” bancário.
    No ITAÚ da minha cidade,o tal boleto virou “boleta”….assim mesmo.

    Um dia eu estava assistindo tv e lá vem um politico com essa pérola:”Eu entrei na sala e ASSUSTEI quando vi toda aquela gente lá”.

    Só um fantasma para assustar ,rs.

    Mas pegou.

    Damos continuidade ao que nos interessa.

  • Max

    Salve!

    Primeiro quero dizer que não associo tais imposições autoritárias com “politicamente correto”.
    A mim não tem nada a ver uma coisa com outra.

    O autoritarismo usa sempre do mesmo artifício onde que seja, e regrar qualquer comportamento que não afete o direito dos outros é ser autoritário.

    Parece claro para mim, que o problema na França é relativo a imigração, e não a liberdades individuais ou religião. Assim como usaram a proibição da cannabis para criminalizar mexicanos nos EUA, usam agora um traço cultural para criminalizar imigrantes.

    A Europa, assim como qualquer região que teve controle populacional (voluntário ou não) sofre com problemas demográficos, e a xenofobia é sentimento muito útil em política eleitoral.

    Abraço!

    • Nem todo autoritarismo é “politicamente correto”, mas toda posição política metida a “politicamente correta” é autoritária e todo movimento social que luta por tais posições políticas é autoritário.

      O problema na França é parcialmente devido à imigração e parcialmente devido à manutenção de um modelo de sociedade. Sob um sistema democrático, a maioria “manda”. Se a maioria da população francesa se convertesse ao islamismo, o modelo de sociedade respaldado pelo Estado francês sofreria uma mudança radical. Pode ter certeza que, se isso acontecesse, haveria uma guerra civil.

  • Iolanda

    “Que liberdade de escolha tem uma pessoa que, desde a infância, aprende que deve se portar e vestir de determinadas formas para reforçar sua feminilidade/condição social?”
    Isso poderia se aplicar a praticamente todos que usam roupas, não?
    É isso que vejo naquelas pessoas que seguem obsessivamente a moda, que gastam dois terços do seu salário em roupas novas porque não podem vestir as que têm mais do que umas poucas vezes; ou aquelas que vestem algo que lhes deformam ou valorizam justamente o que elas têm de mais “feio” apenas porque está na moda (vide as calças de cintura baixa). Pra mim todas essas se encaixam nessa frase, não apenas quem usa burca. Aliás, o topless, tão moderno e revolucionário, pode ser tão ou mais coisificador da mulher que uma burca, se for usado por uma imposição cultural, industrial ou estética e não como uma escolha, um exercício da vontade.

  • Daniel Pires

    Estamos falando de reuniões em grupo e de direitos disponíveis. A vida não é direito disponível, abdicar, por exemplo, da liberdade sexual em nome de uma crença é. Se forçam a pessoa a fazer isso é totalmente diferente.

    “Quero ver se vais dizer que “ninguém é obrigado a ir à igreja” e que “quem dita as regras é o grupo privado, desde que não as force a ninguém” quando começarem a acontecer suicídios em rituais satânicos. ”

    Você tá incorrendo numa falácia da redução ao absurdo. Eu não disse em momento algum que a liberdade religiosa não tem limites. Disse que as pessoas devem ser livres para escolherem o que quiserem, incluindo decisões tomadas em grupos, porque é livre o direito de associação, conforme reza nossa constituição, DESDE QUE isso não se refira a abdicar de direitos fundamentais indisponíveis. Você quer comparar um grupo decidir sobre suas lideranças com suicídio ritual? Religião séria não prega isso.

    A propósito, por mais que você fale desse livro, foi da palavra de Jesus Cristo que surgiu o reconhecimento aos direitos humanos e isso é inegável. Cristo foi o primeiro defensor dos DHU.

    O que você está dizendo basicamente é que a muçulmana tem o direito de escolher usar burca mas os cristãos não tem direito de escolher as características de quem vai liderá-los. Se quer proibir um, sugira a proibição do outro também.

  • Daniel Pires

    “Quando é que vamos superar a ilusão de que as mitologias anacrônicas escritas por pirados metidos a profeta e por espertalhões com interesses políticos há mais de dois mil anos em um território estranho com uma cultura totalmente distinta da nossa, cujos textos descrevem exclusivamente as características sociais, políticas e econômicas daquele povo específico, sejam “a Palavra de Deus” escrita para todos os povos em todos os tempos?”

    Esse texto mais parece saído da cabeça de quem acredita em relativismo cultural.

    Além do que, me parece que quem quer tornar as coisas neutras demais peca por omissão, da mesma maneira que peca um relativista cultural na hora em que querem enterrar um indiozinho. Feliz ou infelizmente, dependendo do gosto do cidadão, nós temos que tomar decisões difíceis. Não podemos nos omitir diante delas por excesso de cautela. Ou se ensina as crianças algo ou não se ensina nada, essa é a dualidade. Os pais devem ter o direito de ensinar à criança sobre seu ponto de vista, porque nós sabemos bem que se o estado fizer isso vai criar monstrinhos, tal qual o livro 1984 denuncia.

    Por que deveríamos criá-los como ateístas obrigatoriamente? Qual o respaldo para isso? Ateus já mostraram que podem ser tão intolerantes quanto cristãos. O ideal é criá-los num ambiente de respeito ao próximo, mas a igreja que irão frequentar ou deixar de frequentar deve ser a que os pais acharem melhor, sim, ressalvando-se que não estão os pais autorizados a abusar de direito e incitá-los ao ódio ou negar-lhes direitos fundamentais, até porque religião nenhuma prega isso na palavra. O que existe são distorções criadas por maus religiosos ou ateístas.

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