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A imbecilização do cidadão é a regra

A imbecilização do cidadão, o nivelamento todo mundo por baixo e a transformação de todo tipo de frescura em lei são a regra no Brasil. O princípio é sempre o mesmo: um corrupto ou um alucinado descobrem um filão explorável de frouxidão ou imbecilidade, propõe uma generalização absurda, justifica com um papo Polyanna “politicamente correto” pra boi dormir, rola uma imposição aqui, uma manifestação irrelevante ali e pronto: lá vem uma lei estúpida que parte do princípio que todo mundo é retardado mental e incapaz de decidir o que é melhor para si mesmo e para o meio em que vive. Brasil, um país de frouxos e imbecis comandado por corruptos e alucinados.

Foi assim com a lei do cinto de segurança, com a lei seca, com o estatuto do desarmamento, com a obrigatoriedade de freqüência à escola até 14 anos, com a venda de medicamentos controlados, com a proibição das drogas, com as boas práticas de manipulação de alimentos, com a venda de caldo de cana, com a proibição de tatuagens e piercings para menores, com a limitação arbitrária de idade para dirigir, com a obrigatoriedade de creches contratarem nutricionistas e com tanta outra coisa que burocratiza a vida sem garantir resultados positivos que chega a dar nojo.

E agora querem impor uma cartilha radical baseada numa frescura “politicamente correta” para deseducar o filho dos outros. É dose.

O pior de tudo é que essa tendência insidiosa possui um ciclo de retroalimentação positiva. Quanto mais imbecilizado fica o cidadão médio, tanto mais os políticos buscam imbecilizá-lo. E as ONGs e a mídia mergulham no ciclo de alienação, perpetuando e reforçando a meediocridade.

Os exemplos abundam.

Dilma Roussef e as drogas

Vejam o que a Dilma Roussef disse em seu blog: “Brasil não tem condições de descriminalizar drogas“.

“Acho que não podemos falar em processo de descriminalização de droga nenhuma, enquanto tivermos o seguinte quadro no Brasil: o consumo de crack se associa ao de outras drogas. O Brasil não tem condições, hoje, diante dessa questão gravíssima que é o crack, de propor a descriminalização das drogas.” (Dilma Roussef)

Como é que é? Não podemos implementar uma nova estratégia eficaz de enfrentamento da questão das drogas porque a atual estratégia ineficaz ainda não resolveu o problema das drogas? É de matar o sacristão engasgado com a hóstia!

Se (os miseráveis que votam em troca de bolsa-família) os brasileiros elegerem essa múmia para a presidência da República, podemos esperar mais oito anos (ou dezesseis, com Lulla II – a Missão) de “guerra às drogas”, ou seja, de uma política falida ao redor de todo o mundo sendo perseguida não em função de sua eficácia, mas em função dos interesses eleitorais de quem sabe que o povo é preconceituoso e desinformado demais para conseguir entender que para construir uma política de drogas razoável e decente a Holanda é um exemplo muito melhor que os EUA.

Qual é o fundamento da jogada política da candidata? Simples: explorar a noção cada vez mais difundida de que as pessoas não são capazes de decidir o que querem sozinhas e precisam que o Estado imponha limites e as tutele mesmo quando não fazem mal algum a terceiros. Exploração política rasteira da mediocridade, propondo mais mediocrização – e funciona!

Greenpeace e as estratégias de sustentabilidade

Vejam o que o Greenpeace disse em seu blog: “Ruralistas rifam florestas por eleição“.

“Ativistas do Greenpeace ligaram sirenes hoje na Câmara dos Deputados para alertar os eleitores brasileiros que um grupo de políticos em fim de mandato quer usar as eleições como combustível para acabar com as florestas do país.

O protesto interrompeu a votação da comissão especial que discute o Código Florestal, com a mensagem “Não vote em quem mata florestas”. Apesar da natureza pacífica da ação, três ativistas foram agredidas física e verbalmente pela segurança da casa.” (Greenpeace Brasil)

Como é que é? Os caras dizem que os deputados “querem acabar com as florestas” – quando se sabe que isso é apenas um efeito colateral do verdadeiro interesse dos ruralistas, que é apenas encher os bolsos de dinheiro -, comportam-se como baderneiros e reclamam porque a segurança da Câmara dos Deputados os tratou como baderneiros?

Ao invés de debater em alto nível e chamar a sociedade à responsabilidade para implantar estratégias de desenvolvimento sustentável através da apresentação de estudos que comprovam que os parâmetros de crescimento econômico da bancada ruralista são deletérios, a ONG apela para o acirramento do conflito, rompe o diálogo e portanto deixa as decisões integralmente para a bancada ruralista.

Qual é o fundamento da estratégia do Greenpeace? Simples: chamar a atenção dos já convertidos à causa para obter financiamentos para fazer novos protestos inúteis para chamar a atenção dos já convertidos à causa para obter financiamentos para fazer novos protestos inúteis para chamar a atenção… etc., etc., etc.Uma estratégia medíocre que propõe mais mediocrização – e funciona!

Zero Hora e a qualificação do debate na internet

Vejam o que Zero Hora disse em um editorial: “RADICALISMO ONLINE“.

“Estudo da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre o uso da internet nas eleições de 2006 e 2008 mostra que o debate político em blogs e redes sociais não abriu espaço para a discussão de ideias, mas sim para a expressão de radicalismos exacerbados. (…)

Trata-se de um reino em que impera a tendenciosidade e, portanto, a falta de credibilidade. O fato de ser um espaço em que opiniões e informações, corretas ou absurdas, se misturam, em que a difamação pode conviver com notícias verdadeiras, em que o virtual anonimato estimula a calúnia e a covardia online, tudo isso representa um alerta e um desafio ao Brasil e a sua democracia.” (Zero Hora)

Como é que é? Zero Hora está reclamando de “radicalismos exacerbados”, de “tendenciosidade” e de “falta de credibilidade” devida à “mistura de opiniões e informações, corretas ou absurdas”?

Mas, quando Zero Hora se nega a publicar uma opinião divergente no blog da Campanha Crack Nem Pensar, aí não é “radicalismo exacerbado”, não é “tendenciosidade”, nem é “não abrir espaço para discussão de idéias”.

Qual é o fundamento da censura imposta por Zero Hora? Simples: impor o pensamento único, aproveitando-se da impossibilidade de seus críticos apresentarem idéias divergentes para fazer parecer que todos apóiam sua campanha cheia de inverdades e erros técnicos crassos. Uma estratégia medíocre que propõe mais mediocrização – e funciona!

De volta aos políticos

O absurdo dos absurdos: tirar o poder familiar de um pai ou de uma mãe que dá um tapinha no traseiro ou na mão de uma criança, com objetivo de educá-la, em nome de uma ideologia “politicamente correta” mas sem fundamento na realidade.

Pior ainda: fazer isso através de um sutil golpe legislativo que altera não o artigo do Novo Código Civil que torna essa possibilidade explícita (art. 1.638), mas um artigo anterior que estabelece deveres paternos e maternos (art. 1.634), para que em conjunto com um terceiro artigo (art. 1.637) se abra uma brecha legal para permitir uma interpretação antes impossível.

Qual o fundamento deste abuso inominável contra a família brasileira? Simples: promover o caos para justificar a implantação de um autoritarismo cada vez maior. Uma estratégia medíocre que propõe mais mediocrização – e funciona!

Conclusão

Esperto é quem sabe explorar a mediocridade alheia para atender seus próprios interesses. Os outros todos somos gado, criados para o abate.

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21 comments to A imbecilização do cidadão é a regra

  • [...] This post was mentioned on Twitter by Arthur Golgo Lucas and Victor Zito, Arthur Golgo Lucas. Arthur Golgo Lucas said: A imbecilização do cidadão é a regra: http://bit.ly/ajayt1 #política #cidadania [...]

  • Roberto Tramarim

    Arthur, o maior problema é algo que eu critiquei muito no orkut, principalmente na comunidade Direitos Humanos, que é a mania do cidadão de querer proibir o outro aquilo que ele(cidadão) não gosta ou não curte.

    Uma coisa é chamar as pessoas a responsabilidade, principalmente quando existe claro risco objetivo de danos a terceiros, outra coisa é subjugar a auto-tutela em nome de alguma “interpretação” do que vem a ser o bem comum. E ai que a confusão entre ambas revela a imaturidade de uma sociedade em lidar com relações entre pessoas. No caso deste mundo, tal problema parece crônico e creio mesmo que está piorando nos ultimos tempos.

  • Es la Vitta, Arthur, es la vitta!!! Só achei que coube uma falha de interpretação quanto ao Green Peace. Yo no creo que uma idéia gerada a partir de um preconceito, ou de pura ignorância possa ser entendia a partir de estudos.

    Estudos provam por A+B que estou errado. Eu dar o braço a torcer é algo um pouco diferente. Daí, de certa forma(não necessariamente no formato em que é feita) defendo a iniciativa do Green Peace. Fazer a pessoa raciocinar a partir do momento em que é chamada de estúpida.

    • Chamar alguém de estúpido não faz a pessoa começar a raciocinar. Estou fazendo isso com o Greenpeace há meses no blog e no Twitter e não percebi qualquer indício de surgimento de vida inteligente lá. :-P Talvez eu devesse dar umas palmadinhas no traseiro do pessoal do Greenpeace, que tal, hein? :)

  • Alex Toth

    Cessação contínua e camuflada dos direitos e liberdades dos cidadãos que podem levar a coisas “não muito legais” já vistas na história da humanidade… (Meias palavras que para um bom entendedor basta!)

  • Nelson

    Sou totalmente contra qualquer tipo de censura por mais absurda e nefasta que seja uma ideia.

    Só me vem o texto de Olavo de Carvalho…

    Não vou cumpri-la nem hoje, nem amanhã, nem nunca.
    Por princípio, não cumpro leis que me proíbam de criticar ou elogiar o que quer que seja. Nem as que me ordenem fazê-lo.

    Não creio que haja, entre os céus e a terra, nada que mereça imunidade a priori contra a possibilidade de críticas. Nem reis, nem papas, nem santos, nem sábios, nem profetas reivindicaram jamais um privilégio tão alto. Nem os faraós, nem Júlio César, nem Átila, o huno, nem Gengis Khan ambicionaram tão excelsa prerrogativa. O próprio Deus, quando Jó lhe atirou as recriminações mais medonhas, não tapou a boca do profeta. Ouviu tudo pacientemente e depois respondeu. As únicas criaturas que tentaram vetar de antemão toda crítica possível foram Adolf Hitler, Josef Stálin, Mao-Tse-Tung e Pol-Pot. Só o que conseguiram com isso foi descer abaixo da animalidade, igualar-se a vampiros e demônios, tornar-se alvos da repulsa universal.

  • Nelson

    Continua..

    Nada é incriticável. Quanto mais o simples gostinho que algumas pessoas têm de fazer certas coisas na cama. Nunca na minha vida parei para pensar se havia algo de errado no homossexualismo. Agora estou começando a desconfiar que há. Nenhuma coisa certa, nenhuma coisa boa, nenhuma coisa limpa necessita se esconder por trás de uma lei hedionda que criminaliza opiniões. Quem está de boa intenção recebe críticas sem medo, porque sabe que é capaz de respondê-las no campo da razão, talvez até de humilhar o adversário com a prova da sua ignorância e má-fé. Só quem sabe que está errado precisa se proteger dos críticos com uma armadura jurídica que aliás o desmascara mais do que nenhum deles jamais poderia fazê-lo. Só quem não tem o que responder pode pedir socorro ao aparato repressivo do Estado para fugir da discussão. E quanto mais se esconde, mais põe sua fraqueza à mostra.

    Sim, senhores. Nunca, ao longo dos séculos, alguém rebaixou, humilhou, desmascarou e escarneceu da comunidade gay como Vossas Excelências estão em vias de fazer. As pessoas podem ter acusado os homossexuais de fingidos, de ridículos, de tarados, de pecadores. Ninguém jamais os qualificou de tiranos, de nazistas, de inimigos da liberdade, de opressores da espécie humana. Vossas Excelências vão dar a eles, numa só canetada, todas essas lindas qualidades.

    • Manga-Larga

      Até onde eu sei existe uma lei que proíbe o anti-semitismo… assim como há uma lei que proíbe a descriminação racial, religiosa, de gênero e nacionalidade.

      “Nenhuma coisa certa, nenhuma coisa boa, nenhuma coisa limpa necessita se esconder por trás de uma lei hedionda que criminaliza opiniões.”

    • Não falei? Tava demorando!

      Faça-me o favor… isso é uma falácia monstruosa.

      Os gays não estão sendo alvo de “opiniões”. Isso é má fé do Olavão (“pra variar”). Os gays estão sendo alvo de agressões e homicídios pelo simples fato de serem gays, coisa que eles não fazem contra os heterossexuais pelo simples fato de serem heterossexuais. Os gays estão tendo seus direitos à plena cidadania negados por uma legislação obtusa e preconceituosa, com fortes raízes em fundamentalismo religioso intolerante.

      Se fossem apenas “opiniões”, então o Olavão teria razão. Mas não são apenas opiniões, e ele sabe disso.

      A propósito, a minha opinião é que ele é um canalha de má fé. Espero que ele fique sabendo disso e apareça aqui para defender meu direito de considerá-lo um canalha de má fé. Afinal, “Só quem sabe que está errado precisa se proteger dos críticos com uma armadura jurídica que aliás o desmascara mais do que nenhum deles jamais poderia fazê-lo.”

    • É… e tem isso que o Manga Larga disse… :)

  • Nelson

    Depois não reclamem quando aqueles a quem essa lei estúpida jura proteger se tornarem objeto de temor e ódio gerais, como acontece a todos os que tomam de seus desafetos o direito à palavra.
    Quem, aprovada a PLC 122/ 06, se sentirá à vontade para conversar com pessoas que podem mandá-lo para a cadeia à primeira palavrinha desagradável? Os homossexuais nunca foram discriminados como dizem que o são. Graças a Vossas Excelências, serão evitados como a peste.

    FONTE: http://resistenciacristaj.blogspot.com/2010/09/revolta-do-filosofo-olavo-de-carvalho_22.html

    • Pelas Barbas de Odin, Nelson, escolhe um pensador decente para ilustrar teus argumentos. Olavo de Carvalho não passa de um pernóstico histriônico que jamais deveria ser levado a sério. Eu mesmo já cometi o erro de citá-lo quando não o conhecia bem. Fui censurado por alguns colegas defensores dos Direitos Humanos, tratei de ler mais alguns textos do Olavão e percebi que ele não passa de um baita reacionário com uma boa estrutura de marketing nos círculos ultraconservadores. Dá pra encontrar coisa melhor por aí até para fundamentar melhor o conservadorismo.

  • Nelson

    Feministas e homossexuais, são usados pelo governo para tentar acabar com a moral judaico cristã, é o resultado do “politicamente correto” uma criação do marxismo cultural que tem como bandeira a censura de opinião, essas duas minorias não suportam criticas, taxam todos aqueles de combater leis de privilegios de classes de elitista, patriaca, homofobico e todo arsenal retórico falacioso de quem não suporta o debate livre e foge de qualquer análise racional como melhoria do mundo.

    • Manga-Larga

      Desculpa Nelson, mas… QUE MORAL JUDAICO CRISTÃ? Pelamordedeus, essa galera pode ter de tudo, menos moral!

    • Bem, eu sou anti-sexista, portanto anti-machista e anti-feminista. Mas apóio 100% a plena igualdade de direitos entre homossexuais e heterossexuais. E não vejo nada de sagrado na “moral judaico-cristã”, é simplesmente uma ideologia que tem se mantido por muito tempo no mundo ocidental, majoritariamente em função de uma mistura entre apego a tradições e fanatismo religioso, e que mais cedo ou mais tarde deve ser substituída por algo mais evoluído, como parte do processo natural de desenvolvimento cultural da humanidade.

  • Nelson

    Sou totalmente contra a legalização da maconha, mas não acho uma violência sem tamanho proibir os manisfastantes na marcha de expressar sua opinião.

    Censura é pior violência que se pode ter contra o homem.

  • Nelson

    Corrigindo:

    Sou totalmente contra a legalização da maconha, mas acho uma violência sem tamanho proibir os manisfastantes na marcha de expressar sua opinião.

    Censura é pior violência que se pode ter contra o homem.

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