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As quatro terríveis verdades sobre a relação entre as drogas ilícitas e a ciência (parte 4 de 4)

A quarta terrível verdade sobre a relação entre as drogas ilícitas e a ciência é que é que tanto a idolatria do conhecimento científico quanto a alegação de que “não se tem dados confiáveis para legalizar” são falácias ideológicas travestidas de respeitabilidade científica ou de cautela com o objetivo de manter indefinidamente a falida política proibicionista.

Nunca na história da humanidade “uma base confiável de dados” foi critério decisivo para a tomada das mais importantes decisões políticas. Pelo contrário, inúmeras vezes as decisões políticas foram e são tomadas não somente na ausência de qualquer base confiável de dados como também contra todas as indicações de amplas bases de dados.

Quando há interesse de justificar a ideologia proibicionista, entretanto, a exigência de perfeito conhecimento com absoluta validade científica é invocada como condição sine qua non para a tomada de decisões. Por que isso? Os motivos são vários.

Ciência como desculpa protelatória

O motivo mais óbvio para utilizar a ciência como suporte ideológico para a ideologia proibicionista é que sempre se pode alegar “falta de consenso”, independentemente do quanto esteja evidente para um observador racional que o conhecimento naquele campo de estudo esteja muito bem consolidado. Isso acontece porque é fácil encontrar “cientistas” que digam praticamente qualquer coisa em troca de dinheiro, de exposição na mídia e até de aceitação em uma comunidade religiosa.

Exemplos famosos de “cientistas” que dizem qualquer coisa em troca do estímulo certo são os da indústria do tabaco, que durante décadas sustentou que “não havia prova” de que o cigarro causasse câncer, das indústrias do petróleo e do carvão, que até hoje sustentam que “não há prova” que exista aquecimento global em função do consumo de combustíveis fósseis e dos psicólogos crsitãos fundamentalistas que insistem em “tratar” homossexuais para convertê-los à heterossexualidade.

Com base nas declarações desse tipo de “cientista”, muitas vezes detentores de cargos importantes em instituições públicas como universidades ou centros de pesquisa – de onde exercem poderes que nada tem a ver com a correção de seus argumentos e com a qualidade de suas pesquisas – é que, com o apoio da mídia proibicionista, se mantém durante anos ou décadas a ilusão de que “não se tem dados suficentes” ou mesmo que os dados existentes apontam na direção exatamente oposta à realidade.

Ciência como desculpa ideológica

Usar supostas lacunas no conhecimento científico como fundamento para manter a cautela parece lógico e responsável, quando na verdade é um mero subterfúgio para impor uma decisão predeterminada. Isso acontece porque a maioria das pessoas não vai além de uma análise muito superficial quando aquilo que é dito por uma figura de autoridade encontra eco em seus próprios preconceitos, mesmo quando a ideologia travestida de ciência é imediatamente desmascarada.

Um exemplo nítido e recente desse fenômeno foi a pataquada pseudo-científica protagonizada por Ronaldo Ramos Laranjeira, professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Instituto Nacional de Políticas sobre Álcool e Drogas (Inpad/CNPQ), e Ana Cecília Petta Roselli Marques, doutora pela Unifesp, pesquisadora do Inpad/CNPQ.

Eles afirmaram, em um artigo intitulado “Maconha, o dom de iludir”, que “não existe indicação terapêutica para utilizar maconha que já seja aprovada pela ciência” e que “até hoje há poucos estudos controlados, com amostras pequenas, e resultados que não superam o efeito das substâncias tradicionais, que não causam dependência”.

Ora, estas afirmações são claramente falsas, como imediatamente alertaram Sidarta Ribeiro, professor titular de neurociências da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), João R. L. Menezes, professor adjunto da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenador do simpósio sobre drogas da Reunião SBNeC (Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento) 2010, Juliana Pimenta, psiquiatra da Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro e Stevens K. Rehen, professor adjunto da UFRJ.

Eles esclareceram, em um artigo intitulado “Ciência e fraude no debate da maconha”, que “dezenas de artigos científicos atestam a eficácia da maconha no tratamento de glaucoma, asma, dor crônica, ansiedade e dificuldades resultantes de quimioterapia, como náusea e perda de peso” e que “a maconha foi selecionada ao longo de milênios por suas propriedades terapêuticas, e seu uso medicinal avança nos EUA, Canadá e em outros países”.

O que vai permanecer circulando como argumento entre os proibicionistas, entretanto, é que “não existe indicação terapêutica para utilizar maconha que já seja aprovada pela ciência”, pois esta, apesar de ser uma informação falsa, foi dita por alguém que ocupa um “cargo de cientista” e isso basta para quem nutre os mesmos preconceitos negar a validade ou mesmo a existência do posterior esclarecimento da verdade.

Ciência como desculpa sanitária

O argumento pela suposta proteção à saúde pública é dos mais usados pelos proibicionistas. Como expliquei em outro artigo, está claro que a saúde é argumento falso para proibição da maconha tanto pela existência de inúmeros outros fatores que são muito mais danosos à saúde e que são totalmente ignorados pelos proibicionistas quanto pela evidência de que os proibicionistas não se importam com todo o sofrimento evitável e com as inúmeras vidas que poderiam ser salvas fazendo uso do potencial nutricional e terapêutico da maconha.

O que precisa ficar claro é que o mesmo argumento vale para todas as outras drogas. A cocaína já teve largo uso na medicina ocidental. O ópio foi largamente utilizado na medicina oriental e dele deriva a morfina, hoje utilizada em todo o mundo. O ecstasy já teve amplo uso em psicoterapia. Ou seja: se todas essas substâncias já foram consideradas suficientemente seguras para uso em situações específicas, então necessariamente elas possuem um certo grau de segurança também para propósitos recreativos.

Até mesmo o crack já teve um impacto positivo na saúde pública! Isso aconteceu quando o crack substituiu a cocaína injetada como droga de abuso de preferência e assim fez despencar os índices de transmissão de HIV nos presídios e provavelmente em outras comunidades de viciados em drogas injetáveis. Quem achar que eu estou louco por afirmar tal sandice, morda a língua, porque quem afirma isso é o famoso Dr. Drausio Varella, conhecido por sua ortodoxia científica:

“No ambiente marginal de cidades como São Paulo, a cocaína injetável foi substituída pelo crack. Para dar uma idéia, em 1989, no auge da epidemia de cocaína injetável, num estudo epidemiológico por nós conduzido na Casa de Detenção (Carandiru), encontramos 17,3% dos presos infectados pelo HIV. A repetição desse estudo em 1995, em plena era do crack, mostrou que a prevalência havia caído para 13,7%. E para 8,5%, em 1998, quando ninguém mais injetava droga na veia.” (Drausio Varella)

Para quem não se deu conta, este é um caso espontâneo de redução de danos, no qual a droga que reduziu o sofrimento e que salvou muitas vidas foi nada mais, nada menos, que o tão demonizado crack.

Se tivesse dependido dos “especialistas” a autorização para substituir a cocaína injetável pelo crack fumado, como estratégia parcial de um projeto de redução de danos, a prevalência do HIV não teria caído de 17,3% em 1989 para 8,5% em 1998.

Quanto sofrimento evitável teria se agravado e quantas vidas teriam sido perdidas devido a preconceitos e ideologias? Talvez menos do que hoje em dia está se agravando o sofrimento e perdendo vidas devido a preconceitos e ideologias que impedem a substituição do crack pela maconha, conforme os estudos de Dartiu Xavier.

Mas os “especialistas” proibicionistas continuam dizendo que “drogas fazem mal à saúde, e por isso devem ser proibidas”, independentemente de todas as evidências de que esse nível rasteiro de simplificação não corresponde aos interesses, às necessidades e à realidade da sociedade, sendo portanto responsáveis pela geração de muito sofrimento evitável e pela destruição de muitas vidas.

Ciência como desculpa humanitária

Quando um “especialista” proibicionista insiste que para evitar sofrimento, as drogas devem ser proibidas , não é difícil verificar se ele está sendo sincero: basta perguntar se ele se importa com o sofrimento de um jovem de 18 anos que tem sua vida destruída não pela substância, mas pela prisão em função do porte de alguma quantidade de droga. Ou com o sofrimento da família deste jovem.

Confrontado com o sofrimento dos “infratores”, normalmente o discurso dos proibicionistas muda de “sofrimento” para “responsabilidade”, mostrando de modo inequívoco que o discurso da evitação do sofrimento é apenas um subterfúgio para justificar a imposição da ideologia proibicionista, não uma preocupação sincera com o bem estar das pessoas sobre as quais incidirão as conseqüências da proibição.

Com o mesmo descaso, os proibicionistas ignoram – ou fingem ignorar – que a dinâmica social e econômica do uso, do abuso e do comércio de drogas ilícitas é tanto mais daninha para os diretamente envolvidos e para a sociedade em geral quanto maior a repressão exercida.

Se a proibição aumenta o preço da droga, torna o tráfico mais lucrativo e portanto mais atraente para a população miserável, que importa? Basta investir um pouquinho de nada dos impostos do contribuinte no salário de outros miseráveis para que eles se matem um aos outros, fazendo uma faxina nos andares de baixo da pirâmide social.

O problema só começa a ser preocupante quando a violência e a corrupção atingem os andares superiores da pirâmide social. Aí surgem as campanhas de conscientização e cobranças pelo recrudescimento da repressão que só servem para piorar a situação nos extratos inferiores da sociedade e aumentar a insegurança de todos.

Enquanto os “especialistas” proibicionistas insistem em recomendar a proibição e fomentar a repressão, a máquina de moer carne humana viva enriquece o crime organizado e abastece a política e a mídia com os elementos que necessários para justificar suas “ações sociais”. Tudo muito humanitário.

Ciência como desculpa diversionista

De todos os citados, o principal motivo para apresentar a questão das drogas como dependente do conhecimento da ciência é que isso desvia o foco do verdadeiro debate, que não tem nada a ver nem com ciência em si, mas com cidadania, segurança pública e Direitos Humanos.

Colocar a questão das drogas em termos tais que a opinião dos supostos “especialistas” é valorizada acima da avaliação política – que pode e deve ser feita por todo cidadão consciente e participativo na definição dos rumos da sociedade -  implica seqüestrar o debate do âmbito da cidadania para o âmbito da tecnocracia e da pressão de grupos de interesse raramente interessados no bem estar de terceiros.

A ciência é a melhor estratégia de que dispomos para levantar dados e analisá-los de modo coerente para embasar decisões técnicas, mas de modo algum é a senhora de nossa cidadania. Se a ciência mostra que a droga “x” faz mal deste e daquele modo, este é um dado objetivo que está dentro do escopo da ciência, mas isso não implica que esta informação dê norte a qualquer política. Fazendo bem ou fazendo mal, é da alçada da cidadania e do livre arbítrio de cada cidadão decidir pelo uso ou não uso de tal substância.

Ao Estado não cabe tutelar a consciência, nem a moralidade, nem a vontade do indivíduo, mas regular as relações sociais. É lícito e necessário que ofereça ao cidadão uma educação de alta qualidade, que o capacite a formar senso crítico e desenvolver habilidades cognitivas que lhe permitam absorver, compreender e avaliar criteriosamente as informações sobre o uso de quaisquer substâncias de tal modo que possa decidir de modo consciente e bem informado se esse uso é adequado ou não para si.

Ao Estado cabe também oferecer a todos os cidadãos condições dignas de vida e oportunidades de desenvolvimento pessoal que o liberem de qualquer necessidade de fuga da realidade motivada pela desigualdade social opressiva, excludente e humilhante que conduz a escolhas desesperadas ao invés de escolhas lúcidas.

Se o Estado tenta fazer mais do que isso, usando como fundamento o conhecimento científico, está se afastando de sua responsabilidade e passando a intervir na esfera privada, ditando padrões de comportamento alheios aos que lhe cabe legislar, que são apenas aqueles necessários para manter a harmonia das relações sociais, evitando a injustiça e a opressão.

Conclusão

Nestes assuntos quem tem que ter a última palavra não são os cientistas, não são os políticos e não é o Estado, somos eu e você, cidadãos de mente livre, senso crítico e bem informados, capazes de discernir o que é melhor para cada um de nós sem a necessidade de alguém que nos diga como devemos pensar e nos comportar. Se não é assim que funciona hoje, é sinal que, apesar do alerta de George Orwell, o Grande Irmão zela por nós.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 24/08/2010

Leia também:

Verdade n° 1.

Verdade n° 2.

Verdade n° 3.

61 comments to As quatro terríveis verdades sobre a relação entre as drogas ilícitas e a ciência (parte 4 de 4)

  • Manga-Larga

    Acho que dá pra queimar cocaína como se queima crack, talvez ela não renda tão bem mas enfim, se está barato porque economizar? Você ainda pode enrolá-la com maconha ou mesmo tabaco se quiser uma queima melhorzinha.

    Não sei, posso estar totalmente enganado (me faltam amigos craqueiros pra perguntar), mas sustento que a legalização da cocaína faria o crack sumir. Não consigo imaginar a produção industrial de crack a partir da cocaína, “colocar farinha no brigadeiro”.

    • HAHAHA!!! Boa essa de “colocar farinha no brigadeiro”! :-)

      Mas não se trata de um cálculo econômico e sim uma preferência de consumo. Mesmo sendo a mesma substância, o efeito é diferente em função da via e da velocidade de absorção.

  • Manga-Larga

    Arthur, dá uma olhada nesse texto:

    http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=2734&ReturnCatID=487

    Destaco essa parte do texto:
    “É usualmente aspirada pelo nariz, mas pode ser fumada ou injetada. Para ser fumada, o hidrocloreto de cocaína deve ser purificado na forma de base livre (freebase).”

    Esse outro texto traz a diferença entre Freebase e Crack:
    http://www.segurancaelazer.kit.net/drogas_cocaina.htm

    “Freebase – substantivo – é uma droga, um produto da cocaína convertida em estado básico a partir do hidroclorido da cocaína depois que os adulterantes foram quimicamente removidos. O crack, por sua vez, é convertido a um estado básico sem a remoção dos adulterantes.”

    O ponto é que tanto o Freebase quanto o Crack podem ser fumados com efeitos semelhantes, sendo que o Crack (por ter muito mais impurezas) tem maior impacto no organismo.

    Sendo assim Arthur, sustento que não faz sentido legalizar o crack, apenas faria sentido legalizar a cocaína, nas formas em pó ou freebase.

    Desculpa me estender nesse assunto que passa longe do mais relevante dessa discussão.

    • Vai chover canivete aberto antes de ser necessário se desculpar por sustentar um debate interessante e trazer informações relevantes! :-P

      Confesso que não tenho bem clara ainda a diferença entre o Freebase e o Crack… Olha só o que diz o segundo artigo:

      “Procedimentos para a obtenção do freebase:

      Cozendo a soda ou amônia com o éter, adiciona-se água e cocaína HCl. A mistura é esquentada, o éter se evapora e o resultado é a base livre (freebase).

      Procedimentos para a obtenção do crack:

      Cozendo a soda ou amônia e água, adiciona-se a cocaína HCl. A mistura é esquentada e esfriada, depois filtrada para reunir os cristais em formas sólidas.”

      Ora… a diferença entre os dois processos é somente a utilização de éter ou água no cozimento. Se o éter evapora e a água é removida dos cristais por “filtragem” (há vários processos mais simples, na prática ninguém usa filtragem), então como é que a Freebase se diferencia quimicamente do Crack?

      Não vejo como a evaporação do éter poderia “remover adulterantes” a não ser que eles evaporassem junto com o éter, o que acho pouco provável. Na verdade, pela descrição daquele site parece-me mais razoável que o Crack seja ainda mais puro que a Freebase!

      Eu explico: se o éter evapora, os tais “adulterantes” permanecem misturados à pasta resultante, enquanto que no outro processo eles podem permanecer dissolvidos na água que será removida dos cristais (por exemplo, com um guardanapo absorvente). Não parece razoável?

      (Tenho a impressão que esse assunto mereceria mais estudo e talvez um artigo específico. Nessas horas seria bom aparecer um químico pra dar alguns esclarecimentos importantes…)

    • Ah, sim… o problema de proibir qualquer coisa é que isso geraria tráfico ao invés de regulamentação, por isso eu sou favorável à legalização e regulamentação de tudo.

      Mas seria interessante que programas de redução de danos sugerissem o consumo da forma mais pura de cocaína fumável ao invés da forma com impurezas em função dos agravos secundários à saúde.

  • Manga-Larga

    Eis a questão, o crack e a forma básica da cocaína são equivalentes quimicamente, por isso não haveria porque vender crack. Um desses artigos até mesmo colocou que o crack foi uma “descoberta” dos adeptos da freebase.

    Certamente o tema merece muito mais atenção.

    • Eu entendi teu ponto de vista. Mas qual de nós vai sair por aí convencendo os usuários e traficantes de que não haveria necessidade de fumar e vender crack porque a freebase (supostamente) não contém contaminantes? :)

  • Manga-Larga

    O mercado amigo… o mercado!

    • Ah, nesse aspecto concordamos plenamente! Nossa discordância é que em minha opinião continuará havendo mercado para o crack mesmo que haja freebase legalizada.

      Mas me diz uma coisa: terias algum motivo específico para não legalizar o crack caso a freebase estivesse legalizada?

  • Leandro

    Opa, velho Crack aqui é algo relativamente normal =P, Venho postar que a filha de uma amiga minha colocou fogo no corpo inteiro por falta de Crack a 5 dias, ela vai morrer pois teve mais 80% do corpo queimado e ficou cega e tudo mais, vamos pensar um pouco, milhares de pessoas não possuem capacidade psicológica para tais substancias, tratá-las como algo recreativo sendo que mata mais gente que qualquer guerra é no mínimo um absurdo e até falta de respeito. Deve ser porque eu lido com as vitimas delas todos os dias, e acreditem grande parte delas não tem nada a ver com a proibição que no caso do Crack é obrigatoria.

    • Leandro, é justamente por isso que eu sempre digo que precisamos “legalizar e regulamentar de forma inteligente”.

      Do jeito que a coisa está hoje, o usuário precisa entrar em contato com o crime organizado e não tem a menor chance de realizar nem sequer uma desintoxicação gradual para se livrar do vício.

      Se o sujeito quer se livrar da droga, ele se vê na obrigação de enfrentar uma abstinência total, porque o Sistema de Saúde não tem a possibilidade de ajudá-lo a enfrentar a abstinência através de uma redução orientada de consumo. Quem gostaria de procurar uma “ajuda” dessas?

      O sistema proibicionista falha em TODOS os aspectos. Ele não impede ninguém de usar, não ajuda ninguém a deixar de usar e coloca todos, usuários e não usuários, numa situação de insegurança cada vez pior.

      Pela trocentésima vez: é óbvio que o crack faz mal, é óbvio que ninguém quer que os outros usem, é óbvio todo esse discurso. MAS QUE BENEFÍCIO TRAZ A PROIBIÇÃO? NENHUM, raios! A proibição só piora a situação!

      Mete isso na tua cabeça: toda essa desgraça que vemos hoje é fruto de um sistema proibicionista! TUDO que falares de mal que acontece hoje acontece em função de um sistema proibicionista!

      TODOS os países que adotam medidas proibicionistas estimulam o acirramento da violência, a organização do crime e a corrupção dos agentes do Estado. Os EUA, país mais rico do mundo e um dos que mais reprime as drogas, assistem o problema piorar a cada dia, não importa quanta gente meta na cadeia. Na indonésia, onde o tráfico é punido com a pena de morte – o mais alto grau de repressão possível – o tráfico existe e é forte, com altíssimo grau de corrupção entre os agentes do Estado. Não existe um único exemplo de país democrático, com alta qualidade de vida e com baixos índices de violência e de corrupção, que tenha uma legislação proibicionista funcional e eficaz.

      Por outro lado, Holanda, Espanha, República Tcheca, Portugal e TODOS os demais países que adotaram políticas liberalizantes, legalizando, descriminalizando, reduzindo penas, distribuindo drogas gratuitamente, implementando programas de redução de danos e TODAS as demais alternativas no sentido OPOSTO ao do proibicionismo tiveram SIGNIFICATIVAS MELHORAS nos índices de criminalidade, de violência, de combate à corrupção e também na recuperação de usuários. E isso aconteceu em países com culturas, economias e políticas as mais variadas.

      Então, o que dizem os proibicionistas a respeito? Que tem que proibir porque faz mal à saúde. :-P

      É o cúmulo da falta de visão.

      Por que será que é tão difícil assim aceitar que a melhor política para todos pode não ser aquela que a princípio se imaginava ser a mais adequada?

      Por que será que é tão difícil assim colocar os OBJETIVOS DESEJADOS acima dos MEIOS PREFERIDOS quando fica provado que os meios preferidos não conduzem aos objetivos desejados?

      Vamos investir em justiça social, em oportunidades para TODOS terem uma excelente qualidade de vida, em educação, em saúde pública, em campanhas de conscientização quanto aos efeitos e aos riscos secundários do uso de entorpecentes, vamos disponibilizar informação clara e verdadeira… e vamos deixar cada um escolher o que é melhor para si. É isso que tem dado certo nos países que citei como exemplo.

  • Manga-Larga

    Então você acha que vai livrar o Brasil do crack se colocarmos os viciados na cadeia? Se não é isso, qual é sua solução? Porque deixar como está não podemos, e continuar fazendo a mesma coisa já está provado que não resolve. Qual é a sua idéia Leandro?

  • Leandro

    TODOS os países que adotam medidas proibicionistas estimulam o acirramento da violência, a organização do crime e a corrupção dos agentes do Estado. Os EUA, país mais rico do mundo e um dos que mais reprime as drogas, assistem o problema piorar a cada dia, não importa quanta gente meta na cadeia. Na indonésia, onde o tráfico é punido com a pena de morte – o mais alto grau de repressão possível – o tráfico existe e é forte, com altíssimo grau de corrupção entre os agentes do Estado. Não existe um único exemplo de país democrático, com alta qualidade de vida e com baixos índices de violência e de corrupção, que tenha uma legislação proibicionista funcional e eficaz.
    …………..
    Isso é relativo, eu não contra como já disse da liberação da maconha mas acusar os países que realmente enfrentam o problema que não é o caso do Brasil em nenhum aspecto de terem resultados ruins é complicado, USA, Japão, Inglaterra possui sim resultados invejáveis, cada nação é uma nação com suas peculiaridades, no caso do Brasil por causa da nossa cultura acho melhor legalizar a maconha mesmo vc sabendo que os resultados perante o crime serão baixos, mas legalizar a Cocaína vc vai concordar comigo que isso nunca vai acontecer no Brasil, é melhor debater o que pode ser feito nesse cenário realista e não utópico. Existem novas drogas sintéticas sendo produzidas cada vez mais fortes com intuito de viciar realmente a pessoa, de uma forma ou outra é necessário o combate contra esse tipo de crescimento de “mercado”, é impossível legalizar substancias que realmente prejudicam a pessoa como o caso do Crack, um dos papeis do governo é zelar pela saúde publica mesmo o povo não cooperando. Vc sabe o que mais mata no mundo? É exatamente a cultura do alcool.

    O álcool é a coisa que mais mata no mundo diretamente e indiretamente, eu acho que a humanidade deveria construir uma cultura combatendo isso, as festas hoje estão sendo financiadas pelas grandes empresas de cerveja, o resultado são milhares de vitimas diretas e indiretas criada por essa cultura capitalista do álcool, proibir o álcool é impossível por causa da manipulação na mídia e dos poderosos; as pessoas estão nascendo sendo ensinadas que onde tem festa deve ter cerveja, o resultado da legalização são empresas de drogas dominando a mídia e os jovens, devemos pensar também nos efeitos da legalização. Se realmente existir uma legalização deve o governo junto com as ONGs devem combater o habito de se usar drogas o mais fortemente possível para que essa cultura não se espalhe para outras drogas aumentando ainda mais a diferença do primeiro lugar para o segundo do ranking de mortes humanas.

    • “Isso é relativo…”

      Não, não é relativo. “Todos” significa “todos” e “nenhum” significa “nenhum”. Não conheço exceções. Se houver, mostra que eu primeiro estudarei o caso e depois opinarei.

      Muito interessante que tenhas usado como exemplo justamente o álcool, uma substância que sabidamente já foi proibida durante treze anos nos EUA e que voltou a ser legalizada devido ao caos produzido por sua proibição.

      Muito interessante também que tenhas dito que “a humanidade deveria construir uma cultura combatendo isso”. Pelo visto encontramos um ponto no qual concordamos parcialmente: acho uma boa idéia contruir uma cultura saudável, onde a informação científica correta esteja sempre disponível e os cidadãos sejam estimulados a adquirir conhecimento, questionar qualquer tentativa de imposição de dogmas (como “diga não às drogas”) e formar sua própria opinião de modo bem informado e consciente.

      Mas este é o caminho: fortalecimento cultural. Jamais um caminho de imposição moralista através da legislação.

  • Aristein

    Notícia pertinente à linha da discussão:

    “Álcool causa mais danos aos
    usuários do que o crack e a heroína
    Drogas legais provocam pelo menos tanto prejuízo quanto as substâncias ilegais”

    leia tudo em:
    http://noticias.r7.com/saude/noticias/alcool-causa-mais-danos-aos-usuarios-do-que-o-crack-e-a-heroina-20101101.html

    • Isso mostra o quanto é aleatória, infundada e baseada em mera tradição a distinção entre drogas legais e drogas ilegais.

      Precisamos legalizar todas as drogas para tirar de pauta os preconceitos, a intolerância e as iniciativas fascistas e começar a desenvolver políticas baseadas em evidências científicas, Direitos Humanos, educação e solidariedade.

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