Curtiu? Compartilhe!

Fique amigo

Pensar Não Dói no Facebook Pensar Não Dói no Twitter Pensar Não Dói no Orkut

Siga o blog

As quatro terríveis verdades sobre a relação entre as drogas ilícitas e a ciência (parte 4 de 4)

A quarta terrível verdade sobre a relação entre as drogas ilícitas e a ciência é que é que tanto a idolatria do conhecimento científico quanto a alegação de que “não se tem dados confiáveis para legalizar” são falácias ideológicas travestidas de respeitabilidade científica ou de cautela com o objetivo de manter indefinidamente a falida política proibicionista.

Nunca na história da humanidade “uma base confiável de dados” foi critério decisivo para a tomada das mais importantes decisões políticas. Pelo contrário, inúmeras vezes as decisões políticas foram e são tomadas não somente na ausência de qualquer base confiável de dados como também contra todas as indicações de amplas bases de dados.

Quando há interesse de justificar a ideologia proibicionista, entretanto, a exigência de perfeito conhecimento com absoluta validade científica é invocada como condição sine qua non para a tomada de decisões. Por que isso? Os motivos são vários.

Ciência como desculpa protelatória

O motivo mais óbvio para utilizar a ciência como suporte ideológico para a ideologia proibicionista é que sempre se pode alegar “falta de consenso”, independentemente do quanto esteja evidente para um observador racional que o conhecimento naquele campo de estudo esteja muito bem consolidado. Isso acontece porque é fácil encontrar “cientistas” que digam praticamente qualquer coisa em troca de dinheiro, de exposição na mídia e até de aceitação em uma comunidade religiosa.

Exemplos famosos de “cientistas” que dizem qualquer coisa em troca do estímulo certo são os da indústria do tabaco, que durante décadas sustentou que “não havia prova” de que o cigarro causasse câncer, das indústrias do petróleo e do carvão, que até hoje sustentam que “não há prova” que exista aquecimento global em função do consumo de combustíveis fósseis e dos psicólogos crsitãos fundamentalistas que insistem em “tratar” homossexuais para convertê-los à heterossexualidade.

Com base nas declarações desse tipo de “cientista”, muitas vezes detentores de cargos importantes em instituições públicas como universidades ou centros de pesquisa – de onde exercem poderes que nada tem a ver com a correção de seus argumentos e com a qualidade de suas pesquisas – é que, com o apoio da mídia proibicionista, se mantém durante anos ou décadas a ilusão de que “não se tem dados suficentes” ou mesmo que os dados existentes apontam na direção exatamente oposta à realidade.

Ciência como desculpa ideológica

Usar supostas lacunas no conhecimento científico como fundamento para manter a cautela parece lógico e responsável, quando na verdade é um mero subterfúgio para impor uma decisão predeterminada. Isso acontece porque a maioria das pessoas não vai além de uma análise muito superficial quando aquilo que é dito por uma figura de autoridade encontra eco em seus próprios preconceitos, mesmo quando a ideologia travestida de ciência é imediatamente desmascarada.

Um exemplo nítido e recente desse fenômeno foi a pataquada pseudo-científica protagonizada por Ronaldo Ramos Laranjeira, professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Instituto Nacional de Políticas sobre Álcool e Drogas (Inpad/CNPQ), e Ana Cecília Petta Roselli Marques, doutora pela Unifesp, pesquisadora do Inpad/CNPQ.

Eles afirmaram, em um artigo intitulado “Maconha, o dom de iludir”, que “não existe indicação terapêutica para utilizar maconha que já seja aprovada pela ciência” e que “até hoje há poucos estudos controlados, com amostras pequenas, e resultados que não superam o efeito das substâncias tradicionais, que não causam dependência”.

Ora, estas afirmações são claramente falsas, como imediatamente alertaram Sidarta Ribeiro, professor titular de neurociências da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), João R. L. Menezes, professor adjunto da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenador do simpósio sobre drogas da Reunião SBNeC (Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento) 2010, Juliana Pimenta, psiquiatra da Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro e Stevens K. Rehen, professor adjunto da UFRJ.

Eles esclareceram, em um artigo intitulado “Ciência e fraude no debate da maconha”, que “dezenas de artigos científicos atestam a eficácia da maconha no tratamento de glaucoma, asma, dor crônica, ansiedade e dificuldades resultantes de quimioterapia, como náusea e perda de peso” e que “a maconha foi selecionada ao longo de milênios por suas propriedades terapêuticas, e seu uso medicinal avança nos EUA, Canadá e em outros países”.

O que vai permanecer circulando como argumento entre os proibicionistas, entretanto, é que “não existe indicação terapêutica para utilizar maconha que já seja aprovada pela ciência”, pois esta, apesar de ser uma informação falsa, foi dita por alguém que ocupa um “cargo de cientista” e isso basta para quem nutre os mesmos preconceitos negar a validade ou mesmo a existência do posterior esclarecimento da verdade.

Ciência como desculpa sanitária

O argumento pela suposta proteção à saúde pública é dos mais usados pelos proibicionistas. Como expliquei em outro artigo, está claro que a saúde é argumento falso para proibição da maconha tanto pela existência de inúmeros outros fatores que são muito mais danosos à saúde e que são totalmente ignorados pelos proibicionistas quanto pela evidência de que os proibicionistas não se importam com todo o sofrimento evitável e com as inúmeras vidas que poderiam ser salvas fazendo uso do potencial nutricional e terapêutico da maconha.

O que precisa ficar claro é que o mesmo argumento vale para todas as outras drogas. A cocaína já teve largo uso na medicina ocidental. O ópio foi largamente utilizado na medicina oriental e dele deriva a morfina, hoje utilizada em todo o mundo. O ecstasy já teve amplo uso em psicoterapia. Ou seja: se todas essas substâncias já foram consideradas suficientemente seguras para uso em situações específicas, então necessariamente elas possuem um certo grau de segurança também para propósitos recreativos.

Até mesmo o crack já teve um impacto positivo na saúde pública! Isso aconteceu quando o crack substituiu a cocaína injetada como droga de abuso de preferência e assim fez despencar os índices de transmissão de HIV nos presídios e provavelmente em outras comunidades de viciados em drogas injetáveis. Quem achar que eu estou louco por afirmar tal sandice, morda a língua, porque quem afirma isso é o famoso Dr. Drausio Varella, conhecido por sua ortodoxia científica:

“No ambiente marginal de cidades como São Paulo, a cocaína injetável foi substituída pelo crack. Para dar uma idéia, em 1989, no auge da epidemia de cocaína injetável, num estudo epidemiológico por nós conduzido na Casa de Detenção (Carandiru), encontramos 17,3% dos presos infectados pelo HIV. A repetição desse estudo em 1995, em plena era do crack, mostrou que a prevalência havia caído para 13,7%. E para 8,5%, em 1998, quando ninguém mais injetava droga na veia.” (Drausio Varella)

Para quem não se deu conta, este é um caso espontâneo de redução de danos, no qual a droga que reduziu o sofrimento e que salvou muitas vidas foi nada mais, nada menos, que o tão demonizado crack.

Se tivesse dependido dos “especialistas” a autorização para substituir a cocaína injetável pelo crack fumado, como estratégia parcial de um projeto de redução de danos, a prevalência do HIV não teria caído de 17,3% em 1989 para 8,5% em 1998.

Quanto sofrimento evitável teria se agravado e quantas vidas teriam sido perdidas devido a preconceitos e ideologias? Talvez menos do que hoje em dia está se agravando o sofrimento e perdendo vidas devido a preconceitos e ideologias que impedem a substituição do crack pela maconha, conforme os estudos de Dartiu Xavier.

Mas os “especialistas” proibicionistas continuam dizendo que “drogas fazem mal à saúde, e por isso devem ser proibidas”, independentemente de todas as evidências de que esse nível rasteiro de simplificação não corresponde aos interesses, às necessidades e à realidade da sociedade, sendo portanto responsáveis pela geração de muito sofrimento evitável e pela destruição de muitas vidas.

Ciência como desculpa humanitária

Quando um “especialista” proibicionista insiste que para evitar sofrimento, as drogas devem ser proibidas , não é difícil verificar se ele está sendo sincero: basta perguntar se ele se importa com o sofrimento de um jovem de 18 anos que tem sua vida destruída não pela substância, mas pela prisão em função do porte de alguma quantidade de droga. Ou com o sofrimento da família deste jovem.

Confrontado com o sofrimento dos “infratores”, normalmente o discurso dos proibicionistas muda de “sofrimento” para “responsabilidade”, mostrando de modo inequívoco que o discurso da evitação do sofrimento é apenas um subterfúgio para justificar a imposição da ideologia proibicionista, não uma preocupação sincera com o bem estar das pessoas sobre as quais incidirão as conseqüências da proibição.

Com o mesmo descaso, os proibicionistas ignoram – ou fingem ignorar – que a dinâmica social e econômica do uso, do abuso e do comércio de drogas ilícitas é tanto mais daninha para os diretamente envolvidos e para a sociedade em geral quanto maior a repressão exercida.

Se a proibição aumenta o preço da droga, torna o tráfico mais lucrativo e portanto mais atraente para a população miserável, que importa? Basta investir um pouquinho de nada dos impostos do contribuinte no salário de outros miseráveis para que eles se matem um aos outros, fazendo uma faxina nos andares de baixo da pirâmide social.

O problema só começa a ser preocupante quando a violência e a corrupção atingem os andares superiores da pirâmide social. Aí surgem as campanhas de conscientização e cobranças pelo recrudescimento da repressão que só servem para piorar a situação nos extratos inferiores da sociedade e aumentar a insegurança de todos.

Enquanto os “especialistas” proibicionistas insistem em recomendar a proibição e fomentar a repressão, a máquina de moer carne humana viva enriquece o crime organizado e abastece a política e a mídia com os elementos que necessários para justificar suas “ações sociais”. Tudo muito humanitário.

Ciência como desculpa diversionista

De todos os citados, o principal motivo para apresentar a questão das drogas como dependente do conhecimento da ciência é que isso desvia o foco do verdadeiro debate, que não tem nada a ver nem com ciência em si, mas com cidadania, segurança pública e Direitos Humanos.

Colocar a questão das drogas em termos tais que a opinião dos supostos “especialistas” é valorizada acima da avaliação política – que pode e deve ser feita por todo cidadão consciente e participativo na definição dos rumos da sociedade -  implica seqüestrar o debate do âmbito da cidadania para o âmbito da tecnocracia e da pressão de grupos de interesse raramente interessados no bem estar de terceiros.

A ciência é a melhor estratégia de que dispomos para levantar dados e analisá-los de modo coerente para embasar decisões técnicas, mas de modo algum é a senhora de nossa cidadania. Se a ciência mostra que a droga “x” faz mal deste e daquele modo, este é um dado objetivo que está dentro do escopo da ciência, mas isso não implica que esta informação dê norte a qualquer política. Fazendo bem ou fazendo mal, é da alçada da cidadania e do livre arbítrio de cada cidadão decidir pelo uso ou não uso de tal substância.

Ao Estado não cabe tutelar a consciência, nem a moralidade, nem a vontade do indivíduo, mas regular as relações sociais. É lícito e necessário que ofereça ao cidadão uma educação de alta qualidade, que o capacite a formar senso crítico e desenvolver habilidades cognitivas que lhe permitam absorver, compreender e avaliar criteriosamente as informações sobre o uso de quaisquer substâncias de tal modo que possa decidir de modo consciente e bem informado se esse uso é adequado ou não para si.

Ao Estado cabe também oferecer a todos os cidadãos condições dignas de vida e oportunidades de desenvolvimento pessoal que o liberem de qualquer necessidade de fuga da realidade motivada pela desigualdade social opressiva, excludente e humilhante que conduz a escolhas desesperadas ao invés de escolhas lúcidas.

Se o Estado tenta fazer mais do que isso, usando como fundamento o conhecimento científico, está se afastando de sua responsabilidade e passando a intervir na esfera privada, ditando padrões de comportamento alheios aos que lhe cabe legislar, que são apenas aqueles necessários para manter a harmonia das relações sociais, evitando a injustiça e a opressão.

Conclusão

Nestes assuntos quem tem que ter a última palavra não são os cientistas, não são os políticos e não é o Estado, somos eu e você, cidadãos de mente livre, senso crítico e bem informados, capazes de discernir o que é melhor para cada um de nós sem a necessidade de alguém que nos diga como devemos pensar e nos comportar. Se não é assim que funciona hoje, é sinal que, apesar do alerta de George Orwell, o Grande Irmão zela por nós.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 24/08/2010

Leia também:

Verdade n° 1.

Verdade n° 2.

Verdade n° 3.

Related posts:

  1. As quatro terríveis verdades sobre a relação entre as drogas ilícitas e a ciência (parte 1 de 4)
  2. As quatro terríveis verdades sobre a relação entre as drogas ilícitas e a ciência (parte 3 de 4)
  3. As quatro terríveis verdades sobre a relação entre as drogas ilícitas e a ciência (parte 2 de 4)
  4. As Quatro Nobres Verdades
  5. Por que as reportagens sobre a maconha são tão tendenciosas? (Parte 1)

61 comments to As quatro terríveis verdades sobre a relação entre as drogas ilícitas e a ciência (parte 4 de 4)

  • Manga-Larga

    Parabéns pelo artigo, Arthur. Apesar de tudo, de não haver concenso entre cientistas, existem muitas evidências que deveriam ser levadas à sério. Estatísticas levantadas por países com políticas mais liberais são gritantes no sentido de que a proibição não funciona. Isso por si só deveria influenciar muito mais as políticas públicas do que pseudo-estudos que nem sequer apresentam resultados.

    • Aí é que está: o estudo que realmente interessa não é aquele produzido pela ciência médica! O estudo que realmente interessa é comparar as diferentes políticas nacionais acerca de drogas e identificar em que países ocorrem menos problemas devido ao uso de drogas. Não tenho a menor dúvida que são os países com as políticas mais liberais.

  • Manga-Larga

    Arthur, amanhã e sexta vai rolar no RJ a II Conferência Latinoamericana de Políticas de Drogas.

    http://www.diariodepetropolis.com.br/2010/08/23/rio-sedia-encontro-da-america-latina-sobre-politicas-de-drogas/

    A matéria é bem completa e cita a participação de várias pessoas da área.
    Me chamou atenção a participação de Bo Mathiasen (a-gain!), representante da UNDOC.

    Presta atenção no título do painel que este senhor vai apresentar:
    “O papel dos usuários de drogas na agenda das organizações multilaterais”

    Impressão minha ou este nome sugere que as organizações multilaterais, que atualmente estão cada vez mais críticas em relação à política de guerra às drogas, estão dominadas por usuários viciados tentando advogar em causa própria?

    Se for isso mesmo, PQP!

    • Tens alguma dúvida? :)

      Para estes indivíduos, quem fala em nome da proibição fala em nome dos interesses de todos e da cidadania, enquanto quem fala em nome da legalização fala em nome de interesses próprios e contra a cidadania. Maniqueísmo puro – e cola.

  • Manga-Larga

    Arthur, acabo de ter acesso ao texto de apresentação do painel que será apresentado por Bo Mathiensen. Pelo menos aparentemente, não há tal preocupação de colocar o usuário como culpado pelas atuais movimentações em prol da mudança das leis.

    O que achas?

    ——-

    Painel – Os usuários de drogas na agenda das agências multilaterais

    As agências multilaterais constituem um ator fundamental no desenvolvimento de políticas na região, contribuindo para a construção da agenda pública por meio de programas de assistência técnica e financeira. Tanto a Assembléia Geral das Nações Unidas como várias agências do sistema têm produzido uma série de resoluções, declarações e documentos orientadores á atenção aos usuários de drogas no contexto da saúde pública e do respeito pelos direitos humanos. No entanto, suas ações não são suficientes nem sistemáticas na América Latina. Em que grau de prioridade está os usuários de drogas na agenda das agências multilaterais na região? Como se poderia incrementar a atenção a essas populações?

    • Eu vejo um grande perigo sutilmente inserido nesse discurso.

      Ao colocar “o usuário de drogas”, assim de modo generalizado, como objeto de políticas públicas, sutilmente está se negando que o usuário de drogas seja sujeito de políticas públicas.

      É um nivelamento por baixo de todos os usuários de todas as drogas à condição de doentes que precisam de “resgate” para conseguirem recuperar sua cidadania, o que obviamente é ofensivo e principalmente insidioso, visto que condiciona a cidadania à condição de ser abstêmio.

      Existem usuários de drogas que não conseguem exercer plenamente sua cidadania devido à devido à perda do controle do uso de drogas e existem usuários de drogas que não conseguem exercer plenamente sua cidadania devido à estupidez proibicionista.

      Nivelar todos os usuários de drogas ao nível dos problemáticos é um modo sórdido de denegrir a imagem e negar a cidadania dos usuários conscientes.

  • Conheci o seu blog por meio de um comentário no texto: http://bulevoador.haaan.com/2010/09/29/droga-nao-e-demonio/

    A série de artigos está ótima!
    Acho que nunca tive a oportunidade de ler em um blog uma compilação tão completa sobre o tema “Drogas”.

    Muito bom!

    • Grato pela visita e pelo elogio, Alex. Andei um mês sem internet, acampando no meio do mato, mas estou de volta. Em breve novos textos sobre este tema.

  • vine

    Gostaria de fazer uma constatação. Nenhum blog me parece tão radical na defesa da legalização das drogas. Ao mesmo tempo, nenhum blog contém mais informações com embasamento científico, nem promove debate mais racional. Não tenho dúvidas ao afirmar que entre os blogs que costumo ver, inclusive favoráveis a legalização, este é o que mais se aprofunda na busca pela verdade dos fatos. Se em sua retórica ele parece tão radical em comparação aos debates costumeiros isso só denota o quanto estamos afundados em ideologias demagógicas. Sempre me pergunto após ler este blog porque defensores da legalização muitas vezes são tão tacanhos no debate. Será que eles mesmos também carregam preconceitos? Porque tanto eufemismo ao argumentar com o leigo, se, à luz da razão, só lhe falta informação de qualidade e não capacidade de raciocínio? Só tenho algo a dizer, e tenho dito muito ultimamente: visitem o Arthur. Vai elevar e muito a qualidade das pesquisas futuras.

    • Imensamente grato pelo comentário, Vine.

      Minha postura é a seguinte: eu sou coerente com a verdade, não com meus erros anteriores. Se hoje eu defendo “A” e daqui a alguns dias eu descubro que o correto é exatamente “não-A”, eu não vou continuar defendendo “A” para parecer coerente, ou para manter uma imagem qualquer, ou para qualquer propósito; eu vou passar a defender “não-A” com toda a tranqüilidade trazida pela convicção de estar defendendo o que é correto. Muito mais importante que parecer isso ou parecer aquilo é estar em paz com minha consciência.

      Logicamente, manter essa postura requer sobriedade para não se manifestar de modo precipitado, pois isso eliminaria qualquer credibilidade e deporia contra a seriedade de futuros escritos. Por isso “eu só abro a boca quando tenho certeza”. :) Mas sempre leio, pesquiso e avalio ponderadamente cada questão por diversos ângulos antes de assumir um posicionamento firme, ao contrário do que fazia a personagem que deu origem ao bordão citado…

  • Leandro

    A legalização no Brasil é inviável por vários motivos, não estamos na Holanda, milhares de pessoas ficam felizes nesse pais por poder tomarem mais água durante o dia, legalizar drogas e um pais com candidatos como o tiririca geraria um estrago sem precedentes, se isso aqui fosse a Holanda seria racional pensar na legalização apenas da maconha, pois legalizar o Crack é permitir jovens se matarem aos poucos.

    • Tsc, tsc, tsc… o Leandro ainda não se deu conta que a proibição é que é inviável, como tem demonstrado claramente o espantoso crescimento da criminalidade em todos os lugares onde se tenta combater o tráfico de drogas.

      Já nos países onde se tomam medidas liberalizantes – sem exceção – a criminalidade e a violência sempre diminuem rapidamente e as próprias estatísticas de abuso de drogas diminuem lentamente.

      Proibir o crack ou qualquer outra droga é jogar os jovens numa máquina de moer carne humana viva.

  • Manga-Larga

    Leandro, vc pode me dizer que tipo de desgraça ocorreria no Brasil se a maconha fosse vendida para maiores de 21 anos?

    A maioria dos cientistas concorda que o álcool é muito mais prejudicial ao organismo e à socidedade do que a maconha.

    Poderia explicar sua lógica? Visto que uma substância muito mais nociva é vendida livremente e o Brasil não está caindo aos pedações, o mundo não acabou.

    Se uma substância menos danosa que o álcool for vendida para maiores de 21, não há como os possíveis novos danos serem maiores do que os danos que já enfrentamos com o álcool e com a maconha atualmente vendida ilegalmente.

    • “Leandro, vc pode me dizer que tipo de desgraça ocorreria no Brasil se a maconha fosse vendida para maiores de 21 anos?” [2]

      Aliás… a idade para decidir se pode ou não fumar maconha (uma decisão que afeta principalmente quem a toma) teria que ser menor ou igual à idade para decidir em quem votar (uma decisão que afeta por igual milhões de terceiros).

      Portanto, ou pode decidir se consume crack aos 16 ou só pode votar depois dos 21. Sejamos coerentes… ;)

  • Leandro

    Aliás… a idade para decidir se pode ou não fumar maconha (uma decisão que afeta principalmente quem a toma) teria que ser menor ou igual à idade para decidir em quem votar (uma decisão que afeta por igual milhões de terceiros).

    Portanto, ou pode decidir se consume crack aos 16 ou só pode votar depois dos 21. Sejamos coerentes… ;)
    ………………..
    Eu concordo, menor de idade PODE matar e não ocorre nada com o mesmo, mas também pode votar………….

    Sobre a maconha eu não sou contra a liberação, mas não temos estrutura para isso ainda, vai demorar longos anos, como qualquer droga terceiro vão ser atingidos mais cedo ou mais tarde.

    • Caro Leandro:

      Olhe em volta. Toda violência e corrupção que você vê vinculadas ao assunto “drogas” são resultado do proibicionismo.

      Como o Arthur já disse mais de uma vez, ninguém vê “traficantes de cachaça” dominarem os morros, mandarem fechar o comércio, metralharem gangues rivais e outras atitudes deste calão, mas tudo isso já aconteceu na época da Lei Seca nos EUA e terminou quando as bebidas alcoólicas voltaram a ser legalizadas lá.

      O comércio da mesma substância (álcool), no mesmo país (EUA), gerou índices de criminalidade, violência e corrupção radicalmente distintos em momentos distintos. Qual a diferença entre um momento e outro? Somente a legalidade ou a proibição do álcool.

      Você percebe? A história mostra o comércio da mesma substância pode gerar comportamentos completamente diferentes, dependendo apenas de que seja legalizada ou proibida. É a proibição e não a substância que gera a criminalidade, a violência e a corrupção.

      Ficou meio repetitivo, mas espero que tenha ficado claro.

      Você diz que “não temos estrutura para legalizar”, mas a verdade é que não temos estrutura para proibir.

      Se o Arthur um dia entrar na políica, terá meu voto. ;)

    • O Leandro eu acho que é um caso perdido. Mas tinha que ser um gorila a lançar minha candidatura? :P

      Interessante que é o segundo gorila com discurso afinado com o meu. Na DH tem o “Nat”. Pena que são tão poucos. Os que me incomodam são os milhões de Urcos que pululam por aí…

  • Leandro

    Você diz que “não temos estrutura para legalizar”, mas a verdade é que não temos estrutura para proibir.
    ………
    Porque a estrutura tem que ser criada apenas isso, a respeito da maconha, sobre legalizar o Crack ou Cocaina sinto muito mas pode aparecer BUDA voando em SP que vou ser sempre contra, e qualquer pessoa com bom senso sempre será, se as pessoas começarem a consumir veneno de rato a solução é começar a vender na padaria!!! Fala sério………………….
    Quem acha que o trafico de drogas vai acabar por causa da liberação das mesmas é muito inocente, DVD original tem em toda parte também, mas só vejo pirata………

    • Deixa eu fazer um teste aqui…

      Leandro, me responde duas perguntas:

      1) Quando foi e onde foi a última vez em que uma quadrilha de traficantes de bebidas alcoólicas se tornou tão poderosa a ponto de dominar territórios, extorquir o comércio local cobrando “proteção” e obrigar políticos a negociar diretamente com a máfia local?

      2) Perante este descalabro, qual foi a atitude tomada pelo governo para reduzir a criminalidade, a violência e a corrupção a níveis manejáveis?

      Aguardo tuas respostas.

  • Leandro M

    Radialista é morto após denunciar troca votos por
    “Radialista é morto após denunciar troca votos por >crack<".

    O jornalista e radialista Francisco Gomes de Medeiros, conhecido como F. Gomes, 48, foi morto a tiros em frente à casa onde morava, no bairro Paraíba, em Caicó (304 km de Natal), por volta das 21h desta segunda-feira.

    Segundo a Polícia Civil de Caicó, F.Gomes estava na calçada quando um homem em uma moto disparou vários tiros e fugiu. O radialista foi levado para o Hospital Regional de Seridó, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

    F. Gomes trabalhava atualmente na rádio Caicó e era repórter freelance do jornal "Tribuna do Norte"". Ele também mantinha um blog com o seu nome e postou em setembro uma denúncia de suspeita de troca votos por crack, na região do Seridó, que repercutiu nacionalmente.

    No Twitter, algumas pessoas sugerem que o F. Gomes teria sido assassinado devido a denúncias contra traficantes de drogas da região. A Polícia Civil não confirma as denúncias e não soube informar se o radialista havia recebido ameaças.

    A polícia faz buscas na região pelo assassino do jornalista, mas ninguém foi preso.

    O caso foi registrado na Delegacia de Caicó.
    …………
    Onde chegamos!!!

  • Leandro M

    Legalizar maconha não enfraquece crime
    organizado no Brasil, diz representante da ONU

    Representante defende que país ajude vizinhos a combater o tráfico de drogas
    Marina Novaes, do R7, em Belo Horizonte

    Embora as drogas sejam uma das principais fontes de renda do crime organizado, a descriminalização da maconha não deve enfraquecer facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo, e o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. É o que diz Bo Mathiasen, representante da UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes), da ONU (Organização das Nações Unidas).
    Confira também

    O dinamarquês foi um dos palestrantes desta quinta-feira (6) do 1º Simpósio Sul Americano de Políticas Sobre Drogas, em Belo Horizonte. Em entrevista após o evento, ele defendeu a manutenção da proibição da maconha devido ao “mal que ela pode causar” no corpo, mas minimizou a importância deste entorpecente no crime organizado.

    - O crime organizado não existe em função da maconha. [...] Legalizar a maconha não vai trazer impacto nenhum sobre as facções criminosas.

    O tema não encontra consenso entre os especialistas que participaram do encontro. A descriminalização da maconha, porém, já tem alguns defensores famosos no meio político, como o ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc e o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

    De acordo com o último relatório da ONU sobre o consumo mundial de drogas, divulgado em junho de 2009, a maconha ainda é o entorpecente ilícito mais consumido no mundo, já tendo sido usado por cerca de 3% da população mundial.

    Enfrentamento

    Para o representante da ONU, embora o Brasil tenha evoluído muito em relação ao combate ao tráfico de drogas, o governo federal deve investir em políticas públicas relacionadas ao tema em países da fronteira, como o Paraguai, porta de entrada de grande parte das drogas que chegam ao país.

    - Para combater a droga e melhorar a segurança da região, o Brasil deve ajudar os países vizinhos a enfrentar o problema, pois é um líder regional.

    Vedete da discussão sobre drogas no país, o crack não figura entre as drogas ilícitas mais consumidas do mundo, aponta a ONU. O representante do órgão, porém, alerta para a necessidade de se desenvolver políticas próprias para o combate a esse entorpecente e defende a ampliação de pesquisas sobre o tema.

    O dinamarquês elogiou a instalação das Unidades de Polícias Pacificadoras em comunidades do Rio.

    - É difícil dizer qual modelo seguir, mas ideias como essa são muito positivas. O Brasil está no caminho certo, mas tem o desafio de não deixar que esses bolsões de violência, onde existem um “poder paralelo”, continuem a crescer.

    O próximo relatório da ONU sobre o consumo de drogas no mundo – no qual serão apresentados diversos dados sobre o Brasil – está previsto para ser lançado em 25 de junho deste ano. O simpósio continua até sábado (8).

    *A jornalista viajou a convite da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

    • É (engraçado

      Outra boa:

      “O crime organizado não existe em função da maconha. [...] Legalizar a maconha não vai trazer impacto nenhum sobre as facções criminosas.”

      Vamos ver se esse raciocínio é consistente? Nem vou desmascarar a falácia logicamente desta vez, porque um truque muito mais simples é suficiente. Basta manter a mesma estrutura e a mesma lógica e substituir os elementos por outros que estejam em condição lógica semelhante entre si para ver se a frase continua razoável:

      “A imprensa não existe em função da calúnia, da injúria e da difamação. Legalizar a calúnia, a injúria e a difamação não vai trazer impacto nenhum sobre a imprensa.”

      É… parece que não… :)

      Finalmente, o cúmulo da estupidez:

      “É difícil dizer qual modelo seguir, mas ideias como essa são muito positivas.”

      Traduzindo: não conheço o terreno nem as estradas, mas tenho certeza que este aqui é o caminho correto.”

      HAHAHAHAHA!!!

      Enquanto isso, quais são as estatísticas de crimes ligados às drogas na Holanda e na República Tcheca? :)

      Para quem é coerente e deseja realmente reduzir o sofrimento das pessoas, não é difícil dizer qual modelo deve ser seguido. Essa dificuldade só existe para quem diz uma coisa e na verdade persegue outra.

  • Manga-Larga

    Pois é Leandro, e mesmo com tudo isso, com toda essa violência e mortes, você ainda é a favor da proibição!
    Não dá pra te entender Leandro… não dá mesmo!

    • Ele é policial. Ele lida todo dia com violência e não consegue compreender que o culpado pela violência que o coloca em perigo é o patrão dele, não o suposto inimigo apontado pelo patrão dele.

      É raro que um profissional consiga avaliar um sistema social muito além dos limites de sua atuação, especialmente quando isso exige correr o risco de criticar quem paga seu salário e ainda por cima contrariar a opinião pública.

  • Leandro

    E olhe que eu não sou contra a liberação da maconha, mas afirmar que a liberação vai acabar com o trafico de drogas é mentira porque não vai. Sinceramente vejo pessoas com potenciais muito altos sendo jogado fora por causa das drogas principalmente o Crack, realmente não desejo isso pra filho nenhum, a violencia não é fruto da proibição das drogas e sim de todo um sistema que não funciona. Cingapura ou Japão são violentos?

    • Primeiro que eu nunca falo em liberação das drogas e sim em legalização das drogas. Essa distinção tem que ficar clara, caso contrário o que eu falo será sempre mal entendido.

      “Liberar” significa desregulamentar. Isso é exatamente o que existe hoje: não há regulamentação para a produção, para o processamento, para o armazenamento, para a venda no atacado nem no varejo, para os locais e as condições adequadas para o consumo, etc. A proibição gera toda essa gandaia que causa danos e prejuízos.

      “Legalizar” significa regulamentar. Isso é o que os cidadãos conscientes deveriam exigir: regulamentação para garantir a qualidade do produto, a inexistência de misturas, as condições adequadas de armazenamento, as quantidades e as licenças adequadas para comercialização, os locais em que pode haver consumo e em que não pode. A legalização e uma regulamentação inteligente eliminarão a maior parte dos danos e prejuízos.

      Em segundo lugar, é óbvio que a legalização vai eliminar o tráfico. Por exemplo: existe “traficante de cigarros”? Não, não existe. O que existe são contrabandistas de cigarros. Muito mais do que mera questão vocabular, essa diferença é crucial: as quadrilhas de contrabandistas não atuam com a mesma lógica do tráfico. O nível de violência do contrabando é muito inferior ao nível de violência do tráfico. Só isso já seria um grande avanço.

      Por último… é óbvio que Cingapura e Japão são violentos. São países em que o cidadão não tem liberdade de expressão, não consegue demandar judicialmente o Estado de modo adequado quando sofre injustiças, não tem defesa contra a opressão governamental em caso de arbitrariedades. São lugares péssimos para se viver. O Japão tem a maior taxa de suicídio do mundo. Os nissei e sansei que vão para o Japão trabalhar em sua maioria voltam para o Brasil porque não conseguem suportar o estresse intenso e ubíquo da cultura japonesa. Só defende um Estado como o de Cingapura e como o do Japão quem vive bem longe deles…

    • marcelo

      Tens argumentos para essa afirmação, Leandro:
      “afirmar que a liberação vai acabar com o trafico de drogas é mentira porque não vai”
      no aguardo!

  • Manga-Larga

    Leandro, se tirarmos a maconha das mãos do tráfico, isso vai significar uma queda +- de 40% de sua renda. Qualquer negócio que perde 40% de sua renda vai sentir um baque terrível, ainda mais no caso do tráfico de drogas, que estudiosos estimam ser um negócio de alto custo e risco.

    Ou seja, acabar não acaba, mas enfraquece certamente!

  • Manga-Larga

    A lógica é essa mesmo, mas não vai faltar reaça falando que vc quer legalizar o crack.

  • Manga-Larga

    Eu li seu artigo e entendo a lógica, porém na vida real a legalização da cocaína faria com que o crack desaparecesse, já que é um subproduto cheio de impurezas dessa mesma substância.

    Na época da Lei Seca americana, vendiam-se destilados feitos em fundos de quintais. Logicamente que esses lixos sumiram quando legalizou-se o álcool.

    Pra mim, com o crack será igual, por isso não faz sentido ao meu ver falar em “legalização do crack”.

    • A legalização da cocaína não faria com que o crack desaparecesse, assim como a legalização do plantio da Cannabis não impediria que surgissem baseados industrializados. (Maconha mentolada, maconha com sabor cereja, etc.)

      Sempre vai haver quem prefira produzir artesanalmente e quem prefira adquirir o produto industrializado. Vale para os dois casos.

  • Manga-Larga

    Discordo Arthur, pois se esse fosse o caso seria comum as pessoas ingerirem aquele tipo de bebida de baixa qualidade que se fabricava na Lei Seca. Não é o que acontece: a legalização da bebida alcólica fez com que as bebidas artesanais de baixa qualidade desaparecessem. Ok, talvez não desapareceram mas foram reduzidas a um número desprezível comparado com o que havia na época da Lei Seca e não são nem de longe o problema de saúde pública que havia naquela época.

    Ora, hoje em dia as pessoas em sua maioria preferem comprar a bebida industrializada, que é mais segura do que a artesanal. Na minha visão, a legalização da cocaína fará o mesmo com o crack.

    Também não entendi seu paralelo entre a legalização do plantio de Cannabis e o surgimento de baseados industrializados, não me parece haver entre os dois últimos a mesma relação que há entre Crack e Cocaína. Se quiser fazer uma comparação do tipo, faça entre a “maconha mijada” e a “maconha boa”.

    • Manga-Larga, eu aposto que tu és morador de uma grande zona urbana, certo?

      No meio rural as bebidas artesanais não desapareceram. E a qualidade varia muito, desde as muito boas até as intragáveis, desde as que passariam tranqüilamente numa avaliação sanitária até as que causariam (e causam) intoxicações com os mais variados graus de risco.

      Mas tens razão no seguinte: “não desapareceram mas foram reduzidas a um número desprezível” justamente porque “as pessoas em sua maioria preferem comprar a bebida industrializada”. Eu tenho a maior convicção de que o mesmo processo acontecerá quando industrializarem a Cannabis: muita gente vai preferir a maconha industrializada, ficando a produção artesanal circunscrita a um pequeno percentual de maconheiros naturebas que farão questão de cultivar seus pezinhos de modo orgânico, sem aditivos químicos (adubos) nem defensivos (venenos).

      Já em relação ao crack, não entendo tua lógica. Na maioria dos casos, quem consome cocaína traficada vai passar a consumir cocaína legalizada e quem consome crack traficado vai passar a consumir crack legalizado. Uma minoria vai insistir em “virar” a cocaína em crack e outra minoria vai insistir em consumir crack de procedência duvidosa e má qualidade devido ao preço muito reduzido. Ou seja, a legalização da cocaína não terá o poder de acabar com o crack, portanto, acho importantíssimo que este também seja legalizado.

      Vamos supor que a cocaína fosse legalizada e o crack não. O que aconteceria? Simples: imediatamente se formaria uma rede de pequenos laboratórios de conversão de cocaína em crack, com as mais variadas qualidades, desde o sujeito que “vira” cocaína pura em crack na colher para consumo imediato até os laboratórios que adicionam diversos compostos tóxicos que causarão agravos secundários à saúde dos consumidores mais pobres.

      O mais lógico é sempre legalizar e regulamentar tudo, para não dar chance à formação de novas redes de tráfico.

  • Manga-Larga

    PS: Importante lembrar que, salvo excessões, a maconha plantada em casa é superior em qualidade à maconha que se vende ilegalmente e possivelmente será tb superior à industrializada.

    • Produto artesanal para consumo próprio e distribuição entre amigos quase sempre tem boa qualidade. Ninguém põe farinha no brigadeiro da própria festa de aniversário.

  • Manga-Larga

    Arthur, nem eu nem você temos dados para falar com certeza, mas eu posso apostar que a plantação caseira não vai ser assim tão limitada aos “naturebas”.

    Atualmente, mesmo proibido, existem muitas pessoas que plantam a própria maconha e fazem isso não só pela qualidade da erva, mas também por lazer, porque é muito divertido. Se quiser conhecer mais sobre o principal fomentador do auto-cultivo nacional, faça uma visita no Growroom (www.growroom.net). Já com mais de 30 mil usuários registrados, este site dá uma idéia do quanto o auto-cultivo pode vir a crescer e se transformar em uma autêntica ferramenta de redução de danos.

    Lembrando que plantar maconha é bem mais fácil e exige menos equipamentos do que fazer uma cerveja caseira, por exemplo.

    Sobre a legalização da cocaína fazer o crack sumir, minha suposição se baseia no fato de que a cocaína e o crack serem basicamente a mesma substância. Se você chega para um craqueiro e dá pra ele uma bucha de pó, ele vai ficar felizão e queimá-la numa boa naqueles cachimbos.

    Então a lógica é: se temos filé mignon a um preço justo, pra que pagar mais por uma carne de pescoço meio estragada?

    • É que a cocaína não queima como o crack. Primeiro tem que “virar”, ou seja, transformar a cocaína em crack, pra depois poder fumar no cachimbo ouo na lata. Por isso eu digo que é mais lógico legalizar ambas as formas de comercialização da mesma substância: para evitar que esse processo comece a ser realizado por laboratórios de fundo de quintal com a adição de outras porcarias que vão trazer agravos secundários á saúde dos usuários que preferirem comprar pronto ao invés de “virar”. (Até porque se a cocaína chegar “batizada” ela pode até ser cheirada, com algum efeito, mas não “vira”. Aí o sujeito fica com uma água melequenta com cocaína, bicarbonato e impurezas que não tem como ser reconvertida em pó nem ser transformada em pedra… mas que ainda pode ser injetada. Já viste o tamanho da encrenca, né?)

Leave a Reply

 

 

 

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>