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Você sabe mentir distorcendo estatísticas?

Um antigo e sábio ditado diz: “existem as pequenas mentiras… existem as grandes mentiras… e existe a estatística”. Lógico que a estatística não é uma “ciência de como mentir”, mas como a maior parte das pessoas não tem conhecimento – nem senso crítico – para avaliar adequadamente informações em formato estatístico, não é muito difícil utilizar a estatística para produzir avaliações distorcidas da realidade.

Encontrei um exemplo bastante ilustrativo de distorções com estatísticas, tente identificar os dois grandes absurdos antes de ler o texto abaixo da citação:

Um levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP) revela que o crime de lesão corporal seguido de morte quase dobrou no estado do Rio de Janeiro, no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. (…)

Os  casos de lesão corporal seguido de morte aumentaram 45% e de lesão corporal dolosa 2,5%. No que diz respeito a crimes considerados violentos, o relatório mostra uma redução de 34,2% no registro de latrocínio, 20,2% no de homicídio doloso e 13,6% no de tentativa de homicídio. (Fonte: G1)

Você já identificou as informações distorcidas?

Primeira: no primeiro parágrafo citado diz que “o crime de lesão corporal seguido de morte quase dobrou”, enquanto no segunto parágrafo o dado é que “os casos de lesão corporal seguido de morte aumentaram 45%”. Quer dizer que aumentar 45% é “quase dobrar”?

Segunda: no segundo parágrafo consta a afirmação “os  casos de lesão corporal seguido de morte aumentaram 45%”, mas “no que diz respeito a crimes considerados violentos, o relatório mostra uma redução (…)”. Quer dizer que lesão corporal seguida de morte não é crime violento?

Mas talvez eu esteja radicalizando demais. Mostrei estes dois parágrafos para três pessoas antes de escrever o artigo e duas delas identificaram os dois problemas. Ou seja: “66% da população é perfeitamente capaz de ler estatísticas, logo a educação em estatística no Brasil é muito boa”. Você concorda com essa afirmação?

Aguardo respostas para as três perguntas.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/10/2010

30 comments to Você sabe mentir distorcendo estatísticas?

  • Para identificar esses absurdos não é necessário saber estatística, apenas porcentagem e português elementar.

    • Pronto, o Bernardo acabou de destruir o comentário sacana que eu estava guardando pra metralhar quem viesse dizer que não identificou os problemas porque “estatística é complicado”… :)

  • marcelo

    Realmente, muito antes de “compreender” dados estatísticos a interpretação do texto é o maior problema dos brasileiros…
    Aliás, 2 parágrafos muito mal escritos e com as citadas distorções…

    R1: não
    R2: não
    R3: não

    • Quais parágrafos estão mal escritos? Os que citei ou os que escrevi? :-/

    • marcelo

      eu tenho um sério problema de me expressar por escrito…
      os paragrafos do G1, claro! falar de paragrafos mal escritos por vc é pedir pra ser ownado, né? rsrs

    • Não!

      Se um leitor comenta que um parágrafo está mal escrito, eu tenho a chance de revisar o parágrafo e verificar se a crítica procede. Se proceder, eu tenho a chance de aperfeiçoar o texto. Se não proceder, eu tenho a chance de explicar melhor o texto para quem não o compreendeu. Em qualquer dos casos eu saio ganhando e os leitores saem ganhando, o que não aconteceria se eu fosse impermeável a críticas.

      O que eu não admito no blog é aquele tipo de comentário destrutivo como “só um imbecil como você poderia dizer uma estupidez dessas”. Se um comentário desses for postado, é praticamente certo que vou deletá-lo, porque ninguém ganha nada com isso. Um comentário dessa natureza é vago demais para eu reavaliar qualquer parte do raciocínio ou do texto, é emocionalmente inócuo para mim e intelectualmente nulo, mas pode incomodar alguém e gerar estresse na caixa de comentários. Logo, melhor apagar.

      Dá uma olhada na discussão que eu tive com o Mathias no artigo “Não houve golpe em Honduras”. O cara só faltou me dar uma machadada, chegou a me xingar e mais de uma vez usou de ironia pesada. Eu também não fui exatamente santo naquele debate. Mesmo assim foi um dos melhores debates do blog e o Mathias é bem vindo aqui. Por quê? Porque em nenhum momento eu senti que tivesse havido qualquer intenção de desrespeito, mesmo nos momentos mais tensos e agressivos do debate. Numa luta de boxe os dois atletas não se enchem de socos até sangrar ou cair e no final da luta um não cumprimenta o outro? :-)

    • marcelo

      Mais uma vez a minha dificuldade em expressar idéas por escrito ficou latente :(
      Não quis dizer que você, por ter uma clareza incrivel nos seus textos e uma capacidade argumentativa invejável (inveja boa existe :)) iria usar de arrogância por eu criticar seu modo de escrita…
      Mas quem sou eu, que em 3 linhas não se faz entender pra dizer que um texto seu está mal escrito?
      Admiro muito sua capacidade argumentativa, sua sede por informação, seu embasamento cientifico e, por que não, seu modo de administrar seu tempo (porque, vamos combinar, com a quantidade de projetos que você se envolve, as horas de leitura, trabalho, casa etc., ainda manter um blog!)
      Vou tentar melhorar meus comentários, e só pra não passar em branco, concordo que críticas construtivas fazem muito bem, a quem quer que seja!

      Um abraço e, agradeço por fazer questão de responder, mesmo sem entender :)

    • Lógico… se eu não respondesse quando a coisa parece complicada, como o leitor sacaria que eu entendi errado para poder me explicar alguma coisa?

      (Isso está ficando enrolado…) :P

    • marcelo

      realmente :)
      esse seu ultimo comentário está parcido com os que eu escrevo, foi de propósito? kkkk
      abraço

  • [...] This post was mentioned on Twitter by Arthur Golgo Lucas, Arthur Golgo Lucas. Arthur Golgo Lucas said: Você sabe mentir distorcendo estatísticas? http://bit.ly/bziQAI [...]

  • Manga-Larga

    Pô mas que amostragem enorme hein?
    2 dos seus 3 amigos conseguiram identificar a falácia.

    Digamos que essa sua amostragem não é nada heterogênea – Pra ser amigo do Arthur o sujeito já tem que ser mais ou menos inteligente.

    • Hehehehe… é isso aí, no primeiro caso se chama “amostra insuficiente” e no segundo caso “amostra enviesada” (ou “amostra com viés”). :)

  • Juan

    Ficou claro que não aumentou quase o dobro, ok! Agora não entendi o segundo paragrafo do G1, ao invés de enaltecerem a redução do número de crimes violentos, falaram mais sobre lesão corporal seguida de morte que é preterdoloso.

    • Juan, o crime ser preterdoloso não implica necessariamente que seja violento, são categorias distintas. O absurdo é não incluir “lesão corporal seguida de morte” entre os crimes violentos na estatística.

      Outro ponto que mereceria questionamento é o seguinte: como foram apresentados somente os dados percentuais referentes a progressão temporal de cada crime específico, não podemos dizer se no conjunto os crimes violentos aumentaram ou diminuiram. Portanto, a notícia não informa o dado que é de maior interesse para o cidadão.

  • Opa, uma correção, hein!!
    E uma correção que explica o segundo parágrafo, o qual eu não consegui encontrar erro.

    Você acha que existe um erro no segundo parágrafo pq acha que crime de lesão corporal seguido de morte TEM QUE SER violento. Mas não é. O crime de lesão corporal seguido de morte É preterdoloso, e, como você mesmo mencionou, “o crime ser preterdoloso não implica necessariamente que seja violento, são categorias distintas”.

    Quanto ao primeiro, foi um pequeno erro. Certamente o jornalista, que não entende nada de matemática, viu ‘próximo de 50%’, ou seja, aumentou a metade, mas esse é um pensamento complexo, certo? Então ele achou que aumentar a metade era dobrar. Mas já foi, inclusive, corrigido no site.

  • Eduardo Marques

    Já foi corrigido lá. hehehe Que mancada, heim!

  • Li

    Ainda bem …..que não és político,Arthur!

    Brincadeira….acho que devias ser.
    E o Roberto também.

    Não acredito que as coisas possam se modificar pelo lado de fora.

    E as pessoas corretas….não querem saber de política.

    • Li

      Olá Arthur.
      Desculpe a invasão, mas você se enganou de pessoa!
      Essa “Li” aí de cima, não sou eu. Portanto… ela continua se “escondendo”… você ainda não a achou!
      Abraços.

    • Eu tinha acabado de perceber a confusão quando encontrei esses dois comentários seguidos. :)

      A Li sem figura no avatar é uma antiga amiga. A Li com a foto de mãos dadas no avatar é uma nova amiga. ;)

  • Não vou responder por que o texto está incompleto! As estatísticas não valem nada se não forem acompanhadas de pelo menos um número absoluto numa das pontas! :)
    Afinal, 100% de 1 é 1 e 10% de 100 é 10, mas 10% de 100 ainda é 10 vezes maior do que 100% de 1. O nome disto é distorcer o comentário sem mentir. :D

  • Li

    Que divertido,rs.

    Amigos novos ou velhos….o que importa é que eles existam.
    Especialmente neste mundo que não costuma valorizar o que não se pode comprar.

  • “como é que lesão corporal seguida de morte poderia não ser um crime violento?”

    Você mesmo respondeu isso quando disse que “o crime ser preterdoloso não implica necessariamente que seja violento, são categorias distintas”.

    A definição de lesão corporal seguida de morte é que este É um crime preterdoloso. Imagina que eu e você estamos discutindo sobre algo, aí a discussão fica quente e eu lhe dou um empurrão. Você cai, bate a cabeça numa pedra e morre. Evidentemente minha intenção não foi sequer derrubar você, quanto mais matá-lo. É uma lesão corporal seguida de morte, e não é um crime violento.

    • Eu disse que a categoria “crime preterdoloso” não implica necessariamente violência. É bem diferente de dizer que lesão corporal seguida de morte não seja necessariamente um crime violento.

      O fato de uma categoria não implicar necessariamente outra categoria não implica necessariamente que um elemento dessa categoria não implique necessariamente aquela mesma outra categoria não necessariamente implicada pela categoria inicialmente citada.

      (Que pérola! A frase ficou terrível, mas está logicamente consistente e correta.)

      Teu exemplo do empurrão não é um caso de lesão corporal seguida de morte. Um empurrão não é lesão corporal. Troca por um soco que o exemplo se encaixa na definição. Mas aí tem violência.

      Como é que podes imaginar LESÃO CORPORAL sem violência?

  • “Eu disse que a categoria “crime preterdoloso” não implica necessariamente violência. É bem diferente de dizer que lesão corporal seguida de morte não seja necessariamente um crime violento.”

    Lesão corporal seguida de morte É um crime pretedoloso. Sempre. Esta é a definição de lesão corporal seguida de morte.
    Veja bem: eu não estou dizendo que ALGUMA lesão corporal seguida de morte é preterdolosa. Estou dizendo que TODA lesão corporal seguida de morte é preterdolosa.

    Crime violento é aquele que atenta contra a vida humana. A parte dolosa de uma lesão corporal seguida de morte é a lesão corporal. A morte é a parte culposa. Como, portanto, não há intenção de atentar contra a vida humana, não é um crime violento. A morte não foi intencional.

    Att,

    • “Crime violento é aquele que atenta contra a vida humana.”

      Não.

      Crime violento é aquele que emprega violência.

      Se eu te espanco (sem intenção de te matar e com cuidado para não te matar, porque eu quero te ver sofrer), eu cometo violência sem “atentar contra a vida humana”.

      Vais me dizer que “espancamento não é crime violento”?

      Agora, se a definição legal de “crime violento” por acaso for “crime em que há intenção de atentar contra a vida humana”, então:

      a) Só acredito vendo esta definição no próprio texto da lei.

      b) Se for mesmo o caso, isso é uma aberração, pois essa definição não corresponde à realidade dos fatos. É como chamar de “tráfico” o plantio de um pé de Cannabis sativa: plantar só é tráfico na cabeça do imbecil que escreveu essa bobagem e dos imbecis que promulgaram uma lei tão razoável quanto a revogação da lei da gravidade por via legislativa.

  • Roberto Tramarim

    A cidade de São Paulo não está entre as 10 mais violentas do estado de SP. A cidade mais violenta estatísticamente é Salto, cidade próxima e entre pequena e média. A sensação que se tem em Salto é a de estar numa cidadezinha pacata e tranquila, no entanto ela é proporcionalmente mais violenta que São Paulo, cuja sensação de insegurança é deprimente.

    No mundo da Fórmula-1 existe um ditado sobres estatísticas:
    “Estatística é que nem biquini, mostra tudo menos o principal”.

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