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A bactéria 007

O blog AstroPT publicou um artigo especulativo que contém uma idéia interessantíssima (para quem curte ciências) sobre a possibilidade de construir bactérias-computadores. Eu tive uma incrível sensação de déjà-vu, porque quando eu estava cursando o 2° grau, hoje chamado de Ensino Médio no Brasil, eu escrevi uma redação na escola justamente sobre essa possibilidade! Há mais de 25 anos!

O fato ocorreu entre 1983 e 1985, eu teria que verificar em que ano tive aulas com uma professora de biologia que, por ser muito baixinha, foi apelidada pelos alunos de… “Bactéria”!

Tínhamos acabado de assistir uma aula de genética e sido informados a respeito da existência de DNA não-codificante. O período seguinte era uma aula de língua portuguesa e nos foi solicitada uma redação sobre alguma questão científica qualquer.

Eu escrevi uma redação na qual levantava a hipótese de introduzir informação em uma cadeia de DNA não-codificante e introduzir o segmento de DNA contendo essa informação no genoma de um lactobacilo. Deste modo, uma pessoa poderia ser usada como portador de informações sigilosas sem sequer ter conhecimento disso, bastando servir para ela um yogurte!

O sujeito beberia o yogurte, os lactobacilos desceriam pelo trato digestivo, ficariam alojados por um tempo nos intestinos do portador e com o tempo a informação se perderia devido à competição com outros bacilos que não tivessem que gastar tanta energia para reproduzir uma seqüência de DNA inútil.

Ou a informação poderia ser transportada deste modo por um espião, que para destruir as provas de sua atividade só teria que tomar um antibiótico.

Recuperar a informação é que seria uma… bem… deixa pra lá.

A redação foi considerada fantasiosa demais na época.

Sorte do mundo que eu estudei ecologia, não genética. Mas, se alguém da CIA ou da KGB quiser me convidar para fazer um doutorado ou integrar uma equipe de pesquisa a este respeito, desde que o salário seja bom e os horários flexíveis, prometo avaliar com carinho. :)

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 06/12/2010

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