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Aborto: o argumento do violinista (parte 1)

Volta e meia alguém feminista me aparece com uma defesa do pretenso “direito” da mulher de matar um ser humano inocente e indefeso que ela mesma trouxe ao mundo e que por irresponsabilidade e egocentrismo ela considera um estorvo. A bola da vez foi um link que me mandaram com um argumento pra lá de esdrúxulo que não se sustenta perante a mais elementar análise lógica.

Eu conheci o argumento do violinista no blog Dúvida Metódica, dos professores de filosofia Sara Raposo e Carlos Pires, da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, da cidade de Faro, Portugal. Espero que o objetivo deles ao apresentar tal argumento a seus alunos tenha sido debater as falhas que o invalidam, porque isso é o que eu farei a seguir.

Vejamos então o argumento do violinista tal como foi apresentado no blog Dúvida Metódica:

A filósofa norte-americana Judith Jarvis Thomson (n. 1929) escreveu, em 1971, um artigo “Uma defesa do aborto”, onde propõe ao leitor a seguinte situação imaginária (o que em Filosofia designamos como experiência mental):

«De manhã acorda e descobre que está numa cama adjacente à de um violinista inconsciente – um violinista famoso. Descobriu-se que ele sofre de uma doença renal fatal. A Sociedade dos Melómanos [dos apreciadores de música] investigou todos os registos médicos disponíveis e descobriu que só o leitor possui o tipo de sangue apropriado para ajudar. Por esta razão os melómanos raptaram-no e, na noite passada, o sistema circulatório do violinista foi ligado ao seu, de modo a que os seus rins possam ser usados para purificar o sangue de ambos.

O director do hospital diz-lhe agora: “Olhe lamento que a Sociedade dos Melómanos lhe tenha feito isto – nunca o teríamos permitido se estivéssemos a par do caso. Mas eles puseram-no nesta situação e o violinista está ligado a si. Caso se desligasse matá-lo-ia. Mas não se importe, porque isto dura apenas nove meses. Depois ele ficará curado e será seguro desligá-lo de si”.

De um ponto de vista moral, o leitor teria a obrigação de aceitar esta situação? Não há dúvida de que aceitá-la seria muito simpático da sua parte, constituiria um gesto muito generoso. Mas teria de aceitá-la?»

Como responderia o leitor?

Considera que o facto de admitirmos o direito do feto à vida significa que o aborto não é moralmente permissível?

Espero que fique claro que os autores daquele blog se limitam a fazer perguntas porque o objetivo do blog é didático e os professores querem que seus alunos aprendam a pensar por conta própria e argumentar com seus próprios recursos. A ausência de posicionamento no artigo deles é proposital, é condizente com os objetivos do blog e não constitui uma falha.

Para entrar no espírito da coisa e ser fiel ao objetivo dos professores, eu decidi escrever este artigo assim que conheci o argumento, sem ler quaisquer comentários ou análises certamente já existentes e disponíveis na internet. Espero, portanto, repetir involuntariamente muito do que já deve ter sido dito por aí. Na verdade, ficarei bastante frustrado se isso não acontecer.

Agora vamos ao que interessa.

Análise da estrutura lógica da fábula

O que esta fábula pretende é justificar um pretenso “direito de escolha” da mulher sobre a interrupção de uma gravidez indesejada. Entretanto, o argumento é falho porque a metáfora não possui a necessária equivalência entre a situação dos personagens da fábula e a situação de uma gestante, a não ser que ela tenha sido estuprada.

Vejamos:

A fábula traz apenas dois agentes: a Sociedade dos Melômanos, que gera a situação de conflitode interesses entre o violinista e o leitor, e o próprio leitor, que decide sobre a resolução do conflito. O violinista não tomou qualquer decisão nem tem como se comunicar para opinar.

A situação de uma mulher que engravida devido a um estupro traz os mesmos dois agentes: o estuprador, que gera a situação de conflito entre o feto e a vítima do estupro, e a própria vítima do estupro, que decide sobre a resolução do conflito. O feto não tomou qualquer decisão nem tem como se comunicar para opinar.

A situação de uma mulher que engravida devido a relações sexuais voluntárias só tem um agente: ela mesma, que gerou a situação de conflito de interesses entre si e o feto, e que pretende ter o direito de resolver tal situação jogando as conseqüências de suas ações sobre outro ser humano, que não tomou qualquer decisão nem tem como se comunicar para opinar.

Esta fábula, em conseqüência, só serve como metáfora nos casos de estupro, visto que é o único caso em que ocorre adequada correspondência de papéis do agressor (Melômanos/estuprador), da vítima da violência (leitor/mulher estuprada) e do desafortunado sem possibilidade de opinar (violinista/feto).

No caso de uma mulher que engravida devido a relações sexuais voluntárias, portanto, o “argumento do violinista” não tem correspondência lógica, não representa uma situação semelhante e não pode ser usado para que dele se extraia qualquer princípio pertinente.

Isso do ponto de vista estritamente lógico.

Existe [pelo menos um] outro ângulo de análise que torna as coisas bem piores.

Análise dos pressupostos morais da fábula

Vejam que a tal filósofa constrói a situação de conflito vitimizando o leitor com o recurso a um crime violento, o seqüestro:

(…) “Por esta razão os melómanos raptaram-no e, na noite passada” (…)

Ora, se a tal filósofa que inventou a fábula pretende que haja equivalência entre a situação do leitor na fábula e a de uma gestante que engravidou devido a relações sexuais voluntárias, então, das duas, uma:

- ou ela acha que o feto rapta a mulher e que isso dá à gestante o “direito de escolha” de matar um “agressor” como se fosse uma “legítima defesa”, o que é uma alegação de uma sordidez imensa, além de totalmente incorreta;

- ou ela tem que conceder logicamente que quem gera tal conflito comete um crime, devendo portanto ser responsabilizado por suas ações. (Que suave “pena” ter que cuidar de uma criança que a amará incondicionalmente e a chamará de “mãe”.)

Ora, é evidente pela contextualização emocional que a autora da fábula pretendia que o leitor repudiasse a responsabilidade de passar nove meses preso a um leito hospitalar para salvar a vida de um estranho.

E é evidente pelo título da fábula que a autora pretendia estabelecer um paralelo entre a situação do leitor e a situação de uma gestante que alegasse ter uma gravidez indesejada para justificar a legitimidade de um aborto.

Portanto, necessariamente há que se descartar a segunda entre as alternativas citadas e reconhecer que a autora pretendia com seu argumento vitimizar a mulher e não responsabilizá-la.

Isso nos conduz à conclusão necessária de que o argumento do violinista é “uma alegação de uma sordidez imensa, além de totalmente incorreta”.

Proposta de um novo experimento mental

Vamos supor que o violinista não estivesse incosnciente, mas apenas incapaz de se mover e de se comunicar, embora pudesse ouvir, sentir e compreender tudo a sua volta.

O leitor, ao final da explicação do médico, diz que não tem qualquer vínculo emocional com o violinista, que não se sente responsável pela vida dele e que tenciona desligar-se dele para seguir sua própria vida.

Neste momento o médico, que sabia que o violinista estava consciente, tira do bolso do jaleco uma seringa e injeta nele um medicamento. Quase imediatamente o violinista recupera os movimentos e senta-se na cama, enquanto o leitor desaba paralisado mas consciente.

Então o médico diz o seguinte ao violinista:

“O medicamento que lhe injetei só pode manter sua capacidade de movimento e de comunicação por cinco minutos antes de perder o efeito, depois disso a paralisia voltará e uma nova dose não funcionará.

Infelizmente, o efeito deste medicamento em uma pessoa saudável é o exato oposto do efeito em uma pessoa com sua doença. Como o sistema circulatório de vocês dois está ligado, a pessoa da qual depende sua vida não poderá lhe responder, embora esteja ouvindo tudo que você disser.

Você tem uma única oportunidade de cinco minutos para tentar convencer esta pessoa a salvar sua vida, aproveite bem este tempo.”

Na fábula de Judith Jarvis Thomson você era o leitor.

Agora você é o violinista.

Você tem uma única oportunidade de cinco minutos para colocar-se mentalmente na situação do violinista, imaginar o que ele deve sentir ao ouvir a explicação do médico e a decisão e as justificativas do leitor e argumentar para tentar reverter a decisão do leitor e salvar a própria vida, então aproveite bem este tempo.

Depois corra para a caixa de comentários do Pensar Não Dói e descreva o que você sentiu e como argumentou para tentar salvar sua vida.

O cronômetro já está ligado.

Tic… tac… tic… tac… tic… tac…

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/12/2010

78 comments to Aborto: o argumento do violinista (parte 1)

  • Manga-Larga

    Desculpa o flood, mas gostaria de colocar o seguinte: todo esse papo de violinista ou de amigo de viajem sacana vai ter lógica, porque realmente a base da questão é que a mãe tem o poder de escolher se quer ou não engravidar. Neste ponto, concordo plenamente que precisamos melhorar a educação da população para que ela seja capaz de fazer tais escolhas de maneira ponderada. Só que falta combinar com as mulheres mal instruídas que estão fazendo tudo ao contrário do que a lógica manda. Elas existem e possivelmente não vão melhorar no curto prazo. Por isso acho que o ideal é fornecer condições seguras para essas mulheres não se matarem enquanto matam seus fetos (diminuindo o impacto negativo na saúde pública), enquanto que paralelamente campanhas educativas são feitas para diminuir gradativamente tais atitudes. A idéia é que a instrução, que sempre chega devagar, diminua os abortos gradativamente ao mínimo, e enquanto isso não acontece evitar a morte dessas mulheres.

    • Pô, então vamos distribuir pistolas .40 pros bandidos pra eles não correrem o risco de sofrer retaliação quando precisarem matar alguém. Qual é a diferença?

      Ou vais me dizer que uma gestante que engravidou por descuido e decide engravidar “não queria fazer mal a ninguém”? Que abortar não é o mesmo que apontar uma arma na cabeça de alguém inocente e indefeso e disparar sem dó, com intenção de matar, em exclusivo benefício próprio?

      Por que as pessoas não discutem sobre a possibilidade de cometer homicídio até os dez anos de idade se o pirralho se mostrar um estorvo porque vai mal na escola? Por que a instituição do homicídio legal só é discutida em relação a pessoas com quem não temos vínculos emocionais, como fetos e bandidos?

      Será que estamos sendo éticos ou apenas pensamos em nossas conveniências?

  • Ricardo Moro

    “Matar é a solução para alguma coisa?” (Arthur)
    Sim, estude história e verás que soluciona a maioria dos problemas. Não é o ideal, mas está intrínseco no ser humano.

    “Que abortar não é o mesmo que apontar uma arma na cabeça de alguém inocente e indefeso e disparar sem dó, com intenção de matar, em exclusivo benefício próprio?” (Arthur)
    Por essas e outras que eu digo que você usa bastante o lado emocional. Não é a mesma coisa, situações diferentes requerem idéias diferentes. Comparação são bem vindas, mas são apenas exemplos, não são a mesma coisa. Abortar é melhor que deixar uma criança indesejada vir ao mundo, ou uma criança em uma família sem condições de criá-la, ou deixa a mãe correr risco, ou acabar com a vida de adolescentes, ou matar a sociedade por superpopulação.

    Essas questões precisam ser entendidas, e não “o feto é um bebezinho, é um ser humano, bla bla”. Como eu disse e ninguém respondeu, até onde eu tenha visto: se o feto até as 4 semanas não tem cérebro e você criminaliza a morte dele, porque desligar os aparelhos de um ser humano já nascido que tem morte cerebral é aceitável?
    Viu, são só questões morais, fáceis de serem resolvidas, é só deixar o lado emocional de lado.
    Agora vou ler seu último artigo, comento por lá.

    • Tá, então vamos bombardear o Complexo do Alemão pra acabar com os problemas que andam acontecendo por lá. “Não é o ideal, mas está intrínseco no ser humano.” ;)

      Sobre “usar o lado emocional”, talvez não estejas a par disso, mas é impossível agir de modo ético sem determinadas emoções. Psicopatas não sentem empatia. Por isso, se uma criança chora ao lado de um psicopata, a solução mais provável que ele encontrará para se livrar do incômodo será sufocar a criança com o travesseiro. Afinal, ele não se incomoda com o sofrimento da criança e sim com o barulho chato do choro.

      Indignação perante a injustiça não é “racional”. Mas sem este componente ninguém faz nada para combater a injustiça.

      Portanto, desde que não seja ferida a lógica e portanto o argumento se torne inválido, não há problema em usar ilustrações que despertem emoções.

      Obviamente, seria desonestidade intelectual se o argumento fosse emocional *e* falacioso, mas não é esse o caso: fetos humanos são seres humanos e por isso não vejo nenhum problema em chamar o aborto de “assassinato de seres humanos inocentes e indefesos”.

      Se o Homo sapiens passasse por metamorfoses pós-uterinas será que haveria essa alegação esdrúxula de que “o feto não é um ser humano” só porque ele não tem os mesmos órgãos e o mesmo formato de um ser humano adulto?

      A diferença entre um feto que ainda não tem cérebro e alguém com morte cerebral é uma diferença de ontogenia, mais especificamente uma diferença de potencial de desenvolvimento. Não tem a ver com a coincidência de tais dois seres não possuírem aparato neurológico capaz de sentir dor ou medo e sim com a discrepância de devir, de vir-a-ser, de poder se desenvolver de modo pleno e digno.

  • Manga-Larga

    Puta assuntinho chato, odeio ter que discordar de você. Princípios mudam de pessoa para pessoa. Eu por exemplo acredito na filosofia espírita. Para eles, o espírito do neném pode vir a ligar-se ao casal antes mesmo da fecundação, portanto um feto de 1 dia já pode ser considerado um ser vivo. Ao mesmo tempo eles têm a tal lei do Karma, segundo a qual você colhe bons frutos de boas ações e sofrimento de más ações, sendo que algumas almas são até condenadas a sucessivos nascimentos e mortes. Então considero que tudo isso está muito longe do meu alcance intelectual. Eu jamais cometeria um aborto e jamais permitiria que uma mãe de um filho meu abortasse, justamente porque sou contra o assassinato. Mas não consigo ser plenamente emocional neste assunto, sempre me vem a cabeça aquela conta (morrer mãe e filho ou morrer só a mãe). Eu sei que a vida não é puramente matemática, mas vejo esse assunto com os olhos da redução de danos. Ok, talvez eu esteja sendo radical no meu anti-proibicionismo.

    • Mas principalmente pela ótica da redução de danos existem inúmeras medidas que deveriam vir muito antes da liberação do aborto. Por exemplo, educação infantil universal de qualidade (com ampla revisão dos currículos) e acesso universal à saúde e a métodos contraceptivos.

      Eu me incomodo com este tema – a ponto de saber que certamente algumas pessoas legais vão se afastar e mesmo assim continuar a bater nesta tecla – porque para mim é evidente que a vida humana começa na fecundação, que aliás é o título de um artigo que já está quase pronto e será publicado logo após a série sobre procrastinação.

      As pessoas não percebem o zigoto, o embrião e o feto como um ser humano, tanto ou mais quanto não percebem como um ser humano o presidiário, o usuário de drogas, o pobre, o doente mental, o idoso…

  • Li

    Minha posição perante tal assunto é o do respeito ao livre arbítrio.

    EU não mato,isso é opção MINHA,problema MEU.

    Não tenho o direito de OBRIGAR outra pessoa a pensar o que penso.

    Posso tentar informar e esclarecer,e só.

    Mediante a lei do carma,e acredito nela,não existe inocentes.
    O que nos inocenta é o amor do outro.

    Se uma pessoa QUER pecar o problema é dela.
    E não podemos esquecer que para que almas fossem salvas,já fizemos churrasquinho de gente.

    Não é por aí.
    Se uma mulher mata o que está dentro dela, o erro é dela,não meu.

    Na visão espírita os filhos( inimigos) podem até matar as mães ao nascer.

    Outra coisa que incomoda é que não vejo ninguém dizendo que matar embrião é assassinato.
    Afinal em nome da vida pode até matar,rs.

    E não vejo pessoas em passeata em defesa da vida que é massacrada todos os dias.

    Asilos,penitenciárias,delegacias,orfanatos,emergências,favelas…….e pessoas são pessoas que merecem uma defesa,ou não.

    A vida deve ser protegida,inclusive a da mãe que aborta,de outra forma estamos brincando de acreditar num deus fantasma.

  • Manga-Larga

    Arthur, como já disse concordo com todas as medidas educativas por você propostas, mas sabemos que tais medidas não surtem efeito no curto prazo, portanto o que fazer com os abortos sem higiene que serão feitos daqui até o dia que tais medidas surtirem efeito? É disso que falo, mas lógico que a meta deve ser a diminuição de tal prática ao mínimo.

    • Como eu queria ter uma solução radical, simples, fácil, eficaz e consensual para TUDO neste mundo! :|

      Mas neste caso eu respondo com duas perguntas:

      1) Quem é que tem que arcar com a responsabilidade de seus próprios atos?

      2) Será que devemos fazer algo que consideramos errado para defender alguém das conseqüências de um ato que consideramos errado?

      A questão central aqui é que eu percebo a humanidade do feto, ao contrário de muita gente que defende o aborto.

      Quando me perguntam “mas e as mulheres que morrem por fazer aborto em péssimas condições de higiene?” eu escuto “mas e os assassinos que morrem porque não planejam direito seus crimes?”.

      Se eu não comoveria e portanto não prestaria consultoria ou assessoria para uma quadrilha de assassinos de aluguel executar suas vítimas com maior eficiência e menores riscos, igualmente não me comovo com as “coitadinhas” que metem agulhas de tricô no útero.

      Eu não consigo ver “inocência e vulnerabilidade” em quem foi muito adulta pra fazer sexo, muito capaz de avaliar conseqüências e muito egoísta para tomar a decisão de matar uma vida que ela mesmo gerou.

      Felizmente para estas pessoas, o mundo cada vez menos leva a sério valores como responsabilidade e cada vez mais valoriza o coitadismo, principalmente sob a batuta de uma certa esquerda populista e demagógica que há anos domina o país e que ainda vai causar muito estrago, então a minha opinião nesta área não chega a ser relevante e muito menos perigosa.

  • Li

    Não.
    Os hospitais estão cheios desses casos.
    Abordaste o assunto,pensei que soubesses.

    • Só será mãe quem tiver o filho, oras.

      A não ser, claro, que estejas falando do fato de uma mulher que já teve filhos e que deseja matar um deles, ainda não nascido.

  • Lidia

    Bom, o texto nao menciona que o leitor deverà tb manter e sustentar o violinista por 18 anos depois que forem separados…
    De qq modo, se o problema è a “legalizaçao” do aborto, acredito que o que se deve discutir nao è quando começa a vida humana – a ciencia jà provou que existe vida humana a partir da fecundaçao e seria teimosia contrariar isso – mas a discussao deve ser sobre a partir de quando a vida humana deve ser protegida e em que proporçao.
    Um embriao de 2 dias deve ser protegido da mesma forma e com a mesma intensidade que um feto de 3 meses ou que uma pessoa jà nascida?
    As leis brasileiras entendem que nao; basta folhear o codigo penal e verificar que a pena para um homicidio è o dobro da pena para um aborto. E, no Brasil, um embriao de dois dias sequer merece proteçao legal, pois pilulas do dia seguinte sao distribuidas gratuitamente em centros publicos de saude e tem tambem o uso das celulas tronco em pesquisas (sò pq estao congeladas deixam de ser embrioes?)
    Me parece evidente que o inicio da vida (fecundaçao) è diferente do inicio da proteçao da vida. Jà existe uma tutela progressiva da vida e um embriao, embora represente vida humana e seja tutelado por isso, nao goza da mesma proteçao que um ser humano jà nascido e pode ser sacrificado em prol de outros bens tambem considerados relevantes, como a pesquisa cientifica por exemplo.
    Se considerarmos a fecundaçao como sendo tambem o inicio da proteçao à vida, teriamos que voltar atras e proibir os avanços biotecnologicos que jà fazem parte da rotina medica, como a fertilizaçao in vitro.
    Acredito que estipular um momento posterior para o inicio da proteçao da vida serà inevitavel e arbitrario, pois dependerà de valores culturais e religiosos…

    • Lídia, não teríamos que abdicar de nenhum avanço biotecnológico. A fertilização in vitro não viola de modo algum o direito à vida dos embriões. O que viola o direito à vida dos embriões é a prática de produzir um número excessivo deles por motivos econômicos, somente porque sai mais barato produzir vários de uma vez só ao invés de produzir um de cada vez e ir implantando um de cada vez até que um deles vingue.

      O fato de um embrião não vingar após implantação no útero, se a técnica foi corretamente seguida, não é uma interrupção voluntária da vida do embrião, mas um fato biológico espontâneo e provavelmente inevitável para aquele embrião. Ao contrário do que normalmente se pensa, a maioria dos embriões que se forma não é viável e se perde nas primeiras semanas de vida intra-uterina. Lembro de ter lido uma vez um cálculo que dizia que, para cada filho nascido vivo, em média aconteceram seis fecundações. Infelizmente não tenho mais a fonte…

      Na minha opinião, todos os embriões congelados têm o direito à vida. São seres humanos congelados, mas são tratados como se não fossem vida humana. Acho isso um absurdo imenso.

  • Li

    O que os homens querem é que a mulher não tenha poder sobre o embrião.

    Quando eles possuem poder de vida e morte sobre todos.

    Guerras e miséria provam isso.

    Quando e como uma vida vale mais que outra?

    • Lia, esse nível de paranóia é absurdo. Sai de perto das malucas que envenenam o mundo com esse papo de guerra dos sexos que isso já está te fazendo mal. “Homens” não são seres malignos interessados na subjugação das mulheres mais do que “mulheres” são seres malignos interessadas somente no bolso dos homens. Tem meia dúzia de malucos e malucas destes tipos aqui e ali, mas nem de longe existe na prática essa maldita guerra dos sexos que as feministas incentivam.

  • Manga-Larga

    Eu sei que todo lugar tem seus radicais, mas dê uma olhada no que diz esse padre:

    http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,lider-de-movimento-contra-aborto-volta-a-atacar-dilma,665703,0.htm

    Ele é contra o aborto como você, mas também contra os direitos dos homossexuais e contra a DISCUSSÃO sobre mudanças nas leis de drogas.

    • As razões pelas quais eu sou contrário ao aborto não passam nem perto das razões pelas quais esse indivíduo é contrário ao aborto. Passo pelo mesmo problema em relação a minhas opiniões sobre legalização das drogas, facilitação do porte de arma, etc.: eu defendo boas causas em péssimas companhias…

  • Victorzito

    Arthur, acho que desde que leio seu blog, é a primeira vez que discordo de um ponto de vista seu ^^. Mas vamos lá.

    Esse argumento do violinista realmente tem uma lógica muito falha para tratar do assunto em questão. Até eu que sou à favor à legalização do aborto o vejo assim.
    Eu acho que o aborto, independente da minha, da sua, ou da opinião de qualquer pessoa, deve ser discutido prioritariamente como uma questão de saúde pública. Portanto a primeira ação que acho válida em relação à isso é uma política de redução de danos.
    Uma mulher que queira fazer um aborto, na maioria das vezes, IRÁ FAZÊ-LO (ou pelomenos tentar), seja enfiando uma agulha no útero, comprando remédios ilegalmente ou indo à um médico clandestino, sujeita à todos os riscos de um procedimento médico sem os devidos cuidados. Vamos fazer o que? impedí-la? É o mesmo que amarrar alguém que está decidido a se matar, essa pessoa morderá a língua. Ou seja, ela vai fazer de uma forma ou de outra, então por que não dar melhores condições para que, já que irá ser feito, que seja feito com o mínimo de danos à súde dessa mulher?
    Também não acho justo dizer que mulheres que abortam são egoístas ou qualquer adjetivo do tipo. Levar uma gravidez adiante não se resume a 9 meses de gestação (como colocado no argumento do violinista), é uma decisão que afetará sua vida inteira, tanto quanto a da criança.
    Por fim, eu em meu conceito de moralidade, da mesma forma que não acho que podemos culpar aquelas pessoas que deixavam bebês na porta de uma casa alheia por não ter condições de criá-los (não sei se isso ainda acontece hoje em dia), não acho justo trazer ao mundo uma criança à qual não poderei dar atenção, afeto, conforto e instrução necessária para que esta cresça uma pessoa feliz e saudável. Crianças sem tal estrutura familiar nós vemos todos os dias por aí nos semáforos, ou descendo o morro para entregar drogas, ou talvez levando armas na escola e atirando em todo mundo.

    “…conheço muitas mulheres que realizaram um aborto porque não se sentiam capazes de criar um filho sob determinadas condições — o que me parece uma atitude tão respeitável como a daquela que não realiza o aborto por uma postura ética de não atentar contra a aquela forma de vida humana.

    Não conheço nenhuma pessoa que, em pleno gozo de sua saúde mental, seja a favor de interromper o desenvolvimento de um feto, de modo gratuito, em vez de utilizar métodos anticoncepcionais.” De http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2010/10/06/que-tal-abortar-a-hipocrisia/

    Bom, sou péssimo em me expressar, talvez hajam inconsistências mas espero que tenha sido pelo menos coerente. Estou pronto pra sua rebatida arthur >D

    • Minha rebatida é a seguinte: fetos são seres humanos. Eu sou um defensor da vida humana. Logo, não admito quaisquer justificativas para matar fetos exceto força maior, como é o caso do risco de vida para a gestante.

      O aborto é para mim tão legítimo quanto qualquer homicídio. Só pode ser praticado em legítima defesa. Mas, para ser legítima, esta “defesa” não pode ter sido precedida de um ato de irresponsabilidade hedonística.

      Eu poderia discutir com mais detalhes e com maior profundidade o aborto em casos muito específicos e excepcionais, mas como “direito da mulher” sem que a este direito corresponda quaisquer responsabilidades ou deveres prévios, como o correto emprego de métodos anticoncepcionais, nem pensar.

  • Victorzito

    Só agora que vi as discussões anteriores.
    “Pra proteger o FETO (não o óvulo), proibição do aborto.”
    Isso não é verdade, como disse anteriormente, a mulher decidida a fazer o aborto vai fazê-lo, não há lei que vá fazê-la mudar de idéia e as estatísticas, com a quantidade de abortos clandestinos realizados, estão aí pra provar isso.

    • Esse argumento de que “a mulher que decidir fazer um aborto VAI fazer, logo vamos legislar para que pelo menos ela não sofra no processo” me parece francamente falacioso.

      Eu escuto isso assim: “o assassino que decidir matar alguém VAI matar, logo vamos legislar para que pelo menos ele não sofra no processo”.

      Não é porque nem sempre se consegue impedir um homicídio que ele se torna legítimo. Do mesmo modo que não é porque não se consegue reprimir o uso de drogas o motivo pelo qual elas devem ser legalizadas – a verdadeira razão é que, ao contrário do caso do aborto aborto, no caso das drogas sim trata-se de “direito ao próprio corpo”.

  • Luis

    impressiona a dissociação entre causa e efeito, e a velha desculpa ética para condenar o aborto. vc quer q todos digamos q sim, aborto é homicídio, então: sim, aborto é homicício de 3º grau, por motivo fútil contra ser humano indefeso, satisfeito? espero q sim, se o q vc quer é ter razão, então pegue ela e faça bom proveito.
    óbviamente vai ter a palavra final q soará como veredicto, afinal o blog é seu e somos todos visitas aqui.
    gosto muito do seu blog, simpatizo muitíssimo com muitos pontos de vista, mas no caso do aborto, não dá. defensores da criminalização do aborto gostam de encerrar a questão em termos de direito a vida do feto, do aglomerado de células, mas a partir disso, serve o mesmo argumento sobre quem desejar reprimir severamente o uso de drogas, então se é ruim (e ninguém acha divertido abortar) então q proporcionem uma chance de alguma coisa parecida com uma vida digna e com alguma perspectiva de futuro melhor e não apenas aproveitar ao máximo cada momento porque sabe q não vai acontecer nada de bom no futuro, mas, em vez disso, falam em orfanatos, em várias familias amorosas q estão dispostas a adotar. na prática o q se faz é condenar pessoas a assistir uma vida q eles não terão acesso, a uma vida de sofrimento e frustração, então, sei q convém a quem é contra falar em egoísmo, mas na prática, não na teoria, é consciencia, principalmente sensibilidade e altruísmo. não destruir a vida de outra pessoa. muito interessante e mesmo tocante o artigo http://arthur.bio.br/2010/06/14/drogas/crack-nem-pensar/ah-meu-deus-que-saudade-da-amelia#more-1561, e mais interessante ainda sua postura depois de ter demonstrado tanta empatia com outro ser humano. p.s. estou com sono, estou fazendo um comentário rápido, vc tem um prato cheio para críticas, peço apenas q não enverede por comparações simplistas para ilustrar novamente o tema. um sincero abraço, obrigado pelo espaço aberto.

  • Lidia

    Arthur, vi sò agora a tua resposta.
    Nao entendo nada de medicina e nao sei os motivos pelos quais sao produzidos varios embrioes para a fecundaçao in vitro. Se vc me diz que sao motivos meramente economicos, eu acredito; mas isso nao exclui o fato de que no Brasil a legislaçao considera a vida como merecedora de maior ou menor proteçao conforme o estagio em que se encontra e uma vida embrionaria tem menos valor do que uma vida jà nascida.
    Eu gostaria de saber o que vc acha dessa proteçao progressiva da vida, o que è vida pra vc, a partir de quando ela deve ser protegida, se vc acha que um embriao merece a mesma proteçao que uma pessoa nascida, se o homicidio e o aborto deveriam ter penas iguais pois agridem o mesmo bem…

    • 1. “proteçao progressiva da vida”

      Sou radicalíssimo neste aspecto: TODA vida humana para mim é igualmente detentora de igual dignidade e de iguais direitos, da concepção à morte cerebral.

      2. “o que è vida pra vc”

      Ninguém jamais conseguiu definir “vida” adequadamente, embora todos saibamos identificar o que é vivo e o que não é. O menor ser vivo é uma riquétsia, um vírus não é um ser vivo, nem uma pedra o é. Mas não há como fornecer uma definição técnica de ser vivo a não ser talvez “ente dotado de metabolismo próprio”, que é bastante prática mas não resiste a um exame lógico profundo.

      3. “a partir de quando ela deve ser protegida”

      A vida humana individual deve ser protegida sempre, desde o momento em que surge um novo indivíduo vivo. O momento em que isso acontece chama-se “concepção”.

      (Sim, de acordo com meus conceitos nem mesmo em caso de estupro poderia haver aborto. Se eu não em geral faço essa defesa explicitamente, não é porque eu não pense assim, mas porque não faz sentido defender esta idéia em um mundo em que se discute se a mulher deve ou não deve ter o direito de matar quando bem entender os fetos que ela gerou por vontade ou imprevidência. Minha opinião é que a cultura original das índias do Xingu desmonta a tese de que “a mulher não poderá jamais amar uma criança cuja simples existência lhe recordará o tempo todo de um ato de violência e humilhação”, uma vez que as índias não aculturadas do Xingu amam seus filhos independentemente de terem sido fruto de estupro. Elas dizem: “que me importa quem é o pai? Eu que gerei, é meu filho, eu o amo!” Que bom seria copiar essa cultura!)

      4. “vc acha que um embriao merece a mesma proteçao que uma pessoa nascida”?

      Sim. Inclusive os embriões hoje congelados em clínicas e hospitais. Cada um deles tem o direito de receber todas as condições necessárias para o seu perfeito desenvolvimento até a vida adulta – o que inclui um útero, amamentação, amor, carinho, educação, boa qualidade de vida, etc.

      5. “o homicidio e o aborto deveriam ter penas iguais pois agridem o mesmo bem”?

      Num mundo perfeito, sim.

      (Eu avisei que sou radical neste assunto.) :-)

  • Lidia

    E’ muito interessante (e raro!) ver alguem defender tao radicalmente a vida sem cair nos discursos religiosos de sempre. ;)

    • De fato, eu não preciso de nenhum argumento religioso para defender essa postura. A mim basta o seguinte raciocínio: para abrir a possibilidade de conferir direitos diferentes a estágios diferentes do desenvolvimento de um indivíduo, é necessário que seja muito bem justificado em favor deste indivíduo uma necessidade especial.

      Por exemplo, é perfeitamente razoável oferecer atendimento preferencial a gestantes e idosos ao invés de obrigá-los a permanecer em pé aguardando longas filas nos bancos, porque intrinsecamente estas pessoas possuem menor resistência física. Isso é tão natural que praticamente ninguém objeta oferecer esta preferência, mesmo que esteja com pressa.

      Já no caso do aborto, quem será bortado será o feto e não existe uma única justificativa em favor deste indivíduo para submetê-lo ao procedimento de… homicídio! Condenação à morte de um inocente! Como poderia eu então ser favorável ao aborto?

      Observa que no caso de risco de vida para a gestante eu não sou “a favor do aborto”, eu sou a favor de uma avaliação racional dos riscos e da tomada da decisão que tenha maior chance possível de garantir a vida e bem estar tanto da gestante quanto do feto, somente admitindo o aborto nos casos em que isso representaria um risco real para a gestante – afinal, é melhor salvar um dos dois que insistir numa direção temerária e perder os dois.

      A chave para entender meu modo de pensar sobre o aborto é simples: eu não vejo diferença entre o direito à vida de um ser humano em um estágio de desenvolvimento e o direito à vida de outro ser humano em qualquer outro estágio de desenvolvimento. Quero sempre salvar todas as vidas possíveis e vejo os problemas acessórios (psicológicos, econômicos, etc.) como inferiores ao direito à vida.

  • Joaquim Salles

    Olá Arthur,

    Voltando ao tema devido a recente votação no STF: qual a sua opinião sobre o feto anencéfalo?

    Abraços

    • Sou favorável à legalização da interrupção da gravidez do feto anencéfalo. Não a chamo de “aborto” porque o feto anencéfalo não tem potencial ontogênico para se tornar um indivíduo senciente.

  • Li

    Victorzito ( 2)

    Esse argumento do violinista realmente tem uma lógica muito falha para tratar do assunto em questão. Até eu que sou à favor à legalização do aborto o vejo assim.
    Eu acho que o aborto, independente da minha, da sua, ou da opinião de qualquer pessoa, deve ser discutido prioritariamente como uma questão de saúde pública. Portanto a primeira ação que acho válida em relação à isso é uma política de redução de danos.
    Uma mulher que queira fazer um aborto, na maioria das vezes, IRÁ FAZÊ-LO (ou pelomenos tentar), seja enfiando uma agulha no útero, comprando remédios ilegalmente ou indo à um médico clandestino, sujeita à todos os riscos de um procedimento médico sem os devidos cuidados. Vamos fazer o que? impedí-la? É o mesmo que amarrar alguém que está decidido a se matar, essa pessoa morderá a língua. Ou seja, ela vai fazer de uma forma ou de outra, então por que não dar melhores condições para que, já que irá ser feito, que seja feito com o mínimo de danos à súde dessa mulher?
    Também não acho justo dizer que mulheres que abortam são egoístas ou qualquer adjetivo do tipo. Levar uma gravidez adiante não se resume a 9 meses de gestação (como colocado no argumento do violinista), é uma decisão que afetará sua vida inteira, tanto quanto a da criança.
    Por fim, eu em meu conceito de moralidade, da mesma forma que não acho que podemos culpar aquelas pessoas que deixavam bebês na porta de uma casa alheia por não ter condições de criá-los (não sei se isso ainda acontece hoje em dia), não acho justo trazer ao mundo uma criança à qual não poderei dar atenção, afeto, conforto e instrução necessária para que esta cresça uma pessoa feliz e saudável. Crianças sem tal estrutura familiar nós vemos todos os dias por aí nos semáforos, ou descendo o morro para entregar drogas, ou talvez levando armas na escola e atirando em todo mundo.

    “…conheço muitas mulheres que realizaram um aborto porque não se sentiam capazes de criar um filho sob determinadas condições — o que me parece uma atitude tão respeitável como a daquela que não realiza o aborto por uma postura ética de não atentar contra a aquela forma de vida humana.

    Não conheço nenhuma pessoa que, em pleno gozo de sua saúde mental, seja a favor de interromper o desenvolvimento de um feto, de modo gratuito, em vez de utilizar métodos anticoncepcionais.”


    • “Por fim, eu em meu conceito de moralidade, da mesma forma que não acho que podemos culpar aquelas pessoas que deixavam bebês na porta de uma casa alheia por não ter condições de criá-los (não sei se isso ainda acontece hoje em dia), não acho justo trazer ao mundo uma criança à qual não poderei dar atenção, afeto, conforto e instrução necessária para que esta cresça uma pessoa feliz e saudável.” (Li)

      Pílula anticoncepcional é algo MUITO barato. E para quem é totalmente miserável e nem isso pode pagar existe distribuição gratuita de pílulas anticoncepcionais nos postos de saúde.

  • joaquim salles

    Achei o argumento que “aborto” é um direito humano. Logo quem é a favor do DH é a favor do aborto…” por proteger as liberdades fundamentais das mulheres: direito à vida, em razão dos riscos envolvidos no aborto realizado em condições inseguras; direito à liberdade por reconhecer o caráter soberano das escolhas individuais em matéria de ética privada; direito à dignidade, pois somente uma vida com liberdade e segurança pode ser qualificada como digna. ” (trecho de http://www.aldeianago.com.br/artigos/90-meioambiente/6220-aborto-e-direitos-humanos-por-debora-diniz)
    Achei isso estranho : aborto é um direito humano?

  • Joaquim Salles

    Olá Arthur,

    Grato. Acho muito triste essa atitude da esquerda, apesar de ser tipico dela, mudar o significado e conceito das palavras. Triste mesmo, não precisariam fazer isso. Lembra o velho Joseph Goebbels que falava em repetir uma mentira varias vezes até virar uma verdade. Uma pena… ( olha que não sou de esquerda)

  • Li

    Pílula anticoncepcional é algo MUITO barato. E para quem é totalmente miserável e nem isso pode pagar existe distribuição gratuita de pílulas anticoncepcionais nos postos de saúde.(Arthur)

    É claro que tu sabes que milhares de mulheres não podem tomar pílula.

    Mas não é isso,por que a ligadura,laqueadura e tantas outras formas de impedir uma gravidez não são autorizadas pelo SUS em mulheres que tenham vida sexual ativa ?

    A desculpa para impor a mulher o chamado ” estado interessante” é o de que o médico é que pode escolher por ela.

    Desde quando um médico pode saber quantas crias eu posso ter?

    E o livre arbítrio,onde fica?

    Quando eu fiquei grávida me foi sugerido fazer um aborto,eu disse NÃO.

    Se tivesse que fazer EU teria feito e pronto.

    O que me incomoda não é a mulher rica,que manda na própria vida.

    O que me incomoda é a mulher pobre que ainda está acorrentada e tutelada.

    O aborto não é contra o Estado.

    O aborto não é contra a religião.

    O aborto não é contra outra PESSOA.

    O aborto só pode ser contra Deus.

    Mas para o aborto ser contra Deus,a pessoa deve temer a Deus.Além do que, deve também respeitar esse Deus e suas leis,sendo uma delas o do livre arbítrio.
    Quem com ferro fere,com ferro será ferido.

    Enfim,o aborto é um crime contra a própria CONSCIENCIA de quem o pratica.

    Pra quem defende a VERDADE,a verdade por vezes tem um aspecto cruel.

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