A Síndrome do Muttley
“- Muttley! Faça alguma coisa!” – gritava Dick Vigarista sempre que estava metido em alguma encrenca na qual tinha entrado sozinho mas da qual não conseguia sair sozinho. E normalmente Muttley ou não fazia nada, ou “ajudava” de modo inútil, de tal maneira que Dick Vigarista acabava se dando mal de qualquer modo. E assim são os brasileiros, parte Muttleys, parte Dicks Vigaristas.
O caráter nacional é inconfundível: somos uma nação que adora reclamar que os outros deveriam fazer alguma coisa para resolver os problemas e melhorar a situação geral, mas quando nós mesmos somos chamados a fazer alguma coisa ou nos negamos, ou fazemos mal feito. Com raras e honrosas exceções.
Acabo de assistir uma discussão entre dois mecânicos de automóvel. O primeiro recebeu o carro do cliente, anotou o possível defeito e repassou o caso para o segundo. O segundo verificou o defeito anotado, viu que não era aquele o problema e não procurou outro defeito. Quando o cliente veio buscar o carro, nada havia sido feito. E o jogo de empurra se tornou surreal.
O primeiro reclamou que o segundo, quando viu que o possível defeito anotado não correspondia ao problema reclamado, deveria ter procurado qual o defeito real. O segundo reclamou que o primeiro deixou apenas a instrução de verificar aquele defeito e não de verificar se havia outros. E o cliente, numa sacada rápida, disse que os dois tinham razão.
Mas não é só em mecânica de automóveis que eu vejo jogo de empurra porque ninguém assume a responsabilidade de fazer bem feito, não. Isso acontece em todas as profissões. O grande problema é quando a mesma coisa acontece na cidadania. E essa é a regra geral, infelizmente.
Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 03/10/2011
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Isso acontece também em relacionamentos:
“Eu acordo todos os dias cedo e você nem faz meu café pra eu ir no trabalho alimentado”!
“Cadê você que não lavou a louça depois que lanchei?”
Ou seja, eu faço, você conserta.
Hmmm… é, tem fundamento… se bem que eu acho que uma das coisas boas de um relacionamento amoroso/afetivo/familiar/amigo é justamente um cuidar do outro.
Mas e quando e’ sempre o mesmo que cuida?
Aí, Paulinha, ou a relação é profissional, ou é parasitária.
E’ verdade.
Tem gente que adora parasitar. Tem gente que se submete ao parasitismo. Sinceramente, eu considero ambas as atitudes degradantes.