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Sobre a imprevidência

Poucas coisas são mais irritantes do que ter que reconhecer a própria responsabilidade sobre um infortúnio que nos atinge. Porém, não há do que reclamar: quando sabíamos ou podíamos prever razoavelmente que um curso de ação ou uma omissão poderiam trazer más conseqüências, os maiores responsáveis pelo que nos acontece somos nós mesmos.

De nada me adianta reclamar que a fonte novinha em folha do meu notebook queimou e me deixou uma semana sem acesso à internet. Eu sabia que aquela porcaria era Made in China, sinônimo de lixo de qualidade, e mesmo assim não comprei uma de reserva nem mandei consertar a anterior… que também era Made in China. Quando ela queimou após míseros 40 dias de uso, tive que me conformar de que eu e somente eu era o culpado por não poder acessar meu próprio blog.

Percorri umas seis diferentes lojas em busca de uma fonte que não fosse Made in China. Como diria o Padre Quevedo, isso non ecziste. As grandes corporações capitalistas, em conluio com os governos dos países democráticos, cada dia mais transferem suas fábricas para um país onde não existem garantias trabalhistas, nem direito de confrontar as políticas do governo, existindo inúmeras denúncias de trabalho escravo, das quais nosso governo está plenamente ciente:

Trabalho escravo na China

As atividades econômicas que mais utilizam mão de obra forçada são a indústria de tijolos, as minas de carvão e a construção civil. A legislação do país não reconhece homens como vítimas de tráfico ou adultos como vítimas de trabalho escravo na China. Além disso, a política de limitação da natalidade, juntamente com a preferência cultural por filhos homens, contribui para levar mulheres e crianças ao casamento forçado, o que as deixa vulneráveis à servidão doméstica ou à exploração sexual. Há evidências de trabalho infantil forçado em fábricas e fazendas, sob pretexto de formação profissional. A extensão do trabalho escravo na China não é clara, em parte porque o governo limita a divulgação de informações.

Fonte: jornal do Senado brasileiro.

Em um mundo competitivo e “amoral”, como se amoralidade pudesse existir na economia, a escolha que sobra para o fabricante honesto é transferir também suas fábricas para a China ou fechar suas portas – porque o consumidor não se importa nem se o badulaque de quinta categoria que está adquirindo vai estragar depois do terceiro uso, nem se foi construído com o sangue de outro ser humano, só se importa em pagar mais barato a curto prazo.

O barato a curto prazo, entretanto, costuma sair caro a longo prazo. A China não vai dominar o mundo por causa dos preços baixos de suas mercadorias, ela o fará por causa da imoralidade das corporações, dos governos e dos consumidores ocidentais, que não se importam em explorar trabalho escravo. Afinal, que importa se o desgraçado que produz os badulaques trabalha sob condições desumanas, desde que ele esteja bem escondido (embaixo do tapete) em uma terra distante, por trás de uma de quase intransponível barreira lingüística e do bloqueio das comunicações?

Não é difícil prever o que acontecerá no médio prazo.

As indústrias que se mudarem para a China forçarão seus concorrentes a também se mudarem para a China, pois os governos de seus países não impõem restrições de importação aos produtos fabricados com sangue humano. Segundo (uma cambada de canalhas) respeitáveis economistas e ideólogos da “liberdade”, isso seria “uma intolerável intervenção na economia de livre mercado”. Portanto, será mantida ainda por um longo prazo a tendência de transferir os parques fabris das mais importantes indústrias para a terra do capitalismo escravocrata.

Com a migração dos parques fabris, os trabalhadores do mundo ocidental serão pressionados a reduzir suas exigências salariais, previdenciárias e de condições de trabalho “para se tornarem competitivos”. Os profissionais de nível superior melhor qualificados vão procurar vagas no mercado internacional, que não poderá oferecer colocações a todos e sofrerá redução salarial devido ao excesso de oferta de mão-de-obra, enquanto o populacho há de ser posto a pastar dentro das fronteiras nacionais mesmo, sendo temporariamente mantido contente com programas de esmola governamental, como o bolsa-família. Enquanto isso, as bases da economia do mundo ocidental vão se corroendo.

Os mais ricos, é clado, nunca são atingidos. Mas quando finalmente se exaurir a capacidade das classes médias de serem sugadas pelos impostos para sustentar a grande massa de miseráveis desempregados ou sub-empregados, a crise social e econômica que já vimos atingir a Grécia se espalhará pelo mundo ocidental. Medidas desesperadas, tornadas necessárias em função da atual imprevidência, serão chamadas de “austeridade econômica”. A insatisfação popular será contida nas ruas com balas de borracha e bombas de efeito moral.

Ninguém assumirá a responsabilidade de ter causado a crise com sua própria negligência em atuar politicamente exigindo a condução da economia com base em critérios “piegas” como decência e solidariedade.

E eu estarei aqui perguntando: valeu a pena comprar badulaque barato?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 26/01/2012

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  1. Arrependei-vos! O fim do mundo está próximo!

56 comments to Sobre a imprevidência

  • Antes que alguém diga que “a economia no Brasil vai muito bem, obrigado”, trato de refutar essa ilusão: a economia no Brasil vive um período de “milagre econômico” dificilmente sustentável.

    Estamos alegremente correndo o risco de uma grave crise causada pela concessão irresponsável de crédito.

    É incrível como o Brasil é incapaz de aprender com os alertas recentes do mercado internacional e está brincando com a chance (alta) de se meter no mesmo buraco, do qual não sairá com a mesma facilidade da maior potência econômica do planeta.

    • paula

      Sim, falei sobre a concessao irresponsavel de credito no Brasil com amigos brasileiros, de seus jeitos, sintomas e consequencias…ficaram me olhando com olhos de interrogacao.

      Estava falando sobre um apto de um amigo, comprado nos anos 90 por ~220 mil, e recem vendido por ~600 mil. Isso ‘e simplesmente ridiculo, pois e’ obvio que isto ‘e uma bolha igualzinha a dos mercados de imoveis americanos de 2005…mas sera’ que ninguem le jornal?!

      Nao ‘e hora de se endividar para pagar os precos irreais dos imoveis no Brasil, pois qdo a bolha estourar, o preco vai cair de volta para o das paredes e telhado. Entao voce se ve com uma divida de 600 mil, mas so’ consegue vender o imovel por 150-180 mil. O banco nao quer saber. Os empregos desaparecem, pq o banco nao tem pernas para financiar mais nada. Aumenta o desemprego (e nao ‘e de gente que trabalha em fabrica, ‘e desemprego de empresas “emergentes”, de executivos a especialistas). Todo mundo vai precisar vender ao mesmo tempo, tendo que vender pelo preco da divida com o banco para pelo menos empatar, mas ninguem vai comprar pelo preco inflacionado. Nada mais que isso.

      O banco vai retomar posse dos imoveis, todo mundo fica no olho da rua, mas o banco fez negociatas contando com 600 mil, so’ que tem na mao um imovel que ninguem pode comprar (todo mundo faliu), e que na verdade so’ vale 200 mil. Num mercado encolhido, ele vale mesmo ‘e 150-180 mil. E’ a falencia: voce perde o emprego porque os bancos nao conseguem manter as pernas da bolha e diminuem financiamento para tudo, gerando ressecao geral. Sem emprego nao tem $$ para pagar prestacao, tem que por apto `a venda. Como todos os potenciais compradores estao na mesma M, ninguem consegue vender ou comprar. Da’ uma enxurrada de imoveis no mercado e o banco fica atolado -> fale junto.

      Ah, antes que eu me esqueca: o banco vai falir, mas voce nao vai ganhar o seu apto de graca. Somente quando voce fale ‘e que o banco retoma o imovel, nunca o contrario.

    • paula

      sumiu o meu comentario sobre a bolha imobiliaria.

    • Está de volta o comentário sumido. Estava na fila de moderação.

      Eu tenho medo desta bolha imobiliária no Brasil. Ainda mais porque estou com investimentos na área. Minha situação é a seguinte: andando na corda bamba, enxergo um ratinho roendo a ponta da corda. Não dá tempo de voltar atrás, não há jeito de correr, tudo que posso fazer é continuar fazendo o que estou fazendo e torcer que a corda agüente até eu chegar até o final e possa dar um chute no rato. Acho que vai dar tempo, mas estou com o c…oração na mão.

  • paula

    Quando li o titulo deste texto pensei que fosses comentar sobre a falta de previdencia em ter um clinico geral que te conhecesse e te acompanhasse, vide tuas manifestacoes sobre saude e atendimento medico em textos anteriores.
    Notei a pausa nova nas postagens, ja’ estava ficando preocupada contigo.

    Ainda bem que nao ‘e nada relacionado a saude desta vez. Sim, equipamentos baratos ou caros que nao tenham durabilidade sao fonte inesgotavel de frustracao.

    Nunce estive na China. Pelo que escuto de amigos imigrantes chineses morando aqui na cidade, seu pais de origem infelizmente nao ‘e o lugar mais confortavel do mundo para se morar. Mas tb nao ‘e o meu pais, nem nenhum dos paises por onde andei/vivi, vide comentarios no teu texto sobre que pais seria ideal para se morar (nao existe, ideal nao existe, esta’ na palavra, na definicao).

    Tb ouvi comentarios de pilotos de linhas aereas que tentaram viver por uma grande soma de $$ na China. Nenhum que me deu relato estava entusiasmado com a realidade por la’, com sua vida, ou seu emprego, mesmo considerando as somas envolvidas no contrato, ou o numero de dias de ferias por ano. Claro que existe uma clausula em todos os contratos dizendo que o cara tem que devolver tudo o que ganhou se nao cumprir o contrato ate’ o final e coisa e tal. Acaba tendo gente fugindo do pais, horrivel.

    Mas justica seja feita. Eu ouvi muitos comentarios maravilhosos de pessoas que foram fazer intercambio cultural e educacional na China, de que a experiencia lhes abriu a cabeca. E’ um povo milenar e isso nao se pode negar.

    Agora, nem todos os equipamentos fabricados na China sao de baixa qualidade. Os que sao baratos demais, em qualquer lugar do mundo onde nao haja fiscalizacao sobre a qualidade minima de um produto, estao sob maior risco de nao terem passado pela verificacao minima de condicoes, pois controle de qualidade tambem custa dinheiro e ‘e uma fonte comum de “economia” em empresas menos comprometidas com o produto ou com o cliente.

    Isso me faz lembrar de um carro importado (no Brasil), de uma fabricante alema, carissimo, cheio de glamour, de propagandas com mulheres esculturais e de mensagens de potencia para o comprador masculino…que so’ era vendido no Brasil porque ali e so’ ali passava nos (inexistentes) quesitos minimos de seguranca para qualquer automovel. Na Europa e nos EUA o tal carro nao tinha nem sido avaliado, pois NAO TINHA CONDICOES de uso. Mas os ricos brasileiros comprando e se achando prosa com a maquina…

    • Pois é, Paulinha, pisei na bola com o título deste artigo, ficou amplo demais para o escopo pretendido. Acho que finalmente estou começando a aprender a perceber essas coisas, depois de dois anos e meio de blog. Ainda bem que nunca fiz um estudo sistemático, ou eu merecia apanhar mesmo…

      Por Tutatis, desta vez o céu caiu na cabeça do notebook e não na minha! :)

      Mas quero comentar um ponto específico de teu comentário sobre o artigo. Disseste:

      “Agora, nem todos os equipamentos fabricados na China sao de baixa qualidade.”

      Pode até ser que haja exceções, mas a tendência não é esta – e as tendências é que são preocupantes.

      Produtos cujas fábricas são deslocadas para a China costumam ver sua qualidade cair como regra. Isso acontece numa seqüência lógica bem simples:

      1. A primeira fábrica do setor que se muda para a China derruba o preço de seus produtos no mercado, devido ao menor custo de mão-de-obra.

      2. Esta fábrica começa a dominar o mercado, porque os consumidores em sua maioria compram escolhendo pelo preço.

      3. As outras fábricas se vêem diante do dilema de migrar ou fechar.

      4. A maioria das grandes migra, enquanto a maioria das médias e pequenas fecha.

      5. O mercado se concentra ainda mais na mão das grandes, o que num primeiro momento compensa os custos de migração.

      6. A concentração do mercado finalmente acirra a competição entre as grandes, que por terem apostado na fórmula de competir pelo volume de vendas pouco a pouco vão realizando cortes nos seus investimentos, sendo que a área de controle de qualidade é uma das primeiras a sucumbir (vale mais a pena trocar produtos defeituosos quando são produzidos em grande escala do que o custo do controle de qualidade).

      7. Com o amadurecimento do mercado na nova situação, pouco a pouco as regras das garantias se tornam menos favoráveis para o consumidor.

      8. No final das contas, o consumidor vê o mercado deste setor se tornar monopolizado por um grupo de corporações que produz mercadorias de baixa qualidade, com grande dificuldade de exigir as garantias contratuais e com preços novamente crescentes, porque todo monopólio tende a elevar seus preços.

      9. Pequenas e médias empresas não conseguem voltar ao mercado depois da estabilização porque o investimento inicial é imenso e o valor consolidado das marcas tradicionais na cabeça dos consumidores tende a dirigir o consumo para as grandes marcas apesar da baixa qualidade dos produtos.

      10. O bloqueio só é furado após um longo período, bem depois que a migração já deixou de resultar em preços mais baixos, e mesmo assim muito lentamente, por empresas que conseguem competir aproveitando o efeito “armazém de bairro”, ou seja, conquistando clientes das redondezas, firmando um nome e pouco a pouco. Este processo leva décadas e freqüentemente é abortado porque as grandes empresas costumam comprar as pequenas que conseguem furar o bloqueio ou então praticam dumping descaradamente até derrubá-las e assim mantém o sistema estagnado.

      Um horror, né?

      (Depois me manda por mensagem privada no Facebook a informação de que carro era esse que citaste, fiquei curioso…)

  • Lucas do Povo

    Moro em Natal e aqui está ocorrendo um grande boom imobiliário, são mais de 200 prédios altos sendo construídos por toda a cidade. E eu me pergunto: Será que isso não é oferta demais para pouca demanda? Um prédio recém construído na minha rua já acabou tendo problemas porque quase ninguém queria comprar um apartamento nele.

    • O preço dos imóveis está caindo? Se estiver, então existe oferta demais. Se não estiver, então não é bem assim. A não ser, é claro, que a especulação imobiliária esteja muito, muito, muito forte. Eu particularmente acho que a Paulinha tem razão e não deve demorar muito tempo para rolar por aqui uma porcaria muito parecida com o que houve nos EUA.

  • Li

    Caro amigo,não é só a China que vende porcaria.
    Nem só na China tem trabalho escravo,AQUI também tem.
    A terceirização,tão amada pelos governos,esconde uma realidade vergonhosa.
    A pessoa trabalha anos,sem direito algum,porque não possui nenhum vínculo empregatício e pode ser posta na rua por qualquer motivo,pelo simples fato de não existir.
    Mas os impostos são cobrados,vão pra onde?
    A China não tem culpa dos nossos impostos serem
    altos demais.
    Eu compro produtos importados,especialmente de plásticos.
    Por que vou pagar vinte reais em um balde que posso comprar por cinco ?
    Se a indústria brasileira não quer fazer um balde que custe cinco reais,o problema é dela.
    É uma forma burra de agir,que faça baldes para todos que precisem.
    Se um milionário quer pagar cinquenta reais num baldinho de praia,tudo bem.
    Lembro que quando morei na Argentina os preços
    atendiam a todos os bolsos.
    Ricos não compram produtos baratos.
    Aqui,no Nordeste,um quilo de pessêgo é uma fortuna,em Porto Alegre custa alguns reais.
    E esqueçam o transporte,porque a banana-maçã é daqui e é a mais cara que tem.
    Comprei um teclado barato e sumiu as letras,agora compro um de preço médio,funcionou.
    O calçado feito no Brasil,é vendido barato lá fora,aqui custa caro.
    Não conhecemos o melhor café brasileiro porque é café para exportação.
    Milhares de coisas feitas no Brasil,nós sequer conhecemos.
    O problema não é a China,o problema somos nós.

    • “Por que vou pagar vinte reais em um balde que posso comprar por cinco?”

      Porque o balde de cinco reais só consegue ser colocado no mercado a cinco reais porque foi produzido por um adolescente obrigado a trabalhar doze horas por dia por uma ninharia. Ou seja, trabalho escravo.

      “Se a indústria brasileira não quer fazer um balde que custe cinco reais, o problema é dela.”

      Não é “não quer”, é “não pode”. Existe um custo mínimo para as coisas: matérias primas, energia, mão-de-obra, os investimentos necessários para construir as máquinas e as fábricas, além do lucro do empreendedor.

      É claro que podemos questionar se o empreendedor está sendo remunerado adequadamente ou se está ganhando uma fortuna indevida, é claro que podemos questionar se o governo está nos devolvendo os impostos em investimentos em infra=estrutura e serviços de boa qualidade, mas isso não elimina o fato de que importar produtos de países onde se sabe que existem violações terríveis de Direitos Humanos é uma aberração ética e um verdadeiro suicídio econômico no médio prazo.

  • Li

    Arthur,meu querido,a indústria não faz um balde de cinco reais porque “não quer”.

    Tudo que EU quero é um simples balde preto,grosseiro,barato.

    A indústria já está montada,já possui toda a estrutura necessária para usar as sobras,sejam quais forem,e fazer um balde qualquer.

    A Tramontina já descobriu que precisa se adaptar ao mercado,e já faz utensílios dos mais variados preços,sendo que a excelência dos seus produtos está toda no que é exportado.

    Veja a exportação da laranja,consumimos laranja de péssima qualidade,agora terão de mudar as regras,porque os americanos começaram a gritar,e bem alto.

    Na Europa, o lucro é pela quantidade,e não pela unidade.
    Produzimos coisas de péssima qualidade,sei disso porque fui casada com um empresário que importava material de telefonia,metade do que era importado não passava pelo seu controle de qualidade,mas como o preço era mais em conta,dava lucro.
    Mesmo tendo que jogar muita coisa no lixo,rs.

    O livro teve isenção de imposto,barateou?
    Não.
    O papel higiênico diminuiu a metragem,diminuiu o preço?
    Não.
    O creme dental Paradontax encurtou a embalagem,mas o preço continua o mesmo.

    Chegou a hora de lutar por menos impostos,por um salário digno para todos,por uma cidadania plena,e parar de por a culpa nos outros.

    Na minha cidade cobravam,e cobram,pela cara do freguês. Se for de fora,a pessoa paga mais.

    Nos lugares onde tem turista tudo é mais caro.

    Alta temporada significa preço triplicado,isso é ético?

    Por causa da copa,os aluguéis dispararam.
    Um apto de dois quartos e dependência completa,com uma vaga de garagem no centro da cidade está custando entre duzentos e oitenta e trezentos mil.
    Sendo que os andares mais altos são mais valorizados.

    O Brasil não é exemplo para muitas coisas,lamentavelmente.

    E no país da fantasia,o descaso continua fazendo vítimas.

    • Qual foi a parte de “custos de mão-de-obra e legislação trabalhista distintos devido ao trabalho escravo” que não ficou clara?

      Uma coisa é a cartelização do nosso mercado, que sempre pode ser furada por um concorrente honesto (caso haja garantia de segurança pessoal e patrimonial, outra área na qual precisamos de aperfeiçoamento), outra coisa é a total impossibilidade de concorrer contra quem usa mão-de-obra escrava devido aos custos de mão-de-obra e legislação trabalhista.

  • Li

    O que é trabalho escravo
    http://www.reporterbrasil.com.br/conteudo.php?id=4

    http://www.brasilescola.com/sociologia/escravidao-
    nos-dias-de-hoje.htm

    Escravidão é flagrada em oficina de costura ligada à Marisa
    http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1714

    Voltar para a Bolívia não é uma opção, diz vítima de exploração em SP
    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/08/110818_bolivianos_pc_pai.shtml

    Ohio é foco de tráfico de pessoas e trabalho escravo nos EUA

    http://www.reporterbrasil.com.br/pacto/noticias/view/241

    Clipping: Casal é condenado nos EUA por trabalho escravo
    http://www.reporterbrasil.org.br/pacto/clipping/view/421

    Trabalho escravo nos Estados Unidos
    http://www.senado.gov.br/NOTICIAS/JORNAL/EMDISCUSSAO/trabalho-escravo/trabalho-escravo-no-mundo/trabalho-escravo-nos-estados-unidos.aspx

    EUA é Líder Mundial do Trabalho Escravo
    http://blogln.ning.com/forum/topics/eua-l-der-mundial-do-trabalho

    Relatório dos EUA critica Brasil por trabalho escravo

    http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,relatorio-dos-eua-critica-brasil-por-trabalho-escravo,566840,0.htm

    EUA condenam o trabalho escravo na China
    http://pesadelochines.blogspot.com/2007/07/eua-condenam-o-trabalho-escravo-na.html

    Escravidão moderna
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Escravid%C3%A3o_moderna

    Sou contra o trabalho escravo….contra todo e qualquer trabalho escravo,começando pelo meu próprio país,americanos do norte,chineses…e todos que existirem.
    No entanto,não vejo passeatas,ou pedidos de boicotes aos países que violam os Direitos Humanos.
    Ao contrário,os governantes estreitam,cada vez mais as ligações com países que fazem isso,pois ele também é um violador dos Direitos Humanos.

    Eu paro de comprar tralha barata quando meu país
    abaixar os impostos,e a indústria puder oferecer um balde por preço decente.

    Nós, brasileiros,não ganhamos tão bem a ponto de de apontar o dedo para um país que paga miséria a seus trabalhadores.
    Quem conhece o norte e nordeste,sabe bem disso.

  • Golgo,
    Pô, vc tá muito apocalíptico aí. A Li ali tá certa: o pobrema é o Brasil mesmo, o padrão de ação do brasileiro, como as coisas são feitas aqui. Esses dias dei um esporro num cliente meu q contratou um serviço porco. Eu disse, bàsicamente, “se vc quer se internacionalizar, TEM q jogar fora a brasilidade”, ou seja, o jeito apinhado, ad hoc, afobado e alegrinho de fazer as coisas… mal e porcamente. Sorry. Se vc comprou uma fonte porcaria realmente “made in China”, é pq já não tem mais à venda uma fonte ainda mais porcaria “made in Brazil”. Vai ver, essa q vc comprou era uma fonte “made in China fake”, na verdade feita em Pinico d’Oeste. Pode até ser q muitos produtos chineses não tenham muita qualidade, mas… pô, pelo menos parece q eles tão *tentando* fazer direito.

    E tbm pode até ser q eu teja escrevendo isto ainda sob o efeito da porcinidade abismal do serviço q testemunhei ontem. Mas, catso, escrevo três dias depois de ver fotos de cidades limpas, seguras e tranqüilas na Austrália, dois dias depois de desabar um prédio inteiro no Rio, e algumas horas depois de ouvir relatos de alguns bombeiros &c passando a mão nos pertences das vítimas. Sorry.

    Só não sou apocalíptico. Em média, as coisas não vai ficar piores; curva de Gauss e o escambauss.

    • Hehehehe… é, eu conheço o lance da Curva de Gauss. O pobrema é que a média não é fixa e está neste momento sendo violentamente puxada para baixo pela China.

      Vou ter que repetir aqui algo que eu já disse para a Li. Eu sei que o brasileiro faz muita porquice e muita safadeza. Mas são as grandes corporações estadunidenses e européias que estão migrando para a China antes mesmo dos porcos e safados daqui.

      Nossa legislação, a dos istêitis e da Europa consideram trabalho escravo as condições nas quais muitos chineses são obrigados a trabalhar (ambientais, salariais, carga horária, tratamento recebido, direitos garantios). Assim não dá pra fazer balde de plástico mais barato no Brasil, nos EUa ou na Europa mais barato do que na China.

      Dica: tenta comprar uma pilha não produzida na China. Ou uma lâmpada. Ou uma fonte de notebook, como eu tentei.

      Eu sei que meu tom é “meio” apocalíptico. Acho que é devido à pressa em dizer o que eu tenho a dizer, porque eu tento escrever um artigo todo dia (e fracasso redondamente, mantendo uma média de um a cada três dias). Se eu deixasse de ser burro e tratasse de planejar escrever um artigo a cada três dias, que é o que acaba saindo mesmo, então creio que o tom deixaria de ser apocalíptico – mas o conteúdo seria o mesmo, certeza. :)

  • Li

    Permafrost,eu adoraria estar errada.

    Comprei um vestido na C& A,da Argentina nos anos 80, e tenho esse vestido até hoje.

    Dá tristeza ver a qualidade dos produtos desta loja no Brasil.

    No caso do bendito baldinho barato,rs.

    Por exemplo, por que há baldes em plástico e não de chapa metálica ou madeira, como antigamente?

    Resposta: Baixo peso.

    Para que carregar um pesado balde metálico se o plástico torna o balde leve e estável o suficiente para transportar água?

    E, o que é mais importante, em todos os casos acima, o plástico apresenta custo bastante compensador em relação aos demais materiais. Este é um fator primordial para sua escolha!

    http://www.gorni.eng.br/intropol.html

    Usei o balde como exemplo,mas poderia ser o incenso.

    • O problema não é o material do qual é feito o produto, é o custo da mão-de-obra onde ele é produzido. O mesmo incenso do mesmo material aqui e lá sai mais barato lá. Aí vai todo mundo fabricar incenso lá. Aí a concorrência aniquila os produtores que não migram. Aí volta a haver concorrência entre os grandes, o que derruba a qualidade, já que os preços já estão equalizados. Aí o cartel permite que eles voltem a cobrar mais, mas eles não melhoram a qualidade porque ninguém tem mesmo outra opção de compra. Tá melhor explicado na resposta à Paulinha, mais acima.

  • Golgo,
    Uma coisa q pra mim é evidente: se uma multinacional transfere a fabricação dum produto daqui prä China, o custo da mão-de-obra é apenas *um* fator em meio à dezenas de outros. Não menos importante é o potencial de qualidade advindo da ética trabalhista chinesa. A China pode até ter trabalho escravo de acordo com alguma definição. (É como dizer q o Brazil tem prostitutas: uma verdade inegável mas pouco relevante q é ascendida à “importante” pelo mero fato de ser mencionada.) De acordo com *minha* definição, trabalho escravo é o q milhões e milhões de brasileiros fazem *com carteira assinada* e CLT. Quase toda vez q observo um trabalhador brasileiro, sinceramente tenho dó: tanto trabalho pra tão pouco resultado existencial em sua vida. (E olha só como vc mesmo, nesse texto, se revelou um escravo das susceptibilidades brasileiras em relação à proteção do consumidor (“tive que me conformar”) e à tendência à improvisar uma solução em vez de ir direto ao fabricante de teu “”notebook“” e comprar um produto garantido por ele.)

    Qdo dei o esporro em meu cliente (q mencionei acima) dizendo q ele precisava se livrar da “brasilidade”, um dos ítens foi “um empregado fazendo o trabalho de três”. O mesmo trabalho feito por um trabalhador brasileiro médio (tipo um faxineiro, um escriturário, um mecânico de manutenção numa fábrica, um inspetor de qualidade) é feito nos Euá e na Zoropa por dois ou três… *e* a vida de cada um dos dois ou três é qualitativamente muito melhor do q a do brasileiro. ¿Não é de matar, isso? Além disso, há a funesta economia de escala: por exemplo, aqui a tendência é construir prédios pra morar, com o intuito óbvio de economizar em infra-estrutura (asfalto, calçamento, rede elétrica &c) e *portanto* economizar em mão-de-obra de manutenção: ou seja, muita gente fica sem emprego, e *todos* vivem pior.

    Em país decente, uma pessoa só faz o trabalho de três se ela for autônoma e tem seu próprio negócio. É por isso q a mega-indústria vem pro terceiro mundo: precisa de trabalhador com um ingrediente muito procurado –o sangue-de-barata (SdB), matéria-prima muito comum na América Latina. O pobrema é q o trabalhador latino-americano, ie, brasileiro, tem SdB mas não é eficiente –pq é burro, ignorante, lento, descuidado, desleal, barulhento, só pensa em sair prä gandaia, usa um vocabulário curto e confuso. Já o trabalhador chinês tem SdB mas em geral é eficiente, rápido, cuidadoso, detalhista. E o melhor: em geral, “escravo” chinês vive melhor do q “trabalhador” brasileiro, por vários motivos –em particular pq o primeiro pertence à uma cultura centrada no trabalho e o segundo à uma centrada no lazer.

    Apocalìpticamente, se o Brasil tá mesmo indo äs favas, o q o resto do mundo tá dizendo é “foda-se”. Um prédio inteiro desaba no Rio e já sai todo mundo buscando os responsáveis. Dãã. Os responsáveis são a população inteira do Rio de Janeiro e adjacências, ou seja, responsável é a cultura brasileira, a língua brasileira, o modus operandi do brasileiro, a brasilidade. Sorry.

    • Paula

      Concordo com quase tudo. Infelizmente.

    • “E olha só como vc mesmo, nesse texto, se revelou um escravo das susceptibilidades brasileiras em relação à proteção do consumidor (“tive que me conformar”) e à tendência à improvisar uma solução em vez de ir direto ao fabricante de teu “”notebook“” e comprar um produto garantido por ele.” (Dr. Plausível, ou Permafrost, não sei por que a dupla identificação, explicaí preu saber como o amigo prefere ser chamado.)

      Tchê, em essência nós pensamos de modo semelhante. Mas na prática o que estás exigindo é mais ou menos o mesmo que eu reclamo da Paula, que aliás concordou “com quase tudo” que disseste: para agir como tu e ela propõem, é necessário ser um super-homem. Ou seja, é impossível, porque ninguém é super-humano.

      Eu exijo das pessoas responsabilidade por seus atos, mas não fecho os olhos para as responsabilidades do sistema social, político e econômico nos quais elas estão inseridas. Um desgraçado que vive embaixo da ponte fumando crack e dorme abraçado num cachorro para não morrer de frio está longe de ser o único responsável por sua condição – muitas vezes ele tem pela própria condição uma parcela de responsabilidade muito menor do que a de outras pessoas e do sistema à sua volta. (E eu posso argumentar longamente e com bastante fundamento neste sentido.)

      Isso que tu chamas de Sangue de Barata, por exemplo, algumas vezes o é – especiamente nos casos de gente com nível superior – mas que alternativa tem o desgraçado que passou seis meses desempregado batendo de porta em porta senão pegar a primeira porcaria de sub-emprego que aparece pela frente? Passar fome para mostrar que tem dignidade? (Dã?!)

      Eu não sou marxista nem tenho a menor paciência para aturar o discurso dos marxistas, mas se tem uma coisa na qual Marx estava certo em sua análise era a extrema importância do lumpen-proletariado para a desarticulação do proletariado: um desgraçado morrendo de fome pega qualquer trampo que tiver pela frente, por qualquer valor que lhe pagarem, pouco importa a “consciência de classe” para não aviltar o valor do salário daquela função. (Aliás, é por isso que os capitalistas costumam financiar a educação superior: um exército de mão-de-obra qualificada desempregado promove o mesmo efeito em funções de alta qualificação.)

      Aí é sacanagem reclamar que o trabalhador brasileiro “só pensa em lazer”. Querias que o cara pensasse em quê? Trabalhar 8h/dia, estudar formalmente 4h/dia, mais 2h/dia em casa para fixação de conteúdos, deslocar-se de ônibus 2h/dia (com muita sorte), tomar banho e se alimentar em somente 1h/dia e dormir somente 6h/dia para conseguir ter 1h/dia “livre” para dar atenção à família e ao lazer?

      “Recuperar o sono perdido” (o que é impossível) desabando no final de semana para começar tudo de novo na segunda-feira, ano após ano, para depois ser lançado em um mercado de trabalho altamente concorrido, com salários aviltados, vivendo disciplinadamente com mais limitações auto-impostas para economizar um percentual de seus ganhos para abrir um boteco ou um bric-a-brac aos trinta e poucos anos ou uma empresa com um capitalzinho modesto aos quarenta e poucos, tendo então que trabalhar 12 horas por dia para não ver seu negócio próprio afundar?

      O povo brasileiro não é burro por gostar de novela, futebol e putaria, prazeres baratos podem ser usufruídos a vida inteira. Quem é burro sou eu, que me dediquei a uma alta qualificação intelectual e técnica por um quarto de século só para descobrir que não importa a qualidade da carne, todo gado será abatido do mesmo modo. E nós somos gado, criado para o abate.

      O problema do Brasil não é a péssima qualidade da instrução formal, é a péssima qualidade da instrução moral. O problema é que não há muitos Homens de fibra hoje em dia para fazer uma transfusão para todo esse povo com sangue de barata. (1. Tá vendo? Concordamos na essência, na raiz do problema, embora tenhamos divergências no modo como chegamos até ela e na importância dos fatores extrínsecos. 2. Tá sacando por que eu postei o poema do Rudyard Kipling?)

  • Li

    Permafrost,concordo contigo plenamente.
    Uma coisa danosa nesta “brasilidade” é o fato de ….sou assim e não vou mudar.

    Sou sulista no Nordeste,e vejo o comportamento subserviente da maioria,o que é lamentável.

    A maioria acha que empregado é escravo,um ser qualquer tão importante quanto uma pedra.

    No edifício onde moro,volta e meia falta faxineiro,e
    eu aprendi que trabalho legal é aquele que deve ser feito,então tiro o lixo do meu andar….e acabo tirando de todos os andares.

    As pessoas aqui me olham como uma coisinha estranha.
    Alguém que é capaz de tirar o lixo,para que o andar não fique fedido.
    Que pode juntar as folhas do gramado,porque gosta de estar lá com tudo limpinho.
    Que limpa o próprio Hall,para que ele fique perfumado,coisa que o faxineiro não faz.

    Que nas festas, organizadas pela família, é a primeira a se oferecer para ajudar na limpeza.

    Na minha família sou a única que vai para a cozinha ajudar a lavar a louça.

    Coisa de louco? Pode ser. O fato é que aprendi a ser assim na minha família.
    Não tenho empregada doméstica,outra aberração por estas bandas,rs.
    Não sou consumista e faço trabalho de reciclagem,mais coisas que são contra mim,rs.

    Eu pinto minha casa e tento consertar o maior número possível de coisas.

    Quando cheguei aqui decorei minha casa com coisas lindas que fui encontrando,todas custando quase nada.
    Fiquei muito satisfeita com o resultado.

    Estou mudando para uma casa,e vou deixar o apto limpinho,pronto para morar,ainda que não o tenha
    recebido assim.

    É essa “brasilidade” que eu quero para mim.

    Trabalho escravo é ter uma infeliz lavando,passando,cozinhando,fazendo compras,cuidando de cachorro,criança,casa…dormindo num cubículo.
    Ou tendo que acordar de madrugada para pegar onibus lotado,só para que eu tenha uma vidinha fútil e vazia. E tudo isso por um mísero salário que não dá para nada.

    Arthur querido!
    Eu não quero trabalho escravo na China,na India…Mas primeiro EU não quero trabalho escravo aqui.

    Voltando ao baldinho…..eu não quero um balde de GRIFE,quero um balde para por roupa molhada.
    Um simples baldinho,sem cor,desenho,nada que deixe seu preço alto demais para um simples baldinho,rs.

    A indústria pode fazer isso,porque as fábricas de calçado já fazem,calçados tipo exportação e calçados de qualidade inferior para o mercado interno.

    A Tramontina também faz.

    Nós,os brasileiros,temos que mudar….assim a China também muda.
    Toda e qualquer mudança é de dentro para fora,para ser verdadeira.

    Obs:Tenho postagem aguardando moderação,rs.

    • Li, eu entendi o tipo de baldinho que queres. O que eu digo é que mesmo esse tipo de baldinho é sempre mais barato produzir com mão-de-obra escrava.

  • Paula

    Eu costumo chamar esta “brasilidade” dos campos profissionais de AMADORISMO.

    O cara coloca um servico no Brasil com trabalhadores que nunca tiveram qquer formacao pertinente a funcao, e depois quer justificar a porcaria de resultado pq sua equipe nao estava acostumada…blablabla…

    • Isso que chamas de amadorismo, Paulinha, eu chamo de porquice mesmo. Não é um fenômeno restrito ao ambiente profissional. Essa porquice se reflete em todo tipo de desleixo e gambiarra em inúmeras áreas.

      Espera o artigo do band-aid na parede. ;)

  • Paula

    Para desespero de todos, inclusive americanos, nao ha mais sapatos brasileiros a venda nas principais lojas norte americanas. Tudo sapato chines.

    Perguntei a gerente de amostra e selecao de produtos de uma rede que vende sapatos desde a California, e que seleciona os modelos para a proxima temporada nos USA, pq os sapatos brasileiros sumiram ha 4 anos atras.

    Resposta: as fabricas brasileiras Nunca cumpriam os prazos para todos os modelos encomendados. Davam desculpa de greve de funcionarios, ou problemas com fornecedores. Agora, com o real forte, ficou tb muito caro comprar do Brasil.

    • Pois é, neste ponto eu concordo contigo e com o Dr. Plausível (“Permafrost”). Quando eu contrato alguém para fazer um serviço, eu quero o serviço feito, não uma desculpa pela qual o serviço não foi feito.

      Uma vez o meu carro estragou às vésperas de uma viagem que eu tinha que fazer, era um assunto importante. Era uma quarta-feira à noite e eu tinha que viajar naquele dia mesmo, para aproveitar que o feriado de quinta-feira era só no RS, portanto era dia útil em SC.

      Tive que viajar com o carro do meu pai, que por sua vez tinha um compromisso no domingo seguinte, antes do meu retorno (eu só chegaria na madrugada de segunda-feira).

      Pensei assim: tudo bem, o pai não pretende sair na quinta-feira, o mecânico se comprometeu a resolver a encrenca na sexta-feira de manhã, qualquer problema ainda tem a tarde da sexta-feira e a manhã do sábado para comprar a peça, e o mecânico disse que trabalha no sábado à tarde, então não tem risco algum de o pai ficar sem carro no domingo.

      HAHAHAHAHA!!!

      Eu me atrasei na viagem de volta e saí de lá às 23h de domingo ao invés de sair de lá às 19h, como planejado. Segunda-feira de manhã, pouco antes das 7h, cheguei exausto para dormir míseras 5h até o almoço-e-correria-para-o-serviço e logo percebi que meu carro não estava na garagem. O que aconteceu?

      Brazil-zil-zil!

      O mecânico nem tocou no meu carro na sexta-feira de manhã, ligou para uma loja de auto-peças na sexta-feira ao final da tarde, o cara prometeu entregar a peça pelo moto-boy dali a uma hora, o moto-boy achou que já havia trabalhado o suficiente e não voltou nem se preocupou em avisar que não voltaria após a penúltima entrega, o dono da loja não se preocupou em avisar o mecânico, o mecânico não se preocupou em ligar para perguntar sobre a entrega ainda no horário de funcionamento da loja e a loja não funcionava aos sábados.

      Meu pai teve que ir ao compromisso dele de táxi e voltar de táxi, o que saiu mais caro que o conserto do meu carro.

      Na segunda-feira a loja primeiro enviou a peça errada, depois enviou uma peça com defeito e só na terça-feira foi buscar a peça com defeito e entregar uma em bom estado reclamando que “não podia dar atenção a um cliente só, tá pensando o quê?”!

      Mais um dia para o mecânico se dignar a mexer de novo no meu carro, porque “não podia dar atenção a um cliente só, tá pensando o quê?”!

      E eu fiquei sem o carro por UMA SEMANA para trocarem uma porcariazinha qualquer que custava menos de trinta e cinco reais.

  • Li

    Paula,obrigado pela informação.

    O problema é que a indústria não quer me vender um simples balde pretinho ou branquinho.
    Ela quer me vender coisas desnecessárias,no baldinho,rs.

    Gosto de rosa,mas não quero um balde rosa,nem com figurinhas da Disney,ou qualquer outra coisa que aumente DESNECESSARIAMENTE o preço do tal baldinho.

    Se a China tratar o trabalhador chines como o Brasil trata o seu, estamos falando de que?

    O que vejo da China é que ela está tentando vender,como todos os outros países.

    Em muitos lugares do mundo,se o trabalhador tiver um prato de comida por dia,em troca de trabalho,ele está salvando sua vida.

    E não vejo o mundo empenhado em salvar pessoas que estão morrendo de fome.

    O que vejo são pessoas explorando,cada vez mais, a miséria desses infelizes.

    As favelas estão aí para provar o que estou dizendo.

    Violações dos Direitos Humanos é o que mais existe,para quem quer ver.

    • Para que as violações dos Direitos Humanos acabassem por lá, bastaria que nosso governo aqui não permitisse o comércio com países que violam os Direitos Humanos. São os “bonzinhos” que sustentam os regimes que violam Direitos Humanos, alegando que “não podem intervir na soberania dos outros países”.

      Mas quem falou em intervir na soberania deles? Estou falando em não comprar nada deles, que é um direito que assiste plenamente a NOSSA soberania. Engraçado como as coisas só valem para um dos lados e ninguém se dá conta.

      E por que os governos ocidentais não retaliam as violações dos governos ditatoriais? Ora, bolas… quem tem telhado de vidro…

  • Paula

    Sim. E a China mantem e observa prazos de entrega e contratos. Esta’ na frente do Brasil.

    • Até porque, se alguém não cumprir prazos de entrega e contratos, e “envergonhar o regime”, tem grande chance de desaparecer em algum calabouço nada agradável.

      Quanto tempo achas que Larry Flynt duraria na China? (Aconselho assistir o filme, se ainda não o viste.)

  • Paula

    Sim, represalias servem para se conseguir o que se quer. Mas em todos os niveis brasileiros “falham” no desempenho de suas atividades. Depois ficam dando explicacao, em vez de assumir a responsabilidade pelo erro e nao repetir a falha. Entao nada funciona direto e ninguem e’ responsavel por nada.

    • Paulinha, represálias são indiscutivelmente úteis na educação, na política e na economia, mas eu estava falando de torturar e matar gente por causa de uma falha no cumprimento de um prazo!

      Não, eu não estou sendo exagerado: existem relatos confiáveis de que esse tipo de coisa acontece por lá. Por exemplo, Tenzin Gyatso, o 14° e atual Dalai Lama, ganhador do Prêmio Nobel da Paz e líder espiritual do budismo tibetano e do governo do Tibete no exílio, afirma:

      “A liderança chinesa interpreta até mesmo a menor das expressões de vexação como resistência política. As pessoas são então presas e sofrem abusos, o que quase sempre resulta em graves violações dos Direitos Humanos.” (Dalai Lama, in: Caminho da sabedoria, caminho da paz. Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 129)

      Percebes o nível da violência? Pessoas estão sendo presas, torturadas e mortas por ficarem ruborizadas perante uma grave ofensa.

      O Partido Comunista chinês é sádico, tanto quanto seu equivalente soviético foi, e tanto quanto qualquer partido comunista se mostra quando chega ao poder.

      O que me preocupa imensamente é que existe um movimento dentro da esquerda que procura mascarar a natureza dos partidos desta vertente política, deixando de citar Marx, Lênin, Trótsky e Stálin nos discursos políticos, mas que mantém sua fundamentação teórica.

      A maior parte das iniciativas legislativas que eu vejo surgir a partir do PT e dos movimentos sociais feminista, negro e gay são alinhadas com essa ideologia, ainda que muitos dos seus defensores nem mesmo percebam e ainda neguem isso.

      Ironicamente, essa ingenuidade da militância torna a esquerda muito mais perigosa. Como é bem sabido entre os iniciados nas verdadeiras artes do maquiavelismo, os mais vigorosos idealistas costumam ser as primeiras vítimas quando a revolução mostra sua verdadeira natureza. Eles denunciam os “desvios” – que não são “desvios”, são a essência da ideologia, eles é que não haviam percebido – e então se tornam inimigos a serem desmoralizados, aniquilados e suprimidos. Mas é inútil alertá-los, eles sofraram tão bem a lavagem cerebral que chamam os alertas de “corrupção reacionária” ou algo do gênero e se lançam alegremente na boca do dragão até que este fecha suas mandíbulas.

      Raios, isso daria um bom artigo…

  • Paula

    Existe uma crise de compromisso na sociedade brasileira. As vezes me pergunto se isto decorre do periodo da ditadura militar.
    Nao me comprometa !!!
    Nao me comprometo!

    No relacionamentos, no trabalho, na vida social.

    Assim, qdo algo da errado, nao fui eu. Eu nem tava la. Nao sei quem e’. Nunca vi. Nao sei de nada. Nao e’ comigo.

    Nao ha autoria, nao ha responsabilizacao.

    • Voltando à vaca fria depois de minha epifania anti-comuna, creio que a maior parte disso vem, sim, da ditadura militar. A nossa geração foi culturalmente aniquilada pela ditadura.

      Ainda tínhamos alguma referência não-alienada em casa, portanto não ficamos totalmente à deriva, mas não tivemos nenhum treino de responsabilidade cidadã e democrática, nem trabalhamos conceitualmente a cidadania e a democracia, de modo que, mesmo que não ficássemos totalmente à deriva, não tínhamos instrumentos para transmitir uma cultura de responsabilidade cidadã e democrática.

      O resultado é que a geração dos nossos filhos é uma geração de debilóides alienados, mimados, inconseqüentes, manipuláveis e intolerantes que não sabe lidar com frustrações e e é facilmente enrolada por charlatães populistas que se apresentam como salvadores da pátria. Os altíssimos índices de aprovação dos governos do PT – corruptos até a medula – comprovam isso.

      E daí que a corrupção é generalizada? “Político é tudo igual, não adianta escolher.” Portanto, o povo vota em quem distribui uma parcelinha do butim na forma de bolsa-esmola. Entre o safado que só rouba e o safado que rouba mas distribui um pouquinho, votam neste último. Faz todo o sentido para quem não tem a menor noção de responsabilidade, de cidadania e de democracia, sendo portanto incapaz de perceber que é seu próprio voto e sua própria alienação política que geram toda essa corrupção.

      É bem como disseste: eles não percebem que são autores, não percebem que são os responsáveis.

  • Golgo,
    O Dr Plausível é um personagem. Eu assino Permafrost.

    “¿que alternativa tem o desgraçado que passou seis meses desempregado batendo de porta em porta senão pegar a primeira porcaria de sub-emprego que aparece pela frente?”

    ¿Tá vendo? O argumento da extrema pobreza, da fome, da penúria &c não serve. O brasileiro (vc incluído) tem q se acostumar à pensar em termos de Alemanha, não de Etiópia. Casos especiais não são argumento. O SdB não é o resultado acidental de situações incomuns; é parte da cultura: o Maluf rouba mas manda; o brasileiro resmunga mas obedece. Se o congresso hoje aprovar uma reforma ortográfica pra q “é” se grafe “eh”, amanhã TODOS os jornais do país dizem amehn.

    Mas ¿como ter uma opinião não-falsa q dê conta da China, um país de 1,3 BILHÕES de habitantes? Tampouco vejo muito sentido em contrapor a produção industrial e capacidade de exportação do Brasil de 190 milhões à dum país de 1,3 BILHÃO. Isso é como Curitiba reclamar q São Paulo suga muito investimento.

    • Certo, Geladinho. Minhas lembranças ao caríssimo doutor, então. :)

      Não saquei por que “O argumento da extrema pobreza, da fome, da penúria &c não serve.” – se esse é justamente um dos principais motivos que levam o brasileiro a não pensar (porque não teve proteína nem educação suficientes colocadas para dentro do crânio para formar uma estrutura pensante razoável ali dentro), como pode este argumento não servir?

      Quanto ao eh, concordo. Lastimavelmente.

      Mas a questão numérica do tamanho do mercado não nos deveria fazer esquecer que lá existe trabalho escravo. Nós (mundo ocidental, herdeiro das tradições humanista e iluminista) deveríamos pelo menos exigir o respeito aos Direitos Humanos como condição elementar para receber qualquer país que queira participar do comércio internacional. Temos o direito e o dever de não comprar badulaques feitos com sangue de criancinha, pô.

  • Li

    Permafrost

    “¿que alternativa tem o desgraçado que passou seis meses desempregado batendo de porta em porta senão pegar a primeira porcaria de sub-emprego que aparece pela frente?”

    E isso quando encontra.

    Eu sempre acreditei que para falarmos da bagunça da casa do vizinho,antes temos que ter a nossa impecável.

    Tenho certeza absoluta que muita gente que dedende os Direitos Humanos precisa,antes,conhecer de verdade o Brasi,e o continente onde vive.

    Eu só não conheço o Norte,mas pesquiso bastante sobre ele,com os amigos que são de lá.

    Sulistas,especialmente do extremo sul,não fazem idéia de como o Nordeste é lindo…e miserável.

    Miserável de auto estima,de conhecimento das leis,
    de não valorizar as próprias coisas.
    Miserável por deixar que DOUTORES e POLÍTICOS abusem deles.

    Sou sulista no Nordeste e sei muito sobre o que estou falando.
    Sonho com o dia em que essa região se descubra capaz,forte,bela,abundante.

    Para um homem que está morrendo de fome,se dá um peixe frito,depois o ensinamos a pescar o próprio peixe,rs.

    • Eu sei que há muita coisa errada aqui. Mas pelo menos nós legislamos a respeito de modo decente e vamos tentando superar a corrupção para fazer as coisas funcionarem melhor. No que isso justifica adquirir produtos de quem ignora abertamente os Direitos Humanos?

  • paula

    Sim eu acredito no complexo de vira-lata do povo brasileiro. Nortista, sulista, de toda a parte.

    Quando o Arthur me chama de “super-homem” por paralelos ou diretamente, eu sempre lembro deste complexo, e de que a melhor coisa que fiz na minha vida foi um dia aprender que eu sofria dele, e a partir dai lidar efetivamente com este problema. Se a minha auto estima era baixa, nao era culpa do governo, dos meus pais, dos meus professores educadores ou deseducadores; era minha propria culpa, eu era responsavel por isso. Eu fui atras do que achava necessario para me sentir segura e satisfeita. Cada um tem o seu caminho a percorrer, nenhum ‘e melhor que o outro. Mas sem lidar com o complexo de vira-lata, as coisas tem menos chance de andarem no sentido certo.

    Sim existe muita gente que abusa dos outros, por forca fisica, politica, emocional, monetaria. Para mim, os abusadores estao distribuidos em todas as caras, funcoes e posicoes socio economicas. Porque na humanidade abusadores sao muito comuns, existe os Direitos Humanos (debatidos no mundo inteiro). O que ‘e diferente no Brasil ‘e que ali ‘e muito comum ver abusados achando que aquilo seja “normal” e nao fazendo nada para mudar. Mulheres desrespeitadas por maridos, maridos maltratados por mulheres, chefes ou professores torturando empregados ou alunos, tecnicos em x,y,z vendendo servicos inuteis ou cobrando pelo que nao fazem, motoristas profissionais fazendo caminhos triplamente mais longos para ganhar mais uns $$$, medicos mal-tratando pacientes, pacientes infernizando medicos…tem de tudo.

    Quem precisa abusar do outro para ser feliz precisa mesmo ‘e ir se tratar. Ms nem todos abusadores tem este insight, entao o abuso ‘e perpetuo, e suas relacoes pautadas por abuso. Os que nao aceitam simplesmente caem fora, e outro abusado assume o papel, e assim por diante.

    • Paulinha, existem duas coisas bem diferentes misturadas aí. Uma é a questão da sensibilidade, outra é a questão da responsabilidade. As duas são importantes.

      Quando eu critico o modo Partido Republicano de ser, que às vezes me parece ser o viés que assumes, eu critico a falta de sensibilidade para compreender que uma pessoa desvalida da sorte, nascida em um ambiente desagregado, sem afeto, sem exemplo moral, sem educação estruturada, sem conforto e sem perspectivas, na maior parte dos casos não tem condições de vestir a camiseta do “self-made-man”, decidir que quer uma vida melhor e fazer o que precisa ser feito para se tornar uma “pessoa de sucesso”, nem mesmo se definirmos “sucesso” como “não cair na prostituição, no roubo e nas drogas”. A crítica à falta de sensibilidade é, portanto, dirigida a “como vemos os outros”.

      Quando eu critico modo cupim de ser, que é parecido com o que chamaste de complexo de vira-latas, eu critico a falta de responsabilidade das pessoas para compreender que, se estão em uma situação que acham ruim, então elas mesmas são as principais interessadas em mudar suas vidas e precisam se esforçar para isso, mobilizando os parcos recursos de que dispõe pelo menos para não fechar as portas para toda e qualquer oportunidade e conseguir aproveitar se aparecer alguma oportunidade (mas nota que eu não estou falando em “gerar as próprias oportunidades”, porque no parágrafo anterior eu admiti que a maioria destas pessoas não tem condições de fazer isso). A crítica à falta de responsabilidade é, portanto, dirigida a “como o outro se vê”.

      Misturar as duas coisas gera aquele cenário em que o rico chama o pobre de vagabundo e o pobre chama o rico de explorador – irônica e desgraçadamente, os dois têm razão.

      Existe solução? Talvez. Mas, ao contrário do que dizem os marxistas, ela não vai surgir a partir da classe operária. É ridículo imaginar que uma classe explorada, desgastada, composta por indivíduos incapazes de melhorar individualmente a própria sorte, mantidos nesta situação através de gargalos educacionais e poderosos limitadores econômicos, haverá de se organizar e realizar uma revolução (violenta ou pacífica, tanto faz) que possa manter uma sociedade complexa suficientemente organizada a ponto de manter a estrutura e os serviços do Estado em condições de satisfazer as necessidades de todos sem recorrer a uma elite gerencial que tenha no mínimo a mesma capacidade dos capitalistas depostos – e aí está claramente demonstrado o motivo pelo qual toda revolução socialista degenera em burocracia centralizada, autoritarismo, corrupção e tirania.

      Só para dar uma palhinha… eu estou trabalhando uma idéia que pode vir a causar impacto político, mas ela ainda não está madura para vir a público, nem este seria o tempo adequado para tentar implementá-la. (Durante a lua-de-mel deles não adianta gritar embaixo da janela do motel que a noiva do amigo é uma vagabunda – ele não vai ouvir, se ouvir não vai dar bola, se der bola não será para concordar e sim para atirar um balde de urina em cima da gente.) Sabe qual é o grande problema da minha idéia, que eu não encontro maneira de contornar? É justamente a completa falta de responsabilidade do “cidadão” brasileiro pela condução do próprio destino. As pessoas nem sequer ouvem minha explicação inteira. “Política é muito chato, Arthur. Vamos falar de outra coisa.” É como se toda e qualquer conversa fosse apenas entretenimento.

    • paula

      Leia de novo o Metodo Cientifico de Rene Descartes. Maneira mais organizada de lidar com problemas grandes demais sem ficar paralizado.

  • Li

    No que isso justifica adquirir produtos de quem ignora abertamente os Direitos Humanos?( Arthur)

    Não justifica nada.
    O Brasil também ignora esses direitos.
    Pra mim dá no mesmo,se compro tralha americana,indiana ou chinesa,rs.

    Eu compro tralhas por não me curvar a vontade de quem quer abusar do meu dinheiro.
    Essa foi a única forma que encontrei de lutar.

    Se eu me curvar aos interesses da indústria brasileira,em nada vai ajudar alguém do outro lado do mundo.

    Eu compro frutas da temporada.
    Faz tempo que deixei de comprar “marca”.
    Não sou consumista,e mesmo assim não tenho tantas defesas contra um sistema que me usa.

    • “O Brasil também ignora esses direitos.
      Pra mim dá no mesmo,se compro tralha americana,indiana ou chinesa,rs.”

      No Brasil nós temos leis, um sistema político e um poder judiciário que combatem essas coisas. Quando elas acontecem, são exceção. Ou pelo menos nós tentamos fazer (com passos de formiga e sem vontade, mas tentamos) que elas sejam exceção.

      Na China as leis não definem trabalho escravo, o sistema político é ditatorial e o poder judiciário é alinhado com o regime. Nem se compara a gravidade de uma situação e outra.

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