O autodidata e o diplomado, ou “quem certifica o certificador?”
Existem diversas maneiras de aprender. A educação formal em estabelecimentos de ensino certificados é uma delas. O autodidatismo é outra. Nenhuma delas é intrinsecamente “superior” à outra. O que importa não é o método de aprendizado, é o real domínio dos conhecimentos e desenvolvimento das habilidades necessárias para cumprir as tarefas a que o profissional se propõe. E qualquer certificação, para ser útil ao invés de enganadora, tem que refletir não o processo de aprendizado, mas o seu resultado real.
Eu aprendi a dirigir sozinho, olhando meu pai dirigir. Na primeira vez em que peguei um carro, não precisei de nenhuma explicação, só de tempo para “pegar o jeito”, ou seja, calibrar adequadamente a coordenação sensório-motora.
Eu aprendi a falar uma língua sozinho, estudando em um único livro após ter uma única aula sobre a pronúncia correta das letras do idioma. Na primeira vez em que falei aquela língua em público, dei uma palestra sobre a organização e dinâmica social dos falantes daquela língua.
Eu aprendi a mexer em computadores da família PC sozinho, fuçando e buscando informações na internet. Na primeira vez em que meu saudoso 286 deu pau por conflito de IRQ, abri o gabinete, mudei os jumpers de configuração conforme o manual e voltei a trabalhar numa boa.
Aí vem a Paula e me faz este comentário:
(…)
Eu sempre digo que no Brasil há uma crise de autoridade, me referindo à falta de reconhecimento da autoridade técnica ou intelectual num assunto.
(..) Mas acho que aqui a palavra que se aplica melhor ao que eu quero dizer em vez de crise de autoridade seria crise de credencial.
O cara se “credencia” como eletricista e sai oferecendo serviços como tal. Azar de quem o contratar, pois ele não tinha conhecimento ou treinamento que o credenciassem para tal.
(…)
A diferença é que o consumidor dos EUA tem a opção de escolher alguem que seja credenciado e pagar por tal. No Brasil ninguém sabe de nada, não há regulação, nem processo de credenciamento. Você liga para um prestador de serviço e ele se diz “sou da autorizada”…mas sabe-se lá se é mesmo…
Enfim, vejo o consumidor brasileiro desprotegido neste aspecto. E como tem muito espaço para pessoas “não credenciadas” porque nem existe processo de credenciamento, ou se existe ele é muito falho, existe uma proliferação de pilantras na enésima potência, misturados com quem entende do assunto e poderia prestar um servico adequado. E competindo de igual para igual com os treinados e potencialmente credenciados.
Mas daí também vai do consumidor: se eu não me importo de receber um servico porco por um preço micro, eu contrato o cara sem credencial mesmo assim.
Nos EUA, em muitas profissões e servicos, o cara nem pode exercer a atividade se não tiver as credenciais mínimas. Desta forma o consumidor fica um pouco mais protegido.
É incrível como eu e a Paula discordamos até quando concordamos! Mas eu adoro o modo como freqüentemente ela me força a espremer o cérebro para argumentar. Vamos portanto direto aos pontos de concordância e discordância da vez, porque este assunto é divertido e tem potencial para soltar faíscas. Para facilitar a aproximação do fósforo à gasolina, vou selecionar exemplos na área de conhecimento dela.
1. Concordo parcialmente que no Brasil existe uma terrível “falta de reconhecimento da autoridade técnica ou intelectual num assunto”, dependendo do assunto. Em algumas áreas existe exatamente o oposto: um excesso de submissão à autoridade técnica.
Como exemplo do primeiro caso, na minha área de maestria (ecologia), qualquer bocó que já tenha plantado uma árvore ou que separe o lixo em casa se considera mais qualificado do que eu que tenho um mesttrado na matéria e já lecionei essa joça em nível de pós-graduação.
Como exemplos do segundo caso, é um absurdo eu não poder me defender sozinho em um tribunal, não poder assinar a planta da casa térrea que eu mesmo projetei e não poder comprar livremente determinados medicamentos. Neste último caso o absurdo inclui pressupor que o indivíduo que não possui o diploma adequado é incapaz de aprender qualquer coisa e muito menos assumir qualquer responsabilidade, mesmo que seja em relação à própria saúde e mesmo que sua condição seja crônica e ele esteja cansado de saber exatamente que medicamento deve ser utilizado, em que quantidade, com que freqüência e por quanto tempo.
2. Concordo plenamente que haja uma crise de credencial, porque de fato os processos de regulação, credenciamento e fiscalização no Brasil, quando são completamente porcos, é porque estão muito acima da média. (Quem se lembra de uma reportagem do Fantástico em que um picareta olhou uma gota de sangue no microscópio e disse que uma mancha era “um cristal de colesterol com uma cândida em cima” e que o problema de saúde da suposta paciente tinha sido causado “porque você, sua mãe ou sua avó freqüentaram espiritismo”?)
O processo de credenciamento pelos pares é normalmente falho por sua própria natureza, uma vez que permitir às raposas fiscalizarem umas às outras e avaliarem as reclamações das galinhas constitui um estímulo poderosíssimo para o corporativismo e para a corrupção. Isso é um problema comum literalmente em todas as profissões.
Além disso, se alguém tiver a cara-de-pau de abrir um curso superior de astrologia e formar um Conselho Federal de Astrologia, teremos no mercado astrólogos devidamente formados e credenciados, com um código de ética regendo a atividade profissional e um dedo na cara de quem ousar discordar da seriedade das “ciências astrológicas”, exatamente igual ao que acontece hoje quando alguém denuncia que toda a homeopatia é uma imensa picaretagem vergonhosamente acobertada pelo Conselho Federal de Medicina, com conseqüências terríveis para a saúde de muita gente.
3. Discordo totalmente, justamente em função do exposto nos itens 1 e 2, que o processo de credenciamento deixe o consumidor mais protegido.
Vamos a um exemplo hipotético para que possamos nos ater ao mérito do argumento ao invés de nos prendermos aos detalhes técnicos de um caso real.
Critério de certificação – parte 1
O Dr. Bisturi Certificado é um neurocirurgião famoso. Ele concluiu seu curso com uma láurea acadêmica, fez sua residência médica na conceituadíssima Faculdade de Medicina Trépano de Ouro e mais setecentos e oitenta e nove cursos de especialização nos Istêitis, na Zoropa e no Zapão.
Já o “Dr.” Picareta Afiada é um sujeito sobre o qual existem uns rumores estranhos. Ele alega ter um vasto e profundo conhecimento de medicina porque foi abduzido por uma nave extraterrestre e teve um chip biológico indetectável implantado no seu cérebro, que lhe permite acessar telepaticamente a Enciclopédia Transcendental Intergaláctica, onde ele estuda autodidaticamente todos os dias. Além disso, o chip o coloca em semi-transe e assume parcialmente suas funções motoras e lhe confere extrema perícia, permitindo um manejo preciso tanto dos instrumentos tradicionais quanto de alguns acessórios inusitados, como alguns pequenos ímãs que espalha ao redor do campo cirúrgico e um chocalho de madeira com o qual dá diversas batidinhas no nariz do paciente durante a cirurgia.
Se você tivesse um aneurisma do tipo “quase impossível de operar”, localizado numa região do cérebro onde qualquer piscadinha de olho do cirurgião no momento errado pode transformá-lo em um vegetal ou em um presunto, por qual dos dois você preferiria ser operado?
Pelo profissional com certificação conhecida ou pelo aparentemente maluco?
Se estas forem as únicas informações que você tem a respeito dos dois, suponho que sua escolha será fácil, tranqüila e isenta de dúvidas.
Já se você tiver que escolher entre dois profissionais igualmente certificados, sem nem saber em que faculdade o sujeito fez o curso dele nem conseguir qualquer informação a respeito dele porque a “ética médica” impede que um médico comente qualquer coisa sobre o outro, você estará no mato sem cachorro.
E que tipo de informação deveríamos obter sobre cada profissional?
Critério de certificação – parte 2
O Dr. Bisturi Certificado realiza no máximo duas cirurgias por semana, e não todas as semanas, porque sabe que seu trabalho é desastante e precisa se recuperar bem para estar em plena forma e atenção, pois sua tarefa é de altíssima responsabilidade. Sua média de sucessos em cirurgias é de 90%: nove excelente recuperações para cada paciente que saem da mesa de cirurgia retardado, em coma ou morto.
O Dr. Picareta Afiada alega fazer uma operação por dia, num calabouço clandestino nos fundos de sua garagem, e só começa a cirurgia ao ouvir o gongo de um grande relógio de parede instalado na sala cirúrgica bater a primeira hora da madrugada, porque “este é o segredo para ter um sucesso ímpar”, conforme explicado por Bakram-Zá, seu instrutor alienígena. Sua média de sucessos em cirurgias é de 99%: dos 365 pacientes que operou no últimos ano, quase todos tiveram perfeita recuperação, exceto três que tiveram dores no nariz por causa das chocalhadas e um que morreu atropelado por um jet-sky desgovernado no dia seguinte à cirurgia.
Se você tivesse um aneurisma do tipo “quase impossível de operar”, localizado numa região do cérebro onde qualquer piscadinha de olho do cirurgião no momento errado pode transformá-lo em um vegetal ou em um presunto, por qual dos dois você preferiria ser operado?
Pelo cara com 90% de sucesso ou pelo cara com 99% de sucesso?
A coisa está mudando de figura, certo?
Entre 90% de chance de sucesso pelo método tradicional e bem conhecido e 99% de chance de sucesso total pelo método alternativo e desconhecido, se estes números estiverem corretos, seria irracional optar pelo método tradicional.
Entretanto, no mundo real somos obrigados a “escolher” um médico completamente às cegas, sem acesso a suas estatísticas de sucessos e fracassos, sem poder conversar com seus pacientes anteriores e sem o menor apoio de sua entidade de classe, que não somente sonega informações como ainda ameaça os outros profissionais da área com a perda do direito de exercer a profissão caso alertem as possíveis vítimas de um charlatão ou de um incompetente para que não ponham suas vidas em risco.
Isso é deixar o consumidor mais protegido?
Mas vamos à última parte desta análise.
Critério de certificação – parte 3
O Dr. Bisturi Certificado, como eu disse acima, foi um ótimo aluno das melhores faculdades. Uma pesquisa “de cocheira”, ou seja, fofocas com os técnicos de enfermagem do hospital em que ele trabalha e com alguns alunos e pacientes dele, indicou que ele é um sujeito atencioso e aparentemente responsável. Ninguém soube dizer se ele já havia cometido alguma “barbeiragem”.
Em resumo, dadas as imensas limitações e dificuldades para obter informações sobre um profissional protegido por um código de ética sufocante e uma entidade de classe altamente corporativa, tudo que se pode obter é um “parece legal” e um “nada consta”.
O Dr. Picareta Afiada, por sua vez, tem uma lista imensa de ex-pacientes com que ele recomenda que conversemos. Fornece endereços e telefones às centenas. E todos os seus alegados ex-pacientes se derramam em elogios para a incrível competência do Dr. Picareta Afiada, que salvou sua vida removendo um aneurisma cerebral e ainda resolveu uma unha encravada que estava incomodando.
“É muito bom para ser verdade”, dirá você na cara do próprio Picareta Afiada, “eu não acredito, você deve ser um charlatão que contratou essas pessoas para falarem bem de você”.
O Dr. Picareta Afiada, ao invés de se ofender ou de dar de ombros dizendo que não obriga ninguém a confiar nele, faz então uma pergunta estranha: “você tem algum animal de estimação?”
Pego de surpresa, você responde que sim, tem o Rex, um vira-lata com doze anos que está com um problema gravíssimo na coluna, a ponto de não conseguir mais caminhar por causa das dores. E meio por acidente você diz ao Dr. Picareta Afiada que por coincidência o Rex está no seu carro, porque você ia levá-lo ao veterinário logo após a sua consulta.
“Traga o Rex aqui”, diz o Dr. Picareta Afiada. “Tenho uma surpresa para você.”
Desconfiado, mas curioso, você busca o Rex. E o Dr. Picareta Afiada subitamente saca um revólver e dá um balaço na coluna do Rex, que cai convulsionando no chão. Então ele pega um machado, golpeia o bichinho na cabeça e tira uma tampa do crânio dele com uma parte do cérebro junto. Ele mostra aquele cérebro ensangüentado para você e diz “agora saia daqui, que eu tenho muito trabalho pela frente”. [Gargalhada sinistra.]
Não precisa dizer duas vezes, né? O doido nem terminou de rir e você já estava dando a partida no carro. Você chega em casa apavorado, em choque, sem saber o que fazer, e decide ir a uma delegacia no dia seguinte e dar parte do louco. Passa uma noite agitada, sem conseguir dormir direito.
No dia seguinte, às 7h da manhã, a campainha toca.
É o Rex.
Ele está com um curativo na cabeça, abanando para o Dr. Picareta Afiada, que está no carro, abanando de volta e dando a partida para ir embora.
Então o Rex vira pra você e fala: “Gente boa, esse Picareta Afiada. Jogamos uma partida de xadrez depois da cirurgia de reconstituição de minha coluna e do meu cérebro e ele não parava de rir lembrando a sua cara apavorada de ontem. Eu ainda não comi nada, minha tigela de ração está cheia? Dá licença!” Dito isso, entra correndo.
E aí, você ainda prefere que o Dr. Bisturi Certificado opere seu aneurisma ou está finalmente convencido que Dr. Picareta Afiada é um “bom” neurocirurgião?
Moral da história
Eu não estou nem aí se o sujeito cumpriu a burocracia de uma educação formal e tem uma certificação oficial, eu quero é que ele me prove de alguma maneira consistente que domina os conhecimentos e tem as habilidades requeridas para executar as tarefas a que se propõe com garantia de resultados de qualidade.
Pode ser através de uma educação formal e uma certificação oficial? Pode, claro, se os problemas de certificação do certificador forem resolvidos, com avaliação não-pelos-pares e eliminação dos entraves para a realização de avaliação independente, como a sonegação de informações e as proteções corporativistas. Mas não tem que ser necessariamente assim.
Desde que me permita tomar uma decisão bem informada, com conhecimento das alternativas e boa ponderação quanto aos prováveis resultados, qualquer método de certificação serve.
Até mesmo o depoimento do Rex.
Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 05/02/2012.
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segunda resposta a pedido:
“Parte 3
Vou fazer campanha para que colar cervical seja item de segurança obrigatório em todo veículo, assim como o macaco. Assim não me estressarei mais com a dúvida se devo deixar ou não alguém morrer de outra lesão para não correr o risco de detonar a medula dele.”
Respondida acima.
Vais colaborar na campanha?
Sobre o kit primeiros socorros obrigatorio no carro.
“Aquele kit teria sido uma boa idéia se fosse possível a cada pessoa construir seu próprio kit com um conjunto de equipamentos obrigatórios. Ficou claro que era golpe para enriquecer picaretas quando a descrição do kit se mostrou totalmente inútil para quaisquer casos graves, limitando-se praticamente a gase, esparadrapo, tesourinha e mercúrio ou merthiolate, devendo ter características específicas que só se encontravam em determinadas marcas postas às pressas no mercado para atender a demanda, de péssima qualidade e sem serventia alguma. ”
A picaretagem secundaria `a oportunidade de venda do kit nao deveria ser razao para eliminar sumariamente a lei (e o kit). A opcao de fazer seu proprio kit deveria ter sido colocada ao publico. Quem tivesse um kit faltando apetrechos e fosse parado numa blitz, que respondesse pela falta do apetrecho.
Paulinha, o kit de primeiros socorros nunca foi pensado para funcionar. Desde o princípio a única intenção foi encher as burras de algum corrupto de dinheiro. Para que fizesse algum sentido o kit deveria ter equipamentos muito mais importantes que gaze e tesourinha e teria que haver um AMPLO programa de educação em primeiros socorros, o que nunca foi cogitado.
Sobre certificacao profissional periodica, no caso, os medicos:
“Desde que o oftalmologista não tenha que fazer prova de ginecologia, acho a idéia ótima” – Arthur
Eu nem precisei te dar um exemplo de:
1) complicacao sistemica de um problema isolado (diabetes por falta de producao de insulina por um orgao, e neuropatia/vasculopatia/doenca coronaria/suscetibilidade a infeccoes/insuficiencia renal; todos causados pela diabetes), ou de
2) complicacao local, por uma condicao sistemica (o anticoncepcional interferindo nas lentes de contato), que ja’ recebeste a resposta.
Quando um medico faz questao de atuar como um tecnico e so’ ver o orgao que ele trata, ou a doenca que ele trata, ele nao ajuda o paciente. Eu sempre brinco com meus alunos que dizem: “esta baixa hospitalar (como se isso fosse equivalente a “o Sr. Fulano”) decorre de uma ulcera gastrica que sangrou (como se o estomago tivesse vindo pulando `a consulta). Tratamos a ulcera com inibidor de protons de Hidrogenio (como se nao fosse o paciente a quem devesse se tratar).
Como eu sou medica, eu digo: O Sr. Fulano procurou atendimento devido a uma hemorragia digestiva. Na endoscopia foi vista uma ulcera, que sangrava, e que ‘e provavelmente a fonte do sangramento. Iniciamos o tratamento do Sr. fulano com inibidor de bomba de protons. Etc. Agora, a ulcera, o estomago, nada disso faz parte da minha especialidade. Mas mesmo assim, os pacientes “insistem” em virem com problemas em outros orgaos do que o meu “favorito”!! hahahahaha. Como se fosse possivel atender a um par de olhos que chegasse para consulta, de certo pulando tb.
Nao tem como desmembrar a pessoa em tecidos, orgaos, sistemas ou doencas. Eu atendo a pessoa, nao a perna, ou a doenca. Para isso, eu preciso saber das outras areas que nao a minha especialidade. Nem que seja para saber quem chamar no caso de uma consultoria!
Sobre a certificacao e recertificacao: nao, de fato nao vao haver centenas de perguntas de gineco na prova de especialidade do oftalmo. Mas eu te garanto que vai haver nas perguntas gente gravida indo ao oftalmo, gente com doencas sexualmente transmissiveis indo ao oftalmo, ou gente tomando remedios que interferem com olhos ou com os remedios dos olhos.
A Paula respondeu melhor que eu que não exerço mais a medicina clínica porque não dá pra ir direto pra especialidades. Porque a gente nunca pode perder a visão do todo.
Mal comparando é um pouco como a tua visão de um ecossistema, você até pode focar num ponto, mas saber que as vezes os problemas desse ponto tem origem mais adiante pode te dar a chave pra entender o que está acontecendo. Como neste causo aqui (lembrei dum livro do meu filho):
https://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:RPqflyoKI84J:www.abdl.org.br/filemanager/download/142/De%2520pergunta%2520em%2520pergunta%2520-%25202.doc+gente+bicho+planta+mundo+huxley&hl=pt-BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEESjuSu_YJLeufjYsiRIT5Qgbe4P20ut-RrC-q5HfEIM5nHqV69TUIClfL9DV8MySpCwR7PCNg5mrZk8VqW2wL4Ema0NYpsMEeBzfJgNMhvi9PyCcj39rg3xbKN_Khy4VYh6W3K__&sig=AHIEtbSzSTWLUvLqQ1fVQUJeG0lCVy7jWA
otimo texto.
eu tenho gatos, kkkk
Sobre certificacao profissional periodica, no caso, os medicos:
“Desde que o oftalmologista não tenha que fazer prova de ginecologia, acho a idéia ótima” – Arthur
Eu continuo não me sentindo nada respondido. Visão sistêmica não é a mesma coisa que visão de colcha de retalhos. Tanto assim não é que o exemplo das lentes de contato corrobora a MINHA tese, ou seja, diversos profissionais com a formação tradicional não se deram conta do que estava acontecendo, porque eles não pensaram sistemicamente. Tanto é que foi a paciente que descobriu sozinha o problema lendo uma bula!
E, no modelo de formação que eu acho mais razoável, certamente haveria mais tempo para se dedicar a estes detalhes em maior profundidade.
Ó ceus, Gerson… eu estou dizendo que a visão do todo é obtida através do estudo do todo, NÃO através do estudo das partes. Eu estou sendo holista, partindo do todo para a parte, enquanto a atual formação de um médico é totalmente reducionista, partindo da parte para o todo.
Concordo inteiramente com você nesse ponto, Arthur, mas acho que no modelo que você propos faltava a prática da clínica geral. Você disse, na página 4, dia 14/2 às 23hs, “Dois terços do curso de medicina teriam que ser divididos entre quatro disciplinas: fisiologia, imunologia, patologia e farmacologia. O resto teria que ser ocupado pela especialidade do sujeito.”. Minha proposta é ainda mais radical (se é que é possível ser mais radical que você em alguma coisa hehehehehehuhuhuhahaha), eu proponho se deixar a especialidade setorial pra depois do curso, na residência médica. No curso se ensinariam só as especialidades por período (CG, Geronto, Obstetrícia e Pediatria), as diagnósticas e as terapêuticas. E pronto-socorro, ação em emergências.
Não basta a fisiologia como disciplina unificadora, há uma forma de pensar que você só desenvolve junto ao doente, examinando “dos pés à cabeça”.
Transferindo para o lugar certo a resposta que estava em verde e deslocada:
“(se é que é possível ser mais radical que você em alguma coisa hehehehehehuhuhuhahaha)”
Ultimamente tenho ouvido isso com mais freqüência que o habitual…
“No curso se ensinariam só as especialidades por período (CG, Geronto, Obstetrícia e Pediatria), as diagnósticas e as terapêuticas. E pronto-socorro, ação em emergências.”
Pô, mas isso é o que é feito, mais a especialidade. Aí se forma o famoso profissional-colcha-de-retalhos, como são formados por exemplo… os biólogos!!!
Eu lembro como se fosse hoje: aulas de zoologia, de botânica, de genética, de bioquímica, de biofísica, de “matemática aplicada à biologia” e de “física aplicada à biologia” (uma vergonha estas disciplinas, as ementas inteiras caíam no vestibular), de geologia, de paleontologia, de ecologia… cada uma sem nenhuma ligação com a outra, sem nenhuma seqüência lógica, com pré-requisitos absolutamente absurdos, uma colcha de retalhos sem pé nem cabeça.
Um currículo decente de biologia teria que começar com astronomia e geologia, enveredar pela química inorgânica e depois para a química orgânica elementar, entrar de cabeça na evolução biológica com todo o formulário matemático necessário para compreender a competição primordial entre biomoléculas, o mundo de RNA, o surgimento do DNA, apresentar os conceitos de quimiossíntese, heterotrofismo e cadeia alimentar, depois falar em fotossíntese, então passar para a matemática das interações não-lineares (cálculo integral e diferencial, funções logarítmicas e exponenciais, álgebra linear, teoria do caos) ver a climatologia e a meteorologia, introduzir os grandes biomas, descer para os ecossistemas e as relações ecológicas e somente então apresentar as especificidades da bacteriologia, da micologia, da zoologia e da botânica, descendo então para o nível da bioquímica, da biofísica e das especificidades da genética e da biotecnologia. Três disciplinas devem acompanhar todo o curso: método científico, informática e modelagem e simulação de sistemas aplicadas a cada nível de integração estudado. E o ser humano deve ser visto sob o prisma biológico, dentro da primatologia, que por sua vez é parte da zoologia, até para firmar uma posição contra as bobagens das “ciências humanas” que ignoram nossa natureza animal e acham que tudo é “cultural e historicamente determinado”.
Isso assim de cabeça às duas e meia da madrugada da segunda-feira do carnaval, então é bem possível que em outro dia eu mude de idéia sobre a posição de alguma disciplina ou perceba que faltou alguma coisa importante, certo?
Compara esse esboço centrado na disciplina integradora da biologia, que é a evolução, com o currículo de qualquer curso de biologia e verás que provavelmente em quinze minutos eu montei um currículo mais racional, completo e coerente que 90% das universidades do país.
Ou seja: não é só a medicina que tem falhas graves na formação…
Tou respondendo aqui porque você disse pra não responder nos espaços verdes:
Arthur 20 de fevereiro de 2012 às 01:57 disse [“No curso se ensinariam só as especialidades por período (CG, Geronto, Obstetrícia e Pediatria), as diagnósticas e as terapêuticas. E pronto-socorro, ação em emergências.”
Pô, mas isso é o que é feito, mais a especialidade. Aí se forma o famoso profissional-colcha-de-retalhos, como são formados por exemplo… os biólogos!!! ]
No curso de Medicina, pelo meno o que fiz, você passa por várias especialidades setoriais: cardio, pneumo, nefro, ortopedia, psiquiatria, hemato, reumato e outras. Essas eu proporia que fossem retiradas. Talvez, TALVEZ deixasse a D.I.P. .
CG eu saquei que é Cirurgia Geral.
DIP é o quê? Drenagem Interbancária Profunda (da grana do paciente)?
CG é Clínica Geral.
DIP-Doenças Infecciosas e Parasitárias. Não que não existam parasitões de branco, mas tambem há globulões brancos abnegados…
Queria que Paula palpitasse/criticasse meu modelo de currículo tambem.
Quer dizer que eu saquei mais saquei errado?
HUAHUAHUAHUAHUA!!!
Uma das maneiras de inserir a necessidade de certificacao periodica ‘e de se exigir isso a partir dos formandos de 2013, por exemplo. Assim NAO tem choradeira. Em 10 anos, estariam sendo re-certificados a primeira leva de profissionais. Se for tentar brigar com os que sao “certificados” pelo simples fato de existirem, NUNCA que a re-certificacao vai acontecer. Pobre do povo.
Não acho que a recertificação precise acontecer a partir de uma turma específica. Acho que deve vir uma lei e obrigar TODOS os profissionais de cada área a ser recertificarem, entrando a lei em vigor 2 anos a partir da data de sua publicação – o que dá tempo de TODO MUNDO se preparar.
Uma das maneiras de inserir a necessidade de certificacao periodica ‘e de se exigir isso a partir dos formandos de 2013, por exemplo. Assim NAO tem choradeira. Em 10 anos, estariam sendo re-certificados a primeira leva de profissionais.(Paula)
“quem certifica o certificador?”
O profissional pode ser avaliado mensalmente e isso não é garantia de qualidade.
Porque se ele não for ético e responsável,de nada vai adiantar.
E isso é válido para o planeta.
As leis são milenares e ainda são desrespeitadas.
A primeira Declaração de Direitos de 1789,ainda não foi efetivada em nossas mentes e corações,imaginem testes de avaliação profissional.
O profissional pode ser perito nos testes e ao exercer a profissão ser um irresponsável,discriminador,mau caráter.
Nenhum teste é atestado de integridade de caráter. Ajudam,mas não são o bastante,jamais serão.
““quem certifica o certificador?””
Acabo de me dar conta de uma coisa… na real, quem certifica o médico não pode ser só o médico. Assim como quem certifica o rebimbocadaparafuseteiro não pode ser só o rebimbocadaparafuseteiro. Estamos esquecendo que quem tem que certificar a raposa que cuida do galinheiro é a galinha, não outra raposa.
Pelo menos ja concordamos que a certificacao seja necessaria. Ufa, apos 400 comentarios pensei que nao fosse sair da estaca zero.
Peraí, peraí, eu disse já no artigo que alguma certificação pode ser útil, tanto que o Dr. Picareta Afiada apresentou como certificação o “depoimento” do Rex. Minha bronca não é com qualquer certificação, é com a limitação absurda das atuais certificações!
A certificacao e re-certificacao para praticar uma profissao nao tem o objetivo de atestar carater.
Ela tem objetivo de proteger o usuario, a populacao.
O cara pode ser mau carater com sua familia, e ser o melhor advogado do pais. O cara pode ser mau carater com seu rival de profissao, mas ser o melhor cirurgiao de torax do estado. Ao usuario, o que interessa ‘e ser atendido por alguem capacitado.
Nao interessa se a pessoa tem bom carater, e nao tiver a atualizacao profissional dentro de suas prioridades. Por exemplo, uma mulher tem trigemeos e para de estudar por 3 anos, por falta de capacidade fisica. Se ela nao passar na certificacao, ou re-certificacao, nao pode prestar o servico para o qual ela foi treinada! Nao interessa que ela estava ocupada sendo mae, que ‘e um motivo no minimo nobre. Ao usuario nao interessa se a doutora faltou porque o filho esta’ com pneumonia, ou se ela nao atinge o nivel minimo para ser certificada, porque nao conseguiu estudar para cuidar dos triplos.
Ou seja, ser bom carater nao garante o nivel de atualizacao que pode ser necessario para a continuidade da pratica.
A necessidade de fazer e ser aprovado em uma prova por sua vez, obriga a atualizacao.
Voce nao acredita no dado de que em outros paises esta pratica comprovadamente protege a populacao?!
Vou dar o exemplo dos Estados Unidos que ‘e o que eu conheco, e com o qual eu concordo, mas nao que tenha que ser copiado. So’ para responder a pergunta do blog, sobre quem certifica o certificador.
Nos US, voce tem que fazer inumeros cursos para se tornar elegivel para sentar para a prova de certificacao. Se voce nao for nem elegivel para a certificacao por uma determinada prova, nao ‘e contratado por quase nenhum empregador. Talvez consiga um emprego que ninguem quer, no meio do nada, ou do gelo no Alaska.
Pois bem, voce era elegivel para certificacao e foi contratado. Ao ser contratado, voce tem 4 anos (4 tentativas) para se tornar certificado. Se nao conseguir passar em nenhuma das 4 tentativas, perdeu o emprego.
A re-certificacao acontece em 10 anos. De novo, 4 tentativas.
Quem estabelece os criterios para eligibilidade para certificacao, e os criterios a serem testados em exame escrito ‘e um colegio de profissionais daquela area com representantes que vem de quase todos os estados do pais. Estes representantes sao profissionais reconhecidos pela comunidade, pelos alunos e pelos seus pares como sendo exemplares. Em geral sao mais idosos, com vasta experiencia em formacao profissional no campo academico, e com cargos eletivos importantes ao longo da carreira.
A posicao de membro do American Board of …. qual seja o nome da profissao ‘e em geral muito prestigiosa, e os membros mudam gradualmente, para assegurar que nao haja mudanca geral da noite para o dia com perda de continuidade.
As escolas da profissao sao credenciadas para ensinar o que ensinam, e participam das decisoes sobre o que deve constar no curriculo do treinamento para a profissao. A credencial da escola e’ renovada a cada varios anos (5 anos? nao lembro). Se uma escola for reprovada na re-avaliacao, tem prazo para se readequar. Se nao se readequar, perde a credencial (e todos os “clientes” alunos, que se bandeiam para outras faculdades na mesma hora, ou antes mesmo, so’ pelo temor da coisa).
No caso da medicina, os programas de residencia tambem sao fiscalizados e credenciados. Do mesmo jeito, nao interessa se for uma Hopkins, ou uma Cornell (NY), se um determinado programa de residencia nao cumprir as exigencias, fica em “observacao” e tem prazo para se readequar. Se nao se readequar, todos os egressos da medicina que tinham escolhido aquele programa de residencia tem a opcao de serem relocados para programas acreditados. Nao preciso dizer que as escolas e programas de residencia nao querem que isso aconteca, de jeito nenhum, por todos os motivos.
O fato de os processos de credenciacao no Brasil nao serem perfeitos em todos os niveis NAO SIGNIFICA que tenham que ser abolidos.
A credenciacao ‘e fundamental para a protecao da populacao.
Se recusar a prestar uma prova para credenciacao como categoria profissional sim ‘e coorporativismo. Ninguem que nao precisa vai topar se submeter a uma avaliacao, sabendo ou nao a materia, e correr o risco de falhar. Ninguem em sa consciencia quer ser confrontado com o risco de reprovacao!
Mas a populacao precisa de profissionais credenciados.
“A certificacao e re-certificacao para praticar uma profissao nao tem o objetivo de atestar carater.”
Deveria.
“Ela tem objetivo de proteger o usuario, a populacao.”
O que é impossível se o sujeito for mau caráter.
“O cara pode ser mau carater com sua familia, e ser o melhor advogado do pais. O cara pode ser mau carater com seu rival de profissao, mas ser o melhor cirurgiao de torax do estado. Ao usuario, o que interessa ‘e ser atendido por alguem capacitado.”
DISCORDO RADICALMENTE.
Não existe isso de “ele é um FDP, mas é bom no que faz”. O Felipão estava certíssimo em não levar o Romário para a Copa depois do que o Romário aprontou com ele. Temos que parar com essa maldita mania de achar que “as coisas não se misturam”. É IMPOSSÍVEL ALGUÉM SER CONFIÁVEL EM QUALQUER PROFISSÃO SE NÃO É CONFIÁVEL COMO PESSOA. Ninguém tem um “cérebro profissional” e um “cérebro pessoal”. Não é como um computador rodar um programa de cada vez e ser confiável em um e não em outro porque o software é diferente. Se o hardware do cara não presta para uma coisa, não é confiável para nenhuma coisa.
“Ou seja, ser bom carater nao garante o nivel de atualizacao que pode ser necessario para a continuidade da pratica.”
Mas ser mau caráter garante que o sujeito não é confiável não interessa o nível de atualização.
a diferenca ‘e que Romario indo ou nao para a copa e Brasil ganhando ou perdendo a copa, NINGUEM IA MORRER POR CAUSA DISSO.
Aqui a tua metafora na serve.
OK, pode ignorar o exemplo citado. Mas só o exemplo, não o argumento.
O cara pode ser mau carater com sua familia, e ser o melhor advogado do pais. O cara pode ser mau carater com seu rival de profissao, mas ser o melhor cirurgiao de torax do estado. Ao usuario, o que interessa ‘e ser atendido por alguem capacitado.( Paula)
Um advogado que não presta para a própria família,vai usar as brechas da lei para livrar a cara de seus clientes culpados,inclusive instruir o cliente a mentir para se safar.
Ainda que todos tenham que ser defendidos por um advogado.
Um sujeito que sem ética,por melhor que seja,não liga se alguém vive ou morre.
Um “excelente” médico que conheço,com a parede cheia de diplomas e prêmios,detesta pobre.
Motivo de sua consulta ser proibitiva…para os que precisam de um EXCELENTE profissional.
No entanto,um outro que conheço,e agradeço por isso,sem ser especialista é um faz-tudo sensacional.
Ético,responsável,humano,disponível.
E muito mal visto por “viver” metendo o bedelho onde não é chamado.
O incrível é que sem ser especialista ele sempre acerta.
Antes de ser um médico fantástico,foi um filho maravilhoso e um ser humano merecedor de assim ser chamado.É um super pai e um ótimo marido.Bom vizinho,bom amigo.É um TDB,rs.
Costumo fazer minha própria avaliação dos profissionais que encontro,e afirmo que um sujeito sem ética,não tem como ser um excelente profissional.
E olha que já passei dos 50 anos.
Encerro minha participação neste assunto,por não ter mais o que dizer.
Acho que o Dog está certo,pena que existam poucas pessoas como ele.
E fico bastante livre para dizer isso,porque nem sempre concordamos.
enquanto voces acharem que que um medico ou um profissional bom carater e mediocre seja melhor que um profissional capaz, certificado, independente de seu carater, nao ha’ mais nada a ser dito.
espere ate’ voce estar na mesa de cirurgia.
E onde foi que eu disse que um sujeito de bom caráter mas tecnicamente medíocre possa ser um bom profissional?
O que eu disse é que um sujeito de mau caráter, por melhor que seja tecnicamente, não é confiável e portanto não pode ser considerado um bom profissional.
Ambos os critérios são desclassifficatórios, tanto o mau caráter quanto a má preparação técnica.
Sabe aquele médico que me atendeu quando eu estava com dores, perguntou se eu queria dar a consulta no lugar dele e queria me dispensar sem me atender praticamente me condenando a fazer uma cirurgia de emergência dali a um dia ou dois? Pois é, o próprio professor dele recomendou o cara e disse que o escolheu como cirurgião quando precisou se operar. É uma baita referência. Isso me fez não descartar o sujeito logo de cara. Parei para pensar.
Pois bem: pensei, pensei, pensei e não vou jamais correr o risco de fazer uma cirurgia com ele.
Acontece que, em primeiro lugar, o sujeito não quer avaliar se há necessidade de fazer a cirurgia, ele leu a cartilha, disse que depois de “x” eventos é recomendável a cirurgia e pronto. Peraí… Eu não vou entrar na faca porque no manual diz que é o padrão! Eu só vou pra faca se houver evidências de que é necessário. O sujeito me pediu trocentos exames caros, desagradáveis e com potencial de dano ao organismo para quê? A decisão dele já está tomada! Resposta: para se proteger, não a mim.
Em segundo lugar, eu perguntei a ele qual a chance de acontecer uma determinada intercorrência que me preocupa. Ele disse que não tem como saber, porque só depois de começar a cirurgia é que ele vai descobrir. Eu pedi estatísticas. Ele disse que isso não existe. Hein?
Em terceiro lugar, eu disse que não quero que seja feito determinado procedimento. De jeito nenhum. Nem que a vaca tussa. Nem que eu tenha que morrer na mesa. Não quero e pronto. O que ele disse? “Não há como descartar a possibilidade de ter que fazer esse procedimento.” Ou seja, ele não está nem aí para o que eu estou sentindo ou deixando de sentir, não tentou me orientar em nenhum momento, não tentou me acalmar e não mostrou o menor compromisso com a minha vontade. É o lado negativo do House: o cara vai fazer o que ele acha melhor para minha saúde física e dane-se a minha saúde emocional. E, se ele fizer o que eu não quero que seja feito, tenho 100% de certeza que o CREMERS vai dar razão a ele.
Achas que vou correr o risco de fazer uma cirurgia com esse “excelente cirurgião”?
Já estou procurando outro profissional também muito bem recomendado e vou marcar uma consulta com o sujeito nas próximas semanas para avaliá-lo. Minha vida. Minhas decisões. Jamais as do “House Tupiniquim”.
A autonomia do paciente e’ um principio basico a ser seguido.
A medicina caminha para personalizacao em nivel molecular, mas ainda hoje a maior parte das decisoes sao tomadas com base nas EVIDENCIAS, as quais se baseiam em estatisticas, disponiveis para efeito therapeutico e efeito adverso, com cada opcao, incluindo a opcao de apenas observar.
ok
Sim, mas percebes que ele se negou a informar estatísticas e tomou decisões baseadas nelas?
Vamos ver quem passaria num exame de carater, sem o qual voce nao pode ser aprovado no exame de certificacao da profissao.
1. Voce verifica que a caixa do supermercado ou o garcon no restaurante esqueceram de cobrar por um item. Voce volta imediatamente e avisa do esquecimento, para poder pagar pelo que levou/consumiu.
2. Seu chefe nao se deu conta que o fulano estava na fila por uma sala melhor, e quando uma sala fica vaga, e ele te chama, voce entao lembra o chefe que o fulano estava na fila pela sala, e que voce prefere ficar na sua sala perto do esgoto por mais tempo, ate’ que uma outra sala boa fique disponivel.
3. Voce tinha namorado (a) e foi “seduzido”, e resolveu dar uns beijinhos fora do relacionamento, afinal era carnaval e dai pode.
4. Voce ‘e casado (a) e ‘e “seduzido”, e resolve passar uma noite com uma boa transa, fora do relacionamento. Nao ‘e sempre, respeito minha mulher (marido), nao da’ nada. Vai ate’ dar uma refrescada na minha vida sexual…
5. Voce quer ir a todos os encontros profissionais fora da cidade para ver se pinta aquela transa fora do casamento.
6. Voce bateu o carro. Mandou consertar, mas nao ficou legal. Poe a venda e avisa a todo comprador em potencial que ‘e carro batido.
7. Voce cometeu um erro no trabalho e nao falou para ninguem, quem sabe assim ninguem se da’ conta e fica por isso mesmo.
8. Voce fez um julgamento falso sobre uma pessoa e se deu conta. Voce entao procura a pessoa para pedir desculpas pelo seu engano.
9. Voce viu uma poca de vomito no metro, ou no saguao da entrada do seu trabalho, e procurou a administracao imediatamente para avisar, assim a coisa pode ser limpa, causar menos transtorno e ser menos arriscada (quedas).
10. Voce entra no elevador do seu trabalho e ele esta’ estragado. Voce se atrasa para aquela reuniao. Sai dali furioso e frustrado. Pega o telefone e liga na mesma hora para a manutencao, para que outros nao se atrasem como voce, pelo fato de o elevador estar estragado.
11. Voce nunca sonegou impostos. E’ contra os seus principios.
12. A sua empresa nao tem caixa 2. Caixa 2? o que ‘e isso?
13. Voce compra itens genericos e vende como se fossem de marca, para lucrar mais.
14. Voce compra itens de marca falsificados, pois sao mais baratos.
15. Voce nunca pirateou uma musica, um CD, ou um game.
16. blablablablablablablablablabla
Quem define carater? bom carater, mau carater? Quantas vezes apessoa tem que fazer as coisas acima? Sempre, nunca, na maior parte das vezes? Se fez so’ no passado, ‘e porque o carater mudou?
Quem certifica o definidor de carater????
A capacidade profissional ‘e mais facil de definir, ainda que uma prova teorica nao seja como a vida real na pratica.
Para mim, defender que atributos imensuraveis como o carater sejam incorporadom na avaliacao para certificacao profissional ‘e uma acao deliberada e obstrutiva, para que a coisa NUNCA aconteca.
Ótimo texto. Vai virar artigo.
cool
Virou.
Quem certifica o definidor de carater????
A capacidade profissional ‘e mais facil de definir, ainda que uma prova teorica nao seja como a vida real na pratica.
Para mim, defender que atributos imensuraveis como o carater sejam incorporadom na avaliacao para certificacao profissional ‘e uma acao deliberada e obstrutiva, para que a coisa NUNCA aconteca.( Paula )
Sei que tinha dito que o assunto,para mim,estava encerrado,rs.
Não posso deixar de definir o que seja ética profissional,para mim.
Primeiro,não tenho como saber se meu médico trai a esposa,e mesmo que soubesse isso não é da minha conta.
Assim como tantas questões que você colocou.
O que EU disse foi o seguinte:
Se meu médico é um cara legal,bom caráter,ético,e preza pelo direito alheio,ele vai me tratar com dignidade,vai me informar de todos os tipos de tratamento que existem para a doença que tenho.
Vai me olhar nos olhos,vai PERDER tempo comigo,e se
digo que preciso de um determinado medicamento,ele vai aceitar,mesmo que depois me questione sobre o uso do mesmo.
Veja o caso do Arthur,só para ilustrar.
Se meu cirurgião é ético,ele vai me orientar segundo minhas necessidades reais,e não visando sua conta bancária.
Um excelente profissional põe a necessidade do paciente/cliente antes dos seus interesses.
Se o profissional for um exelente profissional e não tiver ética nenhuma,fatalmente vai chegar o dia que vai me tratar como trata a si mesmo.
E não estamos falando dos bons profissionais,estamos falando de como nos proteger dos MAUS.
Um MAU profissional por mais qualificado que seja
não tem ética,não tem dignidade,e não tem respeito pelo outro.
Meu cunhado vive fazendo palestras para quem trabalha na área da saúde,sobre dignidade,ética,
direitos do paciênte,cuidado,acolhimento…e todas essas coisas que todos sabem faz tempo.
Obvio que não temos como saber se uma pessoa é boa ou má.
Mas podemos avalia-la pela forma como somos tratados.
Eu acho que um cirurgião que me opera e nunca mais procura saber se estou bem,não está fazendo bem seu trabalho.
Já passei por isso,e foi ruim.
Se confio a minha vida a um profissional espero que ele demonstre um minimo de interesse pelo resultado do seu trabalho,no caso EU.
Ao contrário de outros que são verdadeiros anjos.
No cuidado de seus paci~entes,e também os conheço,rs.
Um cirurgião,por melhor que seja,que me trata como uma COISA,me faz mal. Ele deixa um vazio no meu coração,porque espero por uma atenção que não chega.
Não exijo sua atenção permanente,mas um ” Olá,tudo bem?” com certeza.
Se contrato um arquiteto para desenhar MINHA casa,espero que ele perca seu valioso tempo comigo,indagando de meus gostos e necessidades,e
respeite-as.
O mesmo vale para QUALQUER profissional.
Se uma pessoa não se respeita,ela não tem como me respeitar,errar é humano,perdoar é divino,mas os maus profissionais estragam a reputação dos colegas.
Uma avaliação profissional deve incluir o relacionamento com os paciêntes/clientes.
Os antecedentes do profissional,e até mesmo as multas que ele já teve.
Um cara que vive avançando o sinal,que usa a direção de forma perigosa e que não respeita vaga especial…deve ser olhado com algum cuidado.
Conheço médicos que se drogam,assunto proibido entre eles.
Só eu sei? Não.
Todo mundo sabe, fazem vista grossa,por mil motivos.
A avaliação também deve passar por aí.
Porque tenho certeza que uma criatura amorosa,vai levar isso para sua profissão,seja qual for.
Nos concordamos com tudo isso. Ha questoes que envolvem contextos com dilemas eticos nos testes de certificacao.
Infelizmente, quando uma pessoa tem um disturbio de conduta, pode nao haver sintomas. E a menos que a pessoa te conte sobre eles, nao tem como adivinhar.
Eu nao estou defendendo o pessoal que nao tenha carater ou que nao seja etico.
Eu quero distancia deles. E quando alguem destrata colega ou paciente meu, converso com a pessoa. Se nao foi mal entendido, cai fora do meu caderninho.
Eu apenas sou realista, de que nao haja profissionais suficentes no mundo para exercer as funcoes necessarias. Por isso, tanto gente mau carater, quanto gente nao capacitada acaba se encontrando diponivel para prestar o servico a populacao.
A certificacao profissional ‘e uma maneira de proteger, pelo menos em parte a populacao.
Mas e se houvesse uma maneira de descobrir se a pessoa tem ou não tem um bom caráter de uma maneira simples e eficaz? Por exemplo, vamos viajar na maionese e supor que isso pudesse ser verificado com um prosaico exame de sangue. Não deveríamos exigir essa informação antes de contratar os serviços de quem quer que seja?
Então estamos de acordo,rs.
Testes e avaliações são importantes,mas não definem muita coisa,não é mesmo?
A reciclagem periódica dos profissionais seria o mais adequado,assim como o acesso a leitura especialidade,simpósios,palestras,congressos,e tudo que
possibilitasse ao profissional estar em dia com aquilo
que escolheu para si,e também para os outros.
Como ser um profisional ético,se a pessoa desconhece os seus direitos e deveres?
Se não pode se manter altualizado,se não pode participar de cursos que a ajudem a melhorar profissionalmente,consequentemente melhorar também como cidadão?
E quanto aos maus,não tem santo que dê jeito.
Se a pessoa não quiser mudar.
Eu acredito que o caráter de uma pessoa esteja sob o controle dela. Por mais que o sujeito tenha “má índole”, se ele quiser se emendar, ele pode e consegue. Só quem não tem essa capacidade é o psicopata.
exatamente.
a comprovacao da reciclagem tb ‘e um item necessario para re-certificacao. No sistema onde eu trabalho, cham-se CME (veja http://www.accme.org/), que ‘e como creditos de aula. Posso conquistar estes creditos indo a cursos, a palestras, a congressos, simposios, apresentando trabalhos, enviando respostas sobre textos e livros comprados, ou enviando avaliacao escrita sobre conteudo visitado on-line. As atividades sao reguladas pelo ACCME, e nao podem conter nomes comerciais de medicamentos, nem propagandas, entre outros criterios. Nao so’ eu tenha a oportunidade de faze-lo, quanto eu tenho que apresentar um numero minimo de creditos por ano, para me qualificar para a re-certificacao.
Importante citar que quando eu era funcionaria publica no Brasil, um determinado numero de horas de meu mes era reservado para atividades de reciclagem e aperfeicoamento profissional. Ou seja, mesmo no Brasil, isto ‘e observado. mas eu nao precisava apresentar provas de que eu tinha gasto aquele tempo me atualizando para ninguem. A atualizacao constante e’ absolutamente necessaria. Agora, se meu colega prefere pegar outro emprego para ocupar as horas em que deveria estar se atualizando, com a desculpa de que o salario do primeiro emprego seja mixuruca…sabe-se la’.
Em mais de doze anos de funcionalismo público em pelo menos quatro instituições distintas, eu NUNCA vi um programa sério de atualização profissional ser nem exigido, nem sugerido para NINGUÉM. Claro, vi muita picaretagem, do tipo congresso-turismo e similares.
Nenhum programa foi sugerido a mim, exceto treinamento em areas determinadas pela secretaria da saude, por exemplo na epidemia de Sarampo ou de Hantavirus.
Mas no meu contrato havia horas para meu estudo e atualizacao sim. E’ obvio ate mesmo no sus que isso seja necessario para o bem do usuario.
Eu era livre para usar minhas horas de estudo como achasse conveniente, lendo, indo a palestras, etc.
Que bom seria se houvesse um percentual de horas de todo profissional dedicado a esta finalidade, metade por escolha própria, metade por definição de boas entidades certificadoras. (Gostou?)
Agora, se meu colega prefere pegar outro emprego para ocupar as horas em que deveria estar se atualizando, com a desculpa de que o salario do primeiro emprego seja mixuruca…sabe-se la’.( Paula )
Tem isso também.
O sujeito tem que ter dois ou três empregos para ter
como pagar a escola dos filhos,o plano de saúde,a prestação do carro,da casa…
Os salários são aviltantes.
Como podemos cobrar alguma coisa de quem tem pouco ?
Primeiro exijimos melhorias para quem trabalha,depois cobramos o que temos direito.
“Os salários são aviltantes.
Como podemos cobrar alguma coisa de quem tem pouco?
Primeiro exijimos melhorias para quem trabalha, depois cobramos o que temos direito.”
Mais ou menos.
Primeiro o cachorro dá a patinha, depois ganha o biscoito.
Primeiro quero ver compromisso e desempenho, depois falamos em aumento salarial.
Funcionário público no Brasil, se tiver o salário multiplicado por dois de hoje para amanhã, em 90% dos casos vai continuar exatamente com o mesmo desempenho, sem tirar nem por uma vírgula.
Hmmm… deu algum pau no WordPress. Estes comentários em verde deveriam ter saído em rosa, vinculados a comentários feitos mais acima, e não aqui embaixo. Depois vou tentar arrumar isso.
POR FAVOR NÂO RESPONDAM ESTES COMENTÁRIOS EM VERDE.
Voce acha que quem usa as horas de estudo de seu contrato para ir fazer outra coisa que nao seja estudar para aquela atividade seja bom carater?
Ninguem obrigou a ele assinar aquele contrato, ou a trabalhar naquele lugar.
O usuario do servico que deveria ver um profissional capacitado, atualizado e certificado tem o direito de exigi-lo. Infelizmente um grande numero de profissionais se ocupa de outras coisas naquele horario destinado a atualizacao.
Mas se o profissional tivesse que prestar uma prova de tempos em tempos, isso aumentaria o numero de profissionais que fazem uso adequado daquele tempo.
“Voce acha que quem usa as horas de estudo de seu contrato para ir fazer outra coisa que nao seja estudar para aquela atividade seja bom carater?”
Claro que não.
“se o profissional tivesse que prestar uma prova de tempos em tempos, isso aumentaria o numero de profissionais que fazem uso adequado daquele tempo.”
Claro que sim.
E se gastasse o tempo se atualizando pelo estudo, participacao em congressos e cursos, porque tem que passar numa prova de tempos em tempos, ganharia a populacao que ‘e atendida por este profissional, certo?
E’ um direito da populacao de escolher profissionais certificados. Medicos, advogados, enfermeiros, professores, eletrecistas, encanadores, todos.
Com um sistema difundido e funcionante de certificacao e re-certificacao, quem nao quiser investir seu dinheiro e tempo com um profissional certificado, que busque o nao-certificado e economize seu dinheiro na hora de paga-lo. Voce pode ate’ ter sorte e dar tudo certo.
Acho que será necessário escrever outra coisa sobre “quem certifica o certificador”, porque depois de tudo isso de mensagens eu já não sei se conseguirei retornar à linha de pensamento original.
hahaha, resultado do debate.
É que eu não esperava que fossem surgir tantas linhas colaterais. O que aconteceu neste artigo foi inédito na história do blog.
A autonomia do paciente e’ um principio basico a ser seguido.
A medicina caminha para personalizacao em nivel molecular, mas ainda hoje a maior parte das decisoes sao tomadas com base nas EVIDENCIAS, as quais se baseiam em estatisticas, disponiveis para efeito therapeutico e efeito adverso, com cada opcao, incluindo a opcao de apenas observar.( Paula)
É por isso que só procuro um médico se estiver morrendo,rs.
Se ele não me deixa opções,não faz muita diferença.
Ese um médico diz que DEVO fazer o que não quero,simplesmente ignoro o retorno.
A vida é minha,não dele.
O problema é a gente não ter alternativa de fazer o que quer se o médico não aceitar o que pedimos. Isso sim é um absurdo.
Sim, a falta de observacao de principios eticos basicos ‘e um erro grave. Em qualquer profissao.
Ha’ questoes culturais que levam a este vicio, e que so’ podem ser resolvidas com educacao e debate.
As questoes eticas tb fazem parte dos exames de certificacao e re-certificacao.
Vou escrever um artigo sobre isso especificamente. Espera o artigo sobre o paciente que queria amputar o próprio braço.
Nao te esquece que o medico tb tem o direito de se recusar a faze-lo e a encaminhar o paciente com este desejo a outro medico.
Aconteceu comigo esta semana: um cara com uma doenca X veio consultar comigo para receber um tratamento Y, que nao funciona para a doenca X. Ele argumenta que um medico no estado vizinho disse que Y tratava X, mas o paciente nao ficou la’ porque seu seguro nao cobria atendimento no estado vizinho. Paciente e familia tentaram me convencer a usar tratamento Y, comprovadamente inoperante para tratar X. Eu conversei, ouvi, debati, mostrei os numeros…ai vem a crenca geral, mas a fulana da TV teve a doenca A e estava desenganada, foi tratada com B, e esta’ viva ate’ hoje…mas meu paciente nao tem a doenca A nem pode ser tratado com B, …nem com Y. Se fosse por questoes $$, valia muito a pena para mim e para a minha instituicao eu usar Y. Mas isso nao era o certo.
Muito frustrados, sairam da consulta porque eu nao fiz o que ele queria. Mas e’ obvio que eu estou ali para tratar o paciente e ponto.
Eu tenho a consciencia tranquila, e fiz minha parte profissional.
Mas esta familia saiu frustrada e certamente nao esta’ convencida de que eu seja uma boa medica. Nas avaliacoes de desempenho dos medicos que eles vao receber, pode ter certeza que eu vou ser graduada LOW. Se tiverem como comentar sobre mim na internet, vai sair bandalheira. Paciencia. E’ justo? Nao, nao e’.
Mas eu fiz o certo. Se ele achar um medico que queira usar Y para a doenca X que ele tem, isso ‘e entre eles. A minha parte eu fiz, que foi nao recomendar Y e nao tratar com Y.
O problema, Paulinha, é que, se o sujeito quiser Y, então ele tem que poder obter Y. Ele não pode depender da decisão de um terceiro para obter Y.
Tu podes orientar? Podes e deves.
Tu podes te negar a aplicar Y se achas que isso não é o certo? Podes e podes decidir se deves ou não deves (existem linhas argumentativas válidas para ambas as decisões).
Tu podes impedir que o sujeito obtenha Y? Pela atual maneira absurda como a medicina funciona, podes, mas não deverias poder. Por quẽ? Porque isso é fascismo.
Pouco importa se o cara quer tratar câncer com chá de camomila ou resfriado com sangrias, se o indivíduo for adequadamente informado da opinião médica, se estiver em plena posse de suas faculdades mentais e de seus direitos civis, e se estiver fazendo isso de livre e espontânea vontade, sem coação ou indução de qualquer fonte ou forma, então ele deve ter o direito de cometer a estupidez que bem entender contra si mesmo. E terá minhas bênçaos e minha indicação para que ele receba um Darwin Award.
Podemos discutir isso em relação a menores de idade e outros incapazes, como os deficientes mentais, mas em relação a pessoas adultas isso me parece muito bem estabelecido tanto como princípio ético quanto como princípio político. Aliás, suicídio assistido ou encomendado deveriam ser imediatamente legalizados e adequadamente regulamentados justamente por isso. Eutanásia é um pouco mais complicado.
Mas isso – acabo de perceber! – já é discussão do artigo que nem saiu ainda! Segura as pontas até lá!
o problema Arthur ‘e que cha de camomila ou batida de babosa custa 50 centavos, pode ser obtido em qualquer supermercado sem um farmaceutico controlando estoque, pode ser manuseado por qualquer um em casa e usado sem riscos ao usuario, ou aos familiares presentes, sem a necessidade de supervisao por profissional capacitado, pois nao tem efeitos colaterais que ameacam a vida da pessoa. Alem disso, o cha de camomila custa zero reais ao sus ou a instituicao pagadora dos cuidados de saude, e desta forma, zero reais para o teu bolso de pagador de impostos.
y por sua vez custa 10 mil dolares por ano, nao pode ser manuseado fora de uma capela de fluxo laminar, o que exige um farmaceutico, nao pode ser vendido indiscriminadamente pois e’ potencialmente letal, e se manuseado em casa poe em risco a saude do usuario e dos familiares que estao a sua volta, pois tem propriedades vesicantes. Alem disso, y nao trata a doenca em questao. seria como oferecer a quimioterapia y para um paciente que nao tem cancer: efeito zero, toxicidade 100%.
se voce que paga impostos achar que as pessoas tem o direito de usarem o remedinho que quiserem, a hora que desejarem, e nao se importar com o rombo que isto representara’ para o seu bolso, problema seu.
eu nao quero que meu dinheiro seja gasto com coisas inuteis. e tb nao quero que o sistema de saude me prive do que eu precise, porque gastou dinheiro com gente querendo tratamento inutil, porque era “seu direito”.
Eu não disse que o paciente deve receber Y de graça só porque quer, embora dependendo do contexto econômico isso seja uma possibilidade válida. Eu disse que o acesso dele a Y não deve ser impedido.
Dá pra colocar regras adequadas. Por exemplo, ele pode pagar por Y. Por exemplo, ele pode ter que fazer uma prova prática mostrando que sabe manipular Y adequadamente sem riscos para terceiros (para ele pode ter risco: se ele quiser se arrebentar com Y, o problema é dele). Por exemplo, ele pode ser proibido de usar Y em algumas situações (na presença de terceiros, ou tantas horas antes de dirigir).
O problema é achar que a solução para todo possível problema é proibir alguém de ter acesso a algo. Câncer é um problema? Proíba-se o cigarro. Acidentes de automóvel são um problema? Proíba-se o álcool. Violência urbana é um problema? Proíba-se as armas. Violência psicológica é um problema? Proíba-se o homem de reclamar que a mulher queimou o jantar.
Enfim, a “solução” de proibir e estabelecer um “profissional desproibidor” ou que tem acesso exclusivo ao item e ao uso do item proibido nada mais é do que o velho fascismo de sempre que nos rouba até mesmo o poder de cuidar da própria saúde e da própria segurança, que passam a pertencer a um “profissional certificado”.
Não dá pra imaginar um mundo sem fascismo, não?
O fascismo já virou mesmo minha última tábua de salvação contra mim, que nunca sei o que é melhor para mim e sempre preciso que alguém mais qualificado me diga?
Inferno viver sob a égide desta ideologia.
Eu acredito que o caráter de uma pessoa esteja sob o controle dela. Por mais que o sujeito tenha “má índole”, se ele quiser se emendar, ele pode e consegue. Só quem não tem essa capacidade é o psicopata.(Arthur)
Concordo plenamente,sou um exemplo disso.
Sei que todos os dias dou um passo para ser
a pessoa que sonho ser.
“Sei que todos os dias dou um passo para ser a pessoa que sonho ser.”
Ah se ensinássemos isso às nossas crianças!
Pronto, pessoal. Os comentários que saíram no lugar errado já foram colocados de volta em seus respectivos locais corretos. Tive que copiar e colar cada um deles sobre o comentário correto e editar manualmente as datas para que eles ficassem na seqüência correta, mas deu tudo certo.
Já vi que não dá pra confiar que o sistema de administração de comentários do WordPress vá colocar os comentários na localização correta, então voltei a responder todos os comentários direto no blog ao invés de usar o painel de administração como tentei no dia em que houve a falha.
Tudo tem sua vantagem e sua desvantagem. Responder direto no blog dá trabalho para colocar itálico, negrito e links, mas facilita muito ver a organização dos comentários como vão ficar visíveis para o leitor e portanto detectar erros imediatamente.
Responder no painel de administração facilita localizar os comentários (são centenas de textos, quando um comentário não está mais visível na coluna da esquerda só quem sabe que ele existe é seu autor e o painel de administração), mas não permite visualizar os resultados – e aí pode acontecer aquilo que aconteceu (que não deveria acontecer, mas enfim).
Acabei desenvolvendo um método misto: abro o painel de administração para localizar os comentários, clico em cada um com o botão direito do mouse, abro em outra janela e respondo direto no lugar certo. Continuo com o mesmo trabalho de colocar itálicos, negritos e links manualmente, mas pelo menos não perco mais comentários e vejo na hora como tudo ficou, o que são meu objetivos principais.
Adaptação é isso.
O que eu não entendo é por que raios o WordPress informa “You can use these HTML tags” ao invés de abrir um editorzinho de textos WYSIWYG bem simples pra inserir estas tags no texto dos comentários, mais imagens (que podem ser úteis nos comentários). Uma simples chamada para o mesmo editor usado para compor os artigos resolveria tudo.
Arthur,se eles podem complicar….rs.
Isso cansa minha paciência.