Curtiu? Compartilhe!

Fique amigo

Pensar Não Dói no Facebook Pensar Não Dói no Twitter Pensar Não Dói no Orkut

Siga o blog

A certificação do caráter

O que é caráter? Qual sua importância na vida profissional? Como aferir o caráter de alguém? Afiem suas foices. Esta discussão é interessantíssima e merece de destaque. O artigo “Quem certifica o certificador?” gerou a maior discussão da história do blog e acaba de gerar um artigo derivado. 

Esta discussão começou em função de minha afirmação de que um indivíduo de mau caráter, mesmo que seja tecnicamente atualizado e competente, não é confiável e portanto não pode ser considerado um bom profissional.

Dois comentários muito interessantes me instigaram a abrir um espaço próprio para esta discussão.

O primeiro foi da Paula:

Vamos ver quem passaria num exame de caráter, sem o qual você não pode ser aprovado no exame de certificação da profissão.

1. Você verifica que a caixa do supermercado ou o garçon no restaurante esqueceram de cobrar por um item. Você volta imediatamente e avisa do esquecimento, para poder pagar pelo que levou/consumiu.

2. Seu chefe não se deu conta que o fulano estava na fila por uma sala melhor, e quando uma sala fica vaga, e ele te chama, voce então lembra o chefe que o fulano estava na fila pela sala, e que você prefere ficar na sua sala perto do esgoto por mais tempo, até’ que uma outra sala boa fique disponível.

3. Você tinha namorado (a) e foi “seduzido”, e resolveu dar uns beijinhos fora do relacionamento, afinal era carnaval e daí pode.

4. Você é casado (a), é  “seduzido” e resolve passar uma noite com uma boa transa, fora do relacionamento. Não é sempre, respeito minha mulher (marido), não dá nada. Vai até dar uma refrescada na minha vida sexual…

5. Você quer ir a todos os encontros profissionais fora da cidade para ver se pinta aquela transa fora do casamento.

6. Você bateu o carro. Mandou consertar, mas não ficou legal. Põe à venda e avisa a todo comprador em potencial que é carro batido.

7. Você cometeu um erro no trabalho e não falou para ninguém, quem sabe assim ninguém se dá conta e fica por isso mesmo.

8. Você fez um julgamento falso sobre uma pessoa e se deu conta. Você então procura a pessoa para pedir desculpas pelo seu engano.

9. Você viu uma poça de vômito no metrô, ou no saguão da entrada do seu trabalho, e procurou a administração imediatamente para avisar, assim a coisa pode ser limpa, causar menos transtorno e ser menos arriscada (quedas).

10. Você entra no elevador do seu trabalho e ele está estragado. Você se atrasa para aquela reunião. Sai dali furioso e frustrado. Pega o telefone e liga na mesma hora para a manutenção, para que outros não se atrasem como você, pelo fato de o elevador estar estragado.

11. Você nunca sonegou impostos. É contra os seus princípios.

12. A sua empresa não tem caixa 2. Caixa 2? O que é isso?

13. Você compra itens genéricos e vende como se fossem de marca, para lucrar mais.

14. Você compra itens de marca falsificados, pois são mais baratos.

15. Você nunca pirateou uma música, um CD, ou um game.

16. Blablablablablablablablablabla.

Quem define caráter? Bom caráter, mau caráter? Quantas vezes a pessoa tem que fazer as coisas acima? Sempre, nunca, na maior parte das vezes? Se fez só no passado, é porque o caráter mudou?

Quem certifica o definidor de caráter????

A capacidade profissional é mais facil de definir, ainda que uma prova teórica não seja como a vida real na prática.

Para mim, defender que atributos imensuráveis como o caráter sejam incorporados na avaliação para certificação profissional é uma ação deliberada e obstrutiva para que a coisa NUNCA aconteça.

O segundo foi da Li:

Sei que tinha dito que o assunto, para mim, estava encerrado, rs.

Não posso deixar de definir o que seja ética profissional para mim.

Primeiro,não tenho como saber se meu médico trai a esposa, e mesmo que soubesse isso não é da minha conta.

Assim como tantas questões que você colocou.

O que EU disse foi o seguinte:

Se meu médico é um cara legal, bom caráter, ético, e preza pelo direito alheio, ele vai me tratar com dignidade, vai me informar de todos os tipos de tratamento que existem para a doença que tenho.

Vai me olhar nos olhos, vai PERDER tempo comigo, e se digo que preciso de um determinado medicamento, ele vai aceitar, mesmo que depois me questione sobre o uso do mesmo.

Veja o caso do Arthur, só para ilustrar.

Se meu cirurgião é ético, ele vai me orientar segundo minhas necessidades reais e não visando sua conta bancária.

Um excelente profissional põe a necessidade do paciente/cliente antes dos seus interesses.

Se o profissional for um exelente profissional e não tiver ética nenhuma, fatalmente vai chegar o dia que vai me tratar como trata a si mesmo.

E não estamos falando dos bons profissionais, estamos falando de como nos proteger dos MAUS.

Um MAU profissional, por mais qualificado que seja, não tem ética, não tem dignidade e não tem respeito pelo outro.

Meu cunhado vive fazendo palestras para quem trabalha na área da saúde, sobre dignidade, ética, direitos do paciente, cuidado, acolhimento… e todas essas coisas que todos sabem faz tempo.

Óbvio que não temos como saber se uma pessoa é boa ou má.
Mas podemos avaliá-la pela forma como somos tratados.

Eu acho que um cirurgião que me opera e nunca mais procura saber se estou bem não está fazendo bem seu trabalho.

Já passei por isso, e foi ruim.

Se confio a minha vida a um profissional espero que ele demonstre um minimo de interesse pelo resultado do seu trabalho, no caso EU.

Ao contrário de outros que são verdadeiros anjos no cuidado de seus pacientes, e também os conheço, rs.

Um cirurgião, por melhor que seja,que me trata como uma COISA, me faz mal. Ele deixa um vazio no meu coração, porque espero por uma atenção que não chega.

Não exijo sua atenção permanente, mas um ” Olá, tudo bem?” com certeza.

Se contrato um arquiteto para desenhar MINHA casa, espero que ele perca seu valioso tempo comigo, indagando de meus gostos e necessidades, e respeite-as.

O mesmo vale para QUALQUER profissional.

Se uma pessoa não se respeita, ela não tem como me respeitar. Errar é humano, perdoar é divino, mas os maus profissionais estragam a reputação dos colegas.

Uma avaliação profissional deve incluir o relacionamento com os pacientes/clientes, os antecedentes do profissional e até mesmo as multas que ele já teve. 

Um cara que vive avançando o sinal, que usa a direção de forma perigosa e que não respeita vaga especial… deve ser olhado com algum cuidado. 

Conheço médicos que se drogam, assunto proibido entre eles. Só eu sei? Não. Todo mundo sabe, fazem vista grossa, por mil motivos.

A avaliação também deve passar por aí.

Porque tenho certeza que uma criatura amorosa vai levar isso para sua profissão, seja qual for. 

Temos portanto dois posicionamentos diferentes e interessantes: a Paula dizendo que o espectro de avaliação seria difícil de definir, provavelmente excessivo e na prática paralizante, e a Li dizendo que nem tanto, porque os aspectos particulares não importam diretamente e na própria prática profissional aparecem elementos para perceber que um indivíduo não é flor que se cheire e que isso deve ser provavelmente suficiente para avaliar o indivíduo.

Minha posição é a seguinte:

1. Se você descobrir que o seu profissional contratado está traindo a esposa ou marido, DEMITA o sujeito ou AFASTE-SE dele! Quem trai a pessoa que supostamente ama não hesitará em trair o patrão, o colega ou o cliente se vir nisso uma boa oportunidade. O mesmo vale para qualquer vendedor ou prestador de serviços.

2. Se você descobrir aparentes deslizes do profissional a respeito dos quais existe controvérsia filosófica, como baixar músicas ou filmes da internet, AVALIE o entendimento do sujeito em relação ao ato praticado. O que importa não é o ato em si, mas como a pessoa que o pratica o interpreta. Muita gente considera perfeitamente justo baixar músicas ou filmes da internet porque a indústria fonográfica é uma máfia monopolista que impõe preços abusivos. Quem tem essa visão de mundo pode ter valores diferentes dos seus, mas não tem necessariamente mau caráter.

Alguns dos critérios propostos pela Paula me parecem tão obviamente denunciadores de mau caráter que nem precisavam estar na lista. Vender gato por lebre é sempre coisa de gente mau caráter, pouco importa se é um carro ou um tênis marca-diabo com etiqueta falsificada.

Outros dos critérios me parecem indicadores de um bom caráter especial, como a pessoa que gasta seu tempo para avisar que um conserto ou uma limpeza são necessários, mas dado o padrão cultural vigente não indicam necessariamente um mau caráter se não são preenchidos. A avaliação do caráter de alguém não se faz no vácuo, é necessário avaliar o contexto em que se vive.

Mas para mim uma coisa é certa: não existe isso de ser um sujeito de bom caráter numa situação e de mau caráter em outra. Quem dá mostras de ter mau caráter não é confiável nunca.

E às perguntas da abertura do artigo acrescento a seguinte: se fosse possível fazer um exame de sangue e descobrir se o  sujeito tem bom caráter ou mau caráter, você concorda que esse exame deveria ser obrigatório para quem se propõe a assumir qualquer função ou cargo público, seja ele eletivo, em comissão ou de carreira?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/02/2012

 

No related posts.

151 comments to A certificação do caráter

  • “1. Se você descobrir que o seu profissional contratado está traindo a esposa ou marido, DEMITA o sujeito ou AFASTE-SE dele! Quem trai a pessoa que supostamente ama não hesitará em trair o patrão, o colega ou o cliente se vir nisso uma boa oportunidade. O mesmo vale para qualquer vendedor ou prestador de serviços.”

    Uatarrél, Arthur???

    • O cara que trai alguém que ama (ou apronta uma sacanagem com um amigo, a lógica é a mesma) vai ser leal a alguém com quem tem relações meramente comerciais?

      Tá doido que vais confiar nesse sujeito? Entregarias a ele o cartão da tua conta corrente e a senha, para ele ir buscar R$ 1.000,00 numa emergência, se tiveres disponível na conta um valor maior que o salário dele até a aposentadoria?

      Eu tenho amigos aos quais posso confiar essa tarefa. :)

  • Li

    E às perguntas da abertura do artigo acrescento a seguinte: se fosse possível fazer um exame de sangue e descobrir se o sujeito tem bom caráter ou mau caráter, você concorda que esse exame deveria ser obrigatório para quem se propõe a assumir qualquer função ou cargo público, seja ele eletivo, em comissão ou de carreira?
    (Arthur)

    Todos já sabem o que penso,rs.

    Acho que sim,não usando esse saber com a intenção de excluir o profissional de algo,mas como uma forma de proteger a sociedade.

    Vou dar o exemplo de algo que acabou de acontecer comigo.
    Eu estava procurando uma casa para alugar,encontrei a tal casa,mas faltava uns pequenos ajustes e que dependiam de negociar com o proprietário.
    Me dispus a fazer os consertos necessários e informei a administradora.
    Lá encontrei uma senhora muito amável,mas que estava saindo de férias.
    A pessoa que ficou em seu lugar,para negociar comigo,colocou tantos impecilhos na negociação que acabei desistindo.

    Detalhe: todos perderam,eu,a administradora,e o proprietário.
    Levando em consideração que a função da administradora não é ficar com um imóvel fechado,
    esse profissional fez gol contra.

  • paula

    “Minha posição é a seguinte:
    (…)
    2. Se você descobrir aparentes deslizes do profissional a respeito dos quais existe um controvérsia filosófica, como baixar músicas ou filmes da internet, AVALIE o entendimento do sujeito em relação ao ato praticado. O que importa não é o ato em si, mas como a pessoa que o pratica o interpreta. Muita gente considera perfeitamente justo baixar músicas ou filmes da internet porque a indústria fonográfica é uma máfia monopolista que impõe preços abusivos. Quem tem essa visão de mundo pode ter valores diferentes dos seus, mas não tem necessariamente mau caráter.” – Arthur

    Vejamos…
    “AVALIE”. “AVALIE”…com que criterios?
    “O que importa não é o ato em si, mas como a pessoa que o pratica o interpreta”. Mesmo? Arthur, da’ uma refletida nesta frase.

    Bom, eu que considero a indústria (fonográfica) de informatica como sendo uma máfia monopolista que impõe preços abusivos, que nao concordo com suas praticas e que tenho essa visão de mundo, posso ter valores diferentes dos seus, mas não ser necessariamente mau caráter…entao eu posso passar na lojinha da Apple ou da Microsoft e (fazer o download) afanar uns componentes (umas musicas), que nao ‘e considerado roubo e eu nao posso ser considerada mau carater…

    ?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?! Arthur, da’ uma refletida nesta tua afirmacao acima, que eu acho que ela saiu verde…

    • 1. Vejamos…
      “AVALIE”. “AVALIE”…com que critérios? (Paula)

      Inteligência e bom senso. Certamente não com uma cartilha nas mãos.

      2. “O que importa não é o ato em si, mas como a pessoa que o pratica o interpreta”. Mesmo? Arthur, da’ uma refletida nesta frase. (Paula)

      Com que critérios? :-)

      3. “afanar uns componentes” (Paula)

      Se a loja ficar com menos em estoque do que tinha, tu cometeste um roubo. Se o estoque da loja não diminuir, que raio de roubo é este?

      4. Arthur, da’ uma refletida nesta tua afirmacao acima, que eu acho que ela saiu verde… (Paula)

      Literalmente sim, metaforicamente não. ;)

    • paula

      a propriedade intelectual tem um valor Arthur, mesmo que nao seja “pegavel”, pode ser “afanavel”.

    • Existe muita divergência filosófica quanto a isso. Não é uma matéria pacificada nem pela filosofia nem pelo senso comum.

    • Paula

      O meu trabalho e’ ter ideias para ajudar as pessoas. Em todos os paises do mundo as ideias sao protegidas. Voce nao pode se apropriar das ideias dos outros e copiar sem pagar por isso. A filosofia pode debater propriedade intelectual, mas a realidade em 2012 e’ esta.

    • Em nenhum lugar do mundo as idéias são protegidas para ajudar as pessoas. As idéias são protegidas para garantir lucros para uns poucos.

      Dizer que “é assim que é e pronto”, de modo completamente acrítico, como quem diz “se você não gosta da lei, então lute para mudá-la, mas enquanto ela for lei, tem que ser cumprida” é aceitar a filosofia da opressão como justa e correta.

      Nunca me lembro quem foi que disse que “se as pessoas soubessem como são feitas as leis e as salsichas, iam querer distância das duas”, mas eu sei como são feitas as leis e as salsichas. :)

    • Aliás, sobre esta questão da “propriedade intelectual”, é um absurdo que quase ninguém questione a própria validade da expressão. É justo que um construto intelectual seja “propriedade” de alguém?

      Para quem não questiona as bases do mundo capitalista, sim, claro, é justo e existem milhares de justificativas “razoáveis” como por exemplo “quem teria interesse em investir em pesquisa se não fosse para lucrar com isso?”. Gente com espírito humanitário e decência no coração, talvez? Como Alberto Santos Dumont, por exemplo?

      Para quem vê a humanidade através de outras lentes, como eu vejo, falar em “propriedade intelectual” nos termos colocados pela indústria fonográfica ou pelas editoras é uma violência. Trata-se de um modelo abusivo que tem que ser posto abaixo o quanto antes – e toda pirataria é bem vinda para demolir de uma vez este modelo que só serve para privar a maioria das pessoas do acesso à informação, à cultura, à educação e ao lazer para garantir lucros indecentes a um cartel ganancioso.

      E olha que eu não sou socialista nem comunista nem de modo algum coletivista. Pelo contrário, eu pretendo escrever livros! Estou dando um tiro no próprio pé? Não vejo assim. O problema é que hoje não existe alternativa legal à submissão aos cartéis. Eu quero ver surgir alternativas legais, que barateiem imensamente o acesso e o estendam a muito mais gente. Mas, enquanto estas alternativas não surgirem, entre piratear e submeter-se à exploração eu acho muito mais razoável piratear.

      Fala sério, nada justifica vender um livro de medicina a R$ 1200,00 como eu já vi. Assim como nada justifica vender a R$ 40,00 livros que poderiam ser vendidos com lucro a R$ 10,00 ou R$ 12,00 como os que eu compro em maços da L&PM.

      Entre comprar um livro a R$ 40,00 e dez livros a R$ 10,00 cada um, eu sempre optei pela segunda alternativa. Ultimamente eu tenho comprado mais livros em postos de gasolina (excelentes livros, clássicos da literatura mundial) do que em livrarias. Por quê? Porque em livrarias eu os compro a R$ 40,00 e nos postos de gasolina eu pago R$ 9,90 a R$ 12,90 pelo mesmo conteúdo impresso numa brochura de bolso.

    • Paula

      Voce sabe quanto custa para escrever um livro de medicina? Nao, por isso nao entende porque ele custa caro.

      Eu nao discuto a lei de propriedade intelectual porque eu concordo com ela. A minha pesquisa visa a producao de tecnologia nova que ajude as pessoas.

      O resto da resposta para o seu comentario voce mesmo forneceu no seu texto de hoje.

      Bottom line e’ que eu acredito que desumprir a lei coloque seu carater em duvida, seja por roubar coisas estocaveis ou nao estocaveis. Se voce discorda da lei, lute para modifica-la.

    • “Voce sabe quanto custa para escrever um livro de medicina? Nao, por isso nao entende porque ele custa caro.” (Paula)

      Ele custa caro porque existem interesses que o fazem custar caro. Querendo vender esse livro por pouca coisa mais que o preço da produção física e da distribuição ele poderia custar um décimo do preço que custa e ainda daria lucro.

      Achas mesmo que não existem pessoas que escreveriam livros com a mesma qualidade de graça pelo simples prazer de oferecer a quem quer aprender o acesso à informação da mais alta qualidade?

      Por que achas que livros escritos com esta filosofia, mesmo que produzidos pelos melhores especialistas de cada área e revisados cuidadosamente por seus pares com igual qualificação, jamais são adotados pelas universidades?

      Percebes isso?

      “Eu nao discuto a lei de propriedade intelectual porque eu concordo com ela. A minha pesquisa visa a producao de tecnologia nova que ajude as pessoas.” (Paula)

      Eu tenho meia dúzia de idéias que podem salvar alguns milhões de vidas ao ano. Estou disposto a publicá-las gratuitamente. Minha única exigência é que elas sejam usadas para salvar alguns milhões de vida ao ano, pelo preço de produção, sem lucro pra ninguém, ou então eu quero 5% do faturamento bruto no meu bolso.

      Pode contar isso para qualquer laboratório ou empresa produtora de maquinários e acessórios médico-hospitalares. NENHUM deles jamais vai se interessar nestas condições. Por quê? Porque eles não estão interessados nem em trabalhar sem lucro nem em dividir uma fatia significativa do lucro com o proprietário intelectual da idéia que gerar o lucro. Eles só produziriam alguma coisa se pudessem comprar os direitos de propriedade intelectual por um valor ínfimo em relação ao que ela realmente pode produzir de lucro. Creio que isso deixa bem claro a que interesses serve a proteção à propriedade intelectual, certo?

      “O resto da resposta para o seu comentario voce mesmo forneceu no seu texto de hoje.” (Paula)

      Hein?

      “Bottom line e’ que eu acredito que descumprir a lei coloque seu carater em duvida, seja por roubar coisas estocaveis ou nao estocaveis. Se voce discorda da lei, lute para modifica-la.” (Paula)

      Se tu fosses uma judia na Alemanha Nazista, eu ia querer te ver dizer que descumprir a lei coloca teu caráter em dúvida.

      “Ah, mas aí não vale, porque aquelas leis não eram legítimas.” (Resposta hipotética)

      Pois é, sempre tem uma explicação ad hoc. O fato é que as atuais leis também podem não ser legítimas – e freqüentemente não o são. Nós sabemos que os políticos são corruptos. Nós sabemos que as empresas fazem lobby para passar regras que atendam aos interesses delas e não dos consumidores. Como é que vamos assumir a postura ingênua e submissa de que “lei é lei e tem que ser cumprida”?

      Planeta Terra chamando! Planeta Terra chamando! Ingenuidade faz mal à liberdade!

    • Paula

      Entao conte a sua meia duzia de ideias aqui mesmo nos comentarios do texto do blog.

      O fato de exigires condicoes para conta-las ratifica a nocao de propriedade intelectual que negas.

    • Algumas eu conto, Paulinha. Outras nem são minhas mas eu divulgo. Às vezes mando os links para o Twitter/e-mail do Ministério Disso, outras vezes para o Ministério Daquilo. Outras tantas vezes eu mando os links para o Twitter/e-mail de diversas empresas jornalísticas ou de jornalistas.

      Os fatos até agora apontam para duas possibilidades: ou são um bando de safados, ou são um bando de ignorantes.

      Espaços caríssimos de mídia são gastos para alardear como o governo está fazendo maravilhosamente bem uma merda que não tem como dar certo, ou para discutir em profundidade uma merda como a influência dos astros no ano que inicia, mas não se gasta um minuto sequer para acusar o recebimento de uma mensagem sobre um assunto sério, muito menos para responder algum questionamento.

      Por exemplo, este artigo aqui:

      http://arthur.bio.br/2009/06/25/ciencia/como-erradicar-a-dengue-e-a-febre-amarela-urbanas#.T0kjLxbs1xA

      Tentei conversar com a ex-governadora do Estado sobre isso. Achas que obtive algum retorno?

      Outro exemplo:

      http://arthur.bio.br/2009/10/21/drogas/crack-nem-pensar/o-jogo-dos-sete-erros-campanha-crack-nem-pensar-da-rbs-vai-aumentar-a-violencia-no-rs-e-em-sc#.T0kmWhbs1xA

      Enviei este artigo para praticamente todos os e-mails da RBS que encontrei, tentando abrir um debate. Recebi UMA resposta: do Moacyr Scliar, que achou “interessante”, disse que ia repassar internamente e por aí morreu o assunto – e pouco depois o Scliar.

      Mas se eu disser que tenho uma foto do Barack Obama olhando para o decote de uma estagiária da Casa Branca é capaz de passarem a noite batendo na porta da minha casa para comprarem a foto.

      Ando de saco cheio da mediocridade e da safadeza, então não vou postar nada que dê lucro algum para medíocres e safados.

    • paula

      nao pense que eu nao entenda a frustracao de ver gente tentando inventar a roda, ou entao nao ouvindo ideias inovadoras, ou nao querendo investir em projetos que eu julgue interessantes.

      este e’ o dia a dia do ser humano.

      continuo escrevendo projetos e submetendo-os aos canais competentes, tendo alguns aprovados e outros nao.

      mas estas ideias que apresentaste, apesar de interessantes, nao sao a proposicao de uma tecnologia ou produto, com a possibilidade de “protecao” e comercializacao, como seria um novo ipad, por exemplo. Entao nao servem como exemplo ou metafora para o que eu discutia acima.

    • Eu desenhei um submarino para venda ao público como se fossem automóveis, serve? :)

    • paula

      submarino!?

      e dai, para que empresa fabricante de submarino apresentaste? Ou preferiste apresentar para uma Ford ou VW???

      kkkkkkkk, otimo! Nao me admira que tenhas desenhado o submarino. Deverias apresentar a ideia para a Fiat, e propor venda em Veneza!

    • Ué, com tanta cidade litorânea que temos, um submarino pessoal é algo assim tão kkkkkkkk-ível? :-P

    • paula

      litoral tem, mas isso nao assegura mercado…;)

    • Aí esbarramos em dois problemas graves: a cultura do consumidor e a legislação estúpida (terrivelmente estúpida) que envolve tudo que diga respeito ao mar no Brasil.

  • Elvis

    O tal exame de sangue não é possível. O argumento da Paula, citado pelo Arthur, é suficiente para fazer perceber que caráter não é um atributo objetivo. Boas ideias que são impossíveis de ser aplicadas simplesmente não são boas ideias. Por que a implicância com a indústria fonográfica? Por que é errado para uma empresa defender seus interesses? Por que a expressão “monopólio corrupto” quando não há uma única empresa, e mesmo com o megaupload derrubado pelo “fascismo”, dá para baixar qualquer música e qualquer filme na internet? Uma pessoa que trai o cônjuge provavelmente enganará os outros no trabalho? Eu sinceramente ficaria surpreso se alguém apresentasse um estudo demonstrando que existe essa correlação.

    • Corrigi o trecho que pediste, Elvis.

      “O argumento da Paula, citado pelo Arthur, é suficiente para fazer perceber que caráter não é um atributo objetivo.”

      Não, não é suficiente. Em todos os casos a questão central é saber o que é certo e fazer isso ou não, obviamente que conforme um sistema de valores. Quando eu sei o que é certo e faço propositadamente o oposto porque me é conveniente, sabendo que vou prejudicar outra pessoa ou a coletividade, eu estou sendo mau caráter. É tão simples, pra que complicar?

      “Por que a implicância com a indústria fonográfica? Por que é errado para uma empresa defender seus interesses?”

      Porque a indústria fonográfica defende seus interesses com técnicas moralmente condenáveis. O problema não é a defesa dos próprios interesses, é o uso de técnicas moralmente condenáveis. Por exemplo, mentir para os consumidores que a defesa dos interesses dela é também a defesa dos interesses dos consumidores.

      “Por que a expressão “monopólio corrupto” quando não há uma única empresa, e mesmo com o megaupload derrubado pelo “fascismo”, dá para baixar qualquer música e qualquer filme na internet?”

      Porque cartel e monopólio são praticamente a mesma coisa. E o Megaupload foi derrubado de maneira ilegal e o seu proprietário foi preso de maneira ilegal.

      Além disso, só dá pra baixar qualquer música e qualquer filme da internet porque a indústria fonográfica (ainda) não é tão forte que consiga impedir. Pode ter certeza de que até encomendar assassinatos já foi feito pela indústria fonográfica para impedir tanto o barateamento dos produtos que ela vende quanto o desenvolvimento de estratégias alternativas de relacionamento entre os artistas e o público.

      “Uma pessoa que trai o cônjuge provavelmente enganará os outros no trabalho? Eu sinceramente ficaria surpreso se alguém apresentasse um estudo demonstrando que existe essa correlação.”

      Uma pessoa que trai o cônjuge já demonstrou que não é confiável. O fato de ela trair ou não outras pessoas será mera questão de oportunidade e avaliação de riscos.

      Existe a possibilidade de alguém que já fez isso se tornar confiável? Sim, existe, mas isso requer uma introspecção profunda, arrependimento sincero e compromisso verdadeiro de não repetir o erro, o que é algo bem raro.

  • O julgamento da capacidade técnica atrelada ao caráter de um profissional pode ser de quatro maneiras. Com a máscara e sem a máscara. Com e sem a máscara do profissional, e, com e sem a máscara do observador. Todos nós usamos a personalidade como uma máscara de uso social. Quando ela cai, se alguma de nossas rugas morais vier a chocar os outros, é natural que a ideia que se tem sobre o nosso desempenho profissional venha a ser subjetivamente avaliado. No entanto essa mudança não depende só da amplitude de nossos desvios, mas também da interpretação de quem nos observa.
    Seguindo o andor (que tem dado preferência aos médicos nas exemplificações (talvez para acentuar as paradoxais ocorrências de consumados filhos-da-puta entre essas divinais criaturas)) podemos citar: há o paciente que prefere continuar o tratamento com um bom técnico, mesmo sabendo que o médico põe um chapéu de chifres na esposa (talvez por que ele mesmo também faça isso, ou por que não queira entrar no mérito da questão, afinal, quem dorme com o problema tem mais chances de conhecer os espinhos dele!). E há o paciente que decide abandonar o tratamento com o papa da medicina por que o cara jogou uma caneta ruim no lixo e disse “merda!” Acho que nesse angu as interpretações vão de um infinito ao outro no boné de Gauss, com grandes possibilidades de sermos infinitamente injustos.
    Se tivesse que escolher uma conduta simplificadora optaria pelo Princípio de Arthur: “Quem trai a pessoa que supostamente ama não hesitará em trair você!” Pode ser um julgamento precipitado como tantos outros, mas bastante coerente, principalmente quando a própria pele for o objeto do negócio.
    Quanto ao exame de sangue para detectar o mau caráter tenho uma pergunta: em se tratando de políticos não daria para trocar por um toque retal?

    • “Com e sem a máscara do profissional, e, com e sem a máscara do observador.”

      Corretíssimo!

      “Acho que nesse angu as interpretações vão de um infinito ao outro no boné de Gauss, com grandes possibilidades de sermos infinitamente injustos.”

      Exato.

      Justamente em função destas duas considerações eu estabeleci para meu uso particular a noção de “desvio-padrão moral”. Sem isso eu não teria sobrevivido até aqui.

      Eu faço assim: ao observar o comportamento de um dado indivíduo, eu me pergunto primeiro se ele está mais de um “desvio-padrão moral” abaixo da média da sociedade. Se estiver, então eu descarto qualquer relacionamento de qualquer natureza com o indivíduo, a não ser talvez o de cortesia social, porque isso não me custa absolutamente nada e evita muitos problemas. É como passar por alguém que a gente sabe que matou alguém e dizer “bom dia”.

      Se o sujeito está dentro de um “desvio-padrão moral” para mais ou para menos da média social, eu me permito estabelecer relações comerciais com ele, sabendo o que pode vir daí e sempre dando preferência para quem estiver mais acima na tabela.

      E se o sujeito estiver acima de um “desvio-padrão moral” da média, ele será recomendado por mim para terceiros.

      Já para ser meu amigo o sujeito tem que estar no máximo um “desvio-padrão moral” distante não da média social e sim da média dos meus amigos, a não ser que o desvio seja para cima, quando qualquer distância está ótima.

      Se eu estabelecesse um ponto de corte arbitrário, de acordo com o que eu considero que deveria ser a média moral de uma pessoa, eu correria o risco de não ser realista, talvez nem mesmo em relação a mim mesmo. Um bom cientista sabe a diferença entre ideal e real. E a gente vive na realidade como ela é, por mais que tentemos aperfeiçoá-la.

      Mas confesso que já cogitei a sério me internar em um monastério, muito a sério.

  • Li

    Veja bem,romacof,ninguém tem como saber da intimidade de seu médico/engenheiro/padeiro/doméstico…mas pela forma como essas pessoas agem conosco,podemos ter uma pálida idéia de quem são.

    Como você disse,podemos cometer injustiças porque
    nada garante que um profissional educadinho não
    maltrate a esposa.

    Não me interessa a intimidade do profissional que me atende,mas pela forma como ele me trata
    posso imaginar seu caráter,rs.

    Uma pilha de processos,com certeza,não recomenda ninguém,rs.

  • paula

    “O que importa não é o ato em si, mas como a pessoa que o pratica o interpreta”. (Arthur)

    Se eu, pelas minhas crencas e minha cultura julgo que um cara seja uma besta, um perigo para a sociedade, eu posso dar um jeito de “deletar” o cara para nao causar mais prejuizos a outrem, pois “o que importa não é o ato em si, mas como a pessoa que o pratica o interpreta”. ???? Eu discordo deste principio…

    • Quando se trata de matéria não pacificada pela filosofia e pelo entendimento comum, para a aferição do caráter da pessoa que pratica o ato é como ela interpreta o que está fazendo e não o ato em si.

      “Matar alguém” é matéria pacificada pela filosofia e pelo entendimento comum. Exceto em legítima defesa, não é aceitável.

      Eu previ isso: “aparentes deslizes (…) a respeito dos quais existe controvérsia filosófica”.

  • Paula

    “Mas e se houvesse uma maneira de descobrir se a pessoa tem ou não tem um bom caráter de uma maneira simples e eficaz? Por exemplo, vamos viajar na maionese e supor que isso pudesse ser verificado com um prosaico exame de sangue. Não deveríamos exigir essa informação antes de contratar os serviços de quem quer que seja?” – Arthur

    O uso de exames como o exame de sangue para definir os “mais aptos”, criterio aqui definido, “bom carater”, ja’ foi amplamente discutido e inclusive virou filme (Gattaca: http://www.imdb.com/title/tt0119177/).

    O uso de exames como o de sangue usado para definir “o carater” de pessoas portadoras do HIV por ocasiao da contratacao da pessoa foi banido pelas sociedades de inumeros paises nos anos 80 e 90. Naquela epoca ser portador do HIV era tido como grande defeito de carater, pois alguma coisa errada a pessoa deveria ter feito para contrai-lo. Eu concordo com a sociedade que anti-HIV nao seja parte de exames de qualificacao profissional, em hipotese alguma.

    • Este comentário saiu no outro artigo, achei melhor trazê-lo para cá.

      Duas coisas, Paulinha.

      Primeiro, que eu falei em viajar na maionese. ;)

      Relaxa, guria. :)

      Segunda, que eu falei em aferição direta de caráter, não de uma suposta correlação.

      fazer um teste anti-HIV identifica que o sujeito tem HIV, não identifica o caráter dele. Ele pode ter pego HIV fazendo roleta-russa sem camisinha numa “HIV party” (convida-se várias pessoas para fazerem uma orgia sexual e informa-se previamente que um dos convidados é HIV-positivo… tem gente que acha o risco excitante!), ou ele pode ter pego HIV por transmissão vertical. Óbvio que não existe correlação entre caráter e soroposividade, nem relação causal obrigatória, então tal teste seria descabido.

      Mas e se houvesse relação causal direta entre uma proteína no sangue e o caráter do indivíduo? “Todo mundo com sangue tipo “MC+” (proteína de mau caratismo presente) é mau caráter”.

      Seria errado proteger a sociedade da possibilidade de um cara desses exercer poder público?

      Se pudéssemos saber que Hitler e Stálin seriam quem foram no teste do pezinho deles, deveríamos permitir que comandassem nações?

    • paula

      Se voce tivesse tido que solicitar um exame anti-HIV em 1989, ou dar o resultado positivo para alguem naquela mesma epoca, entenderia que era um teste de sangue que estava diretamente vinculado com julgamento de carater.

      Voce acabou de dizer que pode julgar o carater de um profissional a partir da informacao de que ele trai seu conjuge (tentando ser neutra quanto a genero).

      Pois bem, nos anos 80, com muito mais preconceito quanto ao homossexualismo do que hoje, muitos homens bem casados apareciam contaminados (pelos seus parceiros) pelo HIV. A coisa era tao danada, que alguns pacientes me pediam para dizer que ele era drogado, quando falasse com a familia. E’ claro que eu nao mentia para ninguem, e apenas fazia a minha funcao de me comunicar com os pacientes e familiares autorizados, sem entrar no merito da forma de contagio, que nao e’ da minha conta.

      E a coisa era tao danada mesmo, que os empregadores, inclusive o servico publico, comecaram a testar compulsoriamente seus novos funcionarios quanto ao HIV, o que ‘e um absurdo.

      Nao, eu nao acredito que um exame de sangue que contenha “informacoes pertinentes sobre o carater da pessoa” seja uma alternativa para a nossa sociedade.

      Alem disso, carater, bom carater, mau carater, nao ‘e uma variavel categorica, tipo ‘e ou nao ‘e.
      Entao, nao tem um exame de sangue que possa dizer: ‘e mau carater, nao ‘e mau carater.

    • Ei… não ficou claro ainda que “exame de sangue” foi apenas um exemplo para “um teste qualquer”?

      O exame de sangue não pode dizer se a pessoa é mau caráter ou não, mas eu conheço outros testes que podem. E é aí que a porca torce o rabo, porque esse tipo de testagem não somente é possível como já existe e é muito eficaz.

      Além disso, a diferença entre o exemplo que dei no texto – a pessoa que trai a pessoa que ama (neutro em relação a gênero) – e o do HIV que citaste é que no meu exemplo a relação de CAUSAÇÃO é evidente, e no teu é suposta culturalmente e na verdade inexistente. A diferença entre uma coisa e outra é a qualidade da ciência envolvida.

      OK, agora que sabes que eu não estou brincando e que o teste existe mesmo: se eu pegar o Hitler e o Stálin como MC+ no teste do pezinho, devo deixar que eles se tornem líderes de grandes nações?

    • paula

      eu discordo de teu argumento, pois em 1989, um teste hiv positivo em um homem casado significava usuario de drogas ilicitas por via intravenosa ou traicao matrimonial com parceiro de mesmo sexo. ambas passiveis de enquadramento na lista de MC.

    • De novo: eu não estou falando em medições indiretas, do tipo “se ele tem verruga na ponta do dedo, é porque apontou para a lua”; eu estou falando em medição direta da característica.

      Preciso de um determinado equipamento mais a aplicação de uma determinada técnica e pronto, enquadro o sujeito dentro de uma escala de MC+ (de “não-reagente”, passando por “pouco reagente” e “muito reagente” até “dá logo um tiro neste canalha”).

      O lado interessante deste método é que ele não é a priori. Todo mundo pode ser “não reagente para MC” se assim o desejar. Ninguém é automaticamente excluído – depende totalmente das verdadeiras intenções e inclinações de cada um.

    • paula

      um exame de sangue ainda e’ uma medida indireta.

      se quiseres uma medida DIRETA, deves buscar o genoma, teste de DNA.

      neste caso fechamos o circulo e caimos de volta no Gattaca.

    • Só se o caráter fosse genético, o que não é o caso. Alguns elementos da personalidade sim, são genéticos, mas não o chamado caráter. A história está cheia de santinhos que viraram demônios e de demônios que viraram santinhos. Com a devida determinação todo mundo pode se corrigir profundamente. Por isso não seria uma avaliação excludente a priori.

      Mas e se caísse no gattacca? E daí? Vamos deixar Hitler e Stálin destruir milhões de vidas porque não queremos “invadir a privacidade” deles ou “parecer nazistas” praticando “eugenia de governantes”? É melhor massacrar milhões ou bilhões do que se certificar que os governantes não são corruptos através de todos os testes possíveis e imagináveis?

      E medição direta não quer dizer necessariamente DNA, poxa. Se o meu objetivo é saber se o sujeito tem HIV, a medição direta é um exame de sangue.

  • Li. É bom não esquecer que as notícias que nos chegaram sobre Mengele narram que ele era um gentleman até enterrar o bisturi a frio. Conheço um ótimo cirurgião que acha normal “errar” um pouco se o paciente for um criminoso. (Afinal, aquele mau caráter vai acabar “sorto robano e matano” em dois toques!)

    Arthur! Vou tentar observar esse critério dos desvios padrões, embora não esteja certo da minha capacidade de calcular a tal média social. Pois nem sei se sou normal. Cada um de nós (até um psicopata) acha que surfa entre o topo da curva e a praia da divindade.

    Tenho alguns adendos ao hipotético exame para detectar mau caratismo! Todos devem se submeter, sem exceção. Todo indivíduo MC+ (plagiando o Arthur) merece pelo menos uma chance de provar que a humanidade tem cura se a sua função dentro da sociedade não for determinantemente vital. Quanto maior for a responsabilidade de um indivíduo e quanto maior for a capacidade (técnica ou intelectual) desse indivíduo tanto menor devem ser suas chances (preferencialmente nenhuma para políticos, médicos, advogados, e jogadores de críquete).

    • “É bom não esquecer que as notícias que nos chegaram sobre Mengele narram que ele era um gentleman até enterrar o bisturi a frio.”

      Eu passo mal só por saber que existiu um indivíduo assim e que ele era da mesma espécie biológica que eu. Se pelo menos fosse um Klingon para eu poder dizer que algo assim é desumano! Mas não, algo assim é tão humano que somente os humanos fazem isso entre todas as formas de vida conhecidas. Que pesadelo!

      Adorei o modo poético de dizer que a gente sempre se acha acima da média. :) Mas existe um método simples para verificar se é mesmo o caso: basta observar quantas vezes cumprimos nossa palavra mesmo quando isso não nos é conveniente com o número de vezes que as pessoas ao redor cumprem suas palavras conosco quando isso não lhes é conveniente.

      Outro critério bom: comparar a própria atitude em relação a empréstimos com a atitude ao redor. Se tu pedes emprestado a um amigo um livro, um CD ou um DVD, entregas em boas condições e no prazo combinado? E se por acaso o artigo que pediste emprestado for roubado de ti, devolves um novo a teu amigo? A primeira pergunta, respondida com um “sim”, já te coloca a surfar com certeza do lado certo da onda. A segunda te joga em cima dos cômoros.

  • Li

    Li. É bom não esquecer que as notícias que nos chegaram sobre Mengele narram que ele era um gentleman até enterrar o bisturi a frio. Conheço um ótimo cirurgião que acha normal “errar” um pouco se o paciente for um criminoso. (Afinal, aquele mau caráter vai acabar “sorto robano e matano” em dois toques!)(romacof)

    Vejamos…no exemplo que deste,no exato momento em que ele “enterra o bisturi” todo verniz de
    finura já foi,rs. Um verdadeiro gentleman não age assim.

    E as ações de Mengele desfazem sua máscara de ser humano.

  • Li

    Mas isso tem a ver com ser mau caráter?(Arthur)

    Eu acho que tem.
    Se confio num profissional espero que ele seja correto comigo.

  • Li

    Voce sabe quanto custa para escrever um livro de medicina? Nao, por isso nao entende porque ele custa caro.(Paula)

    No Brasil livros acadêmicos podem custar muito barato,porque as universidades públicas possuem editoras para isso.

    E podem vende-los a um custo baixo pelo mesmo motivo.

    Supondo que o escritor tenha interesse na divulgação do trabalho e não apenas em ser um Saramago,rs.

    Livros e cds podem custar barato e render bilhões.
    O fato é que o brasileiro ainda não se acostumou a ganhar dinheiro.

    Na Argentina os livros costumam possuir três
    encadernação,de colecionador,de livraria e a
    popular que é vendida em banca de jornal.

    Coisa que nós desconhecemos.

    Eu tenho uma lista de 500 títulos que ainda não consegui comprar,rs.

  • Li

    Só 500? (Arthur)

    Achas pouco ?

    Já li muito em biblioteca púlica,além de ser rato de livraria.

    Tem um detalhe,não empresto livro.
    Prefiro dar.

    Tenho coleções inteiras de banca de jornal.

    E a História Secreta do Brasil,do Gustavo Barroso,encontrada em sebo.

    Esse livro,que desanca os judeus,acabou contando um pouco a história de todos nós.
    A minha,com certeza,já que tenho marranos na família.

    Pena que ninguém tenha coragem de reeditar.

  • paula

    o custo maior para um livro de medicina nao ‘e tanto a edicao, mas o trabalho de escrever.
    eu sou editora e autora de capitulos de livros tecnicos brasileiros. estes livros custavam na epoca em torno de 10-20 dolares.
    o concorrente ingles no assunto custava 150 dolares, mas tinha paginas enceradas e desenhos coloridos, coisa que na editora da universidade local era impossivel.

    mas o jeito que acontece um livro tecnico no Brasil nao tem explicacao.
    um amadorismo galopante.

    ai, compara com um livro que tem 50 – 70 anos de tradicao mundial, com centenas de autores e de capitulos, e quer fazer na base do vamu la’…kkkkkkk isso nao existe.

    • O que não existe? Capacidade de escrever um livro novo a partir do zero com a mesma qualidade de um livro com “centenas de autores” sem dinheiro na jogada? Fala sério que tu não entendeste que tem gente altamente qualificada que faria isso de graça se houvesse a mais vaga possibilidade de o material ser vendido a preço de custo e adotado como livro-texto nas universidades!

      Uma vez eu encontrei um erro grosseiro em um livro técnico adotado por uma professora no meu mestrado em ecologia. Mostrei o erro em sala de aula. A professora ficou furiosa. Como eu ousava supor que o autor predileto dela, internacionalmente reconhecido, tinha cometido um erro grosseiro em um livro? Como eu ousava supor que ela havia dado aula durante quinze anos com aquele livro sem jamais ter percebido um erro grosseiro como eu dizia ter encontrado? Quem era eu para dizer uma coisa daquelas?

      - Posso explicar, professora?

      - Deve. No quadro, pra passar bastante vergonha. (Ela disse exatamente isso.)

      Fui para o quadro. Desenhei dois gráficos: um segundo o autor, outro segundo o que eu achava correto. Plotei os dados. O erro do livro ficou evidente. A turma inteira concordou comigo. A professora insistiu no erro.

      Ela simplesmente disse que aquilo que eu estava explicando “não podia estar certo” porque “contrariava um grande autor, com sólida reputação e amplamente adotado como fonte didática”. E dessa posição ela não saiu, não importava o argumento dele estar nitidamente errado.

      Como nada a respeito disso caiu na prova, não houve maiores problemas. Mas cinco anos depois eu falei com outros alunos do mesmo curso e a tal professora continuava ensinando a tal coisa errada com o mesmo livro de sempre.

      É esse o critério para o “vamu lá”? Tradição e reconhecimento estão sempre certos? Arrãm.

      Nunca esqueço daquela frase do Camisa de Vênus: “nós passamos por isso”. Volta e meia eu me pego repetindo isso.

    • Paula

      Tendo participado dos dois lados da coisa eu digo de novo: a chance de empreendimento amador dar certo e’ infinitamente menor do que de profissional.

      Nao, eu nao acho a coisa mais natural do mundo aceitar ou desejar trabalhar de graca.

    • Muita coisa fica bem melhor no nível amador do que no nível profissional. Por exemplo, esporte amador é para obter saúde, esporte profissional é para obter vitórias, títulos, reconhecimento e dinheiro. O resultado é que o desempenho do esportista profissional é obtido às custas de sua saúde. Para manter-se saudável por toda a vida, pratique esporte amador. Para ter uma chance mínima de se tornar uma celebridade rica, arrebente seus joelhos ou transforme seu cérebro em mingau em dez ou quinze anos. Acho que vais concordar comigo nisso. Mas essa não é a questão central aqui.

      Santos Dumont era amador ou profissional? E Leonardo Da Vinci? E Einstein, quando formulou a relatividade? Essa é a questão central nesta linha de debate.

    • .

      Mais uma coisa…

      Gente que faz as coisas por amor ao resultado busca o resultado, sendo o dinheiro um meio para obter um fim.

      Gente que faz as coisas por amor ao dinheiro busca o dinheiro, sendo o resultado um meio para obter um fim.

      Entre assistir um jogo de qualquer esporte no qual teu filho é participante e um jogo do mesmo esporte no qual os maiores craques do mundo disputam um caneco simbólico e um “bicho” bem concreto, qual deles vai fazer com que te empenhes mais para estar presente? Qual deles vai fazer com que tenhas mais atenção aos detalhes? Qual deles vais narrar com maior entusiasmo para os parentes?

      Pois é.

    • paula

      e’ obvio que vou no do meu filho. Ja fiz isso inumeras vezes qdo eram amigos apenas, que dira’ filho.

    • paula

      “Santos Dumont era amador ou profissional? E Leonardo Da Vinci? E Einstein, quando formulou a relatividade? Essa é a questão central nesta linha de debate.” – Arthur

      Nenhum nasceu e cresceu no nosso tempo.

      Os sabios de hoje sao TODOS profissionais. Isso aqui e’ 2012.

    • “e’ obvio que vou no do meu filho. Ja fiz isso inumeras vezes qdo eram amigos apenas, que dira’ filho.”

      Exato. “Amadorismo” é um mau termo para designar “falta de compromisso”, “falta de seriedade” ou “falta de técnica”. Assim como “profissionalismo” é um mau termo para designar a presença destas características.

      Voltando portanto ao tema: sim, daria para produzir materiais de excelente qualidade por preços ínfimos, levando essa informação a quem mais precisa, qualificando imensamente o mercado e com isso PROTEGENDO muitas vidas.

      Não é por “amadorismo” que isso não acontece.

    • “Isso aqui é 2012.”

      Quando eu escuto esse tipo de argumento baseado numa suposta obviedade que é obviamente ideológica, eu imediatamente me lembro de quem diz:

      “Aquilo que funciona na Holanda/Noruega/Suíça não vai funcionar aqui. Isso aqui é Brasil.”

      Simplesmente não é verdade. É ilusão ideológica.

    • paula

      Arthur, o Brasil nao tem nenhum cientista conteporaneo agraciado com o premio Nobel ate’ a data de hoje. Mas tem inumeros cientistas agraciados com premios de outros paises que a Noruega, incrivelmente prestigiosos, mas talvez menos afeitos `a midia.

      Em 2012, no Brasil, como em qualquer lugar do mundo, em 2012, nao existe como a pessoa produzir conhecimento num nivel Premio Internacional, citei Nobel como exemplo ja’ que citaste o Einstein, se este cientista nao estiver inserido em uma organizacao profissional, com estrutura fisica, recursos humanos e fomento compativeis com a atividade. Os recursos humanos sao TREINADOS para a atividade, e nao descuidistas de plantao. O fomento ‘e proporcional ao nivel da pesquisa/projeto.

      E’ isso que chamo de profissionalizacao.

      Nao tem nada a ver com o teu exemplo de ver futebol profissional ou recreativo, quando ha’ lacos afetivos envolvidos, tais como meu filho, ou amigos.

    • “Em 2012, no Brasil, como em qualquer lugar do mundo, em 2012, nao existe como a pessoa produzir conhecimento num nivel Premio Internacional, citei Nobel como exemplo ja’ que citaste o Einstein, se este cientista nao estiver inserido em uma organizacao profissional, com estrutura fisica, recursos humanos e fomento compativeis com a atividade.”

      Einstein escreveu a relatividade específica enquanto trabalhava num escritório de registro de patentes.

      O fato de termos burocratizado o reconhecimento à boa ciência não quer dizer que não possa haver boa ciência fora dos ambientes burocratizados pelo establishment da ciência.

    • Quanto aos laços afetivos, fazem toda a diferença.

      Santos Dumont amava o que fazia.

      Albert Einstein amava o que fazia.

      Linus Pauling amava o que fazia.

      Leonardo da Vinci amava o que fazia.

      John Nash amava o que fazia.

      Nicola Tesla amava o que fazia.

      Não consigo imaginar nenhum destes trabalhando meramente por dinheiro, cumprindo horário em uma universidade, tantas horas em sala de aula, tantas horas no laboratório, tantos artigos por ano para manter o padrão de publicações…

    • paula

      Sim, tu tens razao sobre amor `a profissao e chance de sucesso. Eu me considero uma felizarda por fazer algo que ame, e que faria ate’ se fosse de graca (desde que tivesse como me sustentar de outra forma). ….Maaaaas…isso nao faz de mim uma Marie Curie, kkkkkkkkkk

      Infelizmente, estamos em 2012, e se nao desses para a Marie Curie um laboratorio profissional hoje, ou melhor, se ela nao provasse ser capaz de conseguir financiamento por suas proprias forcas e meritos em situacoes de alta competitividade com editais cientificos dos orgaos financiadores, em epocas de recursos escassos como HOJE mesmo, a chance de ela conseguir se sustentar com ciencia e de conseguir ter acesso a pesquisa de ponta seria NULA. Isso seria determinante para ela nao atingir o nivel que atingiu. As dificuldades que ela enfrentava na epoca eram MUITO diferente das de hoje. Em primeiro lugar, a dificuldade que vinha pelo genero, que ‘e obvio que era muito maior la’ do que ‘e hoje.

      Entao, mesmo na epoca dela, havia uma certa “profissionalizacao”. Tu sabias que enquanto ela inventava seus aparelhos moveis de raio x, e etc no laboratorio, tinha uma roda de amizades “influentes” que faziam o lobby para ela? E que so’ assim ela passou a ser conhecida e COGITADA para contar de suas descobertas? E as mesmas lobbistas, divulgaram as pesquisas da Sra. Curie a ponto de ela ser COGITADA para o primeiro premio Nobel?

      ISSO NAO TIRA EM NADA O MERITO. Mas eu tenho minhas duvidas de que mesmo na primeira metade do seculo XX, seria possivel uma cientista do calibre da Marie Curie “bater corner e cabecear ao mesmo tempo”. Ela tinha uma certa profissionalizacao, na qual ela era responsavel por produzir no laboratorio, enquanto outras pessoas faziam a divulgacao!!!!!!

    • Chegamos enfim ao “x” da questão: financiamento para pesquisa. Com o que vamos ter que admitir que só são levadas adiante as pesquisas que interessam aos grandes financiadores… e cujos resultados interessam aos grandes financiadores. E que as universidades ou outras instituições independentes que não se dobrarem à lógica de mercado dos grandes financiadores estão ferradas, porque sofrerão retaliação. Igualmente os profissionais. E já temos tudo novamente atolado até o pescoço no mesmo problema de sempre…

    • paula

      Eu concordo contigo, em parte, MAS CONCORDO. tatatratataaaa’ — nos concordamos! :-D

      E’ irritante ver o poder de elementos que nao tem os interesses da comunidade entre suas prioridades.

      Mas eu tenho o interesse da comunidade em minhas prioridades. E os meus proprios interesses, obvio.

      O que eu faco ‘e praticar a arte da navegacao no mundo dos interesses, porque o fato de eles existirem nao me serve de desculpa para jogar a toalha e ficar paralizada ou contemplativa.

      A vida continua, com ou sem os interesses. O que eu posso fazer ‘e proteger a comunidade ao maximo, e saber da existencia de interesses na hora de interpretar as coisas.

    • Logo que eu li que concordamos começou um toró aqui. Coincidência? :-P

      .
      .
      .

      Mas, Paulinha, e que tal a gente lutar para não se submeter a estes interesses? Inventar métodos alternativos de fazer as coisas? Conseguir parceiros que pensem igual e subverter a lógica do sistema?

  • paula

    “OK, agora que sabes que eu não estou brincando e que o teste existe mesmo: se eu pegar o Hitler e o Stálin como MC+ no teste do pezinho, devo deixar que eles se tornem líderes de grandes nações?”

    kkkkkkk, que atire a primeira pedra…

    esta pergunta foi respondida ha’ 2 mil anos.

    Quantos paises tem no mundo? e estados? e capitais? e parlamentos/camaras?

    Qual a incidencia de MC+ na populacao? Estou preocupada que nao vai ter gente para suprir todas as vagas!

    • Se 999 pessoas em 1000 forem MC+, no brasil ainda seriam 190.000 pessoas honestas e confiáveis – com o que dá pra preencher a presidência da República, os Ministérios, o Congresso Nacional, os Governos de Estado, as Secretarias de Estado, as Assembléias Legislativas, as prefeituras, as secretarias municipais, as Câmeras de Vereadores, as autarquias, fundações e entidades de economia mista em todas as esferas, o STF, todos os cargos de juízes e promotores, o Ministério Público, as autoridades policiais civis e militares e ainda sobrava muita gente.

      Com garantia de honestidade de cima para baixo na hierarquia, as instituições não se corrompem – no máximo alguns corruptos transitam temporariamente em cargos de baixo escalão.

      Se apenas 0,5% da população não for MC+, dá pra transformar este país na maior potência mundial em duas décadas. Só é necessário mostrar estas pessoas umas às outras e garantir que a indicação tem 99% de chance de acerto. E esse nível de acerto para a detecção de MC+ já está disponível hoje.

      A situação moral não é tão ruim quanto parece – garanto. O problema é que hoje em dia todos os mecanismos políticos tendem a selecionar o que há de pior em matéria de ser humano.

      Mas e aí… se eu puder descobrir quem será Hitler ou Stálin (ou pelo menos safado e corrupto), devemos usar essa informação para evitar aceitar candidaturas/inscrições/indicações destas pessoas a cargos públicos?

    • Paula

      E o que voce faz com os MC +? Como vais garantir direitos a eles? Podem trair maridos, mas se pagarem seus impostos e nao cometerem crimes, nao podem ter menos direitos que MC-…

      Alem disso, nem todo mundo quer ter poder, participar do poder, brigar pelo poder…o numero de MC- pode ainda assim ser insuficiente…

    • “E o que voce faz com os MC+? Como vais garantir direitos a eles? Podem trair maridos, mas se pagarem seus impostos e nao cometerem crimes, nao podem ter menos direitos que MC-…”

      Ah, podem ter menos direitos, sim! :)

      Quem pratica de fato um crime doloso (MC+ detectado do pior jeito para a sociedade) pode ser encarcerado.

      Quem tenta praticar um crime doloso e não consegue por motivo fortuito pode ser igualmente encarcerado.

      Quem planeja um crime doloso pode ter sua pena aumentada em função da premeditação, que é agravante.

      Ou seja, nós estabelecemos uma série de punições e agravamentos de punições para quem comete ou planeja cometer crimes dolosos.

      “Ah, mas isso é para quem comete crime, não para quem tem predisposição a cometer crime, que afinal de contas pode não cometer crime algum.”

      Correto. MAS…

      Tinha que ter um “mas”, né? :)

      Existe os crimes de “periclitação da vida e da saúde” (capítulo III do CPB, artigos 130 a 136), que demonstram que o legislador preocupou-se com a simples exposição a risco da vida e da saúde das pessoas.

      E a definição de “dolo” é “quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo“, sendo esta segunda condição normalmente chamada de “dolo eventual”.

      ORA BOLAS, queres coisa mais absolutamente perigosa para a vida e a saúde de milhões de pessoas que um corrupto no poder? Queres coisa mais absolutamente perniciosa que assumir o risco de colocar um corrupto no poder?

      As bases filosóficas necessárias para impedir indivíduos comprovadamente MC+ de assumirem cargos públicos no Brasil já estão firmemente presentes no CPB. São o risco de periclitação da vida e da saúde e a assunção deste risco. Só é preciso ser mais consistente na aplicação destes princípios para proteger o povo das quadrilhas (art. 288 CPB) de picaretas e de corruptos que assolam a política.

      Aliás, colocar corruptos no poder é um crime. E a pena para isso é ficar preso num país governado por corruptos. Mas tem uma minoria que não faz isso e está sujeita à mesma pena. Outra violação de princípio: extensão da pena além da pessoa do culpado.

      Argumentar em favor do direito de MC+ assumirem o poder e gerirem a vida de milhões “desde que se comportem” é como colocar um macaco na sala do reator nuclear e permitir que ele fique solto por lá “desde que não aperte esse botão vermelho de auto-destruição”. Usar a lógica da não-prevenção quando se trata de gestão pública é cometer homicídio e tortura diariamente, em nome do “direito” do corrupto ter a chance de aprontar tramóias e roubar o país.

      Portanto: teste de MC para todos os candidatos a cargos públicos e exclusão dos MC+ destes cargos. Simples assim.

      (Sendo que a síntese de MC é voluntária, portanto reversível. Não é o mesmo que condenar alguém pelo DNA. A analogia de gattacca falha neste ponto.)

    • paula

      eu nao sei porque queres um teste de sangue para detectar mau caratismo. Dizes que seja para proteger o brasil e torna-lo uma potencia…

      mas tu mesmo sabes e escreves que o povo SABENDO das maracutaias, CONTINUA ELEGENDO as belezas…Vide Sr. Collor, Sr. Maluf, etcetcetc…os caras tem um fenotipo indiscutivel, nao precisa de exame nenhum…

      para que exame de sangue?!

    • Pela 23.545.970.189.670.745.323.442ª vez, eu usei a expressão “exame de sangue” apenas como indicativo de “um exame qualquer”. O exame real é de maior complexidade, garanto.

      E sim, eu sei que o povo continua elegendo corruptos por aí. Isso acontece entre outras coisas porque o povo não tem a menor alternativa. Toda a estrutura e funcionamento do sistema dito “democrático” leva à corrupção salvo na presença de um povo com um nível mínimo de qualificação que talvez esteja presente na Noruega e na Suíça, mas definitivamente não está presente no Brasil e nos EUA.

      Quando a base é desqualificada, toda e qualquer decisão é desqualificada. O analfabeto político só deveria votar nas concepções dos safados que se aproveitam disso e dos inocentes úteis que não percebem que a desqualificação do eleitor é a mais efetiva garantia de violação de todos os pressupostos da democracia e da cidadania.

      Pessoas que não sabem a diferença entre presidência da República e a prefeitura da cidade (caso real de pessoa que entrevistei que achava que o Lula era o prefeito de Porto Alegre) tomam decisões completamente desprovidas de razoabilidade e que não implicam de modo algum exercício de cidadania – muito antes pelo contrário, isso é a aniquilação da cidadania de todos.

      Se o leque de opções deixar de incluir pelo menos os corruptos, o que é possível através do método que proponho, então os macacos apertadores de teclinhas coloridas pelo menos não terão a chance de fazer grandes besteiras, escolhendo aleatoriamente somente entre opções razoáveis.

      Eu já me contento com a aleatoriedade ao invés de ter que conviver permanentemente com um país afundado na corrupção, como é o Brasil desde que nasci e hoje ainda mais.

      Em resumo: os quadrúpedes vão poder continuar votando do jeito estúpido e alienado de sempre, só que os partidos não vão poder mais oferecer como candidatos Lúcifer e Belzebu, vão ter que oferecer o Arcanjo Miguel e o Arcanjo Gabriel. Essa é a sacada.

    • paula

      se o teste for compulsorio somente para candidatos a cargos politicos E SE o teste for perfeito, ok.

    • paula

      A Sra. Rousseff e’ corrupta?

      Nao estou perguntando de 200 mil servidores e politicos de outros cargos, de seu ou de outros partidos.

    • paula

      bom mas se o resultado do este de sangue for mutavel conforme o desejo do testado, voltamos `a estaca zero.

      o candidato a politico/cargo publico pode ser testado MC- e depois “largar a franga” e praticar as maiores falcatruas depois de eleito. quando for ser testado de novo, da’ uma parada geral, para testar MC- de novo…

      ja’ ouviu falar em COI e lista de substancias proibidas, mais um sem numero de estrategias criativas para burlar o teste de doping????

    • “se o teste for compulsorio somente para candidatos a cargos politicos E SE o teste for perfeito, ok.”

      Êba! :-)

      Claro que “perfeito” significa “tão perfeito quanto os melhores testes do mesmo gênero”, né? Porque 100,000000000% de certeza só a morte.

    • “A Sra. Rousseff e’ corrupta?
      Nao estou perguntando de 200 mil servidores e politicos de outros cargos, de seu ou de outros partidos.”

      A Dilma não parece corrupta. Se for, é das mais perigosas.

      Mas mesmo que ela seja 100% honesta, ninguém tem capacidade para sozinho controlar “200 mil servidores e políticos de outros cargos”, por isso a necessidade de implantar um controle de honestidade (de MC-) de cima para baixo nas hierarquias públicas.

    • “bom mas se o resultado do teste (de sangue) for mutavel conforme o desejo do testado, voltamos `a estaca zero.

      o candidato a politico/cargo publico pode ser testado MC- e depois “largar a franga” e praticar as maiores falcatruas depois de eleito. quando for ser testado de novo, da’ uma parada geral, para testar MC- de novo…”

      Já previ isso. O método pega esses episódios. :)

    • paula

      e como voce resolve a situacao de milhoes de pessoas que vao ser testadas e MC+, e que por conseguinte, nao vao conseguir emprego?

      sim, porque se uma categoria profissional tem testagem compulsoria, todo mundo fica `a merce.

      se ‘e certo testar o candidato a prefeito, eu quero testar o meu chefe de departamento, e o diretor do CNPq, e o manobrista, e a empregada, e a baba’………

      e dai, se o cara tem 43 anos, ‘e testado MC+, e perde o emprego, mas ele tinha 4 filhos para cuidar, a esposa doente, dois dos filhos na faculdade privada, bem no meio do curso?

      como fica?

      nao te esquecas que fome, e o temor de falta de espaco e de acasalamento faz os animais agirem de maneira diversa do que o “costumaz cordialismo”. crise seria um prato cheio para seroconversao…

    • Puxa, que terrível!

      Safado vai ter que se emendar se quiser comer!

      Tsc, tsc, tsc, que catástrofe… 8)

  • Não creio que seja o caso o trecho que destaquei, Arthur. Pessoalmente me considero uma pessoa muito ética no meu relacionamento. Levo aquelas conversas meio vikings contigo e o Roberto, mas não passa disso. O chamado papo de macho, imoral, vulgar e chulo. Nem mais, nem menos.

    Mas esse desvio de conduta, me chama a atenção por que pra mim, é algo unicamente moral, na qual o cônjuge prejudicado deve procurar ressarcimento.

    E quanto a confiar meu cartão de banco a uma pessoa infiel no relacionamento, não teria problemas com isso, por que sei que ele tem seus problemas morais, mas nenhum deles de ordem financeira. Em rodas de boteco falamos pelas costas que fora não segurar o pinto dentro das calças, sempre foi uma pessoa honestíssima.

    Experiência pessoal com uma pessoa próxima (bem próxima). Apenas isso.

    • Existem pessoas com códigos de “ética” bem estranhos. Tipo o cara que mete guampa em qualquer mulher mas não sacaneia um amigo homem. Mas, de modo geral, quem em uma situação comete uma falha ética consciente de que está cometendo uma falha ética muito provavelmente em outras situações também cometerá falhas éticas.

      E, se um indivíduo não cometeu outra falha ética exceto a primeira até agora, ele provavelmente ainda é mais passível de falha do que outro que não cometeu a falha original.

      A gente tem uma cabeça só. Quem é correto sempre tem alta chance de ser correto sempre. Quem pisa na bola e não se importa com isso em um contexto tem alta chance de pisar na bola em outro contexto também. É por isso que isso se chama questão de caráter.

  • O terceiro parágrafo não ficou muito legal, deixa em dúvida se eu empresto, ou emprestaria meu cartão. Mas o correto é emprestaria, sem problemas.

    • Até o dia em que, na saída do banco, ele topar com uma gostosona “imperdível” estilo piranha-gasolina e resolver que não dá pra perder a oportunidade (com o teu dinheiro). :)

  • Esse papo de a gente tem apenas uma cabeça não colou muito legal….

    • Ué, não tem disso por aí?

      Mas acho que não estás pegando o espírito da coisa: quem trai uma pessoa que confia nele tem ou não tem maior chance de trair outra do que quem não trai ninguém?

  • Li

    O que não existe? Capacidade de escrever um livro novo a partir do zero com a mesma qualidade de um livro com “centenas de autores” sem dinheiro na jogada? Fala sério que tu não entendeste que tem gente altamente qualificada que faria isso de graça se houvesse a mais vaga possibilidade de o material ser vendido a preço de custo e adotado como livro-texto nas universidades! (Arthur)

    Eu SEI que isso é possível.
    Trabalhei o suficiente em uma editora universitária para saber que isso pode ser feito.

    O problema todo é que a maioria NÃO QUER.
    Estão sempre encontrando justificativas para
    que os erros se perpetuem.

    • Eu sei disso. Eu enfrentei isso.

      Um professor reclamou que não havia um livro que prestasse para lecionar “x”. Eu perguntei como deveria ser o suposto livro que prestasse. Ele me deu as especificações. Eu propus: “assume o compromisso de adotar o livro em aula que eu escrevo ele”.

      Imaginas o que ele respondeu? Pois é: “ah, mas…”

      Sempre tem um “ah, mas…”

    • paula

      sempre um professor…sempre condicionantes…se voce adotar meu livro, eu vou e escrevo.

      arthur, por que nao te propoes a escrever um livro tecnico? em vez de eu so’ faco se tu quiseres brincar comigo…

      va’ e faca!

      qtas vezes neste blog eu li: “tenho uns projetos, planejo o livro…”

      a coisa nao e’ assim tao simples, ainda mais num livro tecnico.

      se fosse simples, eu ja’ estaria nas livrarias tentando comprar o teu terceiro livro!!!

      vais dizer :”ah, mais…” como teu professor “obstrutivo”?

      faca a tentativa e depois me diga qto tempo voce gastou para escrever o tal livro, e se seu empregador ficou feliz de voce ter usado as horas dele para escrever a sua obra…

    • paula

      Li, voce tem razao: ‘E POSSIVEL.

      Tanto que eu ja’ fiz. Nao vou citar os capitulos de livros, mas livro editado. Meus livros editados no brasil foram adotados em faculdades do brasil inteiro, em editais de concurso publico, etc. Me satifaz muito saber disso. Me sinto orgulhosa que tenha disponibilizado literatura em Portugues para alunos que antes nao tinham acesso, pois so’ havia literatura inglesa sobre o tema.

      Voce ja’ escreveu algum livro? Arthur, qtos livros voce ja’ editou? E capitulos?

      Se ja’ fizeram, contem-me da sua experiencia.

      Se nao fizeram, por favor parem de julgar quem nao quer mais fazer na base do amadorismo, pois precisa cumprir carga horaria profissional que tem atividades bem definidas, e que nao inclui licenca para editar um livro, de graca. Para eu editar um livro, eu preciso comprar as horas do meu empregador, com pagamento pela INTERMINAVEIS horas dedicadas `a obra!!!!!

      Nao tem nada a ver com nao quero fazer de graca e que lindo ser voluntaria.

    • Isso é exatamente o que eu estou me preparando para fazer, Paulinha. Estou largando o serviço público para ter mais tempo para me dedicar a meus projetos. Não necessariamente livros técnicos, mas alguns projetos grandes. :)

      O que eu não podia fazer era largar tudo num momento em que o meu salário estava sendo absolutamente necessário para garantir outras pessoas além de mim. Agora essa situação foi superada (na semana anterior ao carnaval, diga-se de passagem) e só o que me prende em Porto Alegre é que eu tenho que fazer alguns exames médicos antes de me desligar do serviço público, porque se tiver que fazer a tal cirurgia vou fazer isso pelo IPE, é claro.

      Depois que me desligar vou ter que dividir meu tempo entre as atividades necessárias a meu sustento e meus projetos paralelos, mas pelo menos serei eu quem definirá quanto tempo vou gastar com cada coisa, não o Estado.

Leave a Reply

 

 

 

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>