Por que eu vou morar no meio do mato?
Peço licença a meus leitores para publicar um desabafo pessoal. Como muitos já sabem, estou na reta final para me desligar do serviço público e me mudar de uma capital de estado para uma aldeiazinha com três mil habitantes no interior de uma pequena cidade de interior, para morar em uma casinha de madeira no meio do mato a 2,5 km por estrada de chão batido do mercadinho mais próximo. A questão é: por quê? O que leva um intelectual gregário a desejar esse tipo de isolamento?
Creio que a resposta é: o mesmo sentimento que levou Gandhi a ficar feliz com sua sentença de seis anos de prisão em 1906. Preciso desesperadamente me desestressar, recarregar as baterias e recuperar o foco. Eu e toda civilização ocidental, é verdade, mas só posso falar por mim.
Na última quarta-feira pela manhã eu fui fazer um exame de saúde em um hospital. O exame foi marcado para às 7 h 30 min da madrugada, com recomendação expressa de chegar 15 min mais cedo porque são muitos pacientes, a equipe tem horários limitados, etc. e eles queriam evitar atrasos.
Cheguei lá às 7 h 20 min – ligeiramente atrasado – e tive que esperar meia hora para ser atendido. Não havia nenhum outro paciente, não pude pagar o exame antecipadamente porque o responsável pelo caixa não havia chegado e a equipe técnica ainda não tinha aberto a sala dos exames.
Saí da sala dos exames, paguei, solicitei um atestado para aquele dia e para o dia anterior – porque havia uma preparação necessária para os exames que impossibilitava que eu fosse trabalhar – e me informaram que “não fornecemos atestados”. Como não? E os dois dias que eu faltei ao trabalho por causa deste exame, como ficam? “O senhor vai ter que falar com o médico que solicitou os exames.” Ou seja, aquele médico “super acessível” que me perguntou “Quem é o médico aqui? Quer sentar na minha cadeira e dar a consulta por mim?”.
Liguei pro setor de Recursos Humanos de onde trabalho. Expliquei a situação para minha colega que me atendeu. Ela disse que não tinha autonomia para me liberar o dia de trabalho, mas que ia falar com a diretora do RH. Algumas horas depois liguei novamente. A resposta foi: “tem que ter atestado, senão leva falta”.
Meu pai se prontificou para falar com o amabilíssimo doutor na manhã seguinte. Se ele se dignasse a me fornecer um atestado para estes dois dias, então tudo ficaria bem. Mas, se ele não quisesse fazer isso – e não há o que o obrigue – então eu levaria duas faltas no serviço, perderia quatro dias de salário (duas faltas mais o final de semana remunerado) e perderia dois anos de contagem para licença-prêmio.
Como imaginei, ele se negou a fornecer um atestado. A desculpa dele: “eu não estava atendendo nem tratando o paciente, então não posso fornecer atestado”. Ora… “não estava tratando”? Quer dizer que os exames não fazem parte do tratamento? Para que então ele solicitou os exames?
Pergunta: o que eu fiz para ser punido assim?
Resposta: fiz tudo certo como deveria ser.
Pergunta: eu vou realmente levar falta e sofrer todas aquelas conseqüências?
Resposta: não, porque “dei um jeitinho”.
Dá ou não dá vontade de ir morar no meio do mato?
Passei pela esquina da Av. Azenha com a Av. Bento Gonçalves, onde havia um verdadeiro mar sobre a pista, com direito a ondas que batiam na lateral do meu carro. Por que havia ondas? Porque, ao invés de entrar com cuidado na água, em primeira marcha, com a rotação do motor alta e a velocidade baixa, controlada pela embreagem, como deve ser feito nestes casos para evitar que a água entre pelo escapamento ou atinja o distribuidor, as pessoas entravam em alta velocidade na água. Resultado: ondas que atingiam os outros carros e dois ou três carros parados na pista com o pisca-alerta ligado, provavelmente com o distribuidor molhado, no meio de um trânsito já engarrafado, atrapalhando ainda mais a vida de todos os outros.
Segui caminho em direção à zona sul e cheguei à Av. Carlos Barbosa, cujo trânsito estava fluindo muito lentamente. Logo em seguida ouvi uma sirene de ambulância. Eu estava na pista da esquerda, olhei para trás e vi a ambulância alguns carros atrás de mim. Fiz sinal para a direita para mudar de pista e dar passagem à ambulância – como deve ser feito nestas situações. (Sempre que você ouvir uma sirene, procure ir para a pista da direita e deixar a pista da esquerda livre.) O que aconteceu? Os carros da pista da direita começaram a fechar o espaço entre uns e outros para impedir a mudança de pista dos outros carros, para não perder posições.
Consegui entrar na pista da direita, mas a ambulância ficou parada atrás de três carros que se mantinham inflexivelmente na pista da esquerda. Percebi que havia espaço quase suficiente para a ambulância passar entre as duas filas se eu subisse com as rodas do lado direito na calçada. Não tive dúvidas: subi na calçada e acenei para a ambulância passar, o que ela fez rapidamente, com um gesto de agradecimento. Porém, quando fui descer da calçada, o carro que estava atrás de mim – que viu minha manobra para deixar a ambulância passar – cortou a minha frente para me ultrapassar, sendo imediatamente seguido por vários outros que também tinham visto o que acontecera. Eu tive que esperar aparecer um espacinho entre um carro e outro e praticamente jogar meu carro para dentro da pista, obrigando a fila a parar, para poder continuar meu caminho.
Pergunta: o que eu fiz para receber este tratamento?
Resposta: fui solidário e fiz tudo conforme deveria ser feito.
Dá ou não dá vontade de ir morar no meio do mato?
A motorista estava sentada ao volante e fazia de conta que não percebia a imensa massa de veículos que passavam buzinando por ela. As pessoas diziam para ela colocar o carro sobre a calçada e ela fingia não ouvir. Que importa se a cidade está semi-submersa e completamente engarrafada? Que importa se ela estava provocando um estrangulamento no trânsito que piorava a situação para milhares de pessoas? O importante é que havia uma placa permitindo o estacionamento naquele ponto.
Ultrapassado este obstáculo, prossegui. Poucas quadras à frente cheguei em um cruzamento em que eu tinha que dobrar à esquerda. Eu era o primeiro carro da fila, esperando a sinaleira (semáforo) abrir. Vindo pela mesma rua, no sentido oposto, havia um veículo dando sinal de que iria dobrar à direita. Ou seja, ele estava sinalizando que ia entrar para o mesmo lado que eu, em uma via com três pistas. Logicamente havia espaço para os dois entrarem na via ao mesmo tempo. Só que não foi isso que ele fez.
Quando abriu o sinal eu avancei devagar, dobrando à esquerda. E o outro veículo arrancou alucinadamente, disparando em linha reta, para forçar sua passagem à minha frente, com o motorista fazendo cara feia, berrando palavrões e gesticulando de modo obsceno. Quer dizer… o cara estava sinalizando errado, arrancou em disparada numa rua pavimentada com paralelepípedos de granito (um verdadeiro sabão em dia de chuva) para forçar passagem e ainda se julgava com razão e no direito de ofender quem estava fazendo a coisa certa do jeito certo.
Pergunta: mesmo que ele não estivesse sinalizando errado, não seria muito mais razoável simplesmente aguardar cinco segundos e deixar passar o outro veículo ao invés de cometer uma imprudência e aumentar as chance de um acidente?
Resposta: só para quem tem pelo menos dois neurônios funcionais, o que não parece ser o caso de um percentual significativo dos primatas que povoam este planeta.
Dá ou não dá vontade de ir morar no meio do mato?
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Abraços
O que eu devo fazer com esse padre? Amarrá-lo na frente do meu carro para que ele vá jogando água benta por onde quer que eu tenha que passar?
Humm..:) boa idéia não tinha pensado nisso
No teu caso acho que nem tomando banho de água benta resolve, até feminista maluca aparece na sua vida
E tem feminista que não é maluca, por acaso?
Mas o banho de água benta talvez ajude. Vou escrever uma carta para o Bento XVI pedindo para ele abençoar o Oceano Atlântico.
Você precisa é ficar 8 meses enfurnado em um mosteiro, isso sim. rsrs.
A idéia é quase essa, Félix. Eu decidi parar de tentar arrumar o que não estava dando certo. Acho que chega um momento em que o melhor a fazer não é mais tentar arrumar o texto, porque a emenda quase sempre fica pior que o soneto, e sim escrever um texto novo.
É meio punk fazer isso aos 43 anos e sem um pé de meia, mas, se eu esperar mais um tempo fazendo a mesma coisa de sempre, como é que estarei daqui a 5 ou 10 anos? Provavelmente estarei na mesma situação porém 5 ou 10 anos mais velho, mais frustrado e com menor prazo de validade para realizar os projetos que pretendo realizar hoje.
O futuro não chega nunca. A hora de agir é agora.
Nooossa, aí é pra estressar mesmo… mas sinto lhe informar Arthur, mas cidades pequenas também são bastante estressantes,menos que as grandes, mas estressam igual…Eu moro em uma que tem uns 2 mil e poucos habitantes e olha, têm horas que dá vontade de fugir pra um mosteiro no Tibet.
É, mas eu preciso cuidar da saúde, recarregar as baterias e retomar o foco – e não tem dado certo na minha cidade. Como a famosa definição de loucura é “fazer sempre a mesma coisa esperando um resultado diferente a cada vez”, eu pretendo não bancar o doido e tratar de mudar de vez. Loucura é insistir no que já provou que não dá certo, é continuar em uma situação “confortável” mas não realizadora nem gratificante.
Não sei se é uma boa ideia. Mas você deve ter ruminado esse projeto faz tempo.
O que me preocupa mais é tua saude, a provável ausência de serviços médicos dessa aldeiazinha.
Rumino o projeto de mudança há doze anos e decidi pela tal aldeiazinha há seis anos. Esperei demais, demais, demais. A tal ponto de já ter vontade de ir além, mesmo ainda não tendo realizado esta etapa. Mas não há como não fazer um “estágio obrigatório” de dois ou três anos antes de pensar na próxima etapa, porque eu realmente preciso desestressar, emagrecer, entrar em forma, me capitalizar e traçar novos objetivos.
De fato, a aldeiazinha não tem nem uma farmácia. Tinha, mas faliu no ano retrasado e ainda não abriram outra. Podes imaginar que não é um lugar com muitos recursos. Quando começa o Jornal Nacional não fica uma alma viva na rua. Às dez da noite só se ouvem os grilos. E eu vou morar a 2,5 km depois da aldeiazinha, mato adentro, por uma picada que parece um breu.
Mas não estou preocupado. Primeiro, porque o sinal do celular chega lá. (Uma operadora só, mas é exatamente dessa operadora que eu comprei um celular e um modem.) Segundo, porque eu tenho um automóvel e alguns amigos próximos que sabem dirigir. Portanto, a menos que o caso seja AVC ou infarto, não estarei correndo risco maior do que se continuasse morando em Porto Alegre. O problema de saúde que me acometeu recentemente não exige atendimento imediato – mesmo no pior caso de crise, apesar da dor, dá pra aguardar duas a quatro horas até alguém me levar para um hospital e entrar numa cirurgia de emergência.
Aliás, Dr. Myiagi, bateu uma curioisidade: em que município o Sr. reside? (Pode incluir o código “xxx-privado-xxx” na resposta se não quiser divulgar essa informação.)
Sem problemas, Rio de Janeiro, RJ.
Ahnnn… não se de onde tirei que era em Novo Hamburgo – RS.
Gente é tudo mentira. Na verdade o Arthur foi contatado pelos Zygoteanos e vai encabeçar um projeto de energia limpa, com tecnologia Zygoteana, que vai salvar o planeta do problema da crise do petróleo e para isso precisa estar no sítio Himalaia, bem longe para não chamar a atenção da mídia.
Brincadeiras a parte, meu querido que você tenha toda sorte nessa nova fase é o que te desejo de todo coração.
Abraços!!
Robson / SJCampos
Raios, Robson! Não espalha! O “Projeto ZYG” é secreto!
Valeu, amigo! Não vou abandonar a civilização, nem o blog. Faz parte dos planos voltar a viver em tempo parcial na cidade num futuro próximo… para lançar algum projeto para tentar ajudar a salvar o planeta.
Tás coberto de razão, eu vou fazer o mesmo daqui a alguns anos.
Se eu não for pro meio do mato – com a(s) devida(s) companhia(s) feminina(s) que ninguém é de ferro, vou pra um país mais civilizado. Pode me chamar de radical, mas cada vez mais tô acreditando na fala do Grande Dalborga: “ou se conserta esse país no voto, ou se conserta na bala”, tendendo pra segunda opção.
Se bem que o que aquele cara queria nem de perto era “consertar” o Brasil…
Eu sonho com uma cidade quase deserta, com uma casa quase deserta, pq tbm não sou de muitos móveis, apenas alguns extremamente necessários. com uma ótima internet, com uma boa pizzaria que faça entregas no prazo estipulado, com um mercado online que possa entregar as minhas compras em casa. Eu já vivi muito no trânsito, sou apaixonada por mecânica de veículos automotores, porém, o trânsito hoje em dia é caótico, algo que deveria ser da responsabilidade de todos, virou a irresponsabilidade da maioria. Eu tento ao máximo me isolar, principalmente ficar longe daqueles que descobriram aquela fórmula mágica de me tirar do sério. Posso falar com propriedade que tenho um saco de paciência para atender e explicar e suportar muita coisa, mas, quando eu saio do meu prumo, saiam da frente. Eu acredito que isso é um problema meu e por isso tento me isolar o quanto posso. Gostaria de “comprar” uma ilha, uma caverna, uma floresta, um terreno no pico de uma montanha ou algo parecido, mas está longe das minhas posses, por isso sonho em achar uma cidade compatível com o meu sonho de consumo.
Uma caverna? Vejam só, uma visita da Sra. Flintstone.
Mas é verdade, Lunah, o excesso de contato com os outros a que nos obriga a vida nas grandes cidades é mesmo estressante. Não foi assim que nossa espécie evoluiu e não é assim que nos sentimos bem. O bom é poder encontrar a muvuca quando queremos, por períodos de tempo por nós determinados, não por obrigação, não o tempo todo.
O problema é encontrar um bom rodízio de pizza no meio do mato.
Aliás, achei uma ilha na Nova Zelândia, no entanto, ainda não vi a possibilidade de me mudar para lá. Niue é um Estado associado a Nova Zelândia, é um lugar semi deserto de humanos, com uma natureza praticamente intocada, a língua que se fala é a nativa e o inglês, até onde eu ouvi dizer – foi o primeiro lugar a disponibilizar internet wi-fi e por aí vai.
Lugarzinho porcaria que a Lunah escolheu, hein?…
http://www.hoganreps.co.nz/wp-content/uploads/2009/12/Niue-Island.jpg
http://qrznow.com/wp-content/uploads/2012/03/niue_1.jpg
http://www.anwireless.com/nu40.jpg
“O problema é encontrar um bom rodízio de pizza no meio do mato. ”
Quanto a isso não se preocupe, você me convida para uma visita eu faço as pizzas sou boa nisso, tbm faço yakissoba se preferir.
Combinado.
Eu nao tinha lido este texto ainda. Ando meio ocupada com prazos. E’ um otimo texto, como sempre.
Meus comentarios:
1) Eu me mudei de pais, porque mudar para lugar maior que Porto Alegre – RS ia aumentar o estresse no transito e no trabalho, eu nao ia me sentir valorizada, e ainda ia ficar morrendo de medo de ser assaltada. Mudar para o meio do mato nao era uma opcao para ser humano do sexo feminino recem divorciada. Alem do mais, meu trabalho envolve o setor terciario de atendimento a saude e seria inutil numa cidade onde nem setor primario existe. O pais que eu escolhi esta’ longe de ser perfeito, mas para mim serve, pois eu consigo falar o idioma, fazer amigos, me sentir valorizada e estimulada no trabalho, e sobretudo, nao me estresso no transito. NAO ME ESTRESSO NO TRANSITO. A diferenca ‘e tamanha que eu DEIXEI minha carteira de habilitacao brasileira vencer no Brasil, porque a mim nao interessa pilotar um carro (tanque) de guerra em qualquer situacao no Brasil.
2) Este medico que pediu o teu exame ‘e um bosta. So fosse onde eu moro ja’ estava morrendo de fome por falta de clientela. Nao e’ possivel que nao exista um medico especialista dos que tu precisas que seja decente no convenio que usas. NAO E’ POSSIVEL. Eu conheco muita gente competente neste convenio, pois tb sou credenciada, apesar de nao atender por ele ha’ mais de 6 anos. Minha credencial esta’ temporariamente inativa. Este cara que perguntou “quem ‘e o medico aqui” nao era o cara do plantao?! Plantonista nao ‘e medico de ninguem, portanto nao assume responsabilidade por dar atestado, por cuidar do cara FORA DO PLANTAO. Tem que ser o TEU MEDICO. Nao o medico de todo mundo, que atende a firma, ou a empresa, ou faz plantaozinho aqui na reparticao. Um cara comprometido com a tua saude e bem estar!
3) Se vais para um lugar tao isolado, sugiro comprares uma boa arma e seguires curso de tiro. Tb vais precisar de uma boa caminhonete, com tracao nas 4 rodas, para poderes te locomover em quaisquer circunstancias. E meio de comunicacao eficaz. Se nao houver torre de celular, podes precisar de um sistema de radio. E fonte de energia. SEGURANCA, TRANSPORTE, ENERGIA,COMUNICACAO. E claro, comida e agua potavel.
4) Busque os sites que enviei outra vez sobre o que fazer em situacoes de urgencia, quando nao ha’ como chamar ajuda, ou a ajuda vai demorar a chegar.
5) Toda a feminista convicta menor de 55 anos de idade ‘e louca. Algumas feministas mais velhas do que isso podem ser loucas.
6) O que ha’ de errado com os sistemas de drenagem das cidades no Brasil?
1) “Mudar para o meio do mato nao era uma opcao para ser humano do sexo feminino recem divorciada.”
HAHAHAHAHAHAHA!!! Dei muita risada aqui quando li isso.
Pô, Paulinha, a minha casa vai ficar no meio do mato, mas a civilização está logo ali… a uns 40 km.
2) Esse cara que perguntou “quem é o médico aqui?” é um especialista que trabalha na mesma instituição do segundo plantonista que me atendeu. A primeira foi a que debochou de mim, o segundo foi o que não quis trocar o medicamento que não estava funcionando e o especialista foi o terceiro a me atender, dois dias depois que eu estava tentando trocar o medicamento. Ele fez aquela pergunta e queria me despachar sem atendimento, mas meu pai estava junto e botou panos quentes, então consegui com ele a internação que já se fazia necessária. Aproveitando que o cara é cirurgião e quer porque quer me meter a faca, peguei com ele a solicitação dos exames que fiz nas últimas semanas, mas só para poupar tempo – nem pensar que vou deixar esse cara chegar perto de mim com um bisturi na mão.
Já estou com consultas marcadas com dois outros colegas dele, para ouvir duas outras opiniões. Um deles me foi muito bem recomendado por uma tia que teve o mesmíssimo problema que eu e achou o atendimento dele “coisa de primeiríssimo mundo” e não dá pra negar que o sujeito foi extremamente competente, porque o caso dela era bem mais grave que o meu e ela ficou numa boa.
3) Nem tããão isolado assim, minha casa ficará a 2,5 km do mercadinho mais próximo, onde começa o asfalto. Mas o curso de tiro eu já fiz, com excelente aproveitamento (descobri um dom – minha pontaria é excelente), um veículo alternativo já está sendo providenciado, já comprei um chip de celular da única operadora cujo sinal pega lá, já estou escolhendo um gerador diesel portátil para não ficar na mão quando faltar eletricidade e já planejei um sistema de abastecimento de água com captação numa barragem para as atividades em geral e com captação e purificação da água da chuva para abastecer especificamente a cozinha e a pia do banheiro onde escovar os dentes.
4) Vou montar uma rede de socorro com os vizinhos que têm carro, mais o pessoal que mora mais perto e que sabe dirigir (que podem vir a pé e me carregar no meu próprio carro). Já tenho alguns contatos em andamento.
5) Verdade. Mas que tem isso a ver com este artigo?
6) A maior parte deles foi projetada para os níveis de demanda da década de 1950, quando as cidades eram muito menores e com muito menos área impermeabilizada. Soma isso ao imenso volume de lixo jogado no chão, que vai parar dentro dos bueiros diminuindo ou eliminando a vazão da drenagem, mais o fato de que enterrar cano não dá voto, e o caos está explicado.
foi-se me comentario
Recuperado e respondido acima.
Outro comentario:
Alguns comentarios recentes de amigos meus sobre o transito em POA em uma rede social. Para mim o comentario 5 foi o melhor de todos. POA para quem nao sabe ‘e sigla para Porto Alegre, RS. A minha explicacao para esta realidade esta’ no nivel de frustracao das pessoas que pilotam as maquinas que delimitam seu territorio; como se precisassem desesperadamente CONQUISTAR algo (ja’ que a chance de conquistar algo com o trabalho ou a vida pessoal ‘e igual a zero), nem que seja o espaco do vizinho, do tamanho da sua lataria de soldado, mas que ainda nao lhe pertence. Ou como disse o Arthur, desesperadamente manter posicao, daqui nao saio, daqui ninguem me tira, F..-se quem precisa passar, este cantinho aqui me pertence. Veja que interessante os comentarios. Felizamente eu me livrei desta neura. Meu comentario foi o numero 4.
1. “Que vontade de viver numa cidade civilizada! A minha vontade e instalar um camera de video no meu carro, criar um blog chamado OS SELVAGENS DE POA para divulgar placas e gestos.”
2. “Será que as pessoas se TRANSFORMAM ou se REVELAM no trânsito?? afff….”
3. “Verdade prof… Estamos longe do ideal…”
4. “Eu tenho pavor de dirigir em Porto Alegre. O pessoal parece pensar que pilota um tanque em outro planeta, onde nao haja leis, e onde se pode fazer qualquer coisa sem consequencias. Como se entrar no carro lhes propiciasse um disfarce indestrutivel. Um perigo e totalmente imprevisivel.”
5. “Eh verdade, pessoas normais se transformam em soldados da sua guerra pessoal defendendo seu território do tamanho da sua lataria.”
6. “qdo dá eu tiro fotos do meu celular… mas não adianta, a falta de educação é muito democrática…”
7. “é incrível mesmo como no trânsito muita gente boa vira fera predadora! Não é só em POA, talvez aqui em Floripa tenha mais gente “zen”, mas os trogloditas também habitam esta área…”
2. “Será que as pessoas se TRANSFORMAM ou se REVELAM no trânsito?? afff….”
Isso é universal. Um clássico é a prova:
http://www.youtube.com/watch?v=RMZ3bsrtJZ0
Engraçado… pra mim um automóvel nada mais é que uma cabine confortável com quatro rodas para me levar aonde preciso ir. Acho ótimo que seja climatizada, que tenha quatro portas para não ter que me levantar para alguém entrar e sair e que tenha um bom espaço para colocar bagagens e bugigangas. Todos os meus critérios de avaliação são vinculados à funcionalidade. Não entendo e acho muito doido isso de pirar ao volante.
Tambem não tenho essa relação macha com os carros, tirei carteira mas nem dirijo.
Não entendo pai e filho lustrarem ad nauseam seus carros aos domingos, já que suja em segundos apos sair da garagem…
hahahaha, EXATAMENTE!!!
Parece que as criancas de onde moro assistiram a videos como este ha’ 30-50 anos atras, e por isso desenvolveram critica.
E’ impressionante a diferenca do comportamento das pessoas daqui e em Porto Alegre. E nao sou so’ eu quem diz. Meus familiares que vieram me visitar, nos primeiros dias ficavam estressados no carro, que eu nao ultrapasso caminhao, nao costuro na autoestrada, dou a passagem para quem nao se deu conta que estava na fila errada…depois vao se acalmando, aceitando, se adestrando, e naturalmente me dizem que o transito ‘e diferente onde moro, que as pessoas parecem mais prestativas e coisa e tal…
Pra variar um comentário da Paulinha vira artigo: http://arthur.bio.br/2012/03/27/transito/o-transito-neurotiza#.T3Igrxbs1xA
http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2012/03/video-mostra-imagens-de-briga-de-transito-entre-motorista-e-motociclista.html
!!!!!!!!!!!
Na capital do pais!
O que eu vi ali foi o motoqueiro começar a palhaçada chutando o carro. Acho que eu teria feito a mesma coisa que ela fez, ou seja, reagiria à agressão com a única ferramenta disponível, o próprio automóvel. O que eu não faria seria a besteira que ela fez depois, deixando o carro parar. Eu derrubaria o sujeito e cairia fora, direto para uma delegacia para registrar a ocorrência.
‘e mas se o idiota do motoqueiro cai de mau jeito, quebra a cabeca e morre, a culpa e’ da atacada, que pos o carro contra o motoqueiro.
eu tb vi o cara atacando ela primeiro.
talvez tivesse que ter sangue frio e filmar os ataques dele, anotar a placa e ir para a delegacia…?
Ela estava sob ataque. Reagir nestas condições se chama “legítima defesa”.
Mas a “forca” foi desproporcional: atropelamento em resposta a pontape’.
Alem de que a gente não sabe o que a gente não sabe por que ele chutou a porta, o que aconteceu antes e o que eles falaram.
O fato é que depois ele podia ter dado uma surra nela, e só tirou a chave do carro. Já ela objetivamente enfiou o carro nele. Ele pode não ser santinho, mas ela pareceu descontrolada. Antes de julgar gostaria de saber mais.
“Mas a “forca” foi desproporcional: atropelamento em resposta a pontape’.” (Paula)
Depende. Que outra alternativa ela tinha? Era exigível que ela não se defendesse? Se as respostas forem “nenhuma” (porque ela não ia sair no mano-a-mano) e “não” (porque não é exigível a submissão à agressão), então ela alegará legítima defesa com grande chance de deferimento.
“O fato é que depois ele podia ter dado uma surra nela, e só tirou a chave do carro. Já ela objetivamente enfiou o carro nele. Ele pode não ser santinho, mas ela pareceu descontrolada.” (Gerson)
Eu já acho que ele percebeu o prejuízo e resolveu priorizar o bolso ao invés do fígado. (Afinal, se ele tivesse batido nela, seria crime – e a chance de ele ser indenizado seria praticamente nula.) A declaração dele, debochada e pernóstica ao invés de indignada, corrobora essa tese. Ele estava no controle o tempo todo, inclusive quando deu os pontapés, o que no meu entender elimina qualquer chance de que ele tenha razão alguma em qualquer pretensão.
Lá vou eu contar historinhas.
O PT uma vez ficou 16 anos na prefeitura de Porto Alegre. No dia em que eles perderam a eleição, eu escrevi “OH QUE DIA FELIZ!” em letras garrafais numa cartolina e fui passear no meio do maior reduto petista da cidade.
Como os petistas são muito democráticos e sabem receber críticas com a classe e a fleugma que exigem dos adversários deles, cof-cof-cof, a turba que ocupava a rua começou a sacudir meu carro. Enquanto ficou só nisso, tudo bem. No primeiro tapa que deram no capô eu buzinei e fiz com as mãos o sinal de “não, né?” (ou “pô, qual é?”) – ainda na boa. Mas aí um imbecil se colocou na frente do meu carro, deu um tapão no capô e começou a chutar a placa dianteira.
Isso atiçou a manada sedenta de sangue. O clima mudou de zoação para conflito em segundos. Tentaram abrir a porta do meu lado, começaram a dar tapas no capô, sacudir o carro e lá pelas tantas eu ouvi um chute na lata e o cara que tinha dado o tapa inicial no capô tentou subir no capô. Isso tudo no meio de um mar de gente ocupando a rua.
O que vocês acham que eu devia fazer?
E o que vocês acham que eu fiz?
Hmmmm… algo nesta notícia me fez lembrar deste post…
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5724114-EI8143,00-Idoso+vive+pelado+ha+anos+em+ilha+isolada+no+Japao.html#tarticle
O cara até é naturista tambem. Cuidado pra não exagerar na radicalização, Arthur! HAUAUAHHAHAUAHAHHH!!!!
Pô, o cara tem seus valores, é articulado e me parece bem centrado. Seria um bom vizinho…
Espero que esse voce considere esse blog como um de seus projetos pessoais.
É.
Eu quero uma casa no campo….
E eu no mato.