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As feministas e o aborto masculino

As feministas são a favor do aborto. As feministas dizem que lutam pela igualdade entre os sexos. Logo, as feministas deveriam reivindicar o direito ao aborto masculino. Como elas não o fazem, OU não são a favor do aborto, OU não lutam pela igualdade. Simples assim. A não ser, é claro, que o silogismo tenha sido “promovido” a instrumento machista do patriarcado falocêntrico historicamente opressor. 

Um homem e uma mulher fazem sexo consensual. Do sexo consensual surge uma nova vida. Dizem então as feministas que a mulher deve ter o direito de matar essa nova vida que cresce dentro dela segundo seus próprios interesses e conveniências.

Ignorando momentaneamente o absurdo de reivindicar o “direito ao homicídio de inocentes incapazes de se defender”, porque é isso o aborto, quero avaliar a coerência das feministas em reivindicar a “luta pela igualdade”. 

As feministas não chamam o feto de bebê, criança, ser humano ou filho – elas o chamam de “mero aglomerado de células” – e não chamam a mulher grávida de “mãe”, alegando que ela só se tornará mãe após o feto passar a ser um ser humano (afinal, “feto” é uma samambaia). 

Ora, as feministas dizem que a mulher deve ter o “direito soberano” de decidir pelo aborto em qualquer situação, ou seja, de fazer o que bem entender com seu próprio corpo, inclusive sexo desprotegido e irresponsável, e pela mesma lógica “tirar o corpo fora” mesmo que isso implique a morte de um ser humano inocente. E dizem que lutam pela igualdade. 

Supondo verdadeiros – para mero exercício intelectual – os discursos feministas pelo aborto e pela igualdade, as feministas deveriam reivindicar direitos iguais para o homem, o que inclui o direito de fazer sexo desprotegido e irresponsável e depois “tirar o corpo fora”, que é o que significa a expressão “aborto masculino”. 

No chamado “aborto masculino” o homem não influi sobre o corpo da mulher, que decide livremente sobre seu próprio corpo, mas também não permanece refém da decisão da mulher, reservando-se o direito de não se tornar pai da criança que nascerá. 

Manifestas em tempo hábil fixado em lei e igual para ambos os sexos, a vontade de “não se tornar mãe” e a vontade de “não se tornar pai” do “mero aglomerado de células” que se tornará uma criança deveriam ser rigorosamente simétricas. 

Vejamos como seria um discurso coerente: 

- Segundo as feministas, a mulher que não quer se tornar mãe pode usar um método anticoncepcional, mas se não o fizer ou se este falhar ela tem o “direito soberano de decidir sobre seu próprio corpo” e não se tornar mãe através de uma técnica chamada “aborto”, que nada interfere com o corpo do doador do espermatozóide. 

 - Segundo as feministas, o homem que não quer se tornar pai pode usar um método anticoncepcional, mas se não o fizer ou se este falhar ele tem o “direito soberano de decidir sobre seu próprio corpo” e não se tornar pai através de uma técnica chamada “aborto masculino”, que nada interfere com o corpo da doadora do óvulo. 

Não é lógico? “Direitos iguais” é isso: ambos, homem e mulher, devem ter a mesmíssima possibilidade de decidir se podem ou não arcar com o ônus de ter um filho, segundo seus próprios interesses e conveniências, e a mesmíssima possibilidade de se desonerar destes ônus independentemente da vontade do outro, como as feministas reivindicam para as mulheres.

As feministas querem que a mulher tenha sempre, a todo o momento, antes durante e depois do ato sexual, o direito de decidir sobre ter ou não ter o filho que gerou. 

Mas as mesmas feministas querem que o homem, a partir do momento em que o ato sexual foi consumado, não tenha qualquer direito de escolha sobre ter ou não ter o filho que gerou, permanecendo refém da decisão da mulher e tendo a obrigação adicional de pagar por duas décadas e meia por uma decisão que não foi sua e que era contrária a sua vontade. 

Vamos deixar bem claro, então: para que o discurso feminista fosse coerente, as feministas teriam a obrigação de reivindicar OU que o aborto só possa ser realizado se ambos, homem e mulher, forem da mesma opinião, OU que o homem possa praticar o “aborto masculino”, desligando-se completa e definitivamente de qualquer obrigação em relação ao filho que a mulher decidiu sozinha que viria a nascer. 

Percebam que em nenhum momento minha argumentação reivindica o direito de influir sobre a decisão da mulher. Nada disso. Eu reivindico lógica e coerência. Se a mulher pode decidir sobre o aborto e assim fugir da responsabilidade de criar um filho indesejado, então o homem também deve ter o mesmo direito. E, se o homem não pode ter esse direito, então a mulher também não pode tê-lo. É isso que significa “direitos iguais”.

É por direitos iguais que as feministas dizem que lutam. Vamos ver se elas serão coerentes e encherão a caixa de comentários do Pensar Não Dói com a reivindicação explícita do direito do homem de não se tornar pai após o ato sexual tanto quanto querem que a mulher tenha o direito de não se tornar mãe após o ato sexual. Se isso não acontecer, ficará evidente – mais uma vez – que o que as feministas reivindicam não são direitos iguais, são privilégios sexistas. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/05/2012

81 comments to As feministas e o aborto masculino

  • Independentemente de ser contra ou a favor qualquer coisa, coerência é imprescindível a qualquer discussão séria. Se a mulher puder optar por não ser mãe, o homem IGUALMENTE deveria poder optar por não ser pai. Vejam bem, estou falando de meios legais, nada mais.
    Direitos iguais? Na retórica é facil…

    Muitas vezes eu defendo coisas que eu não gosto, pra poder ser coerente ao defender direitos a todos. Não dá pra escolher o “melhor de 2 mundos” sempre. Pra garantir um direito seu, se deve defender o mesmo direito até a quem se acha que não merece. Caso contrário a retórica perde toda credibilidade.

    • Essa é a lógica básica que os detratores dos Direitos Humanos não entendem. Eles simplesmente não conseguem perceber que, se hoje abrimos exceções sem nos preocuparmos com os direitos de alguém que “não merece”, amanhã outros poderão abrir exceções sem se preocupar com nossos direitos com a alegação de que “não merecemos”.

      Aliás, quem foi o “gênio” que inventou que “merecimento” é um parâmetro para garantir DH? Me conta aí pra eu dar uns cascudos no pinta…

  • Li

    Me parece obvio que ninguém É obrigado a ser pai ou mãe,neste caso os homens possuem tanto direito de lutar para que as mulheres não tenham filhos deles,quanto as mulheres estão lutando
    para não serem obrigadas a terem filhos.

    Embora,hoje,só tenha filho quem quer…

    Homens e mulheres lutam pelos seus interesses…lamentavelmente a sociedade age assim.

    Lutamos para usar saia curta.
    Lutamos para usar calças.
    Lutamos para andar sem roupas.
    Lutamos para votar.
    Lutamos para casar e descasar.
    Lutamos para que a casa fique em nossos nomes,rs.
    Lutamos por estatutos,convenções,códigos…por tanta coisa.

    Os homens que conheço que não querem filhos,não precisam que eu lute por eles.
    Porque esses homens já se cuidam faz tempo,esses não terão filhos indesejados.

    • Rafael Holanda

      Li.

      Já ouvi esse argumento antes. “Cada um que lute pelos direitos que mais lhe fazem falta”. Se eu pensar assim, em toda discussão sobre as desproporcionalidades de sálario entre homens e mulheres com a mesma qualificação e cargo, minha resposta padrão será “não estou nem aí. Não me beneficía nem me prejudica, então eu nem ligo”.

      Estatísticas das mulheres violentadas no lar? Novamente, nem ligo.

      Qdo as feministas que conheço me pedem ajuda pra militar por uma causa justa, eu tenho o maior prazer em ajudá-las. Entretanto, quando sou eu que peço ajuda na militância por uma causa justa que afeta o MEU gênero aí aparecem as mais diversas desculpas, do “isso nem é tão grave assim, vc tá fazendo mimimi” ao já citado “nós mulheres lutamos para conquistar os nossos direitos, então vá lá e lute pelo seu”.

      Isso é justo? Isso é coerente?

    • Depois quando acuso os movimentos sociais de falaciosos (http://www.cartapotiguar.com.br/2012/05/09/falacias-dos-movimentos-sociais/), o povo vem om blá-blá-blá-besta alegando princípios de igualdade, como se igualdade fosse uma entidade infinitamente fragmentada. Afirmam igualdade X e igualdade Y para garantir ou não um direito, com isso transformando um conceito substantivo e absoluto e meia dúzia de subconceitos que chegam inclusive a contradizer-se.

      Igualdade é igualdade, é um substantivo, com significado fechado em si mesmo e apontando para uma essência. Adjetivar a igualdade é uma falácia, como afirmei em comentário a outro texto dia desses. Quando alguém sensato alega que “todos são iguais”, alguns Politicamente Corretos dizem que trata-se de um sonhador que enxerga somente a “igualdade conceitual” e a “igualdade jurídica” e esquece da “igualdade material” e da “igualdade de fato”, pois deve-se entender a igualdade como um “processo de equalização”, caso contrário, apesar de “iguais em direito”, nunca haverá sem os devidos reparos históricos uma “real igualdade numérica”, e, segundo alguns, deve-se buscar a “igualdade fisiológica”, a “igualdade fisionômica”, a “igualdade histórica” e a “igualdade psicológica”. Eu acho engraçado, pois seria como entender que a “igualdade rosa” é diferente da “igualdade azul”, e a “igualdade com café” só poderá ser alcançada quando todos tiverem “igualdade de chá e leite”. Mas, como alcançar a “igualdade de chá e leite” se não promovemos por meio de ações afirmativas (lê-se “ações que detratam a DUDH, mas ninguém liga pq é de um grupo oprimido historicamente!) a “igualdade herculóide”, a “igualdade thundercat”, a “igualdade noturna” e a “igualdade fisiológica”? Só assim poderemos falar finalmente em igualdade. E, mesmo assim, quando esta for alcançada, deve-se promover a “igualdade de bunda” e a “igualdade genital”, afinal, igualdade só serve assim, cheia de adjetivos.

      Eu ilustrei em mesmo artigo no jornal: “imaginem o número 4. Alguns quatros estão em Arial, outros em Arial Narrow, e alguns em Times New Romam. Coloquem um 4 ao lado de outro 4, seja qual for sua tipografia, e ambos permanecerão com seu valor de 4. Todos os 4s são iguais, independentes de sua tipografia. Somarmos um 2 Arial com um 2 Comic Sans, em cálculos paralelos, o resultado será um 4 aqui e um 4 ali, independente de qual seja sua tipografia no final. Se multiplicarmos 2 e 2, o resultado será 4. Se dividirmos 8 por 2, elevarmos 2 à segunda potência, tirar a raíz quadrada de 16 ou qualquer outra conta que seja, o que der 4 no lado de cá dará 4 no lado de lá. Todos os 4s são iguais“.

      O PC faz diferente. O 4 Arial só é igual ao 4 Script Brush por ser conceitual e por apresentar uma igualdade de direito nos cálculos. Porém, o que ocorre na realidade, segundo os PCs, é que o 4 Arial não possui os mesmos resultados do 4 Script Brush, pois todos os 4s Ariais discriminam os 4s Script Brushes. Assim, sustentam um discurso de que não existe igualdade material entre os 4s. O problema é que não importa quantos 4s de cá e quantos 4s de lá entram nos cálculos mais complexos, o que importa é que são todos 4s. Porém, cria-se um critério para determinar que alguns 4s podem ter privilégios nos cálculos mais complexos, mesmo que, no fim, seja tudo 4.

      É precisamente esse o problema que os Movimentos Sociais Organizados criam: dois pesos e duas medidas para entender a mesma conta.

    • Li: De novo “os homens vão ter que lutar” por um direito que as mulheres já têm? Mas as/os feministas não lutam por igualdade? Por que os homens teriam que se organizar sozinhos e sem ajuda das feministas se elas/eles lutam por igualdade?

    • Rafael: tuas perguntas foram retóricas, né? :)

    • Félix: acabo de entender o sistema de dois pesos e duas medidas – somando dá quatro. :)

      Piadinhas à parte, parece que ninguém se dá conta de que a igualdade perante a lei (“igualdade formal”) está sendo destruída em nome de uma igualdade de fato (“igualdade material”) que é simplesmente uma aberração completa.

      Milhares de pessoas já usaram este exemplo: todo leão tem o direito de comer uma zebra no almoço… mas quem é que vai pegar as zebras necessárias para garantir que esse direito se materialize?

      Tudo bem organizar uma “previdência dos leões”. Tudo bem garantir um conjunto mínimo/básico de direitos através da contribuição dos mais produtivos para proteger os menos capazes. Mas se os mais produtivos tiverem a obrigação de sustentar os menos capazes e também a obrigação de viver do mesmo exato modo que os menos capazes… o que os impede de simplesmente se declararem menos capazes e exigirem ser sustentados – todos eles?

      Óbvio que isso não vai acontecer, porque muito antes disso os leões produtivos vão fazer algo para se defenderem, mas haverá um imenso sofrimento no caminho – coisa que os PCs não estão nem um pouco preocupados se vão promover.

  • Reivindico o direito de defender os direitos do abortado.
    Enquanto não for definido o momento em que o “aglomerado de células” passa a ser realmente um ser humano poderíamos deixar em suspenso os direitos dos que transaram “animalmente” sem se preocuparem com suas possíveis responsabilidades humanas decorrentes do ato. Um espermatozoide ou um óvulo levam meia carga genética, e, por si só, cada um não conseguem chegar nem a uma ameba, que já é uma estrutura viva completa e geneticamente habilitada para viver e se reproduzir. Essas duas partes necessitam de um empurrãozinho de um macho e de uma fêmea, de qualquer espécie. Os animais procriam como animais. Os seres humanos se relacionam sexualmente por mil outros motivos, perfeitamente válidos no âmbito dos parâmetros psicológicos que o lobo frontal introduziu na evolução. E este mesmo aparato cerebral nos brindou com o senso de responsabilidade. Não vamos abrir aqui a infinidade de capítulos sobre estupro, anomalias congênitas e aberrações psicológicas dos “transantes.” Vamos nos ater aos indivíduos considerados moderadamente sãos para argumentar a favor de seus direitos feministas ou machistas. Se um ser humano já adulto se sente no direito de reclamar dos traumas que lhe foram infligidos quando era criança de colo, por que os seus pais ignorantes não se tocaram de que aquela criança chorona, mijada e cagada um dia poderia se transformar num adulto com direito a uma vida normal, um ser humano em potencial tem o direito de que os adultos responsáveis por sua geração se toquem de que qualquer possibilidade de vida tem o direito de ser pensada. Pelo menos isso! Pensada. E volto ao início do comentário com uma pergunta: Se já somos suficientemente maduros como espécie para exigir o direito de matar não seria adequado sabermos exatamente o que, ou quando estamos matando?


    • “Se já somos suficientemente maduros como espécie para exigir o direito de matar não seria adequado sabermos exatamente o que, ou quando estamos matando?” (Romacof)

      “Ou isso é pedir demais para uma espécie que se pretende a mais evoluída, filha de Deus e ápice da ética e da racionalidade no universo conhecido?” (Possível continuação da frase anterior, by Arthur)

  • Em tempo (ou além do): O comentário vai ser usado como parte de um post no Cágado linkado ao seu post em futuro breve. Embora o foco do meu está voltado para a tentativa de estabelecer aquele momento em que você passou de um mera mórula para um mero projeto de rapaz hiperativo! Convido-o a palpitar. Abraço.

  • André

    Perfeito. Quem diz lutar por direitos iguais está obrigado a reivindicar direitos iguais.

  • Li

    Cada pessoa luta por aquilo em que acredita ser o certo,mesmo que seja a coisa errada.

    Os humanos são assim,até agora.

    Mulheres que NÃO querem filhos se cuidam,e violência sexual é outra coisa.

    Homens que NÃO querem ter filhos também se cuidam,e também podem ser vítimas de violência sexual.

    Quem QUER ter filho vai ter até de um estranho,de um defunto,roubar,fazer qualquer coisa para
    ter o tal filho.

    Quem não quer fará o mesmo.

    Podemos morrer gritando em alto e bom som que os outros estão errados sobre uma infinidade de coisas,isso os fará mudar de opinião?

    Os homens que conheço,na vida e na ficção,que realmente apoiam as mulheres,que as amam,que as defendem,possuem um apoio irrestrito das mesmas.

    Isso não é uma estorinha,é uma realidade que pode ser comprovada por qualquer pesquisa.

    Os Direitos Humanos não me deixam mentir,milhares de pessoas que os defendem,nem sabem sobre o que estão falando.

    É assim com o resto.

    Se cada homem e mulher tivesse autoridade sobre si mesmo,sem interferência externa,nem estaríamos
    aqui nesta colcha de retalhos,rs.

    O que mais me incomoda é que muitos ” DEFENSORES DA VIDA” legitimam a guerra,a miséria,a repressão das drogas,a falência dos serviços públicos,a utilização de embriões,o desamor para com os animais,o racismo,a descriminação…e tantas limitações que podemos observar dia após dia.

    Defender a VIDA é defender uma moradia digna,um salário digno,um meio de transporte digno,um governo que se respeite e que respeite o cidadão,segurança confiável,direitos respeitados.

    Defender a vida é defender a adoção de animais,velhos,crianças,pessoas que necessitam de proteção e cuidado.

    No entanto o que vejo é um discurso vazio,inclusive o meu,porque abandonei o ser humano físico ao me voltar para um mundo espiritual,que acredito realmente merecedor de amor e atenção.

    Como milhares de pessoas neste planeta eu não me sinto parte deste lugar,ainda que o veja pela janela do amor verdadeiro.
    Este planeta é lindo,verdadeiramente maravilhoso!

    Basta dar uma busca na Internet…um rio de cinco cores ali,um eucalipto arco-íris noutro lugar,
    luzes fantásticas no norte,geisers,ondas gigantes,vulcões incandescentes,desertos estrelados,tempestades de areia ou de sal,flores que o inventor mais louco não ousaria,
    perfumes,sons,cores. Uma aquarela incrível.Sem humanos para estragar. Ainda que ALGUNS humanos sejam quase anjos.

    O que apreendi é que só posso lutar por mim,e ao lutar por mim posso ter a ilusão de estar lutando por todos.

    “Sejamos nós a diferença que queremos ver no mundo”.

  • Eduardo Marques

    Eu sinceramente não vejo a ligação entre aborto e direitos da mulher. Em ‘Direita e esquerda’, Norberto Bobbio diz que a esquerda geralmente apoia o lado mais fraco, o oprimido. No caso do aborto, quem é o mais fraco, a mãe ou o nascituro? É o filho, mas ele explica que a esquerda fica do lado da mulher pois ela é oprimida pela sociedade machista e tals.

    Isso não tem sentido nenhum para mim. Apesar de a maioria dos pró-vida serem homens, se há alguma opressão é justamente o oposto: homens que não querem ser pais que pressionam mulheres para abortar. Homens, teoricamente, deveriam ser a favor do aborto, para se safar da responsabilidade. A legalização do aborto poderia criar um terrível precedente de homens coagindo mulheres a abortar. O aborto, então, está a serviço do machismo ou do feminismo?

    • Ótimo questionamento! :)

      Tenho uma resposta sacana e lateral a ele: o aborto está a serviço de AMBOS, machismo e feminismo. Normalmente não ficamos sabendo o sexo da única parte prejudicada, porque ela não tem e nunca terá voz.

      Eu costumava contrapor “humanismo” a machismo e feminismo, mas, depois da baixaria que eu vi uma certa liga supostamente humanista e na prática apenas ateísta fazer, acho que não tenho mais palavra alguma adequada para expressar o conceito…

    • Rafael Holanda

      P/ Arthur.

      Estou pensando em me declarar “genericista” (para contrapor aos termos sexismo/sexista) quando entrar em debates dessa natureza.

  • Alexandremk

    O aborto masculino é uma maluquice semântica, só se homem ficar grávido, se isso for possível.
    Já não bastasse o paradigma do chato machista, agora vem o oposto e diametralmente reverso das feministas. Quem estiver no meio desse discurso que se prepare, vai ser dose.
    É sombrio esse discurso, aonde vai a infantilidade senão imbecilizante dessa gente.
    Estamos é ferrado, isso sim.

    • Ei… maluquice semântica é afirmar que são necessários direitos diferentes para garantir direitos iguais, como fazem as feministas.

      A expressão “aborto masculino” é apenas um rótulo para se referir ao direito equivalente de decisão que o homem deve ter em relação ao aborto que as feministas reivindicam. Com a vantagem que não é necessário matar ninguém no processo.

  • Fábio Leite

    Feminismo nunca quis igualdade, quis o empoderamento da mulher e a subjugação absoluta do homem.

    Se o aborto fosse completamente liberado, a maior parte das mulheres muito provavelmente partiria para um frenético “carrossel das p*rocas”, isto é, fariam sexo desprotegido e irresponsável com um grande número de parceiros destacados, famosos e poderosos. No entanto, dariam seguimento à gravidez se vissem que poderiam manter ao seu lado, com isso, um homem que provesse financeiramente a elas e ao filho. Ou alguém aí acredita que aquela garota que engravidou do Neymar, um dos atuais “machos alfa” brasileiros, realmente pensou em abortar o feto?

    • André

      Discordo de algumas coisas. Muitas mulheres realmente comeram o pão que o diabo amassou, e algumas continuam comendo. Por isso eu até relevo algum grau de misandria nas vítimas. Mas as moderadas, as pensadoras do movimento tem a obrigação de agir de acordo com aquilo que pregam: igualdade.
      Essa questão do interesse financeiro na gravidez seria facilmente resolvida. Quanto custa criar um filho? R$800,00 por mês? Que se fixe um teto para a pensão. Tipo R$2.000,00/mês. Seja o pai o Neymar, o Zezinho padeiro ou o Eike Batista.

    • Fábio: Hmmmm… eu não acho que aconteceria tal frenesi. Esse frenesi já acontece independentemente da legalização do aborto. A moral sexual de hoje é parecida com a moral de pizzaria: quanto mais variado o rodízio, melhor. E ninguém se apaixona pelas pizzas, porque sabemos no que elas se transformarão amanhã.

    • André: não existe “feminista moderada”. Leste o artigo “o legado de Valerie Solanas“? Presta bem atenção no parágrafo de abertura dele.

  • André

    E mais, negar o direito a reivindicar algo (seja o aborto masculino, dia do orgulho hétero, etc.) é a forma mais famigerada de autoritarismo.

  • Prá isso não rolar, podemos reduzir o sexo a boquete e masturbação, o que acham??

    • Mas isso não significa menos sexo e sim mais acesso aos métodos contraceptivos. Na verdade vai haver um movimento cultural no sentido contrário no Brasil daqui a algumas décadas. É só a economia sentir o baque e o discurso muda. Mas o planeta está ferrado devido aos excessos populacionais e tendências demográficas em outras regiões.

  • Sem entrar na discussão pró ou contra, e abstraindo o fato de quem fica grávida é a mulher e não o homem etc, etc, mas apenas para equilibrar todas as hipóteses de exercício do direito individual (do homem e da mulher) quanto ao filho que fizeram juntos, talvez devêssemos considerar uma terceira hipótese, ficando assim:

    1) que o aborto só possa ser realizado se ambos, homem e mulher, forem da mesma opinião; OU

    2) que o homem possa praticar o “aborto masculino”, desligando-se completa e definitivamente de qualquer obrigação em relação ao filho que a mulher decidiu sozinha que viria a nascer; OU

    3) na hipótese de apenas o homem desejar o filho, que a mulher possa entregar-lhe a criança assim que nascer, desligando-se então [a mulher] completa e definitivamente de qualquer obrigação em relação ao filho.

  • Nelson

    Movimento feminista não deveria nem existir mais. O que elas querem mais? 60% das vagas das universidades são composta por mulheres, mulheres passam mais em concurso que os homens, tem cargos de chefia, as leis beneficiam mais a mulher do que os homens, tem leis especiais etc.

    • A realidade não importa às feministas. A realidade é inimiga do discurso delas. Na verdade, a própria realidade deve ser intrinsecamente machista, falocêntrica e opressora histórica. Talvez devamos explodir o planeta para acabar de uma vez por todas com essa realidade chauvinista. :P

  • Sr Destino

    O unico aborto masculino que elas querem é que se aborte crianças do sexo masculino antes de nascerem http://odeiohomens.tumblr.com/

  • NRA

    Pois é, também penso assim. Se a argumentação para justificar o aborto é que a mulher não está emocionalmente preparada para criar o filho, ou que está no começo da carreira profissional ou não tem condições de sustentar, etc, então, a mesma argumentação pode ser utilizada pelo homem para querer que o aborto seja realizado. Penso que se algum dia o aborto for legalizado (ou descriminalizado), o direito de família vai ter que ser adaptado para dar conta desse aborto masculino.

    • Não está emocionalmente preparada para criar o próprio filho mas está emocionalmente preparada para matá-lo em um procedimento friamente calculado, com hora marcada e local determinado com antecedência, exigindo atendimento médico e psicológico financiado pelo Estado?

      E o que é pior… fazer isso pela segunda ou terceira vez!

  • paula

    Eu sou simpatizante do feminismo. Como disse antes aqui, hoje o feminismo esta’ demode, e’ coisa da geracao da minha mae. Agradeco ao movimento secular por ter me dado o direito ao voto, ao estudo e ao trabalho na profissao que escolhesse.
    Mas sou contra o aborto, exceto se houver problemas de saude para o feto, mae, ou que tenha sido resultado de estupro.
    Questoes para o Arthur, em sequencia ao comentario de Alex Brasil:
    1) como garantir (e quando garantir) que a mae ou o pai que fazem o aborto entregarao a crianca ao outro progenitor, sem voltar no futuro proximo ou longinquo para lutar por seus direitos de pai ou mae, incluindo pensao alimenticia do outro progenitor? Um filho biologico de um casal nao regulado pela justica pelo matrimonio e’ comprovacao de concubinato. Ou pelo menos suficiente para um mal intencionado tentar sugar um pouco…
    2) como lidar com a diferenca de risco entre a doadora do ovulo e o doador do espermatozoide, no caso de um dos dois ter praticado o aborto de genero? A doadora esta’ sob riscos tanto se abortar qto se levar a gestacao adiante. O doador do espermatozoide nao.

    • 1) Com um documento irrevogável. Infelizmente nossa cultura acha “opressivo” o termo “irrevogável”. As pessoas querem ter o direito de mudar de idéia a qualquer momento, enquanto houver possibilidade tecnológica que permita isso. Mas a concepção de uma nova vida é irrevogável.

      2a) Xingando Deus. Amaldiçoando a natureza. Reencarnando com outro sexo. Ou aceitando o fato de que existem diferenças entre os sexos que não podem ser extintas.

      2b) Se a mulher quiser uma compensação para o fato de ser fêmea e portanto correr mais riscos na reprodução, então eu posso requerer uma compensação para o “trauma psicológico” de não poder engravidar e amamentar por ser macho? Afinal, eu fui privado deste direito pela natureza! Exijo uma compensação da sociedade! :P

  • Ta vendo Arthur?!
    Você propos um debate específico, e o artigo está quase virando debate sobre ser contra ou a favor do aborto.
    Embora claramente você tenha colocado OUTRA situação em discussão, creio que ajudaria se você sequer mencionar sua opinião sobre aborto no artigo, já que não é este o foco. Bem, pode ser que isso ajudasse. Fruuu-fruuu, difícil prever onde vai estar a pena.

  • Paula

    Roberto, me parece que voce esteja enganado. Ao contrario do Arthur eu disse qual e’ minha posicao sobre aborto. Meu comentario pressupoe que o aborto de conveniencia seja permitido, pois o Arthur propos esta discussao…e que tanto homem e mulher possam faze-lo, a questao de igualidade. Pode o homem “abortar” sem acao contra a vida do concepto. Assim como pode a mulher, situacao na qual ela entrega o recem nascido ao pai e desaparece de suas vidas…
    Adiciono duas questoes ‘as escritas acima em meu comentario previo:
    3) o que acontece com o concepto se ambos progenitores resolberem abortar? Quem protege o concepto?
    4) ou que acontece se houver discordia entre os progenitores quando este nao e’ o primeiro filho do casal, nao tendo como o abortante “desaparecer ” da vida da familia e do concepto “abortado”?

    • Rafael Holanda

      Paula.

      Sem querer me intrometer mas já me intrometendo.

      Acho que a proposta do artigo do Arthur não é discutir os vários desdobramentos que um caso de aborto pode ter, mas sim jogar uma luz sobre as incoerências de muitas feministas e como essa incoerências indicam a transformação do movimento de “igualitário” para “igualitário, mas com privilégios”.

    • Paulinha:

      3) Eu estava preparando este argumento para um artigo futuro. :) Na verdade essa questão deveria surgir naturalmente em um debate sobre este assunto entre pessoas inteligentes, mas costuma ser soterrada pela avalanche de reivindicações “igualitárias só pra mim” das feministas.

      4) EXCELENTE questão. Nessa eu não havia pensado. E não tem solução em um mundo onde o aborto é permitido. Esse é um problema típico de um mundo onde a coerência não é valorizada: todas as respostas costumam ser ad hoc e respaldadas por conveniências, não por princípios.

      Vou pensar em como transformar isso em um artigo. :)

    • Rafael: aborto é um assunto que desperta opiniões muito fortes, é natural que elas surjam entremeadas ao tema central. O problema é quando elas predominam e o autor do blog fica quatro dias sem conexão para poder tentar direcionar o debate a tempo… :(

  • Li

    Me parece bastante coerente o fato de um homem NÃO querer um filho e não querer arcar
    com o desgaste emocional e financeiro que o fato acarreta.

    Se nós podemos mandar em nossas vidas,quando se trata do direito do outro(neste caso em particular que o homem arca com despesas indesejadas,e na maioria das vezes forçada)os
    homens também possuem os mesmos direitos.

    Se isso não está na lei deveria estar.

    Milhares de mulheres fazem aborto sem que ninguém saiba.

    Coisa que os homens não podem fazer por se tratar do corpo de outra pessoa,dizer NÃO
    simplesmente pode não adiantar,por isso eles DEVEM ter direito igual as mulheres.

    Cada um que tenha os filhos que bem entender,mas que assuma só TODA a responsabilidade.

    Que seja feito como no caso dos idosos,um velho pode se casar com uma garota de 21 anos,mas ela não terá direito aos seus bens.

    Teoricamente isso põe fim a muitos golpes.

    Se a responsabilidade do filho for apenas da mãe,no caso do pai não querer o filho,
    acaba o golpe da barriga.

    Eu escolhi não ter filho,mas meu marido é livre para ter um,quando bem entender.
    É só encontrar uma mulher que queira.
    Amar é antes de tudo ser livre e deixar os outros livres também.


    • “Eu escolhi não ter filho,mas meu marido é livre para ter um,quando bem entender.
      É só encontrar uma mulher que queira.” (Li)

      E continuar casado contigo?

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