A esquerda, a direita e o futuro
Esquerda ou direita? Coletivismo ou individualismo? Estatismo ou privatismo? Para mim, nenhum destes posicionamentos políticos é razoável – e isso se deve tanto ao que os diferencia quanto àquilo que eles têm em comum.
O problema da esquerda é ser coletivista. Esse é um mal insuperável da esquerda. Todos os conceitos da esquerda derivam de uma visão coletivista de mundo. E o problema dessa visão é que o ser humano não é uma entidade coletiva e sim uma entidade individual.
Todo coletivismo prioriza o coletivo, o social, o tribal ou de modo geral o grupal, que pode se apresentar na forma de “classe” ou “categoria” sobre o indivíduo. E em função disso todo coletivismo deixa A descontente pelo motivo 1, B descontente pelo motivo 2 e C descontente pelo motivo 3, em nome do bem da “Comunidade ABC”.
O problema da direita é ser anti-solidária. Esse é um mal insuperável da direita. Todos os conceitos da direita derivam de uma visão individualista de mundo. E o problema dessa visão é que nenhum indivíduo é uma ilha.
Todo individualismo prioriza o “eu” sobre todos os demais. E em função disso todo individualismo faz com que A se sobressaia, escravize e impeça o desenvolvimento de B e C em nome da liberdade individual na “Sociedade ABC”.
Eu não acho que a esquerda ou a direita sejam opções razoáveis a serem seguidas e critico ambas veementemente. Mas essa crítica não tem como ser simétrica, devido à própria própria natureza assimétrica entre os objetivos da esquerda e da direita: a esquerda é muito mais perigosa, porque não tolera dissensão, enquanto que a direita, se não for perturbada, não está nem aí com o que os outros fazem ou deixam de fazer… inclusive praticar a solidariedade, algo pelo que ela não se interessa, mas também não condena.
A esquerda, que se apropriou indevidamente do lema “igualdade” da Revolução Francesa, fecha todas as portas para o indivíduo que pensa diferente, pois até mesmo a existência de uma única voz dissonante atenta contra seu principal objetivo.
A direita, que se apropriou indevidamente do lema “liberdade” da Revolução Francesa, deixa uma porta aberta para que os cidadãos atuem de modo “não-direitista” – desde que não queiram obrigar ninguém a fazer o mesmo.
O problema é que nem a esquerda nem a direita levam a sério o lema “fraternidade” da Revolução Francesa. É um lema considerado piegas por ambos os lados. Levado a sério, ele dificulta a tomada do poder. Levado a sério, ele impede o exercício de qualquer arbitrariedade. É óbvio que é deixado de lado por 99% dos safados de todas as correntes ideológicas. E 1% só de andorinhas não fazem verão.
Não há um ponto central de equilíbrio: esquerda e direita compõe um espectro maniqueísta entre o muito ruim e o ainda pior, no qual a liberdade e a igualdade são postas em campos ideológicos opostos e irreconciliáveis. Este é um erro gravíssimo.
Precisamos de liberdade. Precisamos de igualdade. Mas a solução para usufruir de ambas no mais alto grau possível e em harmonia não é nem poderá ser uma “síntese” ou um “compromisso” entre coletivistas e anti-solidários. O que temos que fazer é deixar para trás estas ideologias obsoletas, completar a Revolução Francesa e levar o ideal de fraternidade a sério – uma experiência nunca tentada na história, nem pela esquerda, nem pela direita.
Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 1°/06/2012
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Sete comentários do Nelson deletados sem nem ler. Procurei algumas das frases na internet e achei o texto inteiro. Sempre que isso acontecer passarei a deletar os comentários na íntegra, sem deixar nem mesmo o link.
So discordo que a solução possa ser alcançada por qualquer modo que não seja o amor. Fraternidade é decisão e o amor é a condicional da decisão, sem amor não há fraternidade, com amor é impossível que ela seja rejeitada.