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O ódio movido a Brasil

Estou hoje com 43 anos, o que significa um pouco mais de um quarto de século de consciência política. Na minha adolescência não é que não se ouvisse falar de racismo, de sexismo e de outros conflitos “inter-grupos”, mas estes conflitos não constituíam o norte das discussões políticas do país. Naquela época falávamos de política de modo muito mais holístico. Hoje em dia todo debate político está reduzido a “nós versus eles”. Quem fomentou essa degeneração? Quem lucra com isso? 

Respostas: quem fomentou a degeneração da política em antagonismos maniqueístas rasteiros foram os partidos políticos cuja ideologia se baseia na “luta de classes” – e quem lucra com isso são eles mesmos e somente eles mesmos. 

Isso não era visto nos discursos de FHC. Isso não era visto nos discursos de Itamar. Isso não era visto nos discursos de Collor. Isso não era visto nos discursos de Sarney. Isso não era visto nos discursos dos ditadores militares. Esse mal – o fomento do ódio entre os cidadãos baseado em qualquer característica útil para distingui-los – veio à tona em escala nacional com a chegada do PT ao poder. 

Desenterrem os discursos de Lula. Nunca antes na história deste país um presidente da República falou tanto em “nós versus eles”. Lula colocava em cada discurso seu um comentário separatista e conflitivo. Era “o norte isso e o sul aquilo”, “os homens isso e as mulheres aquilo”, “os brancos isso e os negros aquilo”, “a elite isso e o povo aquilo”, o tempo todo

E por que Lula, o PT e toda a esquerda e os “movimentos sociais” insistem nestas teses? 

Resposta: porque aprenderam com o Império Romano. “Dividir para governar.” E porque leram Marx e Maquiavel, é claro. Mas com uma pitada de criatividade maldosa que nem mesmo Marx e Maquiavel poderiam prever. 

Marx punha o antagonismo fundamental da sociedade entre classes econômicas. Maquiavel instruía abertamente o Príncipe a fomentar o ódio e a rivalidade entre seus inimigos. E a cúpula da esquerda brasileira percebeu que poderia reunir as duas coisas em uma só, usando o vocabulário da luta de classes para fomentar o ódio e a rivalidade entre quaisquer cidadãos que possuam pelo menos uma característica distintiva entre si, mergulhando assim toda a sociedade em disputas fratricidas diversionistas enquanto a cúpula da esquerda deita e (rouba) rola. 

Pouco importa que homens e mulheres, brancos e negros, nortistas e sulistas não constituam classes econômicas e que por isso não se aplique a lógica marxiana de luta de classes – o que importa é que o vocabulário marxista da luta de classes é adequado para hipnotizar toda uma massa de (otários safados) inocentes úteis incapazes de compreender Marx e Maquiavel diretamente. 

Esta massa de (otários safados) inocentes úteis ganha papinha ideológica envenenada pré-mastigada e regurgitada pelos partidos de esquerda e pelos “movimentos sociais” e sai por sua vez vomitando lixo ideológico misturado com bílis pelos diretórios acadêmicos, pelas reuniões de diretórios de partidos de esquerda, pelo Orkut, pelo Twitter, pela blogosfera… fazendo assim o trabalho de corrupção moral da sociedade pretendido pelas cúpulas de esquerda, como muito bem e claramente alertou Yuri Bezmenov.

O resultado nós vemos por aí: gente que se diz humanista afirmando que “homem branco heterossexual não tem motivo para ter orgulho”, gente que se diz defensor dos Direitos Humanos afirmando que “a DUDH é burguesa e obsoleta”, gente que se diz defensora da igualdade afirmando que “os homens não precisam de proteção contra violência doméstica”, gente que se diz contra o racismo afirmando que “cotas raciais são justas” e todo tipo de aberração que fazem corar qualquer um que tenha dois neurônios funcionais e um pouco de vergonha na cara. E novas divisões estão surgindo, sempre arquitetadas pelos mesmos atores ideológicos. 

A última estupidez de que tive notícia no rol das excrecências ideológicas produzidas para dividir e governar foi a “gordofobia”. Segundo os anti-gordofóbicos, existe “um terrível preconceito” contra pessoas gordas que as fazem ser preteridas tanto nos relacionamentos amorosos quanto nas entrevistas de emprego, portanto a partir de agora se você leitor ou leitora disser que não se sente sexualmente atraído por hipopótamos, ou que não contrataria um obeso mórbido porque há uma chance muito maior de ter que tirar o cadáver dele de guindaste de dentro de seu escritório, já sabe: você é um reacionário, intolerante e preconceituoso “gordofóbico”. E ai de quem ousar afirmar em público que a obesidade constitui um risco à saúde – isso seria estimular o preconceito contra os gordos.

Ódio após ódio tem sido inserido e fomentado na cultura brasileira, em todos os níveis, tornando essa maneira de pensar o padrão de nossa sociedade. Entre as religiões, existe e é cada vez mais fomentado o ódio entre cristãos e não-cristãos. Entre os cristãos, existe e é cada vez mais fomentado o ódio entre católicos e evangélicos. Entre os evangélicos, existe e é cada vez mais fomentado o ódio entre os pentecostais e os neopentecostais. Entre os neopentecostais, existe e é cada vez mais fomentado o ódio entre quem segue o pastor Fulano e quem segue o pastor Beltrano. Entre quem segue o pastor Beltrano, existe e é fomentado o ódio entre quem o segue cegamente e quem tem algumas críticas a fazer. E todos esquecem que suas religiões têm como principal ensinamento e ordem do próprio Deus “ama o Senhor teu Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”.

Que não estamos construindo uma cultura de paz e de tolerância é óbvio. Tudo que se vê nos noticiários é o recrudescimento da violência e do conflito. E isso serve como uma luva a todos os propósitos autoritários imagináveis na política. 

Se um novo conflito surge, isso nunca é visto como alerta para repensar o rumo da sociedade e sim como desculpa para impor mais uma lei restritiva das liberdades do cidadão. Se um novo conflito não surge, então basta criar mais um – e contar com a massa de (otários safados) inocentes úteis de sempre para fazer o trabalho sujo de preparar a sociedade para mais uma lei restritiva das liberdades do cidadão. Assim vamos a cada dia mais nos dividindo entre homens e mulheres, brancos e negros, magros e gordos, penteados e despenteados, odiando uns aos outros enquanto os espertos vendem armas para ambos os lados na medida necessária para manter o conflito o mais ativo possível enquanto nos parasitam.

Abra os olhos. A única luta de classes que existe é entre os cidadãos que não querem ver o Brasil atolado em conflitos e os cretinos e (otários safados) inocentes úteis que propagam e justificam ideologias de ódio. Escolha seu lado. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 11/06/2012

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60 comments to O ódio movido a Brasil

  • Nelson

    “Bá, vou ter que ler Gramsci.”

    Arthur, deveria ter lido esse canalha a vinte anos atrás. Só pra ter uma ideia de como a moral comunista já se impreguinou na sociedade brasileira. Antigamente quando tinhamos uma richa com alguém, abria uma roda e resolvia os dois no braço. Hoje o cara atira pela costas, da uma facada, pega o outro de turma e depois sai rindo se gabando como se fosse um heroísmo.

    • É, fez falta não ter lido Gramsci a tempo. Creio que já deduzi muitas das coisas que ele diz, graças à observação política, mas teria sido bem mais fácil se eu o tivesse lido mais cedo.

  • Eduardo Marques

    “A guerra será de todos contra todos. A fragmentação da sociedade entre “nós” e “eles” pode atingir escalas inimagináveis.

    Não devemos pressupor, todavia, que esta será uma guerra armada, com guerrilhas urbanas, ruas vazias, medo de caminhar sozinho em plena luz do dia, etc. Para que vocês acham que o governo está nos desarmando? Vamos viver em um mundo conflitivo e intolerante, sob permanente vigilância policial, para evitar que nos matemos como o governo federal insistiu que quiséssemos.”

    Meu Deus, isso é exatamente o que o Olavão escreveu! :O Acho que vou começar a imprimir livros da escola austríaca de economia e distribuir por aí de graça, para ver se evita, ou ao menos adia, tudo isso.


    • “Meu Deus, isso é exatamente o que o Olavão escreveu!” (Eduardo)

      Oh! My! God!

      Bom, o fato de eu e um outro indivíduo emitirmos algumas opiniões semelhantes não significa necessariamente que tenhamos a mesma visão de mundo…

      .

      .

      .

      … tá, então não vou processar o Olavão por plágio! :P

      Mas isso é preocupante…

    • Eduardo Marques

      Bem, o fato de eu e um outro indivíduo emitirmos algumas opiniões semelhantes não significa necessariamente que tenhamos a mesma visão de mundo…

      Mas aí é que está: mesmo vcs dois pensando de maneira bem diferente e chegarem à mesma conclusão indica que essa conclusão tem alguma verdade.

    • Sim, claro. E toda vez que o Olavão concordar comigo eu darei razão a ele. :D

    • Falando sério agora… o fato de duas pessoas concordarem em alguns assuntos não quer dizer nem que ambos estejam certos, nem que compartilhem de uma mesma visão de mundo. Pelo menos não se analisarmos o fenômeno com rigor lógico.

  • Josué

    Verdade, o GPS precisa de 3 pontos pra precisar a posição :P

    Mas isso está mais nítido do que nunca, escancarado, só não vê quem não quer, voltei depois de anos morando fora e fiquei abismado como as coisas estavam aqui, não se pode falar mais nada, nem se for positiva, vai que ofende!

    Outra coisa fácil de observar a tentativa de implementação do matriarcalismo, o lance do minha casa minha vida no nome da mulher, total imposição do matriarcalismo que engels pregava… a mulher como centro da família.

  • Josué

    só completando, a mulher poderá trocar de homem como quem troca de roupa, a casa é dela, o cara que saia, e continue bancando o filho! que fica com ela…

  • Wagner

    na ditadura militar não existia fomentação do ódio contra comunistas?

    • Sim – e isso foi ruim. Não se deve fomentar ódio contra nada nem ninguém (sejam comunistas, drogas, bandidos, etc.) e sim esclarecer as pessoas quanto aos riscos e aos modos lícitos de evitação de riscos de tudo que se considerar prejudicial.

  • Wagner

    é que tu falou lá que “Isso não era visto nos discursos dos ditadores militares.”
    achei que estivesse dizendo que não existia fomentação de ódio no período ditatorial.

    • O que não era visto nos discursos dos ditadores militares era ” o fomento do ódio entre os cidadãos baseado em qualquer característica útil para distingui-los”, como é comum nos discursos dos movimentos sociais de hoje e da esquerda em geral, com especial ênfase aos governos do PT.

  • Gerson B

    Linkado e postado no meu fórum. Não consegui cortar trechos, vamos ver a briga lá. Tem bastante PTista.

  • Alisson

    Olha só,ultimamente ando pensando bastante nisso.O ódio e a intolerância velados como se fosse uma pretensa luta pela Liberdade e pela Igualdade.

    O Félix disse tudo:
    “acho que o problema está em todo e qualquer partido no Brasil: todos só querem a hegemonia, como bem falou o mal citado e incompreendido Gramsci nos comentários acima. Segundo Gramsci, a história não se estruturava sobre a luta de categorias sociais (que é a tese de Marx), mas sobre a consciência da categoria. Assim, não adianta a sociedade possuir vesgos e míopes, por exemplo, mas basta que os vesgos dominem a maior parte dos recursos econômicos e os míopes tenham consciência disso e, voilà, teremos então uma luta de classes. Daí os míopes fundam um movimento social organizado pró-míopes e antivesgos, que a princípio quer “liberdade” e “maior participação na economia”, mas que para os líderes não passa de uma luta pela hegemonia (eles não querem igualdade, querem o bolo só pra si mesmos), e o resultado é que agora são os vesgos que sofrem e são oprimidos, que lutarão por sua liberdade, mas cujos líderes apenas querem a antiga hegemonia de volta.”

    Será que é revanchismo sendo usado contra revanchismo??

    Esses dias vi no Facebook,uma imagem que dizia o seguinte:
    “Um beijo para quem esqueceu de mim por causa do Marco Feliciano”
    Com uma imagem do Renan Calheiros como se estivesse mandando um beijo pra todo mundo rsrs.

    Eu manifestei minha opinião a respeito disso(sempre busco avaliar os dois lados em um assunto quando realmente há um outro lado que vale a pena!) e fui praticamente xingado de “reacionário leitorzinho de Veja” e “preconceituoso enrustido” de um lado e xingado de “politicamente correto do c@#$%alho” e “gayzista fascista” do outro lado.kkkkkkkkkkkk
    Sendo que eu não usei nenhuma linguagem ofensiva ou pejorativa.

    Logo eu?! hehe

    O que me assustou e ainda me assusta,são as discussões cheias de arrogância e intolerância que permeiam temas antagônicos.Parece que as pessoas de um modo geral estão esquecendo do respeito e da tão aclamada mas esquecida FRATERNIDADE.
    É preciso cada vez mais ter consciência dos 4 itens da tabela-verdade que você já mencionou aqui Arthur.

    É ódio sendo combatido com ódio e intolerância gerando mais intolerância.
    Tanto a esquerda quanto a direita,que dizem defender supostos ideais mas na verdade não defendem aquilo que dizem defender.
    Tudo está no campo das SUPOSIÇÕES!

    Abraço!

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