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Por que a Rio +20 foi um fracasso

A resposta é simples e óbvia: todo mundo já sabe quais são os principais problemas e quais são as medidas mais importantes a tomar, mas este conhecimento não altera em nada o rumo da economia. Ninguém está realmente interessado – tudo isso é puro diversionismo. 

Todo mundo sabe que o crescimento populacional, o uso de combustíveis fósseis, o desmatamento e a sobrepesca e poluição do oceano são os principais problemas do planeta. 

Vejam se o Brasil vai deixar de explorar o pré-sal ou se Canadá, EUA, Rùssia, Noruega e Dinamarca vão deixar de explorar o petróleo no Ártico. Que nada, vão tirar até a última gota que puderem, pouco importa se o planeta pegar fogo no meio do caminho. Mas as sacolinhas plásticas dos supermercados, ah, isso sim é gravíssimo para o meio ambiente e tem que ser eliminado! 

Vejam se as áreas com florestas estão sendo protegidas e recompostas. Que nada, os governos estão falando apenas em “diminuir o desmatamento em xis por cento até o ano tal”. Mas você tem que usar o Google Black para ajudar a economizar energia e evitar o corte de árvores. 

Vejam se o Japão está reduzindo a pesca das baleias e golfinhos. Que nada, continua insistindo em burlar os tratados que assinou alegando que a pesca comercial que pratica é para “fins científicos”. Mas você tem que boicotar a latinha de atum no supermercado porque uma parte dela é carne de golfinho. 

Fora meia dúzia de ambientalistas conscientes e abnegados, ninguém está interessado em salvar o planeta das catástrofes que se avizinham. 

Os governantes e os grandes capitalistas e especuladores não estão preocupados porque são todos podres de ricos e possuem estratégias de sobrevivência que não estão disponíveis para o grosso da população mundial. Em último caso, eles podem abrir muito espaço para si mesmos. Portanto, haveriam de se preocupar por quê?

As ONGs ambientalistas estão mais preocupadas em arrecadar fundos para continuar realizando ações espetaculares ou protestos inúteis, apenas pedindo, pedindo e pedindo como mendigos que os governos e as empresas façam o que eles mesmos deveriam estar fazendo – sinal evidente de que não têm competência para isso. E, como são uns incompetentes, ficam insistindo em clichês obsoletos e diversionistas do tipo “feche a torneira ao escovar os dentes” e outras coisas que não fazem a menor diferença

Os movimentos sociais estão preocupados demais com sua agenda corrompida de desvirtuamento e negação dos Direitos Humanos e se tornaram seitas fundamentalistas e intolerantes que não hesitam em desarticular todo o movimento pelos Direitos Humanos para obter privilégios sectários

E os cidadãos comuns estão muito preocupados com a final da Libertadores, com o último capítulo da novela, com o preço do material escolar, com a destruição da família tradicional pelo casamento gay, com a repetição burra de clichês anti-drogas, com a história da última celebridade estúpida que mandou para conserto o computador onde armazenou suas próprias fotos nua, etc. 

Nunca antes na história deste planeta foi tão necessária uma revolução. O problema é que todo mundo está ocupado demais com seus objetivos mesquinhos de curto prazo para pensar em algo tão idiota e irrelevante quanto a sobrevivência de seus próprios filhos.

E queriam que a Rio +20 fosse um sucesso? Como? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/06/2012 

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27 comments to Por que a Rio +20 foi um fracasso

  • Falar disso é cair no óbvio ululante. Entre a sobrevivência coletiva e o lucro pessoal, o segundo pesa… pesa muito.

    Por outro lado, ninguém está proposto a propor um projeto de lei de iniciativa popular.

    • Jonas

      Iniciativa popular? A idéia é boa, mas vocês acham que o povo vai largar o sertanejo universitário, funk, futebol, novela e FOFOCA, para usar o cérebro? Acho que o buraco é mais em baixo.

    • Elvis

      Iniciativa popular? Mas tipo, propor um projeto de lei de iniciativa popular? Tipo, pessoa X vai propor o projeto de iniciativa popular? Mas o projeto não deveria ser de iniciativa popular?

    • Eduardo Marques

      Elvis, a iniciativa popular está descrita na Constituição, art. 61, §2º: A ini­cia­tiva pop­u­lar pode ser ex­er­cida pela ap­re­sentação à Câmara dos Dep­uta­dos de pro­jeto de lei sub­scrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado na­cional, dis­tribuído pelo menos por cinco Es­ta­dos, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.

    • Não entendi uma coisa… por que veio à baila a questão dos projetos de lei de iniciativa popular?

  • Pensei que era radical na minha posição sobre o assunto, lá no Cágado, entro aqui, e vejo que comungamos. Talvez tenhamos sido apenas realistas e não radicais. De qualquer forma, dois loucos que pensaram a mesma coisa de forma independente correm menos risco de ficarem tristes.

  • Elvis

    Arthur, eu sei que você não é um “alarmista”, “catastrofista” nem nada assim. Eu mesmo não vejo motivos para se preocupar com as coisas com que você se preocupa, mas acredito que você deve ter bons motivos para temer que a desestabilização climática, ou as elites imperialistas globais, ou os ETs, ou qualquer outra coisa vai provocar um cataclismo. Então eu proponho que façamos uma aposta. Se em n anos a população da Terra não tiver sido reduzida à metade, eu ganho. Se tiver sido, você ganha. Podemos assumir que a população atual é de 9 bilhões, como critério. Se o caos for tão grande que nem houver mais grandes agências fazendo estimativas do número de pessoas, você ganha. Você diz quantos anos são n anos.

    O que a gente aposta? Se eu ganhar, mil reais serão suficientes, desde que corrigidos pela inflação. Caso a moeda mude, você pode me dar a quantia equivalente ao salário médio. Se você ganhar, obviamente não seria justo que eu te desse mil reais, visto que papel moeda não terá valor nenhum, dependendo da situação catastrófica em que estaríamos vivendo. Também, como a produção de bens seria drasticamente reduzida, o valor de cada bem aumentaria muito, portanto, para que a aposta seja igualitária, o correto seria que eu te desse bens em uma quantia cuja soma dos preços fosse inferior a mil reais, já que esses bens passariam a ter um valor maior. Mas mesmo assim, eu me proponho a criar um estoque de alimentos não perecíveis, roupas, e outras coisas que seriam úteis em uma situação dramática de quase-apocalipse em valor de exatos mil reais. Daí, no momento em que ocorrer a tal desgraça em nível mundial, eu te entrego todos.

    Tenho certeza que estou te propondo um grande negócio, já que você não é alarmista nem nada assim – “só os ricos e os paranoicos sobreviverão”, e ainda vai ganhar coisas que serão muito úteis. Claro que há a chance de, no meio do caos que vai se tornar a humanidade, ser muito difícil eu te entregar as suas coisas, caso você ganhe a aposta. Mas ainda assim, é possível que eu te entregue. E se você tem muita convicção que uma catástrofe de grandes proporções vai acontecer, não tem nada a perder, né?

    • Engraçadinho. :)

      Mas eu não me considero alarmista, mesmo. Meu tom parece exagerado na internet, talvez eu devesse fazer um vlog ao invés de um blog. Por outro lado eu prefiro o debate por escrito no meio virtual. Enfim, vai tudo colapso climático abaixo, mesmo…

      .
      .
      .

      Sim, foi de propósito. :)

  • Max

    Caramba, eu sou o único aqui que tinha esperanças na Rio+20,kkkkk…É, mas agora minhas esperanças foram por água abaixo.
    Só temo pelo futuro da próxima geração…

  • paula

    Mas so’ um pouquinho… voce gostaria que as fontes de energia nao fossem exploradas pelo Governo do pais X, e que este pais nao tivesse PIB, mas fosse preservado? E quando o seu Governo do seu pais X for a publico dizer que, ja’ que nao tem energia, nem producao, o pais X esta’ de maos dadas com a Grecia, e que nao vai mais poder oferecer estudo, emprego, saude, aposentadoria, beneficios,…voce vai dizer muito obrigada presidenteX, do meu pais X? muito obrigada por ter preservado o pais X e o planeta Y, pena que agora a gente nao tem recursos para fazer nada, nem de individual, nem de coletivo, pelo menos nao dentro do paisX. E vai votar na reeleicao do presidente e politicos do pais X, pois era isso mesmo que querias?
    E’ isso?


    • Mas so’ um pouquinho… voce gostaria que as fontes de energia nao fossem exploradas pelo Governo do pais X, e que este pais nao tivesse PIB, mas fosse preservado? (Paula)

      Paulinha, a resposta a esta pergunta se encontra nos primeiros cinco parágrafos deste artigo:

      http://arthur.bio.br/2009/09/28/solucoes-radicais/as-consequencias-do-pre-sal#.T-aOpRbs1xA

      De “o mundo está mesmo louco” até “apenas os valores em moeda”.

      Mas isso não é só. Tua pergunta encerra uma imensa falácia: a de que só poderíamos ter um PIB se necessariamente depredássemos o planeta e lançássemos mão de toda e qualquer fonte de energia possível. Nada mais falso.

      O modelo de “desenvolvimento econômico” por trás deste discurso é um modelo de suicídio planetário através da economia. Dizer que todo recurso disponível deve ser explorado é assumir que a espécie humana não é mais inteligente que uma cepa de bactérias sobre uma placa de Petri.

      Uma das coisas que eu considero mais impressionantes no mundo moderno é a incapacidade da maioria absoluta das pessoas de sequer imaginar que o modelo econômico vigente não somente não é o único possível como na verdade é um extremamente impossível. Não é que talvez não vá dá certo… não tem a menor chance de dar certo.

      Se tu estiveres no meio do deserto do Saara e encontrares um baú com 200 kg de moedas de ouro, eu tenho certeza absoluta que tu não vais tentar carregar o baú inteiro nas costas sob o sol escaldante do deserto para não perder aquela riqueza. Eu confio que tu serás inteligente o suficiente para saber que carregar o garrafão com 5 litros de água que foi enterrado junto com as moedas e usá-lo com sabedoria é muito mais importante para a tua sobrevivência. Por que então no caso do planeta pensas diferente?

      Fato 1: o padrão de vida da sociedade em que tu vives é completamente insustentável. Seriam necessários HOJE seis a sete planetas para sustentar todos os seres humanos vivos no mesmo nível de consumo orgiástico de energia e de recursos do estadunidense médio. E uma vez vi um cálculo que dizia que para sustentar toda a população da Terra no mesmo nível de esbanjamento dos 1% mais ricos dos EUA seriam necessárias cerca de oitocentos mil planetas como o nosso.

      Não se trata, portanto, do batido chororô “desenvolvimento versus preservação” e sim do fato de que sem preservação não estamos falando de desenvolvimento e sim de mero consumo de “capital natural” – exatamente como bactérias em uma placa de Petri. E com o mesmo fim previsível.

      Fato 2: se não é fisicamente possível manter o atual padrão de destruição ambiental – e não é – então é óbvio que mudanças devem acontecer. Eu não tenho a menor dúvida de que mudanças gravíssimas acontecerão… a grande questão é saber se seremos nós humanos a controlar o processo para não acontecerem grandes genocídios ou se seremos estúpidos a ponto de continuar a serrar o galho em que estamos sentados (não por acaso a imagem-símbolo do blog).

      Lê o artigo que linkei no início desta resposta. ;)

  • Elvis

    Ah, bem colocado, Eduardo Marques, achei que fosse o velho apelo ao “povo”, naquele estilo “eu sou representante do povo portanto tudo que fizer é legítimo”. Eu não sabia disso aí. Ainda acho meio tosca essa ideia de iniciativa popular, mas meu comentário perdeu o sentido com essa informação.

  • Nelson

    [Comentário deletado, motivos amplamente conhecidos.]

    [Arthur]

  • Nelson

    Não acredito em uma virgula sobre aquecimento global provocado por ação humana, isso já caiu por terra, algumas centenas de cientistas dissidentes da ONU e inclusive um prêmio Nobel já desmascararam a farsa, o planeta já estar esfriando e isso é uma processo natural.

    • Já percebeste que eu uso a expressão “desestabilização climática” ao invés de “aquecimento global”? Pois é, o fato é que não importa se o planeta está aquecendo ou esfriando – importa somente que o clima planetário está sendo desestabilizado.

  • Nelson

    Quem assistiu aquele filme do 007 quantum solace sabe mais ou menos o que são esses grupos globalistas fazem com esse discurso.

  • Gabriela

    Oi, Arthur por favor me ajude, hãm… Quanto o brasil gastou no Rio+20? E isso prejudicou o brasil na economia? Porque o Rio+20 foi um fracasso?
    Ps: Preciso disso para hoje, é para um mini seminário na minha escola.
    Obrigado.

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