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Você acredita em coisas irracionais?

Acabo de assistir um vídeo de James Randi no TED no qual ele mostra como é fácil enganar as pessoas e como as pessoas acreditam em coisas que são ridículas para quem tem um mínimo de conhecimento científico. Eu não podia deixar de escrever mais uma vez sobre este tema. (Não é necessário assistir o vídeo para compreender o artigo.) 

Minhas perguntas são: 

1) Como e por que não adianta explicar e demonstrar aos crédulos-em-absurdos a verdadeira natureza dos fenômenos? 

2) O que faz alguém continuar a afirmar um absurdo que acaba de ser completamente aniquilado pelas evidências? 

Vejamos o caso da astrologia. Já falei sobre isso. Toda a astrologia é baseada na posição das constelações e dos planetas no momento do nascimento das pessoas. Arrãm. O problema é que não existem constelações, elas não passam de uma ilusão de ótica. Talvez muitas das estrelas que constituem as supostas constelações não existam mais. E certamente nenhuma delas está no lugar onde as enxergamos. 

Sabemos que a base a partir da qual são feitos todos os cálculos astrológicos é completamente inexistente – mas e daí? No que o conhecimento ajuda as pessoas a agirem de modo racional e aderente à verdade? Em nada! Como isso é possível? E por quê? 

Vejamos o caso da homeopatia. Já falei sobre isso também. Toda a homeopatia é baseada na pressuposição de que a água teria uma “memória” que não possui e na absurda afirmação de que “quanto mais dissolvido, mais potente o medicamento”, que é o oposto do que mostram toda a história da farmacologia. 

Sabemos que os fundamentos da homeopatia são estúpidos e incorretos, sabemos que a única coisa que há na homeopatia é um aperfeiçoamento ao estado-da-arte do efeito placebo, mas o próprio Conselho Federal de Medicina e a indústria farmacêutica avalizam essa picaretagem! Como isso é possível? E por quê?

Eu poderia citar inúmeros outros exemplos, desde colocar uma colher no gargalo de uma garrafa para evitar que o gás saia até qualquer uma das grandes ou pequenas religiões que infestam o planeta com conceitos absurdos e perniciosos para a saúde, para o bem estar e para a cidadania das pessoas, até mesmo para a estabilidade climática do planeta… mas para quê?

A impressão que eu tenho é que simplesmente nada funciona. É como tentar ensinar técnicas de construção de tendas para gorilas. Além de não dar resultado, (os gorilas) as pessoas ainda se voltam contra quem está tentando abrir seus olhos para deixarem de ser otárias. Como isso é possível? E por quê? 

Que maldito defeito de fábrica faz com que a maioria dos humanos prefira o charlatanismo e a irracionalidade ao invés de pensar de modo racional e lógico mesmo quando todas as informações necessárias à razoabilidade estão disponíveis? Será possível consertar isso algum dia? Como? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/06/2012

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32 comments to Você acredita em coisas irracionais?

  • Gerson B

    Rriri uí gou egueinn…

    Tem coisas complicadas e que escapam à nossa vâ philozophia, Arthur.
    Quando eu era novinho estudei astrologia um pouco. Pus minimamente em prática e hoje não acredito nela.

    Por outro lado, no meu período de 1a faculdade, não tão novo, frequentei um ambulatório de Homeopatia, e depois fiz um ano de internato no setor. Depois escrevi uma tese de mestrado metendo o pau nela. Hoje não trato nem me trato com Homeopatia. O problema é que o que vi quando estudava não me deixa seguir o cômodo caminho dos que enterram o assunto com um “é só um placebo”. Acho a Homeopatia instavel, e não sei porque funciona (quando funciona). Os homeopatas estão presos ao passado e sua metodologia é bem furada. Mas tem vezes que tem uns efeitos impressionantes que não são vistos quando se usa a biomedicina.

    Tou longe do meio e não estou querendo convencer ninguem, acho que infelizmente os homeopatas merecem bastante descrédito por se recusar a se modernizarem e a fazerem pesquisas de qualidade. Mas não descartaria a possibilidade das aguinhas agirem.

    • Uéu…

      Fato 1: toda a homeopatia se baseia na existência de uma suposta “memória da água”.

      Fato 2: a histeria em torno da existência de uma suposta “memória da água” foi gerada por uma imensa barriga da revista Nature, que publicou um artigo sobre o tema sem a devida revisão e logo em seguida publicou uma retratação afirmando que os supostos resultados citados no tal artigo jamais puderam ser reproduzidos.

      Fato 3: não existe nenhuma justificativa razoável e muito menos alguma comprovação de que “semelhante cura semelhante” – muito antes pelo contrário. Os preparados homeopáticos para dormir são feitos com cafeína.

      Fato 4: toda a história da farmacologia sustenta o exato oposto do que a homeopatia afirma em termos de diluições.

      Fato 5: onde estão os estudos duplo-cego demonstrando a eficácia dos preparados homeopáticos?

      Eu não acho que a ciência já saiba tudo a respeito do universo – pelo contrário, creio que estamos recém começando a arranhar a poeira da superfície em muitas áreas de conhecimento – mas algumas coisas nós já sabemos… e duas delas são que a água não tem memória, que cafeína não dá sono e que uma droga é tanto mais efetiva quanto mais concentrada.

      O que eu posso dizer a respeito de tuas observações é que talvez o que tenhas visto funcionar pura e simplesmente não seja homeopatia, apesar de ser vendido como tal. Por exemplo, o famoso preparado homeopático Almeida Prado 46, um laxante, contém o mesmo princípio ativo de qualquer laxante alopático – e em doses ainda mais concentradas – mas mesmo assim é vendido sob o rótulo de “produto homeopático”, o que por definição ele não é.

      Digamos o seguinte: tudo que existe hoje de conhecimento sobre como funciona a química, a fisiologia e a farmacologia nega a possibilidade de sucesso da homeopatia, portanto o ônus da prova está com os homeopatas. Porém, ao invés de produzir evidências, eles dão canetadas nas portarias do Conselho de Medicina e através dos políticos, preferindo exercer autoridade ao invés de provar suas alegações. Não te parece haver algo errado aí?

    • Gerson B

      Saco… já tive essa discussão no Bule Voador e não tava a fim de novo. Mas como é o PND que eu respeito, vamulá:

      1) A Homeopatia não se baseia na existência da memória da água. Isso é uma das hipóteses, a mais aceitável pela ciência, pois tem uma base na matéria. Se aceitarmos a possibilidade de outros níveis de armazenamento de informação, como campos morfogenéticos ou níveis etéricos, o numero de hipóteses explanatórias aumenta.

      2) Não tenho como avaliar, pois não sou físico, mas já li que um cientista afirmava que a constante dielétrica de reméidos homeopáticos era diferente da do soluto puro. Dei uma zoiada no google e achei um textão que não lerei. Um outro trabalho, mais curto, parece indicar que a RMN de um remédio a 145 CH difere de acordo com as condições de preparo.
      http://ir.dut.ac.za/bitstream/handle/10321/47/Hofmeyr_2004.pdf?sequence=8

      3) Não existem “preparados homeopáticos para dormir” dignos do nome. Você está aplicando um raciocínio essencialmente biomédico e nomotético. O que pode acontecer (segundo a Homeopatia) é num indivíduo que apresente insônia semelhante à provocada por cafeina ela tenha efeito de neutralizar a insônia, mas depende de uma sintomatologia correlata com detalhes a que a medicina não presta atenção (mas que ocorrem). Não significa que ela faria a pessoa dormir. Pelo contrário, em homem são ela provocaria os sintomas.

      4) Você não acha que alguem estudou a Homeopatica cairia num erro tão simples como confundir um remédio homeopático com um complexo com princípio ativo, não? Eu sei que tem remédios “homeopáticos” como esse ai, ou com hormônio tireoidiano para emagrecer, etc.

      5) Concordo com teu último parágrafo em 100%.

      Respostas ao Elvis abaixo.

    • Eduardo Marques

      Tá, a homeopatia pode não funcionar, mas e a acupuntura? Ouvi dizer que conseguem fazer cirurgias até em cavalos usando apenas ela como anéstésico, e ainda não há muita explicação para ela.

    • Sr Destino

      Sobre acupuntura, li o livro do doutor Robert Becker, the body eletric, segundo ele explica, vários de nossos processos são regulados por eletrecidade. O mesmo afirma até ter anestesiado repteis alterando o campo magnetico ao redor, más diferente da anestesia convencional, essa ao cessar o estimulo o mesmo saia do estado anestesico imediatamente. Sua hipotese é de que farmacos anestesicos poderiam promover mudanças na corrente elétrica que colocariam o animal para dormir. Foi contatado por um oficial militar que garantiu ao mesmo que acunputura funcionava e o pediu que a estudasse. Logo percebeu que os pontos da acupuntra eram concidentes com pontos que geravam certa energia e as agulhas poderiam funcionar como antenas dispersoras desses pontos. Segundo ele certos potenciais eletricos podem promover tambem a regeneração.

      Eu ja li um pouco sobre o assunto a uns anos, segundo nossa visão a perfuração dos pontos esta relacionada com a liberação de substancias consideradas analgesicos naturais ou estimulação de celulas locais.

    • Gerson B

      Sr Destino, está certo mas a hipótese dos analgésicos naturais (endorfinas) não explica bem efeitos a longo prazo e efeitos diferentes da analgesia.

    • Sr Destino

      Quais efeitos se refere?

    • Gerson B

      Mudanças fisiológicas várias, melhoras em dependência química, melhoras musculares em tratamento fisioterápico.

    • Respondendo todo mundo ao mesmo tempo:

      Se o único problema da homeopatia fosse uma explicação esdrúxula (memória da água, campos morfogenéticos, níveis etéricos, reza forte ou macumba braba), eu não teria problema nenhum com ela. Um bom cientista deve saber reconhecer evidências consistentes produzidas por testes adequados independentemente de ter ou não ter uma hipótese explanatória plausível em mãos. O grande problema é que a homeopatia, além de ter uma péssima fundamentação teórica, tem falhado consistentemente em produzir evidências consistentes através de testes adequados.

      O exemplo da acupuntura é um excelente contraponto. A acupuntura tem uma explicação esdrúxula (manipulação dos “meridianos de energia” para rearmonizá-los – sendo que ninguém jamais demonstrou a existência de tais meridianos e a palavra “energia” é a prostituta de todos os charlatães), mas apresenta evidências consistentes oriundas de testes adequados. A explicação esdrúxula, nestes casos, ganha um nome diferente: “explicação instrumental”, ou seja, algo que se sabe não ser a explicação correta mas que serve como mapa para a correta aplicação da técnica – ao menos até certo ponto.

      Explicações instrumentais são úteis para guiar a aplicação prática de certas técnicas em casos semelhantes a casos já sistematicamente registrados e para produzir indutivamente hipóteses mais prováveis que o acaso, ou seja, se a explicação instrumental capta realmente a lógica – ainda que não a essência – de um fenômeno, ela pode auxiliar também o desenvolvimento de uma melhor compreensão instrumental do fenômeno, o que é melhor que o acaso embora ainda seja pior que a explicação real do fenômeno.

    • Sr Destino

      Os merdianos foram encontrados mas apenas 50% deles na pesquisa desse cientista. A outra metade ele pensa que os campos gerados são fracos demais ou são pontos inuteis mesmo. Energia seria nada mais que o campo eletrico que geramos, que segundo ele promove cura e regeneração, assim como os campos comparados produzidos por salamandras ao formarem o blastema, os mesmos eram dificeis de serem detectados ate poucas decadas, se a nossa capacidade de gera-los esta comprometida eles se utilizam de mecanismos para reestimular a essas vias novamente que irão reestabelecer as funções vitais e ajudar na recuperação. Nos animais primitivos o campo era propagado pelos nervos más foi se perdendo em nós devido a encefalização.

    • Sr Destino

      A poluição eletromagnética pode afetar nossa saúde interferindo com nosso campo normal, apesar de nosso campo ser fraco, ele esta intimamente ligado com nossos processos, eu estou repassando aquilo que li, as fontes realmente são escassas más na Europa ja se reconhece os danos que essa poluição pode causar http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+TA+P6-TA-2009-0216+0+DOC+XML+V0//PT

      Talvez a acupuntura funcione como um propagador do nosso campo natural.

    • Os meridianos foram encontrados? Como se encontra algo que não existe? :P O que foi encontrado pode ter sido o fenômeno por trás da explicação instrumental dos meridianos.

      Agora… que a eletricidade e os campos magnéticos podem afetar o funcionamento de nosso corpo, isso é óbvio. Qualquer um que duvide está convidado a meter o dedo na tomada e relatar o resultado se sobreviver. Mas isso não corrobora a tese dos meridianos.

  • Elvis

    Arthur:
    O problema é que desde Platão, e provavelmente desde muito antes, existe gente que apela à racionalidade das pessoas. Ironizando, eu diria que está historicamente comprovado que não há motivo para você esperar que as pessoas vão abrir mão de suas crendices e de seu mundo encantado.

    Eu acho que ceticismo é algo saudável, mas o fato é que não dá pra ser infinitamente cético e não dá pra convencer o resto do mundo a ser cético.

    (Respondendo a pergunta do título: não sei se eu acredito em coisas irracionais, mas você acredita se acha que há algum absurdo no fato das pessoas acreditarem em coisas irracionais).

    Gerson B:
    Você pode contar alguma(s) de sua(s) história(s) sobre homeopatia? Isso seria interessante. É o tipo de coisa que não é fácil de encontrar, um relato confiável defendendo homeopatia. Criticando a homeopatia, é facílimo.

    • Quando meus professores da escola me contaram lá na minha infância que existia algo chamado “átomo”, eu não sabia distinguir aquela informação da informação que minha professora da catequese me transmitiu, de que Jesus cuspiu no olho de um cego e este começou a enxergar.

      Hoje, um pouquinho mais maduro, eu continuo acreditando na história da tal partícula indivisível que compõe cada elemento químico e que se combina com outras para formar substâncias distintas, mas considero cascata a história do tratamento oftalmológico a cuspe. Por quê?

      Basicamente porque eu sei que eu posso, se assim o desejar, estudar a fundo a estrutura da matéria e verificar por mim mesmo a informação sobre sua composição, mesmo que isso requeira muitos anos de estudo, e posso cotejar estas informações com tudo aquilo que meus sentidos são capazes de captar e ainda assim organizar um quadro conceitual sólido e coerente. Já no que diz respeito a tratar cegueira com cuspe…

    • Gerson B

      Elvis, eu era estudante numa era pré-Internet. Só observava casos de doenças mas não me preocupava em registrar. Mas alem de doenças degenerativas vi alguns tratamentos de infecção inclusive em crianças. Inclusive de difícil tratamento pela biomedicina.

      E tambem já vi efeitos colaterais (provavelmente)de remédios homeopáticos. Uma crítica séria que faço à Homeopatia está nesse “provavelmente”. A Homeopatia afirma que os disturbios na Força Vital se manifestam nos sinais e sintomas, dai não se preocupa em desenvolver meios para medir ou avaliar essa força. Tampouco procura usar o trabalho de outros pesquisadores pra investigar essa força ou os remédios. Está estagnada. Se ocorrem efeitos ruins a gente não tem como afirmar se são dos remédios. Os que vi batiam com a sintomatologia dos remédios, mas dai a provar vai uma boa distância.


    • A Homeopatia afirma que os disturbios na Força (…) (Gerson)

      Ah, pára… não demora muito vão falar que o Hahnemann foi discípulo do Yoda… :P

    • Gerson B

      A Força de Star Wars foi um conceito baseado em tradições bem antigas.

      Concordo e defendo que esses conceitos devem ser revistos e pesquisados.

    • E antigüidade é critério de correção?

    • Gerson B

      Não é critério de correção, por isso os conceitos devem ser reavaliados.

    • Certo. Desde que “revisto e avaliado” inclua explicitamente a possibilidade de “erradicar como picaretagem”, sem tentativas de salvamento com inserção de hipóteses e explicações furadas ad hoc, concordo que seria EXCELENTE fazer tal “revisão e avaliação”.

  • André

    Já que estamos falando em crenças irracionais. Sabe aquela famosa “cultura do estupro” da sociedade patriarcal e machista que tolera o estupro? Então, 40% dessa sociedade patriarcal, machista e estupradora acham que a pena adequada para o estupro é a morte. http://agencia.fapesp.br/15812

    • Este é apenas um entre inúmeros dados que mostram qual é a verdadeira natureza cultural do brasileiro – um truculento vingativo sem apreço pela justiça e muito menos pela solidariedade. E a tendência de piorar estes indicadores está sendo estimulada a cada dia mais pelas políticas do governo federal. Não é difícil prever que estão nos empurrando na direção da necessidade de um Estado extremamente autoritário para conter a violência – um Estado opressor apoiado pelo populacho para coibir a violência produzida pelo próprio populacho.

      E não adianta avisar. Impressionante. Incrível.

  • André

    Quando o vidrinho de homeopatia custava R$3,00 eu não via problema algum em usar, mesmo que fosse puro placebo, desde que se ficasse atento para a piora dos sintomas. Eu já tomei e dei para os meus filhos, para amigalite a taxa de sucesso foi idêntica à dos antibióticos, para outros problemas não funcionou. Desde que sirva para aliviar nossa (principalmente das mulheres) necessidade de estar fazendo algo enquanto a natureza segue seu curso, para mim está ok. Mas hoje em dia se encontra remédios homeopáticos a R$60,00. Aí já é melhor usar aquela pomadinha de banha de cobra vendida no calçadão.

    • Eu sou bem radical nesta área: se não existe um medicamento de eficácia comprovada contra a moléstia “x”, utilize-se paliativos e procure-se fortalecer a imunidade do paciente (o que deveria ser feito sempre, mas isso é outrs discussão). Este tratamento, se bem conduzido, produz o mesmo efeito placebo de uma consulta com um homeopata, com a vantagem de não haver qualquer falha ética neste tipo de procedimento: é o melhor que se pode fazer, com a melhor disposição que se pode ter. O que poderia ser melhor?

  • paula

    Nao sei o que ‘e mais interessante aqui, se o texto ou os comentarios, que eu facilmente chamaria de “conversa descompensada”.

    Anyway, faco alguns comentarios a respeito do tema:

    1) ‘e muito triste ver uma pessoa que tinha uma doenca potencialmente curavel fugir da biomedicina para tratamentos alternativos com avidez quase religiosa, e perder a sua chance.

    2) ‘e muito irritante ver uma pessoa curada com cirurgia de doenca grave (alguns tipos de cancer) vir a publico para dizer que foi o chazinho X o que a curou.

    3) ‘e irritante ver a pessoa curada com cirurgia dizer gracas a Deus, enqto que a que nao se curou culpa os medicos por falha.

    4) a maior parte dos tratamentos ditos alternativos ou naturais tem efeitos colaterais, entre eles, o citado acima no item #1 (perda de tempo, energia, recursos e saude com tratamentos pouco ou ineficazes). Outros efeitos colaterais vem das propriedades farmacologicas do tratamento alternativo, se houver. Alguns pacientes preferem parar o remedio prescrito pelo medico do que o chazinho alternativo, em caso de interacao farmacologica perigosa, pois como disse o Arthur, acreditam no chazinho, mais do que no composto testado e regulamentado para uso.

    5) a biomedicina ‘e medicina natural, ao contrario do que todos pensam. Todos os compostos usados em medicina se originaram de compostos presentes na natureza e muitas vezes de observacoes de seu uso/efeitos em humanos ou animais. A sintese de compostos ‘e um passo adiante no desenvolvimento, para assegurar producao em quantidades que permitam uso por pacientes nos quatro cantos do mundo, pureza, regulamentacao, etc. Um exemplo recente disso ‘e o remedio paclitaxel, usado para cancer de mama, pulmao, estomago, esofago, ovario, entre outros. Em alguns casos, com efeito curativo. Este composto foi isolado da casca de arvores de uma floresta nos estados unidos (um tipo de teixo chamado Taxus), quando os pesquisadores verificaram que esquilos nao comiam a casca SOMENTE daquela arvore. Por sua vez, esquilinhos mais afoitos, ao comer da arvore “proibida”, passavam mal, vomitavam e perdiam o pelo. O Taxus bacata e o Taxus brevifolia sao a fonte original para paclitaxel e docetaxel. Mas seria impossivel produzir quantidades suficientes destes compostos sem levar estes teixos `a extincao. Por isso, hoje em dia estes compostos sao sintetizados em laboratorio, `a imagem e semelhanca do que ‘e isolado da casca da arvore.

    Eu acredito que o “defeito de fabricacao” que leva as pessoas a preferir o impossivel em vez de o palpavel, testado e aprovado vem de um dos mecanismos de defesa mais utilizados na humanidade: negacao. “eu nao preciso de remedio, afinal, eu nao estou doente”. Estar doente ‘e muito ruim e muito dificil. Principalmente quando a doenca e’ cronica e ameacadora.

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