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Para meu maior conforto ou para seu maior lucro?

O consumidor no Brasil é tratado como otário porque é mesmo um otário. Afinal, nunca se organiza para fazer valer seus interesses – e as empresas obviamente se aproveitam disso. Por exemplo, você já percebeu que todas as mudanças promovidas pelas empresas para aumentarem seus lucros são sempre anunciadas como uma grande vantagem para o consumidor, mesmo quando evidentemente não o são? 

Semana passada eu fui ao Bourbon Shopping para almoçar, como faço com certa freqüência e deixarei de fazer a partir de 06/08/2012, e na entrada recebi este folheto: 

O estacionamento no Shopping Bourbon sempre foi gratuito. Como é de se esperar em uma sociedade sem valores morais, movida apenas pelo interesse próprio, o abuso do privilégio de estacionar gratuitamente e com segurança se tornou “normal”. Muita gente que trabalha na região simplesmente deixa o carro no estacionamento do shopping o dia inteiro, prejudicando assim os clientes, que não encontram vagas, e o próprio shopping, que perde clientes. Portanto, é perfeitamente justo que o shopping tome alguma medida para evitar este tipo de abuso. Mas no Brasil a brincadeira é sempre “bandido e bandido”. 

Se o objetivo da cobrança do estacionamento fosse evitar o abuso, porém, os critérios usados para a cobrança seriam bem diferentes. 

Observe o tempo de isenção: quinze minutos. Este tempo é insuficiente para fazer qualquer coisa dentro do shopping.

Se você quiser comprar a mercadoria “x”, você tem que ir ao shopping, passar pela cancela, procurar uma vaga, manobrar para estacionar seu carro, atravessar o estacionamento até as escadas rolantes ou o elevador, subir ou descer um andar ou dois, caminhar até o interior do hipermercado ou de uma das outras lojas, procurar a mercadoria “x” ou esperar ser atendido, passar pela fila do caixa, voltar até as escadas rolantes ou o elevador, descer ou subir um andar ou dois, atravessar o estacionamento até o carro, talvez abrir o porta-malas para guardar a mercadoria e então manobrar para sair da vaga e dirigir-se à cancela para sair do estacionamento. Tente fazer tudo isso em quinze minutos. 

“Ah, Arthur, mas o tempo de isenção para quem faz compras no hipermercado é de uma hora, não de quinze minutos!” 

Sim, mas… 

E se eu não encontrar o que quero comprar? Neste caso eu terei saído de casa somente para entregar cinco reais ao shopping e ainda sair frustrado “para meu maior conforto”. 

E se eu quiser comprar algo em outra loja? Neste caso o preço de uma bala pula de R$ 0,20 para R$ 5,20 “para meu maior conforto”. 

E se eu quiser almoçar na praça de alimentação? Neste caso meu almoço de R$ 15,90 passa a custar R$ 20,90 “para meu maior conforto”. 

E se eu quiser pagar uma conta no banco? Neste caso minha conta fica R$ 5,00 mais cara “para meu maior conforto”. 

E se eu quiser ir ao cinema? Neste caso o filme pula de já absurdos R$ 20,00 para estratosféricos R$ 25,00 “para meu maior conforto”. 

E se eu quiser apenas usar o banheiro? Neste caso 350 ml de xixi passam a custar R$ 5,00 – melhor comprar um papagaio e levá-lo sempre embaixo do banco do motorista “para meu maior conforto”. 

A não ser, é claro, que eu saia correndo em desabalada carreira sem sequer lavar as mãos “para meu maior conforto”. 

Convenhamos… Se a medida tivesse sido tomada “para meu maior conforto” de encontrar sempre vagas desocupadas ao invés de competir com quem abusa do estacionamento, então: 

1) o tempo de isenção seria de 30 minutos; 

2) o consumo em qualquer outro estabelecimento do shopping além do hipermercado isentaria o cliente do pagamento do estacionamento pelo mesmo período que o consumo no hipermercado; 

3) o consumo de uma refeição na praça de alimentação, fosse qual fosse o valor, isentaria o cliente do pagamento do estacionamento pelo período necessário para fazer uma refeição (digamos que uma hora); e 

4) assistir uma sessão de cinema isentaria o cliente do pagamento do estacionamento por um período razoável antes do início da sessão (digamos 30 minutos para que o cliente possa comprar suas pipocas sem correria) e depois do término da sessão (digamos 15 minutos para cair fora sem correria). 

Se não for assim, então não é “para meu maior conforto” e sim “para o maior lucro do hipermercado”. 

O estacionamento é deles e eles podem cobrar o que bem entenderem. Eu só gostaria de não ser chamado de otário no processo. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/07/2012 

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70 comments to Para meu maior conforto ou para seu maior lucro?

  • Alexandre

    O duro é essa mensagem “Para o seu conforto”, que conforto é esse que eles alegam? Isso é um engodo! Isso tem um nome chama-se eufemismo. Assaltam o seu bolso e diz que isso é conforto, oras bolas!!!!
    Eles sabem que boa parte dos brasileiros sofrem de analfabetismo funcional, portanto acreditam piamente que todos também são.
    Está mais que certo essa sua atitude tem todo o meu apoio. Precisamos resgatar urgentemente o nosso respeito.

    • Eu acho que está mais para mentira do que para eufemismo, se é que percebo o verdadeiro peso das motivações de liberar estacionamento para o conforto do cliente e de lucrar não interessa de onde venha o lucro.

  • Elvis

    O conforto de quem não mais terá de ficar procurando vaga duas mil horas aumentará. Pronto, caso encerrado. Você se ofendeu à toa. Os preços não são absurdos, e o esquema é o mesmo do shopping daqui. O fato de eles lucrarem não muda o fato de que seu conforto será aumentado. Você precisa aceitar essa possibilidade para poder parar de repetir críticas mais passionais que racionais contra o livre mercado.

    E esse Alexandre viajou. “Assaltam o seu bolso, oras bolas!!!!” Como se fosse obrigação dos caras oferecer estacionamento gratuito. E como se eles estivessem obrigando alguém a usar seu estacionamento pago. “Assaltam”. Eu não entendo porque isso seria um “assalto”.

    • Claro, claro… quando eu tiver que pagar metade do meu salário para poder respirar um ar sem uma concentração de toxinas fatal a médio prazo, continuará sendo inequívoco que o conforto de respirar aumentará com o fato de alguém me vender ar engarrafado. Sem dúvida. Este é o problema de comprar ideologias prontas: no afã de justificar a compra, perde-se o contato com a razoabilidade.

      Outra coisa: não existe isso de “livre mercado” nas sociedades capitalistas atuais. Talvez isso seja possível no nível de organização das tribos não-aculturadas do Xingu, ou entre os aborígenes, ou entre os Mazai, mas certamente não no mundo ocidental/ocidentalizado moderno. Não existe “liberdade de escolha” quando um manda porque pode e o outro obedece porque precisa. E não existe “livre negociação” entre forças absurdamente desiguais.

      Eu não estou fazendo críticas passionais contra o livre mercado. Como eu iria criticar algo que não existe?

      .
      .
      .

      Mas vamos nos matar com civilidade e em alto nível, pessoal.

  • Alexandre

    Errado Elvis, os custos do estacionamento está embutido na mercadoria que você adquire ou desfruta do serviço que você utiliza dentro do Shopping.Por causa de uma minoria que deturpa a utilização dos estacionamento, os gênios de plantão pune a maioria, tanto que o autor do texto foi bem claro quanto a isso ou acha que o autor do texto foi leviano quanto a isso?
    Temos muitos custos embutidos e o pessoal faz questão de aumentar mais ainda.Aumentando mais ainda suas margens de lucro, o que o Shopping fez, considero ato de mercenarismo.Pior que os caras de pau disfarçam com o argumento do conforto. Me engana que eu gosto(kkkkkkkk)
    Eu estou viajando e você está nadando no dinheiro…
    Seguindo por outra linha de raciocínio, nenhum Shopping deveria criar espaços para estacionamento, tanto que graças a isso o fluxo de trânsito ao redor dos shoppings fica bastante saturado.Portanto quem não usa o Shopping é penalizado com o “conforto” de uma minoria que desfruta tal empreendimento.
    Como você não dá valor ao dinheiro suado do autor do texto, vem com esse papo furado de viagem na maionese.
    Não tem que o que apreender com a questão colocada. Portanto posso carimbar na sua testa a palavra trouxa.

    • O grande problema é a tergiversação. É como eu disse no artigo: cobrem o que quiserem, mas não mintam quanto aos motivos.

      .
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      .

      Mas vamos nos matar com civilidade e em alto nível, pessoal.

  • Alexandre

    Diga-se de passagem que na economia de mercado, não existe almoço grátis.Ou você acredita nesse papo furado de gratuidade? Oras, sempre tem um trouxa pagando a conta, ou você acredita na benevolência dos nossos empreendedores?

  • Elvis

    O que eu não entendo é pq vc não é um “empreendedor” já que isso é tão vantajoso. Perceba como os riscos são enormes.

    os custos do estacionamento está embutido na mercadoria que você adquire ou desfruta do serviço que você utiliza dentro do Shopping

    Se eles realmente está, abre um shopping mais barato, e ganhe todos os clientes desse aí.

    tanto que graças a isso o fluxo de trânsito ao redor dos shoppings fica bastante saturado.Portanto quem não usa o Shopping é penalizado com o “conforto” de uma minoria que desfruta tal empreendimento.

    ???
    A rua é pública. O estacionamento do shopping não.

    Não tem que o que apreender com a questão colocada. Portanto posso carimbar na sua testa a palavra trouxa.

    Se eu não concordar que o shopping deve ser público gratuito e de qualidade, vc pode me chamar de trouxa? Isso é um argumento?

    • Mas os riscos justificam a explicação furada? Porque se fosse “para meu maior conforto” as sugestões que dei no artigo seriam muito mais adequadas do que a cobrança do modo como eles resolveram fazer.

  • Alexandre

    Ok!!!!! Você não é trouxa, é apenas um ingênuo idealista( se preferir assim, vamos usar o eufemismo) e eu o alucinado.Que beleza!!!!!
    E a tua alegação que estou viajando isso também é argumento? Você virou meu psiquiatra por acaso?
    Se você concorda, ótimo, chegamos num consenso, senão começaremos as trocas de farpas gratuitas.
    Agora pensa duas vezes antes de escrever, você não me conhece e vem com esse atrevimento, dizendo que “viajei”, agora vê como é gostoso ser nomeado com um termo pejorativo. É fácil ser preconceituoso e leviano com as coisas e com as pessoas.
    Que discorde dos argumentos, mas não insulte o argumentador em questão.

  • Alexandre

    Eu frequento alguns Shopping em São Paulo, porém não vou de carro até eles, pois é um inferno ao redor deles.São poucos os Shoppings que tem acesso ao sistema de transporte público.E fluxo de gente é assustador, não há estacionamento que dê conta do recado, já presenciei a fila de carros na entrada dos estacionamentos e isso repercute no trânsito.Não tem como não notar isso.
    De uns tempos para cá a prefeitura de São Paulo tem colocado vários meios para impedir a construção indiscriminada de Shopping, pois notarão tardiamente que não basta construir os Shoppings se não há infra estrutura que suporte a grande concentração de gente num só ponto.
    Por mim poderiam até cobrar o olho da cara qualquer estacionamento de Shopping, pelo menos o pessoal começa utilizar o carro de forma mais racional. Porque do jeito que as coisas se encaminham a tendência é só de piora.
    Deveria até ser proibida a construção de estacionamento, não temos ruas suficientes para suportar a grande quantidade de carro que rodam na ruas de São Paulo.

    • Eu custei para entender esse último argumento. :P Mas finalmente caiu a ficha: quanto mais estacionamentos, mais o pessoal quer sair de carro; se não houver onde estacionar, não adianta sair de carro. É isso?

  • Elvis

    Tá, mas faltou explicar porque oferecer um serviço que só se consome voluntariamente (e, complicando a questão, um serviço que tem alternativas) é um “assalto”.

    Novamente, o problema do shopping é daqueles que pegam carona no serviço oferecido gratuitamente, e por mais que a cobrança deles não tenha sido planejada priorizando o bem estar do consumidor, ele será aumentado. Os clientes do shopping que avaliarem em pelo menos 5 reais o benefício de usar o estacionamento o usarão. Aqueles que acharem que o benefício é menor que 5 reais não o usarão. Assim, aqueles que mais valorizam o serviço ficarão com ele. A alocação do recurso escasso (vagas no estacionamento) será mais eficiente, se você preferir que eu coloque dessa maneira.

    Assim, se o Arthur quer entrar no shopping (que não é dele) e deixar seu carro no estacionamento do shopping (que não é dele) para usar o banheiro do shopping (que não é dele), por mais que ele se sinta ofendido por ter de pagar 5 reais para usar essas coisas (que não são dele), se o benefício de usá-las não compensasse ele ter de abrir mão de 5 reais, ele não usaria.

    E o shopping tinha um motivo para afirmar que a mudança é “para seu maior conforto”: justamente o fato de que as vagas no estacionamento, para aqueles clientes que valorizam a segurança e o conforto de um estacionamento (em 5 reais ou mais), poderão ser conseguidas mais facilmente. Eles não mentiram, portanto. Inclusive, estão anunciando a mudança de preços futura, de modo que as pessoas podem planejar-se.

    Claro, você talvez acharia melhor se eles dissessem simplesmente que os preços vão aumentar, mas dizer isso é como desferir um soco contra o cliente, e eles estão amaciando o soco dizendo que o conforto dos usuários do estacionamento também vai aumentar. Eles não estão mentindo, mas mesmo se estivessem, algumas vezes, mentir é uma cortesia, de qualquer forma.

    Repetindo: os preços vão aumentar, e eles vão ganhar mais, e isso é a prioridade deles, provavelmente, mas o conforto do cliente vai aumentar. Provar que se “o shopping” (=desde os administradores e donos até os faxineiros) ganha dinheiro, os clientes não necessariamente estão se ferrando, é tão fácil quanto citar seu texto:

    E fluxo de gente é assustador, não há estacionamento que dê conta do recado, já presenciei a fila de carros na entrada dos estacionamentos e isso repercute no trânsito.Não tem como não notar isso.

    Se tem tanta gente indo para os shoppings, provavelmente alguma coisa de bom há neles, né?
    Se os preços dos estacionamentos aumentassem nesses casos aí de fila, tenta supor comigo o que aconteceria:
    a) Os consumidores entenderiam o aumento de preços como um sinal representando aumento de qualidade do serviço e passariam a demandar mais vagas no estacionamento;
    b) Os consumidores passariam a demandar menos vagas no estacionamento, aumentando o conforto daqueles que usassem-no.

    E como assim:
    Temos muitos custos embutidos e o pessoal faz questão de aumentar mais ainda.Aumentando mais ainda suas margens de lucro, o que o Shopping fez, considero ato de mercenarismo.
    Os caras cobram quanto eles quiserem, como o Arthur disse:
    O estacionamento é deles e eles podem cobrar o que bem entenderem.

    Eu já contei essa história várias vezes nos comentários desse blog, e gosto tanto dela que vou me repetir: se os empreendedores se dão tão bem, se é uma posição tão vantajosa, por que você não é um empreendedor? Será possível que trabalhar duro, guardar dinheiro e depois correr o risco de perder tudo investindo não é tão bom assim? Empreendedores e investidores, pensando no seu próprio benefício, oferecem serviços que beneficiam a todos. Se não beneficiassem, as pessoas não os consumiriam.

    Se serviço x traz benefício que alguém avalia em b reais e o preço é p, a pessoa só consumirá x se p for menor ou igual a b, e não consumirá x se p for maior que b (ou seja, se o empreendedor não oferece nenhum benefício por aqueles preços).

    • 1) De novo teu conceito de “voluntário” perde a validade porque desconsidera o contexto. É irreal dizer que o consumo em supermercados é “voluntário”.

      2) Dizer que a alocação do recurso escasso será mais eficiente é uma das maiores falácias do “livre mercado”. Será mais eficiente para quem puder e se dispuser a pagar mais, ou seja, na verdade será mais excludente. Mas isso os ideólogos de direita não admitem confessar.

      3) De novo: eu não me senti ofendido pela cobrança, eu me senti ofendido pelo deboche de afirmar que ela será feita “para o meu maior conforto” quando a simples escolha do modo de cobrança já sinaliza que esta não é a intenção – se fosse esta a intenção, eles utilizariam critérios mais próximos do que eu sugeri.

      4) E o conforto daqueles que usam o shopping como estacionamento gratuito? O conforto desses vai obviamente diminuir, porque para eles o conforto está no não pagamento de estacionamento para poderem trabalhar nas vizinhanças do shopping. Portanto, a mudança não é indistintamente “para o seu maior conforto”… o que por si só já furaria a lisura desta afirmação, mesmo que não soubéssemos que o interesse é muito mais lucrar do que aumentar o conforto do cliente.

      5) “Se tem tanta gente indo para os shoppings, provavelmente alguma coisa de bom há neles, né?” Não. Tem muita gente indo catar lixo para comer no aterro sanitário. Isso não significa que “há alguma coisa de bom neles” e sim que “tem gente cujas alternativas são todas ainda piores e portanto são obrigadas a se submeter a essa indignidade”.

      6) “se os empreendedores se dão tão bem, se é uma posição tão vantajosa, por que você não é um empreendedor?” No que esse argumento justifica o fato de uma empresa mentir quanto a suas motivações?

      7) “Empreendedores e investidores, pensando no seu próprio benefício, oferecem serviços que beneficiam a todos. Se não beneficiassem, as pessoas não os consumiriam.” De onde concluímos que o crack beneficia seus consumidores. (Game Over)

  • Alexandre

    Já foi a época em que a vinda de um Shopping era considerado um benefício, hoje virou estorvo, inclusive para quem é vizinho desses mesmos Shopping. Pelo jeito você não conhece a cidade de São Paulo.
    E de uns tempos para cá, com o problema da regularização desses mesmos estacionamentos graças a incompetência da prefeitura, está pipocando ali e aqui uma série de irregularidades e indícios de corrupção, com propina ali e favorecimento aqui.Isso sem contar com a sonegação de impostos.Temos uma guerra jurídica de um empreendimento com a prefeitura e está começando a envolver o Ministério Público, em que um acusa o outro de impedir de fazer o que cada um acredita o que é certo, virou verdadeiro jogo de interesses.O porquê de tudo isso, pelo simples fato que a própria cidade não controla seu próprio crescimento e pior não há planejamento nenhum, não existe lei de zoneamento, a cidade simplesmente está inchando, o próprio trânsito de São Paulo virou um verdadeiro caos e vai ficar infinitamente pior quando iniciar a copa, vamos ter um verdadeiro colapso.Mas não se preocupa sempre se dá um jeito, basta fazer um quebra galho ali e aqui, uma gambiarra ou puxadinho aqui e acolá e vamos empurrando as coisas com a barriga.

    Voltando ao assunto quanto a cobrança do estacionamento, eu quero ver se a prefeitura vai permitir isso.Já que é serviço que garante o “conforto do usuário”, com certeza gerará receitas, e se gerar receitas é bom que a secretária da receita fique de olho na possível sonegação de impostos.O que não duvido, até lá com certeza o empreendimento ficará em situação irregular como muitos shoppings aqui em São Paulo.
    Seja como for, vamos ver os próximos desdobramentos do empreendimento.Só não venha com esse papo furado que é para o “nosso conforto”.A iniciativa privada nunca respeitou os clientes pelo contrário só tem nos lesados.
    E se você não aviltado como o autor do texto e eu, respeito a sua posição, afinal de contas o shopping tem dono e esse mesmo dono faz o que bem quiser.Enfim estamos ainda no capitalismo selvagem.

    • Essa resposta eu tenho: a prefeitura vai permitir a cobrança. Toda receita gera impostos. A prefeitura nunca vai se opor a algo que tira dinheiro da classe média e põe essa grana nos cofres públicos para uso e abuso dos políticos.

  • Concordo plenamente com as 4 sugestões, principalmente com as que estendem a cortesia do estacionamento aos outros estabelecimentos, que, afinal, devem ter mecanismos contáveis adequados para uma compensação proporcional sem afugentar os clientes. Irei ao Shopping Bourbon até dia 05 de agosto. Como a única dor que todo mundo compreende é a no bolso, se todos fizéssemos o mesmo eles entenderiam a argumentação. Mas isso não vai acontecer – a menos que algum movimento pela rede una o pensamento da massa burra. Tudo vai sair 5 reais mais caro para quem for até lá. Em um mês a indignação foi engolida, como tantas outras, até maiores. Em dois será normal. Talvez arda um pouco na hora de urinar… aí, é só diluir um pouquinho de bicarnonato em água e “voilá”!

    • Elvis

      Você propõe uma greve dos consumidores. Nessa greve, as pessoas teriam de abrir mão temporariamente de pagar cinco reais para fazer xixi. No longo prazo, se o shopping deixasse de cobrar pelo estacionamento, não teriam de pagar mais.

      O problema é: enquanto para alguns consumidores cinco reais por uma mijada não compensa, se há furadores de greve, quer dizer que para outros compensa. Se o número de furadores de greve for suficientemente grande para impedir que a administração do shopping torne o estacionamento gratuito, significa que bastante gente acha que compensa pagar cinco reais pra fazer pipi.

      Nesse caso, não há motivo para o estacionamento ser gratuito. O shopping não é uma obra de caridade. Se as pessoas estão dispostas a pagar os 5 reais pela urinada, significa que o shopping está prestando um serviço que traz benefícios para os consumidores. Se não, não se pagaria.

      Mas, dito isso tudo, quero tornar público que em menos de quinze minutos eu corro uma maratona entre o banheiro do shopping, com direito a lavar e secar as mãos e flertar comigo mesmo no espelho, e pegar um milk-shake “do mais barato” no Bob’s. Vocês estão fora de forma :p


    • “Mas isso não vai acontecer – a menos que algum movimento pela rede uma o pensamento da massa burra.” (Romacof)

      Acho que nem assim. O pessoal que pensa como o Elvis, por exemplo, furaria alegremente o movimento alegando “isso é coisa de gente que odeia o livre mercado” e dariam um tiro no próprio pé felizes da vida graças a sua grande conquista “contra o comunismo”!


    • “O problema é: enquanto para alguns consumidores cinco reais por uma mijada não compensa, se há furadores de greve, quer dizer que para outros compensa.” (Elvis)

      De onde se conclui que o shopping está estabelecendo uma competição entre os consumidores com critérios nitidamente excludentes.

      É o tal do negócio: é uma ideologia do tipo “o mundo é para quem pode pagar – e quem não pode que se dane”. Mas é claro que não assumem isso, porque assumir a verdade espantaria os inocentes úteis que acham lindo o palavreado sobre liberdade.

  • Paula

    O preco diferenciado entre estacionamento para o super ou outros estabelecimentos via de regra decorre da discordancia em arcar com as despesas (de proporcionar estacionamento subsidiado para clientes). O dono do super, que e’ o dono do shopping, dividiu as despesas conforme a necessidade. Se voce for empreendedor sabera que ha’ uma conta matematica para isso. Escolheram preco x a cada 30 minutos minimo, para nao piorar as coisas com preco 2 x iniciando a 60 min. O espaco fisico do estacionamento pertence ao dono do shopping, mas ha’ custos mensais referentes a este estacionamento. Melhor cobrar estacionamento de clientes e espantar oportunistas do que aumentar aluguel das lojas/precos de mercadorias, mesmo q se perca alguns clientes mais radicais.

    • Eu conheço essas contas e discordo delas. Elas constituem uma espécie de bitributação do shopping sobre as lojas. Olha bem: o estacionamento sempre foi gratuito e os aluguéis das lojas não serão modificados com o início da cobrança. Significa que os aluguéis já cobriam os custos do estacionamento. Como é o conjunto de todas as lojas em um mesmo local que atrai os clientes para o shopping, seria justo que vantagens e desvantagens fossem compartilhadas segundo algum critério razoável… Mas não é isso que está acontecendo.

    • paula

      o que te faz pensar que os custos relacionados a area destinada ao estacionamento estejam congelados, se todo o resto aumentou de preco desde o dia em que o shopping f oi inaugurado?

    • E quem disse que já não houve outras compensações, como o aumento do preço dos aluguéis das lojas? A gente não tem como saber isso sem levantar estes dados. Mas a questão importante não é essa, Paulinha. Eu disse no fim do artigo que o estacionamento é deles e eles podem cobrar o que bem entenderem… O problema é a maldita da mentira que apresenta a medida como algo de interesse do consumidor, quando evidentemente não é – ou os critérios de implantação da medida teriam sido outros, por exemplo os quatro que eu citei no artigo.

      Tenho a impressão de que todos estão achando que eu estou reclamando da cobrança em si, quando não era este meu foco. :|

  • Alexandre

    Venha para a cidade de São Paulo, caríssimo Elvis.
    Com certeza seu conceito mudará.Espero que você tenha explicações para inúmeras mazelas do nosso dia à dia.
    Porque o que você descreveu muito paulistas vão achar no mínimo engraçado ou inverossímil.
    Diante da sua boa vontade não tem o que refutar, mesmo diante do meu ceticismo ácido.

  • Alexandre

    Qualquer cidade tem as sua mazelas(todas elas são cíclicas, uma hora está aqui, outra hora está ali.Exemplo: o problema dos celulares ai no Sul, São Paulo já teve o mesmo problema), não estou reclamando se está ruim ou não, isso não tem a menor relevância, mesmo que isso fosse verdade.Quem se importa?Pior que está não fica.
    Além do que estou apenas convidando.É óbvio que se tiver oportunidade, só estou recomendando.Cadê o espírito cosmopolita de vossa pessoa?

  • Elvis

    Sobre voluntariedade, mercado, etc:
    Se você partir do pressuposto de que todos tem o direito de ir ao banheiro gratuitamente, receber massagens gratuitas todos os dias, viajar pelo mundo, etc, certamente o shopping está fazendo uma exploração. Nesse caso, te convido a cumprir com a sua obrigação e tornar o banheiro da sua casa público. Se você, por outro lado, acredita que as pessoas devem ser tratadas como adultas e independentes, o shopping presta um serviço. Se o serviço for ruim, as pessoas não o usam. Se não há alternativas, nós podemos abrir um banheiro e estacionamento mais baratos perto do shopping. Se isso não é possível, provavelmente os custos envolvidos são grandes, e é mais fácil reclamar do shopping do que oferecer o serviço que eles oferecem.

    É verdade que não é automaticamente que uma cobrança leva à distribuição mais eficiente possível. Mas nesse caso, claramente a eficiência vai aumentar, porque pelo que entendi, tem fila pra deixar o carro. E não é como se só milionários fossem usar o serviço, né, Arthur?

    E dizer que não há livre mercado é tão trivial quanto dizer que não há direitos humanos.

    Na percepção subjetiva de valor dos catadores de lixo que vão pro lixão ou do usuário de crack que compra a droga, eles estão fazendo algo que melhora seu bem estar.

    E, novamente: o fato de não terem priorizado seu conforto não significa que seu conforto não vai aumentar com a cobrança, com a diminuição da fila para estacionar. Eles não mentiram.

    • 1) Estou com a impressão de que todo mundo está achando que minha reclamação é contra a cobrança em si, quando este na verdade não era o meu foco. Eu mesmo disse no artigo: “O estacionamento é deles e eles podem cobrar o que bem entenderem. Eu só gostaria de não ser chamado de otário no processo.” Este é o foco.

      2) Acreditar que as pessoas podem fazer coisas gratuitamente não é antônimo ou oposto de qualquer modo a tratar as pessoas como adultas e inteligentes. Ou seja, qualquer argumento que partir desta premissa é uma falácia (falsa dicotomia, para ser exato). Mas isso é só um parêntese. Outra hora escrevo algo sobre isso pra gente trocar farpas mais centradas. :)

      3) Distribuição mais eficiente possível para quem, Elvis? Se a definição de “distribuição mais eficiente possível” incluir explicitamente o corolário óbvio de “para quem pode pagar”, então a idéia estaria correta. Mas sem incluir essa segunda parte – que é essencial – a ideologia se torna capciosa e maldosa, pois omite propositadamente uma informação que é crucial para sua avaliação.

      4) Sobre livre mercado e Direitos Humanos… é isso mesmo. O que eu vejo pelo mundo inteiro é puro blá-blá-blá e nada de implementação nem sequer dos 30 artigos da DUDH. E a ONU e o Direito Internacional foram feitos para não funcionar. Essa é a maldição que mais me incomoda: quando está na cara que as coisas foram feitas para um propósito, os autores dizem que foram feitas para outros propósitos e todos os otários acreditam mesmo que todas as evidências sejam em contrário…

      5) E porque os catadores de lixo e usuários de crack têm esta percepção significa que devemos deixar o livre mercado lidar com a situação?

      6) Mentiram. Se a medida fosse para o propósito que eles anunciaram, os critérios teriam sido outros. O fato de colateralmente a medida reduzir o abuso das vagas não justifica a falha ética de anunciá-la como se tivesse sido planejada para um propósito (conforto) quando na verdade foi planejada para outro propósito (lucro) usando a intenção anunciada como mera justificativa.

  • Alexandre

    Com relação quanto mais estacionamentos, mais carros na rua.
    É correto esse raciocínio. Quem vive em São Paulo, entende muito bem isso, pois padecem dessa situação. Pode não acreditar, mas temos congestionamento de garagem de apartamentos em São Paulo.É muita gente querendo sair de carro ao mesmo tempo, é um verdadeiro gargalo que está se transformando num verdadeiro funil.

    • Sim, já vi muito engarrafamento dentro de prédios de estacionamento em horários de início e fim de expediente do comércio ao redor.

  • Gerson B

    P – O Arth…, digo, o gaúcho não achava o seu carro no estacionamento do Shopping. Qual o modelo do carro?
    R – Kadetche

  • Arthur! Peço desculpas pela expressão “massa burra” num comentátio acima. Não queria dizer isso. Não era para dizer massa.

  • Elvis

    NÃÃÃO! Essa do caramujinho foi foda, Arthur! Foi de fazer alguém cometer suicídio HAHAHAHHAHA
    Agora preciso estudar e to sem um pingo de saco pra discutir, mas não pense que vou te deixar escapar com esses argumentinhos aí, eu voltarei, MWHAHAHAHAHA

  • Elvis

    HAHAHAHSHASHSHSHAAHHAHAHHSHASHA, excelente :D

  • Gerson B

    Sobre o tema básico, acho que o que o Arthur sentiu foi o mesmo que eu senti quando entrei no metrô e vi um vagão diferente, com menos assentos, e uma propaganda do tipo “mais espaço para você”. Botando mais gente em pé e ainda tentando fazer parecer bom pros passageiros.

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