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Depravação Moral e Cívica

Que saudade da Educação Moral e Cívica nas escolas! Apesar de todas as críticas que se possa fazer em relação aos conteúdos daquela disciplina, é inegável que ela pretendia estimular moralidade e civismo nas crianças e adolescentes – ao contrário da depravação moral e cívica característica do pensamento “politicamente correto” da atualidade. Analisemos um exemplo. 

Eu poderia ter escolhido um exemplo local, pois tais exemplos existem em abundância, mas o fenômeno que critico está acontecendo em escala mundial – e de fato eu lido diariamente com gente que pensa como os “educadores” da escola citada no exemplo – então vou aproveitar um exemplo retirado de um livro sobre ética que estou relendo. 

O trecho a seguir foi retirado das páginas 71 e 72 do livro “Como tomar decisões difíceis, ou como escolher na vida entre o certo e o certo”, de Rushworth M. Kidder: 

Não muito tempo atrás, num jantar com um grupo de alunos brilhantes e de excelente currículo acadêmico, numa das melhores faculdades de ciências humanas da Califórnia, eu lhes repeti uma história – que me foi contada como verdadeira – sobre um garoto de 10 anos que vivia numa das áreas mais problemáticas do Brooklin, em Nova York. Um dia, a caminho da escola, o garoto encontrou uma carteira cheia de dinheiro e cartões de crédito – e contendo identificação mais do que suficiente para o proprietário ser facilmente encontrado. Ele a levou para a escola, mas não encontrou ninguém ali – professor ou administrador – disposto a lhe dizer qual era a “coisa certa a fazer” com a carteira.

“Não podemos lhe dizer nem para ficar com ela nem para devolvê-la”, argumentaram-lhe, em suma, “porque estaríamos lhe impondo nossos valores. Além do mais, você é pobre e ele está muito bem de vida. O que sua mãe lhe diria se sugeríssemos que você devolvesse a carteira? Ela poderia ficar bem contrariada. Não, você tem que chegar a uma conclusão por si mesmo. Não podemos ajudá-lo.” 

Quando perguntei aos estudantes, naquela mesa no campus, o que achavam que deveria ter ocorrido, todos concordaram: os funcionários da escola, disseram, estavam absolutamente certos. Não há como impor seus valores a outros, não há nem mesmo como ajudar a instruí-los para que tenham uma noção mais clara de certo e errado. Essa criança simplesmente teria de aprender seus valores por si mesma. 

Eu não ficaria nada triste se uma bomba atômica caísse em cima dos imbecis que estavam presentes nesta reunião. O mal que este tipo de “pensamento” (hã?) traz ao mundo é gigantesco. É uma aposta no “quanto pior, melhor”, que promove a corrupção moral da sociedade e nos conduz passo a passo na direção de um sistema político cada vez mais intolerante, autoritário e repressivo.

“- Hein? Como assim, Arthur? Os estudantes disseram que não se pode impor valores e aí está você a afirmar que o que está sendo feito é conduzir a sociedade para o caminho exatamente contrário! Você está sendo incoerente, não está?” 

Não. A lógica é justamente essa. 

Educar é impor valores

Este é realmente o termo correto: imposição de valores. Não se pergunta a uma criança que valores ela deseja que lhe sejam inculcados – ela não sabe. Jamais uma criança terá como fazer este tipo de escolha. Esta não é a ordem natural das coisas. Não se pode deixar que as crianças cresçam para escolherem por conta própria que valores desejam ter, porque então elas já terão introjetado os valores ou desvalores propiciados pelos discursos e pelos exemplos a que tiverem sido impostas – incluindo aí as omissões de discursos e as omissões de exemplos.

Não existe a menor possibilidade de realizar o que se convencionou chamar de “educação neutra em relação a valores”. Se você não impõe valores, algum valor se impõe, e os principais valores que se impõem através de uma educação que se pretende livre de imposição de valores são a irracionalidade, a imoralidade e a intolerância.

O resultado da banalização e universalização deste conjunto de desvalores é uma sociedade que somente consegue resolver seus conflitos através da força. Um indivíduo que não pode ser chamado à razão por argumentos lógicos, que não pode ser chamado à moralidade por argumentos éticos e que não pode ser chamado à tolerância por argumentos humanitários só pode ser controlado pela força e pelo medo. 

E é isso mesmo que costuma ocorrer quando uma sociedade não impõe valores a seus membros: ela termina dominada pela força e pelo medo, justamente por aqueles membros que possuem menos valores racionais, morais e humanitários. 

Certo e errado não são questão de gosto pessoal

Não existe “a minha verdade” e “a sua verdade”. Dois e dois são quatro e não cinco. Matar é errado, a não ser em legítima defesa. Devolver uma carteira cheia de dinheiro ou não, da qual se sabe quem é o dono, é o certo a fazer. E demitir toda a cambada de imbecis que desencaminharam eticamente a criança que a eles recorreu em busca de orientação é corretíssimo e imperativo! 

Qualquer um que disser que não existem parâmetros para decidir entre o certo e o errado exceto as convenções sociais está errado – ou porque está mentindo, ou porque não entende nada do assunto. A ciência tem muito a dizer sobre questões morais e cívicas. O problema é que o conhecimento objetivo nessa área aniquila as pretensões ideológicas de quem acha que pode construir um mundo sem parâmetros morais para sua própria conveniência ideológica ou econômica. 

Ética não é conveniência

Pelo contrário, por definição a ética é inconveniente! Se tudo que fosse conveniente fosse ético, então não precisaríamos nos preocupar sequer em pensar no assunto. Só faz sentido falar em agir com ética quando percebemos que aquilo que é mais conveniente pode não ser o certo a fazer. 

Os argumentos apresentados pelos deseducadores daquela escola, de que o aluno era pobre e o dono da carteira era rico, e de que a mãe do aluno poderia ficar contrariada se eles dissessem ao aluno para devolver a carteira, são argumentos de conveniência, não de ética.

E daí se o aluno era pobre e o dono da carteira era rico? Isso por acaso torna certo a apropriação indébita da carteira? E daí se a mãe do aluno fosse ficar contrariada? As emoções mesquinhas de alguém sem senso ético por acaso transformam o certo em errado e o errado em certo? 

Depravação moral e cívica

A chafurda moral imposta pelos relativistas culturais está gradativamente desencaminhando a humanidade inteira e cada vez menos gente percebe o perigo. Aquilo que começa em pequena escala se multiplica, se avoluma e contamina todas as escalas e instâncias de uma sociedade – e atinge também o Estado que a regula, o que é gravíssimo, porque institucionaliza a corrupção (que nada mais é do que falta de ética). 

Três exemplos:

- O governo brasileiro vota na ONU pela não intervenção contra ditadores que massacram populações inteiras (Sudão, Líbia, Síria, etc.), ao mesmo tempo em que vota no Mercosul pela punição contra um país que depôs um presidente de acordo com a lei e praticamente ninguém comenta ou se importa com a incoerência. 

- O governo brasileiro propõe perda do pátrio poder e quatro anos de prisão para quem der uma palmada numa criança, ao mesmo tempo em que propõe uma pena de multa para quem invadir violentamente e apropriar-se da casa de uma família, e praticamente ninguém comenta ou se importa com a incoerência. 

- O governo brasileiro diz que a saúde no Brasil está ótima, quase perfeita, e investe centenas de milhões de reais na construção de estádios de futebol, ao mesmo tempo em que o povo morre ou fica mutilado nas filas das emergências dos hospitais, e praticamente ninguém comenta ou se importa com a incoerência. 

A depravação começa com coisas tão pequenas quanto a devolução ou não de uma carteira e acaba com mortes e mutilações em massa, injustiças absurdas e politicalha rapineira movida pela conjugação de interesses econômicos entre os políticos e os grandes deformadores de opinião deste país. Essa é a evolução natural da ausência de valores morais e do império da conveniência política e econômica. 

E praticamente ninguém comenta ou se importa com isso. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 07/08/2012

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80 comments to Depravação Moral e Cívica

  • Lucas do Polvo

    Nunca tive educação cívica e moral. Acho que não sou desse tempo, mas gostaria de ter e ver como é. Infelizmente, quanto mais relativizado, ignorante e bagunçado, melhor para os progressistas e marxistas. Eles apontam os culpados, opressores, coitados e oprimidos: dividem a sociedade.

    • O conteúdo desta disciplina era bastante limitado, na verdade. Inescapavelmente tinha o viés ideológico conservador de uma visão militarista de mundo, matizada pela “doutrina da segurança nacional”, e bastante focada no patriotismo e em símbolos da pátria (aprendia-se a desenhar a bandeira, a cantar o hino, a conhecer as datas comemorativas, etc.).

      A disciplina tinha seus momentos de ufanismo e seus momentos de exposição das mazelas da pobreza e da desigualdade social, apontando sempre o aperfeiçoamento do indivíduo, a moral e o civismo como soluções para os problemas do país. Era muito enfatizada a noção de “cidadão útil à pátria”. Hoje isso é visto como “ideologia conservadora”, mas… que sistema funciona melhor do que suas partes componentes? Dá pra “consertar” um país composto por sub-cidadãos?

  • Ainda bem que o casal de mendigos que achou 20 mil reais e devolveu pros donos chamou a Polícia ao invéz dos “deseducadores”. Aqui nem é questão de “impor valor”, mas de pelo menos mostrar o valor, tentar pelo menos induzir o valor da ética, mas fizeram justamente o contrário, eles INDUZIRAM a prática anti-ética.

    • “Se você se mantém neutro perante situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor.” (Desmond Tutu)

      Perante a ética é a mesma coisa: se você se mantém neutro perante situações relativas à ética, você escolheu o lado anti-ético.

      Nem tudo no mundo tem tons de cinza. Algumas coisas são preto-no-branco.

  • E já que o Arthur adora multiplas discussões por artigo, faço esta postagem em separado.

    Não, não tenho a menor saudade das “aulas” de EMC, nem lembro o que era dito porque era a aula mais chata que tinha, eu ficava “viajando” a aula inteira. Seguramente não foi por aula de EMC que eu aprendi que é ético procurar o dono de algo pra devolver. Provavelmente os tais mendigos também não.

    • Isso é porque tu tiveste a sorte de nascer em um ambiente onde havia princípios éticos e bons exemplos. Para muita gente o único contato com princípios éticos é “na teoria” da sala de aula.

      Não que eu ache que as aulas de EMC poderiam revolucionar o país e transformar o povo brasileiro em uma vanguarda moral com alto interesse cívico, mas ela tentava apontar na direção certa. Hoje em dia temos que torcer para as escolas serem cada vez piores e ineficientes, para contaminarem menos os alunos com noções erradas…

  • Alexandre

    Bem lembrado R. Tramarim. O casal não tinha onde cair morto, mas mesmo assim a dignidade falou mais alto. Realmente foi exemplar o que o casal fez.
    Agora do jeito que as coisas se encaminham com o desvio completo da conduta moral-ética, só temos um caminho, a volta da barbárie, onde impera a lei do olho por olho.
    Estamos mandando para o saco todo o conceito da democracia liberal, por simples falta de escrúpulos de alguns, que acaba contaminando o resto. O Brasil não recebe de braços abertos qualquer déspota de plantão como o presidente do Irã, então, o que pensar? Coisa boa é que não é.

    • E esses são os exemplos que chegam para o povo. Uma vez que outra na vida, alguém devolve uma grana. Mas todos os dias na novela e no noticiário…

  • Desmond Tutu faz parte da turma que acredita que voto em branco vai pro governo?

    • Não sei… Mas em um certo sentido eu faço parte desta turma. Quando não participamos do processo, deixamos que os atuais participantes o conduzam. Creio que não basta não apoiar, é necessário agir contra um mau governo.

      “Para que o mal triunfe, basta que os homens bons cruzem os braços.” (Edmund Burke)

  • Se um dos lados for o partido republicano estadunidense e o outro lado for o taliban, contem com minha neutralidade, por mais que ambos os lados me acusem de “apoiar” o outro.

    • Aí há que fazer uma ressalva: só podemos falar em “moral e cívica” quando temos uma alternativa ética disponível. No caso que citaste, a alternativa ética disponível não é apoiar A ou B e sim agir contra ambos propondo algo diferente (e decente).

  • paula

    Arthur, se voce soubesse que a disciplina de Educacao Moral e Civica nasceu no miolo do regime militar do seculo passado no Brasil, e que foi “concebida” pelas mentes das esposas professoras dos coroneis e generais, nao teria vinculado este texto muito interessante `aquilo.

    • Mas eu sei disso, Paulinha! :)

      Foi por isso que eu me precavi com a expressão “Apesar de todas as críticas que se possa fazer em relação aos conteúdos daquela disciplina (…)” ;)

      Eu gostaria que as escolas tivessem “Educação Moral e Cívica”, como se tentou fazer de modo inadequado, não aquela EMC específica.

      Mas nem tudo que os milicos fizeram foi lixo. Algumas coisas eles fizeram bem – por exemplo, o planejamento da matriz energética hidrelétrica. Até Satanás deve fazer algo bem feito de vez em quando. Não vou criticar algo em função de “quem fez” e sim em função do mérito específico daquele algo.

    • Paula

      Me desculpe, mas eu conheco pessoalmente uma das fundadoras e nao vou poder expressar TUDO o que eu penso sobre a ideologia e os objetivos da tal disciplina.

    • Agora fiquei curioso. :)

      Paulinha, eu não estou defendendo aquela disciplina de EMC, estou dizendo que entre seus pressupostos havia uma coisa boa – a noção de que moralidade e civismo são importantes em uma sociedade. É lógico que não necessariamente aquelas noções de moralidade e de civismo.

      E olha só que ironia: meu primeiro interesse pela política foi despertado justamente pelas disciplinas de EMC e OSPB (Organização Social e Política do Brasil), quando eu descobri a existência de pobreza em larga escala – algo que eu não podia imaginar que existia – simultaneamente com “grandes avanços políticos e científicos”, porque naquela época não se falava em “tecnologia”. Como é possível haver pobreza em larga escala em um mundo com grandes avanços políticos e científicos? – eis a pergunta que surgiu em minha mente justamente em função do que a própria ditadura militar contraditoriamente me apresentava.

      E que desgraça descobrir que continua a mesma porcaria, ou até pior, muito tempo depois que os milicos voltaram para os quartéis…

    • paula

      Mas esta descoberta nao pode ser creditada a esta disciplina. Ela ocorreria mais cedo ou mais tarde, ainda mais que es uma pessoa que teve acesso `a educacao. Mesmo quem nao tem acesso `a educacao descobre isso, mais cedo ou mais tarde.

    • Por que é tão difícil aceitar que os milicos deram uma dentro? Isso não justifica a ditadura. Adolf Hitler de fato recuperou a economia da Alemanha antes da Segunda Guerra. Isso não justifica o holocausto.

  • paula

    O texto ‘e muito bom, sobre o papel da educacao na formacao moral e etica de uma pessoa.

    Eu concordo que o carater nasce com a pessoa e cresce com ela.

    Eu concordo que sem a oportunidade para experimentar consequencias de certos atos, as vezes a crianca ou mesmo o jovem podem nao se dar conta que sua atitude pode nao ser a mais adequada em determinada situacao.

    Exemplo: crianca de 3 anos esta’ em viagem com os pais na estrada. Eles param para lanche e abastecimento. Ao percorrer 15 Km apos a ultima parada, a crianca de 3 anos mostra `a mae que lindo chocolate ela pegou da loja. A crianca NAO SABE que roubou. Os pais, neste momento, devem ENSINAR a crianca que as mercadorias coloridas e apetitosas que estao `a disposicao para pegar na loja, devem ser COMPRADAS. Se ninguem ensinar esta crianca que ROUBAR nao ‘e OK, em nenhuma situacao, ela vai crescer achando que aquilo ali seja natural.

    Sim, as pessoas de todas as idades precisam ser ensinadas. E’ mais facil de ensinar uma crianca sobre certas coisas, do que um adulto.


    • “o carater nasce com a pessoa e cresce com ela” (Paula)

      No sentido de que “a pessoa constrói seu caráter desde o nascimento e por toda a vida”, é isso mesmo.

  • Thiago Coimbra

    Meu primeiro comentario, apos 6 meses lendo o blog e os posts anteriores… acredito que se a disciplina existisse hoje, seria totalmente deturpada pelos agentes ideologicos presentes nas escolas. Eu sei que voce nao gosta dele, mas o Reinaldo Azevedo diz algo sobre esa relativizacao absurda nos dias de hoje. Se me permite divulgar o link, http://veja.abril.com.br/051207/p_116.shtml

    Abs, Thiago

    • Seja bem-vindo à caixa de comentários, Thiago. :)

      Eu já conhecia esse texto. Tenho lá alguns pontos de concordância com ele. Acho ridícula essa exaltação da mediocridade e da pobreza, tanto quanto o Reinaldo Azevedo acha. Mas provavelmente eu não concordaria com ele quanto aos remédios a serem aplicados para corrigir o problema.

      Eu não gosto nem da esquerda nem da direita, pelos mesmos motivos: nenhum deles está realmente interessado no ser humano.

  • paula

    Na sua argumentacao sobre depravacao MEC (nao vou citar o nome completo do seu texto, pois este nome me doi), voce cita o exemplo da saude vs. eventos esportivos no Brasil, como algo inaceitavel.

    Eu discordo desta argumentacao. A saude (ou a falta de) ‘e uma coisa. A criacao de oportunidades para crescimento atraves de eventos de larga escala, ‘e outra. Sao ambos devers do Estado, inclusive pela constituicao, se bem que a saude socializada padece da questao financiamento (o socialismo sempre acaba quando acaba o dinheiro dos outros).

    Mas em relacao aos eventos esportivos de grande monta, como Copa do Mundo de Futebol e Olimpiada, eu tenho uma opiniao diferente da tua.

    Eu sou a favor da Copa do Mundo e da Olimpiada no Brasil pelos beneficios diretos & indiretos antes do evento, durante o evento e depois do evento. Cabe `a sociedade brasileira CAPITALIZAR com o evento. Incrementar a inclusao social pelo esporte e pela oferta de cursos de linguas, de trabalho; aumentar a rede hoteleira e de restaurantes; modernizar acessibilidade urbana; melhorar os estadios das cidades (que afinal de contas sao muito mais usados pelos cidadaos que cinema e teatro, em numeros, temos que aceitar o que o cidadao quer fazer com seu dinheiro em vez de ter preconceito porque eu gosto de opera e ele de futebol)…enfim, quando a copa passar e as oportunidades desaparecerem, nao vao faltar preguicosos que nao arregacaram as mangas na hora certa CULPANDO ao Governo porque a Copa nao mudou nada, blablabla…

    Se a sociedade nao quiser aproveitar o evento, nao tem governo que va’ fazer os cidadaos aproveitarem.

    O fato ‘ que o Governo cumpriu a sua parte: garantindo o evento no Brasil CRIOU a oportunidade para a sociedade brasileira, composta de empresarios, individuos e esferas menores de governo, a oportunidade para estes EVOLUIREM. Se estes nao AGARRARAM a oportunidade para crescer, a culpa nao pode ser repassada para o Governo. Cada um dos componentes da sociedade deve ser responsabilizado. Voce, seu vizinho, seu chefe, todos.

    Pelo que vejo nos jornais, entre os poucos que estao capitalizando com a copa encontram-se os CLUBES de futebol, que modernizam ou constroem estadios, mesmo os que nao sejam sede para o evento, vide Gremio em Porto Alegre.

    O resto da sociedade deveria parar para pensar, enquanto ainda e’ tempo, e APRENDER um pouco mais com este setor economico de sucesso que se chama futebol, em vez de insistir em dizer que esta atividade nao serve para nada.

  • Renato

    Tudo parte de um desvio. Inventaram que professor é educador e ele, no auge da sua arrogância, acreditou nisso (sou professor, sei bem como é). Professor é pago pra ensinar uma disciplina, só isso. Se fizesse apenas isso, estaria contribuindo muito mais com a tal “sociedade mais justa e blá, blá, blá”.

    • O problema, Renato, é que, se chamarmos os professores apenas de professores, então teremos que admitir que ninguém está educando no país… Ou vai ficar claro que quem está educando mesmo é a TV, especialmente a novela e o comentarista esportivo.

  • Nelson

    Mises dizia: a única maneira de se combater ideias ruins é com ideias boas.

  • “Arthur, se voce soubesse que a disciplina de Educacao Moral e Civica nasceu no miolo do regime militar do seculo passado no Brasil, e que foi “concebida” pelas mentes das esposas professoras dos coroneis e generais, nao teria vinculado este texto muito interessante `aquilo.”

    A Paula disse tudo. O texto é ótimo e não precisava citar EMC como “contraponto” aos deseducadores. Por isso que eu citei PR americano e taliban. Dá pra ser contra um deles sem fazer qualquer apelo a qualquer coisa que venha do “outro lado”.

    • A idéia foi mostrar que pelo menos havia a intenção de ensinar moral e cívica, enquanto hoje em dia essas coisas são consideradas ridículas.

      Observa pelo seguinte ângulo: se até a ditadura militar sabia que isso era importante e tentou fazer algo pelo país através disso, imagina o quanto se deteriorou a situação agora que essas coisas são consideradas ridículas.

  • Explicando melhor, Arthur. O errado está errado praticamente em tudo o tempo inteiro. Nas raríssimas vezes que o errado estiver certo é porque acidentalmente chegou no número certo pelo calculo errado. E calculo errado erra 99% e acerta 1% sem querer. Não dá pra usa-lo como base, nem quando estiver certo. Pode ver, de tempo em tempo o O.C. dá uma dentro, mas mesmo quando fala algo que preste, pode ver, é sempre tentando provar alguma abobrinha.

    • Sim. Mas eu não acho que a ditadura militar era o demônio tentando promover o apocalipse, nem um bando de safados que só queriam se locupletar. Havia gente bem intencionada no meio e muita coisa foi tentada fazer do jeito certo, ou do jeito que eles achavam que ia dar certo. Óbvio que isso não justifica nem desculpa o golpe em si, eu só estou dizendo que não parto do princípio de que tudo que eles fizeram foi errado – assim como concedo ao PT algumas realizações que prestem, como por exemplo… hã… é… bem… ah, estou falando em tese, certo?

      Pelo menos no caso dos milicos dá pra citar a matriz energética hidrelétrica e a tentativa de oferecer alguma EMC.

    • Paula

      arthur, aquela disciplina nao tinha fundo benefico como imaginas.

    • Conhecendo um pouco o tipo de ser humano que mais freqüentemente ocupa posições de grande poder político, resultado de anos e anos de compromissos os mais abjetos com os atores os mais desprezíveis, eu não duvido nadinha que “educação moral e cívica” tivesse por objetivo doutrinar o povo à passividade. Até aí chovemos no molhado.

      O ponto que parece que eu não estou conseguindo transmitir – não entendo o motivo – é que a simples existência de tal disciplina demonstra que havia a noção muito clara de que moralidade e civismo são importantes para uma sociedade. E que até a ditadura militar percebia isso, o que torna ainda mais aberrante o fato de que hoje em dia isso é considerado “ridículo e ultrapassado”.

    • paula

      O problema ‘e a ditadura militar SE UTILIZAR desta necessidade para incutir determinadas ideologias na cabecinhas das criancas na escola.

    • Sim, sim… Do mesmo modo que qualquer um que elabore qualquer currículo faz. Pelo menos naquela época os valores eram moralidade e civismo. Hoje em dia é institucionalização do racismo, do sexismo, do coitadismo, do coletivismo, do nivelamento por baixo, etc.

      Creio que meu ponto é claro: a ditadura militar foi ruim, mas hoje estamos ainda pior em muitos aspectos importantes.

  • Nelson

    “Até o Diabo fala coisas verdadeiras de vez em quando, né?”

    Não é bom julgar o autor sem antes ler a suas obras e sem saber como viveu.

  • Nelson

    A importância de manter-se firme aos seus princípios – Mises e seu crescente legado

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1372

  • André

    Tenho uma parenta que é professora numa escola estadual. Um grupo de alunos mais problemáticos participa de um projeto de ensino “integral”, no qual algumas professoras tentam salvar essas crianças do destino de sempre. É um serviço muito desgastante, ninguém quer ter de lidar com um bando de jovens remelentos e mal-educados. Principalmente os adeptos da cartilha vejafriedmaniana de que não existe prato de comida grátis. E quem se habilita para o serviço sujo? Quem acha que está salvando a sociedade (os professores com tendências marxistas, já que a maioria nem leu Marx) ou quem acha que está salvando a alma dessas crianças (os professores religiosos, principalmente as mais carolas). O Reinaldo Azevedo confunde causa com consequência porque faz política e não análise.

  • Nelson

    Aluno só vai pra escola pra passar o tempo e ver um idiota util dando aula fazendo lavagem cerebral ideológica, não sabendo esse mesmo proferssozinho que ele vai para o saco preto naquilo que ele dissemina.

  • Alexandre

    O trecho do livro demonstra como a mediocridade humana caminha a passos largos travestido de pompa acadêmica.

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