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As sacolinhas plásticas

Então os supermercados em São Paulo deixaram de ofertar sacolinhas plásticas para os clientes carregarem suas compras supostamente devido à preocupação com o meio ambiente. Arrãm. Ontem eu estava em uma reunião com o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa e eles também concordavam que esta era uma importante medida de defesa do meio ambiente. 

Eu conheço bem o assunto “lixo” e suas ramificações, tenho uma boa experiência na área e até já lecionei a respeito em nível de pós-graduação. Vocês nem imaginam as verdadeiras barbaridades e absurdos envolvidos no tema. Não por acaso, já tivemos até mesmo o assassinato de um prefeito de uma grande cidade do ABC paulista devido (entre outras falcatruas) à questão do lixo. Este é um tema multibilionário no qual pouca gente se interessa além do discurso superficial das sacolinhas plásticas.

Vamos a um exemplo: trocentos tipo de embalagens plásticas diferentes são usadas para embalar todo tipo de produto. Tente ir ao supermercado e não comprar ao longo de um mês inteiro produto algum que não venha embalado em plástico ou que não seja feito de plástico. Espero que você consiga sobreviver somente com salsichas enlatadas e cerveja.

Plásticos demoram centenas de anos para se decompor. O Oceano Pacífico está completamente poluído de plásticos. Toda a vida marinha do maior oceano terrestre está em perigo devido às gigantescas ilhas de resíduos plásticos que lá flutuam e circulam livremente. São tão imensas que são visíveis a olho nu do espaço, ou seja, tomaram da Muralha da China o lugar de “única obra humana visível a olho nu do espaço”.

E São Paulo retira as sacolinhas plásticas dos supermercados.

“Ah, mas as sacolinhas fazem parte do problema!” Sim, claro. Tanto quanto uma unha encravada faz parte do problema de um politraumatizado que acabou de ser atropelado e deu entrada na emergência com parada cardíaca.

Se não tivéssemos toda uma gigantesca economia baseada na reintrodução de carbono fóssil na biosfera, o que está colocando o planeta inteiro a beira de um colapso climático que pode extinguir a espécie humana, e se não tivéssemos milhões de toneladas de plásticos não-sacolinhas sendo desperdiçados grotescamente em função da completa falta de uma política nacional de embalagens, coisa que os cretinos de Brasília não são capazes de discutir nem mesmo no intervalo entre uma falcatrua e outra, então as sacolinhas plásticas seriam relevantes. No atual contexto, não são.

Até onde sei, em São Paulo ainda é obrigatório depositar o lixo para coleta em sacolas plásticas. Antes os paulistanos usavam para este propósito as sacolinhas plásticas dos supermercados, nas quais traziam os produtos para casa. Agora serão obrigados a comprar nestes mesmos supermercados as sacolas plásticas necessárias para embalar o lixo. Exceto, portanto, o novo custo para o consumidor, o que foi mesmo que mudou? Qual é a vantagem para o meio ambiente entre a sacola que era ofertada e a que precisará ser comprada?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/04/2012

Semana Internacional da Picaretagem Pseudo-Ambiental

Meus leitores sabem que eu sou biólogo, mestre em ecologia e ecologista de carteirinha desde criança. E sabem que o último domingo foi o “Dia Internacional do Meio Ambiente”. Pois bem, eu não li nada a respeito, não ouvi nenhum programa de rádio, não assisti nenhum programa de TV, não apaguei as luzes por uma hora, não fui a nenhuma manifestação nem fiz porcaria nenhuma a respeito do “assunto do dia”. Por quê? Leia o artigo para saber, oras. :) [Ler texto completo]

Agenda Para Ontem Se Quisermos Ter Um Amanhã

Agenda Para Ontem Se Quisermos Ter Um Amanhã

Arthur Golgo Lucas

1) Fim do crescimento populacional para ontem.

2) Fim do consumo de combustíveis fósseis para ontem.

3) Fim do desmatamento e início da recuperação florestal para ontem.

4) Fim da superexploração e poluição dos oceanos para ontem.

5) Fim da violação dos Direitos Humanos para ontem.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, republico minha Agenda Para Ontem com a intenção de alertar os ecologistas e ambientalistas sobre a imensa e urgente necessidade do Movimento Ecológico de abandonar a anacrônica e obsoleta agenda ambientalista dos anos setenta, baseada em trabalho de formiguinha e conscientização para a mudança de atitudes individuais, e assumir uma nova agenda ecodesenvolvimentista, baseada em alterações estruturais dos sistemas político e econômico. [Ler texto completo]

Entenda meu “tom apocalíptico” sobre o aquecimento global e a desestabilização climática

Se o seu filho pequeno se soltar de sua mão e correr para o meio da rua, você vai dizer docemente “meu querido e amado filhinho, por favor volte para a segurança da calçada, porque sobre a pista de rolamento existe uma grande probabilidade de um veículo automotor inadvertidamente colidir contigo e provocar danos de relativa gravidade a fatais”? Ou você vai gritar “Fulano, olha o carro! Já pra cá!” a plenos pulmões? Se você entende que a suposta ponderação da primeira hipótese é perniciosa e que a segunda hipótese não é histérica e sim realista, então já pegou o espírito da coisa. [Ler texto completo]

A lição que o Movimento Ecológico teima em ignorar

As ações realizadas por indivíduos ou pequenos grupos só fazem diferença em escala local, elas não possuem sinergia suficiente para influenciar a escala global. Portanto, o Movimento Ecológico precisa eliminar as inúteis “campanhas de conscientização” e a postura de pedinte perante empresas e governos, arregaçar as mangas e construir alternativas econômicas e políticas competitivas que permitam realizar aquilo que está há quarenta anos pedindo inutilmente que os outros façam. [Ler texto completo]

Ganância, falta de cultura científica e negligência causarão a extinção da humanidade

Quando a água salgada bater na bunda do Cristo Redentor, não reclamem. Em junho de 2009, no artigo Aquecimento global: alarmismo ou perigo real?, eu alertei que a na melhor das hipóteses temos oito anos para mudar toda a economia mundial sob pena de causar uma desestabilização climática de tamanha intensidade que irá matar bilhões de pessoas, podendo chegar a extinguir a espécie humana. Em julho de 2009, no artigo “Somente os ricos e os paranóicos sobreviverão“, eu registrei o risco de o complexo militar-industrial das nações mais poderosas promover um “genocídio terapêutico” quando perceber que, quando o clima planetário se desestabilizar, eliminar 90% da população humana em poucos meses pode dar a eles uma chance de sobrevivência. Em agosto de 2009, no artigo “Ecologia política de resultados não se faz com ambientalismo amador“, eu descrevi qual o redirecionamento necessário para o Movimento Ecológico parar de se iludir com campanhas de conscientização e assumir uma orientação realista, capaz de produzir resultados concretos. Em setembro de 2009, no artigo “As conseqüências do pré-sal“, eu expliquei que o aproveitamento deste “recurso” é suicida, disse para deixarmos o petróleo lá onde estava e descrevi a matriz energética que precisamos construir. Em outubro de 2009, no artigo “Você acha mesmo que faz a diferença?“, eu defini a “Agenda Para Ontem”, necessária para salvar o planeta de um colapso climático e voltei a conclamar o Movimento Ecológico a agir de modo realista. Agora eu mostro como as informações cruciais sobre meio ambiente e clima são distorcidas pela a mídia e como quem não sabe ler as entrelinhas – 99% da população – é induzido a erro. [Ler texto completo]

Protestos inúteis do Movimento Ecológico

A Danielle Bambace, ativista ecológica, não gostou do que eu disse no artigo “você acha mesmo que faz a diferença“. Aí eu fui olhar o blog dela, “Meus infinitos“, e encontrei o artigo “Em ação“, sobre um protesto do Greenpeace. Li com inegável saudosimo da época em que eu acreditava que esse tipo de ação fazia sentido. O problema é “apenas” que isso não resolve nada. [Ler texto completo]

Você acha mesmo que “faz a diferença”?

Hoje recebi o seguinte tweet do GreenpeaceBR: “Use os dois lados da folha de papel. Se for reciclado melhor ainda. Essa dica faz a diferença.” NÃO, GREENPEACE, ESSA DICA NÃO FAZ A DIFERENÇA! Fico pasmo com a incapacidade do Movimento Ecológico e Ambientalista de abrir os olhos e reconhecer que as estratégias que faziam sentido na década de 1970 hoje são inócuas, diversionistas e portanto suicidas! PAREM DE SE ENGANAR, PAREM DE ENGANAR AS PESSOAS! Estamos no Século XXI, o mundo mudou muito desde a Estocolmo 1972 e da Rio-92, precisamos de um tipo completamente diferente de ativismo ecológico! [Ler texto completo]

Aquecimento Global: alarmismo ou perigo real?

Em praticamente todos os debates sobre o aquecimento global em que participei houve um momento em que meus interlocutores me acusaram de “alarmismo”. Não por coincidência, sempre após eu esclarecer quais seriam as conseqüências previsíveis da continuidade das atuais tendências climáticas e afirmar que “é necessário tomar com urgência medidas drásticas para evitar catástrofes imensas”. Custei para perceber que uma pessoa que não entende a magnitude de um problema não está preparada para aceitar uma solução proporcional – e esta é uma questão de proporções nunca antes enfrentadas pela humanidade. [Ler texto completo]