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Você confia nas estatísticas de avanço social no Brasil?

A propaganda oficial é de que “o Brasil é um país cada vez mais de classe média”. Em defesa desta tese, o governo do PT e seus apoiadores citam estatísticas de que mostram que a classe média aumentou e a pobreza diminuiu. Mas vou mostrar aqui como é que se faz para mentir com estatísticas.

Esta é a calculadora de classe social do DataFolha

Clique na imagem para abrir uma janela com a calculadora.

A manipulação das estatísticas fica evidente porque, segundo este critério, o Brasil só tem três classes sociais: o extrato bem do alto, o extrato bem de baixo e todo o resto no meio. Quer dizer, assim é fácil ser “classe média”. Basta não ser o Eike Batista, nem o mendigo embaixo da ponte, certo? 

Errado. A manipulação é muito pior do que você imagina. Até mesmo o mendigo embaixo da ponte pode ser “classe média intermediária” de acordo com os critérios do DataFolha. Se você duvida, faça a simulação que eu sugiro abaixo. 

Eu imaginei a seguinte situação: que eu tivesse me atirado nas drogas, perdido tudo e contraído tuberculose, e vivesse pedindo esmolas pra fumar crack embaixo de uma ponte a noite toda, dormindo de dia embaixo de um viaduto úmido, enrolado num cobertor rasgado e abraçado num cachorro sarnento para não morrer de frio, comendo lixo e fazendo as necessidades fisiológicas na rua. Em resumo, um dos piores quadros de miséria possíveis. 

Qual minha classe social nestas condições? Classe média intermediária. 

Eu marquei todas as piores alternativas existentes, exceto uma: nível educacional. Afinal, a pós-graduação que eu fiz é “indesfazível”, então eu nunca deixarei de tê-la, mesmo que enlouqueça, perca a memória e passe a confundir cocô de gato com chiclete. 

Basta que eu tenha feito aquele curso para que nunca mais eu deixe de ser no mínimo um integrante da classe média intermediária, independentemente de minha realidade sócio-econômica.

Não é fantástico? Um país gerenciado segundo tais critérios estatísticos nunca piora. Assim o governo federal sempre pode encher a boca e dizer que “nunca antes neste país” a situação esteve melhor – e mostrar estatísticas oficiais que comprovem isso. 

A essas alturas eu fiquei curioso: comecei a fazer outras simulações, sempre tendo em vista aquela imagem de desgraçado que perdeu tudo, mas baixando a escolaridade um passo de cada vez. E o que eu descobri me deixou estupefato. 

Faça a simulação. Coloque “nível superior incompleto” como escolaridade do desgraçado sob o viaduto. A que classe social ele pertence? Classe média intermediária. 

Vamos pensar um pouco no que significa isso. 

O que é necessário para ter um “curso superior incompleto”? 

BINGO: basta ingressar em uma universidade federal pelo sistema de cotas, rodar em todas as disciplinas do primeiro semestre e abandonar o curso. Isso é “curso superior incompleto”. Isso é garantia de pertencer à “classe média intermediária” pelo resto da vida. 

Qual o resultado deste modo de fazer estatísticas? 

Como 50% das vagas de todas as universidades federais serão reservadas para cotistas, o impacto do sistema de cotas nas estatísticas será “uma grande redução da miséria”, mesmo que todos os cotistas vão viver embaixo da ponte fumando crack abraçados num cachorro sarnento pra não morrerem de frio.

E o governo federal terá lindas estatísticas oficiais para se reeleger afirmando que o país está cada vez melhor, que tirou tantos da miséria, que fez milagres pela situação dos negros, que implementou justiça social, que revolucionou a educação e a economia, que mudou a cara da sociedade… 

Brasil, um país de tolos. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/05/2013 

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