Fique amigo

Pensar Não Dói no Facebook Pensar Não Dói no Twitter Pensar Não Dói no Orkut

Siga o blog

Quem merece ser ajudado?

O texto abaixo é uma tradução aproximada e editada de um trecho de um documentário que eu não quero revelar ainda para não trazer interferências desnecessárias ao debate. Ele traz uma questão muito interessante para quem quer se lançar em qualquer projeto para ajudar pessoas, seja do modo que for. 

Acho que é um erro perguntar se um povo, como uma unidade, irá compreender você. Não me interessa se todas as pessoas me compreendem. 

Quando nos deparamos com uma crise devastadora que coloca a vida em risco, como o Titanic ser atingido por um iceberg, e sabemos antes de todos os outros que o navio vai afundar, sabemos que não existem barcos salva-vidas suficientes, sabemos como construir salva-vidas e tentamos lidar com isso no tempo que o Titanic tem antes de afundar, é provável que encontremos três tipos de passageiros no Titanic. 

Iremos encontrar um primeiro grupo que será apanhado de surpresa: “O navio foi atingido? O que significa isso? O que faço? Não sei o que fazer! Não sei para onde ir! Devo… Não sei!”. 

Haverá um segundo grupo que dirá: “Já percebemos que o navio vai afundar. Já percebemos que vamos todos morrer a não ser que construamos salva-vidas rapidamente. Mostre-nos o que fazer!” 

E haverá um terceiro grupo que dirá: “Este é o Titanic! É absolutamente inafundável! Vamos até o bar tomar uma bebida, e vocês pregadores do Apocalipse podem ir dar uma volta!” 

Se você for a pessoa que sabe construir salva-vidas, que grupo de pessoas você vai ajudar?

Eu adotaria o seguinte conjunto de prioridades, baseado no meu melhor entendimento do que sejam “responsabilidade”, “mérito” e “justiça”: 

Em primeiro lugar eu ajudaria quem teve o cuidado de se manter adequadamente informado sobre as coisas realmente importantes a sua volta e já está decidido e pronto para colaborar. 

Em segundo lugar eu ajudaria quem não teve este cuidado, ou está confuso e não consegue pensar direito, mas decide assumir a posição mais cautelosa e colaborar mesmo sem ter certeza de que o perigo é real. 

E em terceiro lugar eu não ajudaria mais ninguém. A turma do bar já foi avisada e já tomou sua própria decisão. Que arquem com as conseqüências. 

Como eu sou um coração-de-manteiga-derretida, muitas vezes já insisti em ajudar a turma do bar, mas a vida me ensinou através de muitas decepções e frustrações que isso é inútil e desgastante. Com exceção apenas dos casos de incapacidade de autodeterminação, hoje eu acredito em ajudar apenas quem quer ser ajudado e se esforça para aproveitar a ajuda.

E você? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 21/05/2013 

 

Todo ecoxiita é um ecochato

Todos nós conhecemos algum ecochato. É aquele sujeito que enche o saco para você fechar a torneira da pia enquanto escova os dentes, ou que dá um discurso no churrasco da galera porque você usa sacolas descartáveis no supermercado ao invés de comprar uma durável. Mas há um tipo que representa o extremo do espectro da ecochatice: o ecoxiita. 

Eu sou biólogo, mestre em ecologia, ambientalista de carteirinha desde a 5ª série primária. Conheço como poucas pessoas no planeta a problemática e a extensão do risco do aquecimento global (que eu prefiro chamar de “desestabilização climática”). SEI que os dois principais fatores na desestabilização climática são a recolocação de carbono fóssil em disponibilidade na biosfera e a destruição da capacidade regulatória dos grandes ecossistemas terrestres e marinhos (através de diversos mecanismos que não vêm ao caso agora). E no entanto eu tenho um carro a gasolina e dirijo muito.

Incoerência? Não. Simplesmente eu não vou cair na armadilha em que os ingênuos caem e que os transformam em ecoxiitas – e portanto em ecochatos muito chatos e pouco ecoqualquercoisa. 

Quando eu participava de uma certa ONG, eu conheci um cara que não andava nem de carro, nem de ônibus, nem de avião, porque todos estes veículos usam combustíveis fósseis. Ele se deslocava a pé ou de bicicleta, exclusivamente. Quando nós marcávamos um evento em outra cidade, ele se deslocava de bicicleta no dia anterior para chegar a tempo. Dormia numa barraca, ou num banco da rodoviária, porque não tinha dinheiro para pagar um motel. Tomava banho na rodoviária, ou chegava fedendo a suor. E discursava furiosamente contra nossa “incoerência” por andarmos de carro para ir a tais eventos.

Com o tempo, nós paramos de convidá-lo para ir a qualquer evento.

Ele tinha razão? Bem, até onde eu sei, apesar dos trinta e tantos anos de militância fervorosa contra os automóveis, até hoje ele não convenceu uma única pessoa a vender seu carro. O máximo que ele conseguiu foi convencer alguns amigos a fazer alguns trajetos de bicicleta com ele – eventualmente. E é assim que a humanidade se comporta, gostemos ou não.

Não adianta fazer sacrifícios dos quais as pessoas desdenham. Toda minoria que o fizer, colocando-se em situação mais difícil que a média, simplesmente se tornará irrelevante. Não adianta dar murro em ponta de faca. Pode até ser uma pena, mas é assim que funciona. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/05/2013 

My Medical Choice – Angelina Jolie

Este é o artigo original escrito por Angelina Jolie e publicado no The New York Times, para quem quiser conferir o que exatamente ela disse que gerou toda a discussão que levou a meu artigo anterior. (Os grifos são meus.) Ao final há dois artigos relacionados, também retirados do The New York Times, que discutem a questão de forma civilizada.   [Ler texto completo]

Angelina Jolie quer mutilar mulheres saudáveis?

Por tudo que é mais sagrado, eu estou coberto de nojo por uma declaração perversa que vi no Youtube: “Angelina Jolie breast mutilation agenda exposed”. Já chegamos mesmo ao nível de perversão necessário para “respeitar” esse tipo de acusação infame e execrável? 

Imagine você que um exame médico traga uma péssima notícia: você tem 87% de chance de desenvolver uma doença fatal, cujo desenvolvimento pode ser lento e doloroso e cujo tratamento é desconfortável e debilitante, além de não ser eficaz em muitos casos. 

Imagine você que é jovem, que tem filhos pequenos, que tem muitos planos para a vida e que deseja muito viver com uma boa qualidade de vida… E que há 87% de chance de que tudo isso seja destruído pela doença. 

Imagine você que sua mãe já tenha sucumbido a essa mesma doença, morrido jovem, sofrido muito, e que você tenha acompanhado a agonia dela e de toda a família. 

Imagine você que a medicina conheça um modo de reduzir sua chance de sofrer tudo isso de 87% para menos de 5%, mas – sempre tem um “mas” – o método é cirúrgico, exige a remoção de tecidos e pode deixar cicatrizes e modificar um pouco o formato de seu corpo, o que faz você temer não somente por sua vida e saúde física, mas também por sua auto-estima. 

Imagine você que, após meses de angústia e dúvidas, conversas com sua família, conversas com seus médicos, mais conversas com sua família, mais conversas com seus médicos, você finalmente toma a difícil decisão de realizar um procedimento preventivo. 

Imagine você que, após toda essa tensão, você finalmente realiza o procedimento e corre tudo bem, seu corpo reage bem, sua família coopera com atenção e carinho, e você sente um grande alívio, começa a superar o trauma.

Imagine você que finalmente se dispõe a comentar o assunto em público, porque você é uma figura pública, e relata com a melhor das intenções todo o sofrimento por que passou, todo o processo de enfrentamento da doença e os sentimentos que que tinha antes, durante e depois do procedimento preventivo radical a que se submeteu para salvar sua própria vida. 

Imagine você que suas declarações a respeito sejam cuidadosas e responsáveis, evitando afirmar que sua solução é a melhor possível, ou que sirva para todo mundo, ou que é a coisa certa a fazer, e que se limite a sugerir que todo mundo que corre um risco semelhante ao que você correu deveria ter o direito e a oportunidade de tomar uma decisão bem informada, assim como você teve o direito e a oportunidade. 

E então um bando de pervertidos acusa você de “querer mutilar pessoas saudáveis” e vomita todo tipo de baboseiras ideológicas sobre “sustentar a indústria do câncer” e “celebrar o abuso médico contra as mulheres” com chamadas odiosas do tipo “Angelina Jolie breast mutilation agenda exposed “. 

Eu fico imaginando como deve se sentir uma pessoa que tenha passado por tudo isso e depois veja esse tipo de comentário na grande mídia ou na internet. Deve doer na alma. Deve magoar muito. Deve fazer a pessoa se sentir ferida, sem chão, sem saber o que fazer. Deve intimidar

E o que faz uma pessoa assim magoada, ferida, intimidada? Na maior parte das vezes, estas pessoas se calam. Deixam de defender o que pensam. E deixam assim o terreno livre para a expansão das ideologias porcas dos intimidadores. É uma tática brutalizante, maldosa, perversa, mas muitas vezes eficaz. 

Eu não acredito que Angelina Jolie vá se calar perante estes pervertidos. E não acho que ela jamais vá conhecer este blog e ler este artigo, até porque ela não fala português e na língua dela já há muito lixo e muitas manifestações de apoio sendo escritos. Mas faço absoluta questão de fazer o registro: vida longa à Angelina Jolie – e que as injúrias obscurantistas que estão sendo lançadas contra ela voltem para os esgotos de onde saíram. 

Se a decisão de Angelina Jolie foi a mais acertada? Não sei. 

Se eu tomaria a mesma decisão no lugar dela? Não sei. 

O que eu recomendaria a outras mulheres? O mesmo que Angelina Jolie recomendou: que se informem, que conversem com seus médicos e com suas famílias, e que tomem suas próprias decisões com base no melhor conhecimento disponível e de acordo com seu melhor entendimento. Mas acima de tudo eu recomendo que não se deixem intimidar por nenhuma pirotecnia ideológica odiosa ao decidir o que é melhor para suas vidas. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/05/2013

Como adaptar-se ao mundo moderno

A solução para esse difícil problema foi descrita em um vídeo do Youtube.

Clique aqui para assistir o vídeo, são apenas 2 min e 18 s.

Depois de assistir o vídeo, volte aqui e comente. 

Nossos professores nos traíram

A crítica que fiz aos professores no artigo sobre a tragédia de Santa Maria incomodou muitos e gerou algumas reações bem agressivas. Alguns tentaram até me acusar de “trair a categoria” e prejudicar suas “lutas por melhores salários e condições de trabalho”. Arrãm. Vamos analisar isso melhor.  [Ler texto completo]

Mãe pede que filha viciada em crack seja esterilizada

Esta é uma polêmica interessante que surgiu no Rio Grande do Sul. Uma usuária de drogas pode ter filhos, mas não pode cuidar deles – tanto porque o ECA proíbe quanto porque neste caso ela não tem mesmo condições. A avó é sobrecarregada com a responsabilidade de criar os netos que não param de ser gerados e pede a esterilização da usuária de drogas. Qual é a solução para esse imbróglio jurídico?  [Ler texto completo]

A cultura de submissão e o massacre na escola Sandy Hook

Mais um massacre em uma escola. Um atirador, mais de cem tiros, vinte e oito mortos. E lá vou eu novamente perguntar: por que o atirador escolheu matar crianças em uma escola e não atiradores treinados em uma reunião da National Rifle Association? Por que não invadiu uma delegacia de polícia atirando? Por que não atacou uma boca de tráfico num bairro barra-pesada?  [Ler texto completo]

Teoria dos Jogos aplicada à alegria no futebol: uma proposta de aperfeiçoamento na contagem dos pontos

Antigamente era assim: dois pontos pela vitória, um ponto pelo empate, zero pontos pela derrota. Um jogo de soma zero. Lá pelas tantas a FIFA resolveu valorizar o jogo ofensivo, atribuiu três pontos à vitória e transformou o futebol em um jogo de soma negativa. Isso fez bem ao futebol. O que eu proponho agora é usar a mesma estratégia para acabar com os jogos-marmelada em que o empate em zero a zero favorece os dois times. Isso faria muito bem ao futebol.  [Ler texto completo]

Por que o racismo e o sexismo são ruins?

A resposta é simples: porque são injustos. Mas por que são injustos? Essa é a verdadeira questão. Ao contrário do que normalmente se diz, o motivo pelo qual o racismo e o sexismo são injustos não é porque favorece algumas pessoas em detrimento de outras.  [Ler texto completo]